Nicarágua ia armando uma das maiores zebras das Eliminatórias, até que, aos 44 do segundo…

Jamaica mantém esperanças de ir à Copa de 2018 com um belo gol no finalzinho do jogo

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A Jamaica não é uma potência futebolística, nem na Concacaf. Os Reggae Boyz participaram de apenas uma Copa do Mundo, em 1998, mas, depois de eliminarem os Estados Unidos e chegarem à final da Copa Ouro, podem ser considerados candidatos a uma vaga no Mundial de 2018. Do outro lado, a Nicarágua, único país da América Central que não tem o futebol como esporte mais popular (perde do beisebol).

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Era óbvio que os jamaicanos eram favoritíssimos no confronto entre eles pela terceira fase das Eliminatórias da Concacaf para a Copa. Mas os nicaraguenses surpreendiam. Venceram por 3 a 2 o jogo de ida, em Kingston. Bastava empatar em casa, até uma derrota por um gol em Manágua provavelmente serviria.

Era o que ocorria nesta terça. A Jamaica vencia por 1 a 0, gol de Mattocks aos 13 minutos. O tempo passava e passava, com um placar que classificava a Nicarágua pelos gols como visitante. A pressão jamaicana cresceu após o intervalo. E nada de a bola entrar.

Até que, aos 44 minutos do segundo tempo, a Jamaica tem um lateral. Bola alçada na área, a defesa nicaraguense tira mal, Dawkins fica com a sobra e…

…Jamaica classificada.

O legado da Copa 2018 deveria ser o combate ao racismo na Rússia, mas esse trabalho está atrasado

De que adianta os estádios estarem com obras adiantadas se as instituições ainda fazem vistas grossas à intolerância?

“Uh uh uh uh uh uh uh”. O som é inconfundível e qualquer pessoa que conheça um pouco o padrão de comportamento de torcedores extremistas da Europa sabe do que se trata. É a suposta imitação do som de um macaco, tanto que ele só é emitido pelos ultras quando um jogador negro – normalmente do time visitante, ainda que até os do mandante já foram alvo – pega na bola ou está próximo da jogada. Foi assim com Emmanuel Frimpong durante a partida de seu time, o Ufa, contra o Spartak em Moscou pelo Campeonato Russo neste fim de semana.

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O ganense estava em uma jogada perto da bandeira de escanteio quando a torcida moscovita disparou os insultos. O jogador não se aguentou e fez um gesto obsceno, esguido de um xingamento. Frimpong foi expulso em uma atitude para lá de discutível. Árbitros são orientados a não deixarem jogadores atacarem torcedores, mas era bastante plausível interpretar o caso como fora do convencional.

Mas o problema maior, incrivelmente, não é o cartão vermelho a Frimpong. É como as instituições que organizam o futebol russo ajudam a alimentar o comportamento racista dos torcedores. O ganense foi suspenso por dois jogos pelo gesto, o que já é bem discutível, mas ficou pior.

Ficou pior porque ele foi o único. Frimpong até disse ter aceitado sua punição, mas o fato de ele ser o único não é aceitável. A Federação Russa abriu investigação sobre o caso, e os resultados foram anunciados nesta quinta. Segundo o chefe do comitê disciplinar da entidade, Artur Grigoryants, não houve nenhum problema na atitude da torcida do Spartak. “O delegado do jogo não notou nenhuma violação disciplinar pelos torcedores do Spartak em direção a Frimpong. Não houve racismo e não temos motivos para impor alguma sanção disciplinar contra o Spartak. Frimpong foi suspenso por dois jogos pelo gesto ofensivo que ele fez para as arquibancadas.”

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Se não encontraram evidência, foi por falta de procurar. Bastaria colocar “Frimpong Spartak” na busca do YouTube para encontrar o vídeo acima (e vários outros, diga-se) e ter toda a prova que precisa para entender o que aconteceu. Como definiu Frimpong, o resultado das “investigações” é “mais que uma piada”.

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O racismo é um problema antigo no futebol russo, mas o momento é particularmente delicado porque o país está a três anos de receber uma Copa do Mundo. E, se há um legado que o maior evento esportivo do planeta pode deixar no maior país do planeta, é criar uma cultura de integração racial nos estádios e na sociedade em geral. Por isso, as autoridades da Rússia deveriam mostrar-se enérgicas com essa questão, até como forma de expor a todos que tem tomado alguma atitude contra esse comportamento crônico. Mas preferiram fazer vista grossa, e até a Fifa teve de se manifestar, pedindo explicações à federação russa por que Frimpong foi suspenso.

Mas, aparentemente, combater o racismo é secundário para os mandachuvas do futebol russo. Uma pena, porque esse legado social seria muito mais enriquecedor e duradouro do que estar com várias obras de estádios adiantadas.

Poucos perceberam na hora, mas o maior Juve x Monaco da história foi prévia da Copa de 1998

De um lado o craque do Mundial e o capitão que levantou a taça, do outro, o goleiro herói e a promissora dupla de ataque

A história pode estar passando diante de nossos olhos e não percebermos. Isso acontece a todo momento e muitas vezes é um dilema do jornalista dentro de seu papel de registrar os fatos e como eles serão lembrados. Juventus x Monaco se enfrentam nesta terça pelas quartas de final da Champions League, um jogo que nem de perto se compara ao confronto entre os dois clubes em 1º de abril de 1998. O duelo valia uma vaga para a final do torneio, mas o tamanho daquela partida só se viu alguns meses depois.

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A Juventus era uma das potências europeias da década de 1990. Havia conquistado a Champions League em 1996 e foi vice-campeã em 1997. Na temporada 1997/98, fazia uma campanha apenas cumpridora quando enfrentou o Dynamo de Kiev na quartas de final. A equipe ucraniana estava voando. Com Shevchenko e Rebrov no ataque, havia feito 3 a 0 (em Kiev) e 4 a 0 (no Camp Nou) no Barcelona na fase de grupos. O jogo de ida, em Turim, terminou em 1 a 1. Tudo pronto para o Dynamo chegar à semifinal. Mas os italianos impuseram sua experiência e venceram por incontestáveis 4 a 1.

O Monaco fazia uma campanha até mais convincente. Foi primeiro em um grupo com Bayer Leverkusen, Sporting e Lierse (BEL). Nas quartas de final, passou pelo Manchester United de Beckham, Schmeichel, Giggs e Scholes após dois empates.

O encontro nas semifinais tinha enorme favoritismo juventino. Era o time do momento, vinha em crescimento e a Itália era a grande liga do mundo na época. Os monegascos contavam com um elenco muito jovem, cheio de promessas sobre as quais não se sabia direito o que esperar. Comandada por Del Piero, a Juventus fez 4 a 1 e preparou o terreno para chegar a sua terceira decisão continental seguida. Uma derrota por 3 a 2 no principado não atrapalhou os planos piemonteses.

A importância do jogo era óbvia pelo fato de ser uma semifinal de Champions League (a outra tinha Real Madrid e Borussia Dortmund). Mas vendo as escalações que percebemos que, em campo, estava uma parte da história da Copa de 1998, que seria disputada apenas dois meses depois. O Monaco tinha Barthez e a jovem dupla de ataque Henry-Trezeguet. A Juventus também tinha sua cota de talento gaulês, com Deschamps e Zidane.

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Dos 22 titulares dessa semifinal, dez voltariam ao mesmo gramado em três meses e dois dias depois. O cenário era o Stade de France. O quinteto francês encontraria os juventinos Del Piero, Inzaghi, Di Livio, Pessotto e Torricelli, todos defendendo a seleção italiana, pelas quartas de final. Os anfitriões se deram melhor, com vingança monegasca sobre Del Piero: vitória da França nos pênaltis, com uma defesa de Barthez e cobranças convertidas por Henry e Trezeguet.

Dias depois, a França conquistou o mundo, com o juventino Deschamps erguendo a taça como capitão e o também juventino Zidane se consagrando o melhor jogador do planeta. Barthez, Henry e Trezeguet se consolidariam como titulares da seleção francesa que dominaria o mundo entre 1998 e 2001.

Não à toa, a Juventus foi se reforçar justamente naquele Monaco que havia enfrentado. Em 1999, os italianos contrataram Henry. Não deu muito certo, mas os piemonteses não desistiram e, um ano depois, levaram Trezeguet. O ótimo grupo monegasco semifinalista da Champions League estava desfeito e a Juventus construía o time que voltaria à final da Europa em 2003. Um fato que só reforça quanto aquele duelo de 1º de abril de 1998 teve uma importância histórica muito maior do que ter sido “apenas” a semifinal do maior torneio de clubes do planeta.

Se quiser ver a ficha completa da partida, clique aqui.

Legado: em cidade com arena da Copa, maior clássico é disputado em estádio de 10 mil lugares

Até o estádio da Colina teve espaço sobrando para o primeiro Rio Negro x Nacional de 2015

“Se você construir, ele virá.” No cinema, esse mantra funcionou. Kevin Costner fez um campo de beisebol em sua fazenda, atraiu fantasmas de antigos jogadores e ainda ganhou três indicações para o Oscar com o filme “Campo dos Sonhos”. No mundo real, é preciso construir, mas também é preciso investir, incentivar e promover. Assim, não é em um passe de mágica (e de engenharia) que a Arena Amazônia, tida como potencial elefante branco da Copa 2014, impulsionaria o futebol manauara.

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Nesta quinta, Nacional e Rio Negro disputaram o primeiro Rio-Nal de 2015. Trata-se do maior e mais tradicional clássico do Amazonas e, teoricamente, é o jogo que mais mobiliza os torcedores de times locais. Mas, pelo visto, ainda não é suficiente para abrir o estádio de 40 mil lugares e obras de R$ 605 milhões. O jogo foi disputado no estádio da Colina, com capacidade de 10,4 mil torcedores após uma reforma para ser campo de treino durante o Mundial. E mesmo o estádio ainda teve espaço de sobra: apenas 1.209 nacionalinos e barrigas-pretas pagaram ingresso para ver a vitória azul por 3 a 0.

O futebol amazonense já foi maior que isso, e pode voltar a ser. Mas não é apenas a construção do estádio que fará isso. É preciso ter carinho com os clubes locais, dar motivos para o público deixar de lado a preferência por equipes do Rio de Janeiro. Que esse Rio-Nal sirva de alerta para mudanças no futuro, e não como sinal definitivo de que está tudo perdido.

Veja algumas imagens do clássico manauara:

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Agradecemos à leitora Monique Albuquerque, fiel torcedora do Rio Negro, por nos enviar algumas imagens do clássico

Psicólogo da Costa Rica que veio ao Brasil na Copa foi preso nos anos 80 por ligação com as Farc

Jaime Perozo, psicólogo da seleção costarriquenha no Brasil, chegou a ser preso na década de 1980

Jaime Perozo ficou conhecido na Costa Rica pela sua personalidade forte e discurso confiante. Contratado pela a pedido do técnico Jorge Luis Pinto, o colombiano foi o psicólogo da seleção da Costa Rica durante todo o trabalho que culminou com a ótima campanha dos Ticos na Copa do Mundo de 2014. Ele foi o responsável por motivar o time e a fazer uma equipe sem tradição ter a confiança para se classificar para o Mundial à frente do México, passar em primeiro lugar no grupo que tinha Itália, Uruguai e Inglaterra e só cair nas quartas de final para a Holanda nos pênaltis.

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Desde então, sua situação se complicou. Primeiro, brigou com Jorge Hidalgo (vice-presidente da federação costarriquenha) e Jorge Luis Pinto. Demitido, voltou à Colômbia. Nesta semana, a imprensa descobriu que, antes de trabalhar com futebol, Perozo teve diversos problemas políticos em seu país natal.

A revelação veio no livro “Líbranos del Bien”, do premiado escritor e jornalista Alonso Sánchez Baute. Na década de 1980, Perozo fez parte de um grupo revolucionário marxista-leninista chamado “Los Independientes”, liderado por Ricardo Palmera. Membros dos Independientes foram por diversos caminhos, da política convencional à guerrilha, onde entraram em conflito com cartéis de droga, militares e organizações paramilitares.

De acordo com a polícia colombiana, Palmera deixou o grupo e se tornou um membro de uma Farc (Força Armada Revolucionária da Colômbia) em 1987 e adotou o nome de Simón Trinidad. O psicólogo seguiu próximo a Palmera/Trinidad. “Perozo foi o responsável por modificar as condutas dos diferentes movimentos revolucionários do país, entre eles a vida de Ricardo Palmera”, comentou Sánchez Baute em entrevista ao jornal costarriquenho Extra.

Atualmente, Perozo não tem problemas com as autoridades colombianas. Palmera foi preso em Quito em novembro de 2004. No mês seguinte, foi extraditado para os Estados Unidos, onde está preso por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Mordida de Luís Suárez na Copa vira souvenir em mercado de Nápoles

Já dá para comprar estatueta de Suárez avançando com seus dentões em Chiellini

Nada de miniatura do Vesúvio, uma camiseta com desenho dos sabores de pizza mais tradicionais ou um quadro mal feito do Maradona. Um amante de futebol que for para Nápoles já tem um souvenir perfeito para ter para sempre uma recordação da Itália: uma estatueta de Luis Suárez dando uma de vampiro para cima de Giorgio Chiellini.

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A descoberta foi do jornalista Matt Rodbard, editor do site Food Republic que passa férias na Itália. Ele estava zanzando pelo mercado de Nápoles (sempre um bom lugar para um amante de comida) quando, pimba!, viu a estatueta à venda. Sinceramente, é muito melhor do que essas lembrancinhas clichês que tanto vendem pela Itália.

Aliás, alguém aí tem um conhecido que vai para Nápoles? O pessoal aqui da Trivela está com uma encomenda para fazer.

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Um mês após o final da Copa, 10 provas de que nada mudou… e 3 motivos de esperança

O legado do Mundial também tem de vir dentro de campo

Schürrle avança pela esquerda e alça a bola. Götze domina e chuta na saída de Romero. Eram os minutos finais da prorrogação no Maracanã e a Alemanha fazia o gol do título na Copa do Mundo. Isso ocorreu em 13 de julho de 2014, um mês atrás. Foi um momento em que o brasileiro se reapaixonou pelo futebol, e viveu esse amor com o ímpeto de um casal que acabou de reatar.

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O problema é que esse novo namoro rapidamente entrou nos vícios que causaram a separação. Em um mês, o futebol brasileiro deu diversas mostras de que não está muito disposto a mudar, como o sujeito que continua deixando a louça acumular na pia achando que a esposa tem obrigação de lavá-la sempre (ou que a louça se lavará sozinha, vai saber).

Então, veja dez provas de que nada mudou no futebol brasileiro nesse mês pós-Copa:

Dunga e Gilmar foram contratados

O Brasil tomou um passeio na Copa, ficou nítida a defasagem coletiva da equipe. Também ficou claro que o País não vive um momento em que seus talentos não são tão salientes como em outras seleções. A solução da CBF? Aposentar Gilmar Rinaldi da carreira de agente de atletas para transformá-lo em coordenador de seleções e recolocar Dunga como técnico da seleção principal.

Clubes pedem novo financiamento de dívidas

Clubes fizeram reunião com o governo para pedir um novo financiamento das dívidas com o governo. Pelo menos, não falaram na criação de uma loteria que usa distintivo de clubes.

STJD mexe na classificação do campeonato

No caso, a notícia pós-Copa é até positiva, mas nos fez lembrar de uma notícia ruim durante a Copa. O Criciúma perdeu três pontos no STJD durante o Mundial, e o tribunal decidiu devolver em segunda instância. A questão não é do lado que está certo, mas o fato de ainda um tribunal alterar a tabela de classificação.

Crac abandona Série C no meio da disputa

Com problemas financeiros, o Crac anunciou nesta terça que não seguirá na disputa da Série C. O clube tem 8 pontos após dez rodadas do torneio e está na zona de rebaixamento para a Série D (mas a apenas cinco da zona de classificação para as quartas de final).

Botafogo atrasa salários

Os jogadores botafoguenses nem têm mais pudor de dizer: estão com vários meses de salários e direitos de imagens atrasados e entram em campo com faixa de protestos contra a situação do clube. Não à toa, o presidente alvinegro Maurício Assumpção foi um dos dirigentes mais ativos no segundo tópico desse texto.

Flamengo e Grêmio contratam Luxemburgo e Felipão

A falta de renovação não se limita à seleção brasileira. Os clubes continuam no vício de seguir atrás de nomes fáceis, por piores que sejam os históricos recentes deles. Para sair da crise, Flamengo e Grêmio contrataram Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari. Claro que ambos não precisam ir para o ostracismo para o resto da vida, mas a busca imediata pelos nomes de grife impressiona.

Jogador investigado por estelionato

O volante Luiz Antônio, do Flamengo, é suspeito de estelionato e envolvimento com milícia. Em 11 de janeiro, o pai do jogador registrou um roubo de veículo que não ocorreu. O Ford Edge do flamenguista estava com um dos líderes da maior milícia do Rio de Janeiro.

Brigam de torcida antes de clássico

Corintianos e santistas entraram em confronto perto da entrada da torcida visitante da Vila Belmiro antes do clássico do último domingo. Depois, a briga voltou a ocorrer em um hospital onde era atendido um torcedor do Santos.

Jô e Valdívia vão e voltam

A relação entre clubes e jogadores segue esquizofrênica. Valdívia foi negociado com o Al Fujairah, dos Emirados Árabes, e se apresentou. Mas o clube desistiu e o chileno teve de voltar ao Palmeiras. Ou não, pois o meia ficou uns dias de folga na Disney. Jô também deu uma sumida, alegando problemas pessoais, mas a diretoria do Atlético Mineiro disse por alguns dias que desconhecia seu paradeiro.

Média de gols

O Brasileirão tem média de 2,14 gols por partida, a pior desde a adoção dos pontos corridos. A 11ª rodada, a segunda após o retorno da Copa, foi de apenas 1,5. Isso porque a Copa do Mundo que terminou há um mês teve o maior número de gols da história, empatando com a de 1998.

Mas nem tudo está perdido. Há algumas fagulhas que dão esperança de que algo pode melhorar:

A média de público está melhorando

O Brasileirão está com média de público de 14.109. Das últimas oito edições, só a de 2012 teve índice pior. Mas, acredite, a tendência deste momento é de melhoria. Desde o final da Copa do Mundo, apenas em uma rodada (a 11ª) a média foi inferior a 16 mil. Nas duas últimas, mais de 19 mil pessoas pagaram para ver futebol nos estádios. Ainda é pouco para o potencial do Brasil, mas pode indicar um ligeiro crescimento da presença de torcida.

Os cuiabanos estão indo ao estádio

Foram gastos bilhões de reais em estádios para a Copa do Mundo, e as maiores interrogações ficaram em torno das arenas em cidades com pouca tradição futebolística. Cuiabá era citada constantemente, mas até que vem dando boas notícias. Os clubes locais fizeram promoções e campanhas para incentivar o torcedor a ir à Arena Pantanal ver os jogos de Cuiabá (Série C) e Operário de Várzea Grande (D). E a resposta tem sido razoável, com públicos pouco abaixo de 15 mil.

O Bom Senso FC segurou a votação da lei

O Congresso adiou a votação da nova versão da Lei de Responsabilidade do Esporte após pressão do Bom Senso FC. Com mais tempo para o debate, o grupo formado por jogadores tentará incluir no texto uma contrapartida maior dos clubes, como redução no prazo para o pagamento de dívidas.

[Legado] O Brasil virou um país turisticamente maior, mas ainda precisa criar uma política nacional na área

Visitantes conheceram a complexidade do Brasil e gostaram do que viram, e esse momento não pode ser desperdiçado

Flashes, uma colagem de imagens aleatórias que não se juntam para formar um quadro completo. Assim era o Brasil para o mundo. Uma junção de praia, desfile de escola de samba, bundas, futebol, bossa nova e Floresta Amazônica. O que há entre uma e outra coisa fica a cargo da imaginação de cada um. O que o brasileiro come? O que é a arte brasileira? Como é a arquitetura de uma cidade brasileira? Como os brasileiros curtem um bar com os amigos? Que coisas diferentes dá para comprar no Brasil? E como é a balada? E os museus? E a religiosidade? E as diferenças regionais para tudo isso?

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Os ícones brasileiros são tão fortes que ofuscaram todo o resto durante décadas. E o próprio Brasil não se ajudava, usando e abusando de seus clichês para vender sua imagem. O resultado disso é um país desconhecido no geral, que tem um espaço na indústria mundial de turismo muito menor do que poderia. Em 2013, o Brasil recebeu pouco mais de 6 milhões de turistas estrangeiros. É o quarto país das Américas no ranking, mas muito distante dos 16,6 milhões do Canadá, o terceiro colocado (os dois primeiros são Estados Unidos e México). No global, o Brasil está atrás até do Vietnã.

Um fator claro para isso é a distância da América do Sul em relação aos países de onde partem a maioria dos turistas, Europa, América do Norte e Extremo Oriente. Outros fatores são a falta de infraestrutura adequada, sobretudo pela necessidade de voos até para trechos internos. No entanto, isso não explica como a África do Sul, que tem problemas parecidos, recebe 50% a mais de visitantes internacionais. O Brasil simplesmente não está na lista de prioridades nas férias de muitas pessoas.

Nisso a Copa do Mundo teve um papel importante. Estudos mostram que grandes eventos esportivos não têm um incremento tão alto no número de visitantes, pois muitos turistas torcedores chegam, mas muitos turistas convencionais deixam de vir. Mas isso vale para destinos já tradicionais, como Londres (Olimpíadas 2012), Alemanha (Copa 2006) ou Canadá (Olimpíadas de Inverno de 2010). Para o Brasil, um atrativo como o Mundial muda o cenário.

Segundo a Polícia Federal, o País recebeu 298 mil turistas estrangeiros em junho de 2013. Em junho de 2014, o número subiu para 691,9 mil, aumento de 132%. Com as chegadas de julho, o número de turistas estrangeiros da Copa 2014 passou de 1 milhão, segundo o ministério do Turismo. Segundo pesquisa do Datafolha realizada em seis cidades-sede da Copa, 61% dos 2,2 mil estrangeiros entrevistados estavam no Brasil pela primeira vez. Essas pessoas comeram comida brasileira, interagiram com brasileiros, viram a arquitetura das cidades brasileiras, visitaram igrejas e museus brasileiros, foram a baladas e bares brasileiros. Ou seja, juntaram os pedaços do quebra cabeça, preencheram o retrato do país que era composto apenas por recortes isolados.

Torcedores da Inglaterra cantam e dançam em barco em Manaus (Leandro Beguoci/Trivela)
Torcedores da Inglaterra cantam e dançam em barco em Manaus (Leandro Beguoci/Trivela)

O cenário completo foi positivo. Ainda segundo pesquisa do Datafolha, 95% dos visitantes consultados gostaram da hospitalidade, 84% gostaram das atrações turísticas, 82% da segurança, 76% do transporte aéreo e 69% do transporte urbano. Só o preço dos hotéis (32% aprovaram, 27% reprovaram, 26% acharam regular e 16% não sabiam dizer) e o custo de vida (29% aprovaram, 29% reprovaram, 32% acharam regular e 10% não sabiam responder) que precisam de recuperação ou conselho de classe para passar de ano. O brasileiro ficou bem na fita: simpático para 98%, receptivo para 95% e honesto para 84%. No final, 69% dos entrevistados disseram que gostariam de morar no Brasil.

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Isso é muito mais importante do que discutir se eram turistas holandeses cheios da grana ou mochileiros argentinos que ficaram dormindo em seus trailers. Entrou muito dinheiro, mas a maior parte do dinheiro do turismo da Copa não vem apenas nos gastos diretos, mas na propaganda. São quase 1 milhão de turistas voltando para seus países falando bem do Brasil, contando histórias positivas sobre o que fizeram por aqui. Isso cria mais interesse de seu círculo de relacionamento. Quem tem uma lojinha de bairro conhece bem esse conceito, o da “propaganda boca a boca”.

Por isso, são extremamente nocivas declarações como as de George Irmes, presidente da seção fluminense da Associação Brasileira de Agência de Viagens. “O que aconteceu no Terreirão é a coisa mais degradante. Aquelas barracas de R$ 10 das Lojas Americanas, e aqueles argentinos sentados nas cadeirinhas de R$ 5 da Magal… É chocante. Vou ser sincero com vocês. Sou agente de viagens há 50 anos e não quero turista assim. A Espanha proibiu a entrada desse tipo de turista, porque esses caras não gastam dinheiro. Fico triste por estarmos cercados de primos pobres”, comentou, referindo-se aos argentinos que vieram acampar no Rio de Janeiro para estar na cidade da final da Copa.

Os ônibus e caminhões precisam recarregar as energias, e são muitos cabos pelo chão (Foto: Felipe Lobo/Trivela)
Argentinos acampados em São Paulo. Os ônibus e caminhões precisam recarregar as energias, e são muitos cabos pelo chão (Foto: Felipe Lobo/Trivela)

Além de preconceituosa e elitista, a declaração é contraproducente para sua indústria. Os grandes destinos turísticos vivem de atrair visitantes das mais diversas classes sociais, pensamentos políticos, orientação sexual, faixas etárias e religião. O Brasil precisa se preparar em infraestrutura – e, pela declaração de Irmes, em mentalidade – para receber turistas de todos esses tipos.

Aí começa o grande desafio do turismo brasileiro. O boom do setor com a Copa vem por inércia, é algo que vem no pacote quando se organiza o torneio. A questão é manter a boa imagem deixada e fazer que as boas impressões de quem veio ao Brasil seja mantida e disseminada no futuro. Porque viajar é desejo. Todos têm uma lista de países que deseja conhecer (eu tenho a minha, você tem a sua) e poucos conseguem riscar todos os itens dessa relação até o fim da vida. O desafio é estar presente nessas listas, estar na cabeça das pessoas, fazer parte do imaginário delas. Nem todo mundo consegue realizar o sonho de ir a Paris, mas a capital francesa está na lista de desejos de tanta gente que algumas pessoas colocam esse plano em prática, o que é suficiente para torná-la a cidade mais visitada do mundo.

INFRAESTRUTURA: Só 53% das obras de infraestrutura ficaram prontas antes da Copa

A promoção turística brasileira precisa mudar. Já houve melhoras nos últimos anos, quando aumentaram as campanhas contra o turismo sexual. Mas não é esse o único problema. O Brasil ainda não sabe completamente o que é fazer turismo, nem sabe o que tem em suas mãos.

Visitei duas vezes Belo Horizonte no último ano. Em ambas, ouvi de vários mineiros o mesmíssimo comentário: “O que você veio fazer? Não tem nada para fazer em ‘Belzonte’”. A resposta foi sempre a mesma: “Tem mais do que você imagina. O problema é que vocês mineiros que não sabem vender o que têm”. A capital mineira tem culinária de primeira, vida noturna, cidades históricas e Gruta da Lapinha a um bate-volta de distância, obras de Oscar Niemeyer em torno da Pampulha, Inhotim e Parque Estadual Serra do Rola Moça. É atração suficiente para ocupar um turista de cinco dias a uma semana com tranquilidade. Mas é preciso mostrar isso, valorizar isso e, principalmente, facilitar o acesso a isso.

A mesma lógica vale para outras cidades. A vida cultural e cosmopolita de São Paulo, o urbanismo de Curitiba, as particularidades regionais de Porto Alegre, a música das capitais nordestinas (cada uma tem a sua), a gastronomia amazônica de Manaus. Em diversos momentos, a indústria do turismo no Brasil age como se um visitante se interessasse apenas por beleza natural, praia e, com boa vontade, um centro histórico com construções coloniais. O País tem muito mais a oferecer, e os estrangeiros só terão fascínio por essas coisas quando o próprio brasileiro tiver.

Entrar na cabeça das pessoas é difícil, e o Brasil conseguiu com a boa repercussão da Copa entre os turistas. Agora, é preciso manter esse embalo, para crescer ainda mais. Porque não adianta nada um mês de bonança se a indústria turística brasileira voltar ao patamar em que estava antes.

Twitter ficou tão satisfeito com a Copa que fez um resumo do torneio em tuítes

Mundial de 2014 beteu recordes nas redes sociais, e o Twitter retribuiu com um vídeo

Copa do Mundo é um evento que precisa ser vivido em imersão total. Você fica o mês inteiro só pensando nisso, só lendo sobre isso, só vivendo isso. Claro, as redes sociais são fundamentais para isso, pois elas conectam você ao resto do mundo a qualquer momento, mesmo quando você está comendo um prato com salada quente e bife frio daquele restaurante por quilo mequetrefe perto do seu escritório.

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Óbvio que as redes sabem de seu papel nessa brincadeira, até porque é um momento em que elas crescem bastante em relevância e número de usuários. O Twitter trabalhou bem isso, e divulgou diversos dados sobre a Copa 2014 (muitos deles você viu aqui na Trivela, como os mapas com tuítes pelo mundo durante a Copa, o recorde estabelecido pelo pênalti perdido pelo Chile contra o Brasil, como os chilenos usaram os microblogs para escapar da dura realidade da eliminação e quanta gente tuitou pelo mundo durante Brasil x Alemanha).

Pois, com o fim do Mundial, o passarinho azul também fez seu vídeo de retrospectiva do Mundial

Comemoração racista? Não, foi apenas uma coreografia tradicional de torcidas alemãs

Ainda que esquisita, dança dos jogadores alemães não quis atacar o povo argentino

“Alemães racistas! Tiraram sarro dos argentinos chamando de macacos!”

Será? A dancinha que Weindenfeller, Mustafi, Schürrle, Klose, Götze e Kross fizeram nas comemorações  do título mundial da Alemanha em Berlim causou polêmica. Ainda mais porque vinha acompanhada de uma música “So gehen die Gauchos, die Gauchos, die gehen so. So gehen die Deutschen, die Deutschen, die gehen so”.

Tradução: “Assim andam os gaúchos, gaúchos andam assim [abaixados]. Assim andam os alemães, alemães andam assim [em pé]”.

A imprensa argentina acusou os campeões de fazerem menções racistas, até porque, quando andam abaixados, os jogadores parecem imitar macacos.

A acusação é séria, mas não parece ser a intenção. Até porque o Facebook da seleção alemã e a ZDF, rede de TV, reproduziram essa dança, com letra e tudo. Dificilmente fariam isso se houvesse alguma conotação racista (alemães são neuróticos para não soarem racistas – pelo menos em público – devido ao que ocorreu na Segunda Guerra Mundial).

E, de fato, não há motivos para levar a polêmica muito adiante. A coreografia é muito comum entre as torcidas alemãs. No final, ela realmente quer dizer que um time derrotado está de cabeça baixa e o time vencedor está pulando. É uma forma quase infantil de cutucar um adversário (é bem menos agressivo que dizer xingar a mãe ou ameaçar bater). Vejam abaixo.

Torcida do Munique 1860 provoca o Bayern de Munique:


Torcida do Union Berlin provoca a do Werder Bremen:

Torcida do Stuttgart provoca a do Schalke: