Roteiro da repescagem alternativa

A repescagem da Copa de 2006 no tem nenhum encontro tecnicamente notvel. No mximo, os duelos Uruguai x Austrlia e Sua x Turquia despertam algum interesse pelo relativo equilbrio entre as partes envolvidas. Mas Trinidad e Tobago x Barein especial. Nunca houve um jogo to bizarro quanto esse para decidir uma vaga para a Copa. Por isso, nenhum encontro dessa repescagem to imprevisvel e tem tantas chances de ficar na histria de alguma forma. Por isso, o Balpodo preparou um mini-roteiro para voc que quer acompanhar melhor o duelo entre trinitinos e barenitas.


Sem muita convico e baseado em comparaes pouco eficiente no restrospecto recente de cada uma das selees, o Balpodo considera o Barein levemente favorito. O momento que merece mais destaque no currculo da equipe barenita a Copa da sia. A seleo entrou como figurante e se transformou na grande surpresa o torneio, terminando em quarto lugar, atrs apenas de Japo, China e Ir. A trajetria nas Eliminatrias tambm foi segura, com exceo da primeira partida de ida contra o Uzbequisto (aquela que foi anulada pelo erro do rbitro japons aps o segundo gol uzbeque).
Porm, tambm necessrio salientar que, nessas duas competies, o Barein tambm no teve de se superar contra algum adversrio mais forte. Em bom portugus, os barenitas esto em evoluo e com um futebol consolidado para seus padres, mas tambm no fizeram mais do que a obrigao em muitos momentos.
Na Copa da sia, Barein passou por Malsia e Mianmar nas Eliminatrias, por Indonsia e um decadente Catar na primeira fase e pelo Uzbequisto nas quartas de final. S caram diante do time misto do Japo na prorrogao da semifinal. Nas Eliminatrias, deixaram para trs Sria, Tadjiquisto, Quirquisto, Coria do Norte e Uzbequisto. Nada de ter pela frente pases relativamente mais tradicionais como Kuait, Emirados rabes, Arbia Saudita, China ou Ir.
A principal virtude do Barein o entrosamento. Sem grande qualidade tcnica, o tcnico belga Luka Peruzovic montou um time que defende com grande determinao (o que deixa margem para alguns erros infantis por causa do excesso de voluntariedade) e busca contra-ataques rpidos, mas tambm sem esquemas muito profundos. As principais referncias ofensivas so Duaij Naser e, principalmente, Aala Ahmed Hubail, artilheiro da ltima Copa da sia e da seleo barenita nas Eliminatrias.
No entanto, o maior problema a ser enfrentado pelo Barein a falta de experincia internacional. Por mais que tenha desempenho satisfatrio nos ltimos anos, os barenitas no esto acostumados a enfrentar adversrios de outros continentes, com outro estilo de jogo e outra cultura futebolstica. At porque os poucos jogadores que atuam no exterior esto em ligas mais ricas de pases vizinhos como Catar e Kuait.
justamente a a grande vantagem de Trinidad e Tobago. Dos 22 jogadores convocados pelo rodado tcnico holands Leo Beenhakker para a repescagem, 18 jogam fora do arquiplago caribenho. A lista de clubes vai de Japo e Austrlia a Estados Unidos, mas a esmagadora maioria est na Gr-Bretanha.
O maior exemplo da experincia trinitina a dupla de ataque Stern John, ex-Derby County e atualmente no Coventry City, e Dwight Yorke, ex-Manchester United e Blackburn e atualmente se preparando para disputar o Mundial de Clubes pelo Sydney. O meia Russell Latapy, do escocs Falkirk (mas que j defendeu o Sporting de Lisboa) tambm outro jogador que pode ser decisivo. Yorke e Latapy, inclusive, defendia os Soca Warriors em 1989, quando perderam em casa para os Estados Unidos por 0x1 em um jogo que precisavam apenas empatar para ir Copa da Itlia.
Esse intercmbio permitiu que Trinidad e Tobago tivesse mais qualidade tcnica que o adversrio. No apenas em talento, mas em desenvolvimento nos fundamentos e na capacidade de tomar decises durante a partida.
O problema que os Soca Warriors devem ultrapassar ainda a falta de conjunto. As Eliminatrias da Concacaf tm muitos jogos inteis no incio e muitos jogadores na Europa preferiam no viajar at o Caribe nessa etapa do torneio. O que torna ainda pior o fato de o time ser formado praticamente por atletas de clubes diferentes.
Assim, por mais que a campanha tenha sido positiva, Trinidad e Tobago no foi devidamente testado at agora. Passou por Repblica Dominicana, So Vicente e Granadinas, So Cristvo e Nvis, Guatemala e Panam. Selees que sempre estiveram abaixo dos trinitinos na ltima dcada. Se os Soca Warriors ainda tivessem passado por Honduras, Jamaica ou El Salvador…
A chave para a partida de ida, em Porto Espanha, ser a capacidade de Latapy, Yorke e John conseguirem envolver a defesa barenita. Se o trio trinitino vencer o duelo, certamente os caribenhos faro um resultado confortvel para a partida de volta, em Manama.
Ubiratan Leal
Imagens: Fifa

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