[Exclusivo] MLB planeja reformar estádio em São Paulo para organizar um jogo no Brasil

A liga ainda trabalha com fornecedores para baratear o custo de equipamentos no mercado brasileiro

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Caleb Santos-Silva já é um conhecido no meio do beisebol brasileiro. Norte-americano, seu sobrenome português vem do pai, imigrante cabo-verdiano. Ele não aprendeu o português em casa, mas uma namorada brasileira o ensinou. Virou funcionário da MLB e, devido a familiaridade com o idioma, era sempre designado para coordenar os Elite Camps da liga no Brasil. Mas essa relação vai mudar, pois ele já está preparando a mudança para se tornar o chefe do escritório da Major League Baseball em São Paulo.

A criação desse posto avançado da MLB no Brasil é mais importante do que parece. Ela mostra como a liga colocou o País entre suas prioridades de investimentos para a expansão internacional. Atualmente, são apenas três escritórios comerciais da MLB fora dos Estados Unidos: Londres, responsável por assuntos de Europa, África e Oriente Médio, Tóquio, que trata de questões no Oriente, e Sydney, para a Austrália (onde há uma liga bancada pela MLB). A América Latina toda fica debaixo da sede principal, em Nova York.

Obs.: há também um escritório na República Dominicana, mas esse não cuida de questões comerciais, apenas a coordenação de trabalhos das franquias na busca de jogadores no país.

O escritório brasileiro tratará de temas ligados apenas ao Brasil. A liga já organiza anualmente os Elite Camps em Ibiúna, no qual olheiros das franquias podem observar os garotos com mais potencial para receber um contrato. Luiz Gohara, por exemplo, chamou a atenção do Seattle Mariners na edição de 2012 do evento. Mas os planos são muito mais ousados, e por isso a liga decidiu ter uma sede fixa.

Uma das ideias é fazer um jogo no Brasil. “Estamos avaliando a possibilidade de bancar, com dinheiro da liga, uma reforma total do estádio do Bom Retiro”, comentou Santos-Silva ao ExtraTime. “O objetivo é deixar esse estádio em condições de receber, em alguns anos, uma partida da MLB.” O Mie Nishii, no bairro do Bom Retiro, é o principal estádio do beisebol brasileiro. Pertence à prefeitura, e suas condições estão longe das ideais. O Elite Camp de 2012, por exemplo, foi bastante prejudicado porque o campo não suportou as chuvas que caíram no dia.

Estádio Mie Nishii, no bairo paulistano do Bom Retiro (Divulgação)
Estádio Mie Nishii, no bairo paulistano do Bom Retiro (Divulgação)

O futuro responsável pelo escritório brasileiro da MLB não deu um prazo, mas Paul Archey, vice-presidente da área internacional da liga, havia falado em fazer uma partida no Brasil em cinco anos para uma reportagem de Éder Fantoni e Paulo Roberto Conde na Folha de São Paulo. “A internacionalização é o caminho, e o Brasil é muito forte”, comentou. O dirigente acompanhou a comitiva da NBA que foi ao Rio de Janeiro para o amistoso entre Chicago Bulls e Washington Wizards, a primeira partida de NBA no Brasil.

Segundo Santos-Silva, a MLB tem interesse técnico, com o desenvolvimento de jogadores brasileiros, e comercial, com a presença maior das marcas ligadas ao beisebol. Realizar uma partida – ainda que um jogo demonstração ou um amistoso de pré-temporada – ajudaria a chamar a atenção do público, mas é preciso permitir que a prática do esporte se dissemine.

A liga já observa trabalhos sociais como o Baseball Escolar, no Rio de Janeiro. Mas há um plano mais ousado. “Estamos conversando com a Wilson, a Rawlings e outros fornecedores oficiais nossos para criar algum modo de importar equipamentos sem que eles fiquem tão caros aqui”, conta Santos-Silva.

São projetos de longo prazo, e que talvez nem se consolidem. Mas todos denotam um grande interesse da MLB no mercado brasileiro, e a intenção de se trabalhar para que isso cresça. O momento é positivo, e não pode ser desperdiçado.