E se a Ponte Preta ganhasse a final em 1977?

Ponte Preta 1977.JPG
Bate-rebate na rea. Bola na trave, Oscar tira em cima da linha. E a bola sobra para Baslio. Era 13 de outubro de 1977 e o Corinthians estava prestes a sair dos 23 anos sem ttulos. O camisa 8 tinha o gol livre diante de si, mas errou o chute. A bola espirrou e saiu por cima do gol. No lance seguinte, Dic aproveitou uma desateno da marcao corintiana e, em um chute da entrada da rea, acertou o canto de Tobias. Ponte Preta campe.


A cidade de So Paulo entrou em depresso. Ainda que os campineiros tivessem vencido o segundo jogo da deciso do Paulisto, imaginava-se que, na terceira partida, o Corinthians fizesse valer a vantagem do empate em 120 minutos. Isso no aconteceu e a sensao de sofrimento eterno cresceu. Afinal, perder a final de 1974 para o Palmeiras era at admissvel. Mas deixar escapar o ttulo para um time do interior era algo fora dos planos, ainda que a Ponte Preta fosse muito mais forte tecnicamente.
Durante trs dias, nada acontecia na capital paulista. Mesmo palmeirenses, so-paulinos e santistas eram solidrios com a dor dos corintianos. No havia gozaes, apenas uma tristeza de ver tantas pessoas se afundando na percepo de que o futebol jamais lhes daria alegria. A relao entre Corinthians e o povo sofredor nunca esteve to forte.
No ano seguinte, a situao no melhorou. At o Guarani conquistava ttulos. No caso, o Brasileiro. Os jovens, ainda volteis futebolisticamente, viram nos futebol campineiro uma moda. Era diferente e legal gostar daqueles clubes que, vindas de uma cidade a 100 km da capital, tinham times competitivos e cheio de jogadores feitos em casa. At entre os paulistanos surgiu uma torcida para Bugre e Ponte, que viram a popularidade crescer e, nos anos seguintes, atraram a ateno de empresas que quisessem vincular suas marcas a clubes modernos.
Mas isso era entre os jovens. A maioria da populao continuava vendo no Corinthains seu reflexo em campo. Antes de 1977, dizia-se que o Alvinegro era um fenmeno por aumentar sua torcida mesmo sem conquistar ttulos. Pois isso se intensificou depois daquele gol de Dic. Quem quisesse fugir da imagem de modista, escolhia o Corinthians. Quase como um sinal de rebeldia e desprendimento do mundo material em poca de ditadura e cultura pop efervescente.
Em meados da dcada de 1980, o cenrio futebolstico j est todo modificado. O Corinthians tem a maior torcida de So Paulo por vantagem nunca atingida em relao ao Palmeiras, o segundo colocado. At que um dirigente corintiano teve a sacada: se a torcida cresce tanto com as derrotas, talvez seja uma boa idia a gente sempre chegar perto dos ttulos, mas perder no final.
A nova diretriz no Parque So Jorge era, secretamente, montar times lutadores para agradar torcida, mas que fossem ruins o suficientes para perder sempre. Qualquer coisa era motivo para sucatear o time. A diretoria chegou a alugar o departamento de futebol vrias vezes. Alm disso, cedeu as categorias de base a conselheiros que quisessem se desfazer dos jogadores. A infra-estrutura da equipe profissional ficou abandonada.
A essa altura, a quantidade de derrotas j fizera o Alvinegro ultrapassar o Flamengo como clube mais popular do pas, ainda que no conquistasse nem Copa So Paulo de juniores. O marketing da desgraa parecia bastante eficiente no Parque So Jorge, ainda que nenhum no-corintiano entendesse como aquilo ocorria.
O golpe de mestre seria um acordo de parceria com mafiosos internacionais. Alm de desorganizar todo o departamento de futebol, o clube afundou em dvidas e ainda tinha um elenco em que vrios jogadores ruins tinham salrios astronmicos. Era um retrato do inferno. O problema que, na nsia de minar a fora do time, a diretoria exagerou na dose e o time foi rebaixado no Campeonato Brasileiro.
A queda fez alguns corintianos pararem de se regozijar com a prpria desgraa para investigar o que ocorria. Apenas quando perceberam o estado em que o clube ficara que algum sacou: Era tudo um plano da diretoria. Para fazer tanta barbaridade em seqncia, s pode ser de propsito para perder.
Era mesmo.

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Pauta sugerida por Pedro Henrique Pires Silva.
Ubiratan Leal
Obs.: Esse artigo uma obra de fico e, portanto, no deve ser levado a srio. Nenhuma das pessoas, empresas, entidades ou associaes citadas no texto foi efetivamente entrevistada ou consultada. Ah, e como ningum aqui tem talento para ler mos, i-ching, tar, bzios, mapa astral ou bola de cristal, qualquer semelhana com a vida real foi uma grande coincidncia.
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