Auston Matthews fez, possivelmente, a melhor estreia da história da NHL

Só não foi perfeita porque seu time conseguiu perder a partida

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Toronto é a quarta maior cidade da América do Norte, a terceira se considerarmos apenas as que têm franquias em NFL, MLB, NBA e NHL. Seria de se esperar que a maior metrópole do Canadá tivesse equipes competitivas, mas uma nuvem de azar parecia pairar sobre a região por décadas. Até que, de repente, as coisas começam a virar. Até os Maple Leafs, símbolo de incompetência administrativa do hóquei no gelo, já tem motivos para se alegrar. E tudo devido a um jogo de Auston Matthews.

O central foi a primeira escolha do draft da NHL. Logo na abertura da temporada, em um duelo contra o Ottawa Senators, o garoto fez uma das melhores melhores – talvez a melhor – estreia de um jogador na história da liga. Foram quatro gols, o primeiro após somente nove minutos. Só não foi perfeita porque os Maple Leafs não abandonam certos vícios (como o de frustrar sua torcida) e acabaram perdendo por 5 a 4.

Se os próximos jogos também forem positivos a Matthews (basta atuar bem, não precisa sair fazendo gol toda hora), não se surpreendam se ele se transformar rapidamente em atração. Não apenas porque será o Messias que tirará a segunda franquia mais vitoriosa da NHL da série de 49 anos sem título, mas porque ele foi criado no Arizona e tem uma mãe mexicana, sendo um símbolo de como o hóquei no gelo pode ter sucesso na comunidade latina e nas regiões quentes dos Estados Unidos.

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Por que a Copa do Mundo de hóquei no gelo é a mais legal dos esportes americanos

Equilíbrio e nível técnico são fatores positivos, mas o mais importante é a forma como jogadores e torcedores encaram o torneio

O hóquei no gelo muitas vezes é visto como um ser estranho no grupo de grandes ligas esportivas da América do Norte. Apesar da popularidade absurda no Canadá, só tem real penetração em algumas regiões dos Estados Unidos. Esse cenário se reforça no Brasil, com a NHL ficando fora da TV por vários anos e tirando de uma geração o contato constante com tacos, discos e patins. Mas, se é preciso algo para afirmar a posição da modalidade na disputa por espaço com futebol americano, basquete e beisebol, a Copa do Mundo está aí.

Todos os grandes esportes norte-americanos fazem esforços para se internacionalizar. O futebol americano tem algumas ligas nacionais pelo mundo e insinua abrir uma franquia da NFL em Londres. O basquete tem muita popularidade em todos os cantos do globo, competições domésticas e continentais fortes e um Mundial tradicional. O beisebol voltou aos Jogos Olímpicos e tem no World Baseball Classic um torneio com enorme potencial. Mas nenhum deles tem o que a Copa do Mundo de hóquei no gelo oferece.

A grande arma do torneio recriado pela NHL em parceria com IIHF é relevância. Não a importância oficial de ser o melhor do mundo, mas a real, de fazer que jogadores, torcedores e jornalistas sintam que ela realmente define quem são os melhores do mundo. Parece uma questão puramente semântica, mas não é.

Durante décadas, a NHL era a liga mais rica e poderosa do hóquei no gelo, mas ninguém tinha convicção que ela realmente tinha os melhores jogadores. Países comunistas como União Soviética e Tchecoslováquia tinham seleções fortíssimas, possivelmente melhores que a de Canadá e Estados Unidos, e seus jogadores continuavam nas ligas domésticas por restrições políticas. Assim, canadenses e americanos sentiam que era preciso vencer uma seleção soviética, por exemplo, para saberem se eram realmente os maiorais.

Essa cultura internacional do hóquei no gelo permaneceu viva. Suécia, Finlândia, Rússia, República Tcheca e Eslováquia têm jogadores excepcionais (hoje, já atuando na NHL, ainda que muitos sigam em alto nível em ligas europeias) e são capazes de formar seleções tão fortes quanto as de Canadá e EUA. A torcida sabe disso. Os jogadores também. Essa demanda por partidas de seleções faz a NHL adotar algo impensável para qualquer outra liga da América do Norte: parar sua temporada regular para que todos os atletas possam atuar nos Jogos Olímpicos (ainda há dúvidas se essa prática seguirá para Pyeongchang-2018).

As outras duas modalidades norte-americanas que têm bom nível de internacionalização não têm isso. O basquete é popularíssimo em quase toda a Europa, na América Latina e na Ásia, países como Espanha, Sérvia, Argentina, França, Rússia, Brasil, Croácia, Lituânia e Austrália, entre outros, podem montar equipes bastante competitivas e até bater uma seleção americana que não estiver com força total. Ainda assim, pouquíssimas pessoas realmente acharão que os Estados Unidos perderam o posto de grande potência do esporte. Os americanos são os melhores, e essa condição não é colocada em dúvida nos Jogos Olímpicos ou na Copa do Mundo de basquete.

A situação do beisebol é parecida. Ainda que República Dominicana, Venezuela, Japão, Coreia do Sul e Cuba possam formar seleções capazes de vencer os melhores dos Estados Unidos, o público americano simplesmente continuará achando que seu país é o mais forte. Isso mina o WBC, que tem potencial para ser uma competição espetacular, mas não tem a atenção que merece no mercado americano (no Japão, é recordista de audiência) e é rejeitada constantemente por jogadores que preferem seguir a pré-temporada a fazer jogos competitivos.

O hóquei no gelo tem o pacote completo. Ainda que a dependência de clima frio limite a globalização da prática do esporte, quem o pratica está dedicado à valorização de competições entre nações. Nesta terça, o clássico entre Canadá e Estados Unidos terá um clima de tira-teima entre os dois países mais fortes do momento que, infelizmente, não se vê em mundiais de outras modalidades. Ou porque as grandes rivalidades estão um degrau abaixo do topo (Sérvia x Croácia, Brasil x Argentina, França x Espanha no basquete, Japão x Coreia do Sul no beisebol), ou porque um dos lados tem convicção de ser melhor que o outro (Estados Unidos x Espanha no basquete, EUA x República Dominicana no beisebol).

Claro, a Copa do Mundo de Hóquei no Gelo está em sua primeira edição na fase atual e ainda precisa crescer. Incluir uma seleção europeia foi interessante para reunir bons jogadores de países que ainda não formam seleções de altíssimo nível. A presença de uma equipe de canadenses e americanos jovens também ajuda a chamar a atenção do público. Mas o ideal é que, com o tempo, ela leve ao desenvolvimento de mais seleções, a ponto de países como Eslováquia (principal vítima desse formato atual), Suíça, Alemanha, Bielorrússia e Noruega terem suas próprias equipes e deixar o torneio mais volumoso.

De qualquer modo, é um torneio com alto potencial de partidas acirradas, com envolvimento grande do público. E isso o hóquei no gelo pode jogar na cara das outras ligas americanas. Só ele tem.

O hóquei no gelo precisa legalizar gols como esse

Vladimir Tkachyov entrou no clima olímpico e misturou hóquei no gelo com arremesso de dardo

Era para ser apenas uma demonstração de shootouts do Ak Bars Kazan, time da KHL. Mas Vladimir Tkachyov decidiu transformar aquele evento em algo especial. Já que as regras normais do hóquei no gelo não se aplicavam naquele momento, ele misturou sua modalidade com o arremesso de dardo e fez um dos gols mais incríveis.

O hóquei no gelo está bem, mas poderia ficar ainda melhor se uma jogada como essa fosse legalizada. Perigoso? Provavelmente. Empolgante? Com certeza.

Буллит Ткачева

Um vídeo publicado por HC “Ak Bars” Kazan (@hcakbars) a Jul 30, 2016 às 10:38 PDT

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Já que prêmio de ícone do Espys podia ser dividido, não custava darem também a Jeff Gordon

Um dos maiores pilotos da história dos Estados Unidos merecia uma homenagem no ano de sua aposentadoria

Um dos maiores jogadores da história da NFL, fechou sua carreira conquistando o Super Bowl 50. Uma das maiores jogadoras de futebol da história, conquistou a Copa do Mundo feminina em seu último ano. Um dos maiores jogadores da história do basquete, fechou a carreira com uma partida de 60 pontos. Não há a menor dúvida que Peyton Manning, Abby Wambach e Kobe Bryant foram três dos grandes nomes que deixaram o esporte em 2015/16. Por isso, não há como contestar o fato de eles serem merecedores de um prêmio pelo que fizeram, como a edição de 2016 do Espys.

Era difícil decidir entre eles. Cada um, dentro de sua modalidade, foi vencedor e deixou sua marca, como Derek jeter, vencedor único de 2015. Dessa forma, a organização decidiu dar o prêmio aos três. Uma decisão compreensível, já que se trata de uma premiação honorífica e estabelecer uma competição entre quem foi mais espetacular entre grandes nomes acabaria indiretamente desvalorizando a trajetória dos derrotados.

Até aí, tudo certo. Mas, se era possível premiar mais de um atleta nessa categoria, faltou um nome: Jeff Gordon. O piloto encerrou a carreira na Sprint Cup em 2015 com quatro títulos, 93 vitórias (terceiro no ranking histórico) e três vitórias nas 500 Milhas de Daytona. É recordista de vitórias em superspeedways e em mistos, o que mostra sua versatilidade. Também sempre foi muito respeitado por torcedores e adversários. É um dos melhores da história do automobilismo americano.

Manning, Wambach e Bryant (no vídeo abaixo, o discurso deles em inglês) mereciam o prêmio de ícone. Mas, já que era possível entregar para três, podiam dar para quatro e incluir Gordon.

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Veja abaixo a lista completa de vencedores do Espys 2016:

Melhor desempenho de quebra de recorde: Stephen Curry (basquete/Golden State Warriors)
Melhor atleta revelação: Jake Arrieta (beisebol/Chicago Cubs)
Melhor jogada: Aaron Rodgers para Richard Rodgers (futebol americano/Green Bay Packers)
Melhor time: Cleveland Cavaliers (basquete)
Melhor atleta mulher: Breanna Stewart (basquete/UConn Huskies e Seattle Storm)
Melhor atleta homem: LeBron James (basquete/Cleveland Cavaliers)
Melhor desempenho de título: LeBron James (basquete/Cleveland Cavaliers)
Melhor jogo: Golden State Warriors x Cleveland Cavaliers, jogo 7 das finais da NBA (basquete)
Melhor jogador da NBA: LeBron James (Cleveland Cavaliers)
Melhor jogador da MLB: Bryce Harper (Washington Nationals)
Melhor atleta mulher de esporte de ação: Jamie Anderson (snowboard)
Melhor atleta homem de esporte de ação: Ryan Dungey (motocross)
Melhor jóquei: Mario Gutierrez
Melhor jogador de boliche: Jason Belmonte
Melhor atleta universitária: Breanna Stewart (basquete/UConn Huskies)
Melhor atleta mulher com deficiência: Tatyana McFadden (atletismo)
Melhor atleta homem com deficiência: Richard Browne (atletismo)
Maior zebra: Vitória de Holly Holm sobre Ronda Rousey (MMA)
Melhor técnico: Tyronn Lue (basquete/Cleveland Cavaliers)
Melhor atleta internacional: Cristiano Ronaldo (futebol/Real Madrid e Portugal)
Melhor lutador: Conor McGregor (MMA)
Melhor jogador da NFL: Cam Newton (Carolina Panthers)
Melhor jogador da NHL: Sidney Crosby (Pittsburgh Penguins)
Melhor jogadora da WNBA: Maya Moore (Minnesota Lynx)
Melhor atleta universitário: Buddy Hield (basquete/Oklahoma Sooners)
Melhor piloto: Kyle Busch (Nascar)
Melhor golfista homem: Jordan Spieth
Melhor golfista mulher: Lydia Ko
Melhor tenista homem: Novak Djokovic
Melhor tenista mulher: Serena Williams
Melhor jogador da MLS: Sebastian Giovinco (Toronto FC)
Prêmio Jimmy V de Perseverança: Craig Sager
Prêmio Arthur Ashe de Coragem: Zaevion Dobson
Prêmio Pat Tillman de Serviço militar: Sargento Elizabeth Marks
Melhor momento: Cleveland vence seu primeiro título em 52 anos
Melhor atleta que deu a volta por cima: Eric Berry (futebol americano/Kansas City Chiefs)
Prêmio de Ícone: Kobe Bryant (basquete/Los Angeles Lakers), Peyton Manning (futebol americano/Denver Broncos) e Abby Wambach (futebol/Estados Unidos)

Crosby ser o melhor jogador das finais só mostra quão forte eram os Penguins

O craque jogou bem, mas não fez um golzinho sequer. Sinal de que estava muito bem acompanhado na hora de decidir

Os torcedores e jornalistas que cobrem a NHL parecem em uma eterna busca por um novo Dom Sebastião. O hóquei no gelo teve Wayne Gretzky, que chegou como um furacão marcando gols, conquistando títulos, fazendo as pessoas em Los Angeles lembrarem que os Kings existiam e mudando a história do esporte. Desde o início do declínio do Great One, virou moda buscar o Next One. Eric Lindros foi o primeiro caso. Connor McDavid o último. Entre eles, está Sidney Crosby, fenômeno que elevou o nível do Pittsburgh Penguins e ganha terreno na disputa para ficar entre os maiores de todos os tempos.

O talento de Crosby é tão grande que, nos últimos anos, não foram raras as vezes em que ele e os Penguins foram tratados como uma coisa só. Os duelos com o Washington Capitals, outra franquia que cresceu muito nos últimos dez anos, era mais tratado como Crosby x Alexander Ovechkin do que Pens x Caps (o mesmo acontecia quando Canadá e Rússia se enfrentavam nos Jogos Olímpicos, diga-se). Pois o Pittsburgh conquistou mais um título neste domingo, com o craque do time levando o troféu de melhor jogador dos playoffs. Mas, nesse caso, isso só serve para reforçar a ideia de como o resto do time foi importante.

O camisa 87 é o melhor jogador dos Penguins e foi o líder da equipe nas finais contra o San Jose Sharks. Deu quatro assistências, duas delas no jogo 6, a vitória por 3 a 1 que fechou a temporada. No entanto, o Pittsburgh precisou muito do resto do elenco para levantar a Copa Stanley e o fato de Crosby não ter feito gol algum apesar das boas atuações só evidencia isso.

Phil Kessel foi o grande nome da linha HBK, também formada por Carl Hagelin e Nick Bonino, que deu vida ao ataque dos Penguins nos playoffs. Ele fez um gol, deu três assistências nas finais e, contando todas as fases do mata-mata, fez dez gols e deu 12 assistências. Crosby, no mesmo período, teve 6 e 12. Por isso, muitos analistas acham que o ala direita merecia o título de melhor jogador dos playoffs.

Isso não significa que Crosby não mereça, ainda que defender Kessel seja perfeitamente viável e até tenha surgido uma teoria que torcedores do Toronto Maple Leafs votaram no Next One para evitar a vitória do seu ex-jogador que não saiu bem da maior cidade do Canadá. Mas mostra que, mesmo jogando bem, Crosby não decidiu sozinho. Porque o hóquei no gelo é dinâmico e coletivo, com linhas que se alternam no rinque, e achar que um jogador vale pelo seu time só faz sentido para equipes muito ruins, não para uma campeã.

Goleirão dos Sharks joga muito e, Pittsburgh segue no jejum de títulos em casa

Lembra qual foi a última vez que um time de Pittsburgh foi campeão diante de sua torcida?

Estava tudo pronto. A torcida lotou o Consol Energy Center para ver mais uma vitória do Pittsburgh Penguins. Nada podia dar errado: os Pinguins dominavam o San Jose Sharks nas finais da Stanley Cup, lideravam a série por 3 a 1 e bastava vencer em casa para conquistar o título e comemorar com sua torcida. Bem, “nada podia dar errado”, exceto o goleiro Martin Jones fazer 44 defesas e ajudar o San Jose Sharks a fazer 4 a 2 e levar a série para o sexto jogo, na Califórnia.

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Os Penguins continuam favoritos, mas talvez conquistem o título fora de casa. Sem problema, certo? Certo, mas aumentaria uma bizarra sina dos times da cidade de não levantarem troféus diante de seus torcedores desde 1960. E não foram poucos títulos: entre Steelers, Penguins e Pirates, são 11 conquistas. Dessas, as seis dos Steelers são compreensíveis porque a decisão da NFL é disputada em campo pré-definido e ela nunca foi em Pittsburgh. Mas os times da NHL e da MLB incrivelmente só fecharam títulos como visitantes.

Veja onde o torcedor de Pittsburgh comemorou títulos nos últimos 56 anos:

Pittsburgh Steelers

1975 – Nova Orleans
1976 – Miami
1979 – Miami
1980 – Los Angeles
2006 – Detroit
2009 – Tampa

Pittsburgh Penguins

1991 – Minneapolis
1992 – Chicago
2009 – Detroit

Pittsburgh Pirates

1971 – Baltimore
1979 – Baltimore

A última vez que um time de Pittsburgh foi campeão em casa foi em 1960. E foi uma das mais espetaculares: jogo 7 da World Series, os Pirates estavam perto do título, mas cederam duas corridas para o New York Yankees na parte alta da nona entrada e o placar ficou em 9 a 9. Até que Bill Mazeroski foi ao bastão na parte de baixa da nona.

Foi a primeira vez na história que o título da MLB foi definido em um home run. Não à toa, a ESPN elegeu esse lance como o maior home run da história.

Que se dane o resultado, teve Metallica tocando o hino antes do jogo

Penguins fizeram 3 a 1 e estão com o título na mão, mas não digam que os Sharks perderam nesta segunda

Só um enorme acidente tira a Stanley Cup do Pittsburgh Penguins. O time da Pensilvânia fez 3 a 1 no San Jose Sharks fora de casa e precisa de só mais uma vitória em três jogos – dois em casa – para conquistar o título da NHL. Além da vantagem numérica, tem mostrado domínio das partidas. A ponto de não ficar atrás do marcador um segundo sequer na série (a única derrota foi de virada na morte súbita. Ou seja, o jogo acabou assim que os Sharks assumiram a dianteira).

Mas não digam que a equipe californiana perdeu. Porque eles aproveitaram que o Metallica é lá da Grande São Francisco e botaram Kirk Hammett e James Hetfield para tocar o hino americano antes do jogo. O dia estava ganho ali.

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Nem fim de um tabu incômodo faz Sharks levantarem o troféu da conferência

E você achando que os Warriors eram o time da Grande São Francisco que conquistaria o Oeste com folga

O San Jose Sharks entrava toda temporada com um fardo nas costas. A franquia, fundada em 1991, quase sempre teve equipes competitivas – chegou aos playoffs em 18 das 26 temporadas que disputou e conquistou o título da divisão seis vezes -, mas nunca havia conquistado a Stanley Cup. Pios, nunca havia sequer conquistado a Conferência Oeste. Não à toa, ganhou fama de equipe que sempre amarela nos playoffs.

Mas isso acabou nesta quarta. Com uma contundente vitória por 5 a 2 sobre o St. Louis Blues, o time californiano levou o título do Oeste e chegou à decisão máxima do hóquei no gelo. Motivo de sobra para os jogadores comemorarem, exceto pelo fato de a NHL ser uma liga com dezenas de mandingas e tradições. Veja só como Joe Pavelski tratou o Campbell Bowl, troféu dado ao campeão do Oeste.

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Exato, o capitão dos Sharks nem tocou na taça. Nem ele, nem nenhum jogador do time. Não é uma reação obrigatória, mas é uma tradição seguida por várias equipes: o único troféu que vale é a Copa Stanley, então não há motivo para celebrar a conquista de qualquer outra taça.

A torcida fica na expectativa. Até porque, com as dificuldades do Golden State Warriors em bater o Oklahoma City Thunder na final do Oeste da NBA, a Grande São Francisco pode deixar de conquistar um título que considerava barbada. Talvez o hóquei no gelo compense.

A melhor defesa da temporada foi feita por um jogador de linha

Se o disco entrasse, o Washington Capitals estaria eliminado

Pittsburgh Penguins x Washington Capitals se transformou em um dos principais clássicos da NHL. Nem tanto pela rivalidade histórica, mas por terem os dois grandes gênios da atual geração – Sidney Crosby e Alexander Ovechkin – e estarem sempre no topo por causa disso. Nesta temporada, os dois se enfrentaram nas semifinais da Conferência Leste, e os Pinguins abriram 3 a 2 na série antes de fazer o jogo 6 em casa nesta terça. Por isso, quando a partida foi para a prorrogação, muita coisa estava em disputa.

Certamente isso se passou na cabeça de todos os jogadores dos Capitals quando o Pittsburgh fez uma blitz. Era um arremate atrás do outro, com o goleiro Braden Holtby ficando até tonto de tanto que tinha de virar de um lado para o outro para acompanhar o disco. No final, do bate-rebate, Patric Hornqvist ficou com o gol aberto e mandou o puck. Gol certo e classificação para os Penguins, mas…

…Mas Jay Beagle apareceu do nada para fazer a defesa do ano. O atacante se atirou com o taco esticado e conseguiu interceptar o disco no ar, em cima da linha. Uma defesa fantástica para manter os Capitals vivos no campeonato. Vivo por mais três minutos, porque Nick Bonino fez o gol que deu a vitória e a classificação aos Penguins.

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Os outros esportes já tiveram zebras como a do Leicester? Aqui temos algumas sugestões

Veja algumas das maiores surpresas dos esportes, do basquete à luta olímpica, do futebol americano ao rugby league

Impossível um amante de esporte ficar indiferente à conquista do Leicester City. Mesmo que não tenha apreço pelo futebol há de se sensibilizar com a história de um time tido como candidato forte ao rebaixamento que acaba crescendo e conquistando o título da liga mais poderosa do mundo. A façanha do Leicester é tão grande que imediatamente surgiram comparações com outras zebras do futebol mundial.

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Aqui no ExtraTime resolvemos fazer diferente. Fomos buscar casos em todos os outros esportes. A lista de surpresas é interminável, mas selecionamos algumas que fossem mais representativas. Não estamos dizendo que os eventos são mais ou menos válidos que o do Leicester, até porque cada modalidade tem sua dinâmica e isso torna impossível uma comparação real com a Premier League.

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Considerando que o clube inglês não foi uma surpresa isolada, um jogo de resultado surpreendente, mas uma campanha que durou uma longa temporada, sou poucos casos que realmente se comparam. Uma luta de boxe, um jogo de tênis, uma prova de atletismo ou uma decisão de torneio mata-mata são sempre suscetíveis ao momento da disputa.

Talvez o único caso que realmente se compare seja o do Miracle Mets, o New York Mets de 1969: um time que vinha de péssima campanha, não se reforçou significativamente, mas saiu ganhando, foi primeiro em um torneio longo de “pontos” corridos (a temporada regular da MLB e seus 162 jogos). Depois ainda venceu uma final contra uma equipe claramente superior tecnicamente.