Você verá poucas coisas tão emocionantes quanto o choro de Dee Gordon ao rebater esse home run

Foi o primeiro jogador do Miami Marlins a ir ao bastão após a morte de José Fernández

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Miami Marlins x New York Mets não seria um jogo normal. Era a primeira vez que o time da Flórida entraria em campo após a morte de José Fernández, seu melhor arremessador (e escalado originalmente para essa partida contra os nova-iorquinos). Antes da partida, as duas equipes participaram de homenagens e o clima do estádio era claramente pesado e emotivo.

Tudo isso se misturou e explodiu no primeiro ataque dos Marlins. Dee Gordon, o primeiro rebatedor da equipe, conseguiu um home run. O shortstop chorou enquanto percorria as bases e, ao chegar ao banco, foi acolhido por companheiros que também deixavam as lágrimas escorrerem livremente.

Todos no estádio choraram esse home run. Mas, se José Fernández está em algum lugar agora, ele certamente teve uma reação bem diferente, ainda mais porque o Miami venceu por 7 a 2. Ele simplesmente não conseguiria deixar de se divertir com o esporte que tanto amou e com uma vitória de seus companheiros.

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Só nas fábulas infantis Bartolo Colón venceria uma corrida contra Billy Hamilton

O mundo do beisebol nos proporcionou o prazer de ver essa disputa

A lebre é um animal conhecido pela sua velocidade, exatamente o oposto de uma tartaruga. Por isso, uma corrida entre os dois animais fatalmente teria o mamífero como vencedor, mas uma fábula mostra como a determinação e o trabalho duro e insistente do quelônio o levou à vitória sobre um insolente leporídeo.

Mas isso é nas histórias que buscam dar ensinamentos valiosos às crianças. No mundo real, a lebre vence. E tivemos uma prova disso durante o jogo entre New York Mets e Cincinnati Reds. Bartolo Colón, um dos arremessadores mais “fortinhos” e lentos da liga teve de apostar uma corrida contra Billy Hamilton, que teria condição atlética para tentar uma carreira de velocista. Mesmo com o arremessador dos Mets partindo de um ponto mais próximo da primeira base, Hamilton ganhou. Ainda mais porque Lucas Duda errou seu lançamento para Colón.

Mas o dominicano pode dizer que, no que importava mesmo, ele que teve a vitória: 4 a 3 no placar final.

Você vai ficar com inveja do presente de Natal que Noah Syndergaard deu a sua família

Nada como passar as festas de fim de ano homenageando um grande mito

Poucos jogadores da MLB estão curtindo tanto as férias quanto Noah Syndergaard. O arremessador do New York mets já publicou nas redes sociais fotos vendo jogos de New York Giants, Islanders, Rangers e Knicks, Dallas Mavericks e Stars, Washington Capitals, TCU e até WWE (duas vezes!). Mas, neste Natal, ele abusou.

Thor presenteou toda sua família com uma camisa homenageando o maior mito dos esportes. Não é Nolan Ryan, Dirk Nowitzki, Troy Aikman (sua família é da Grande Dallas, né?), Babe Ruth ou Michael Jordan. É ele, o homem, a lenda… Bartolo Colón. Veja todos os Syndergaards usando a camisa com o rosto do rechonchudo arremessador dominicano e o título “Big Sexy”.

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Até as jogadas mais espetaculares ficam engraçadas quando envolvem Bartolo Colón

Arremessador dos Mets jogou a bola pelas costas, em uma das defesas mais incríveis da temporada

Impossível não adorar ver Bartolo Colón em campo. Ele é rechonchudo, tem movimentos engraçados e ainda consegue ser um jogador bastante competitivo e interessante. Ele brilhou neste sábado, na vitória do New York Mets sobre o Miami Marlins. Fez o jogo completo e não cedeu corrida alguma nos 7 a 0 de sua equipe. Mas o grande momento foi defensivo, um momento incrível de técnica. E, claro, também cômico.

VEJA TAMBÉM: Matt Harvey enfrenta dilema complicado no último mês da temporada

Veja como ele fez a eliminação de Justin Bour na sexta entrada. O normal seria ele pegar a bolinha, girar o corpo e fazer um lançamento convencional para a primeira base. Mas, com seu corpanzil, isso não seria tão simples assim. Então, por que não lançar pelas costas?

Blue Jays e Orioles terão nova oportunidade para ficarem se xingando

Já houve ameaças de agressão, xingamentos e até ameça de boicote em jogos entre as duas equipes neste ano

A série imperdível

Detroit Tigers x Kansas City Royals
Sexta a domingo, 8 a 10/maio

Dois times que disputam centímetro a centímetro a liderança da Liga Americana Central desde que a temporada começou. Um deles, os Royals, é o atual vice-campeão da MLB e tem um brasileiro, mas também tem ganhado fama de ser cabeça quente e provocado algumas confusões. E o jogo vai passar na TV aqui no Brasil. Não há uma desculpa aceitável para deixar de acompanhar a série entre Detroit e Kansas City.

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O reencontro

Michael Morse e a torcida de São Francisco
Sexta, 8/maio

Michael Morse teve uma passagem rápida pelo San Francisco Giants, mas foi marcante. Na final da Liga Nacional de 2014, ele rebateu um home run que empatou o jogo 5 contra o St. Louis Cardinals na oitava entrada. As portas ficaram abertas para a virada na partida que classificou os californianos para a World Series. No final do ano, o defensor externo acertou sua ida para o Miami Marlins. Nesta sexta, Morse terá a oportunidade de reencontrar a torcida dos Giants na partida entre as duas equipes em São Francisco.

O duelo de arremessadores

Jon Lester (Cubs) x Bartolo Colón (Mets)
Segunda, 11/maio

Bartolo Colón parece interminável. O veterano dominicano já é um dos destaques da Liga Nacional no montinho, com cinco vitórias e uma derrota em seis jogos e ERA de 2,90. Ele está escalado para o jogo da próxima segunda, em Chicago, contra os Cubs. Seu adversário será Jon Lester, que ainda não deslanchou no novo time. O canhoto tem ERA de 4,04 e duas vitórias e duas derrotas em seis jogos (nas duas partidas restantes ele não foi creditado com o resultado), mas pode ter uma partida dominante a qualquer momento.

Fique de olho

Baltimore Orioles x Toronto Blue Jays
Segunda a quarta, 11 a 13/maio

As duas equipes têm trocado carícias há um bom tempo. José Bautista, astro dos Blus Jays, é o pivô de uma polêmica entre as duas equipes, e vez ou outra é atingido (aparentemente de propósito) pelos arremessadores adversários. Quando consegue um home run, responde disparando desaforos para os jogadores adversários. O clima piorou no final de abril, quando os Orioles ameaçaram boicotar uma partida em Toronto porque o gramado artificial ruim teria lesionado um jogador do Baltimore. Não estranhe um novo arranca-rabo.

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Brasileiros

Yan Gomes

O catcher dos Indians está contundido, mas voltou a treinar nesta semana.

Paulo Orlando

O defensor externo dos Royals não teve uma semana boa. Foi 14 vezes ao bastão, cosneguindo apenas três rebatidas. Seu aproveitamento caiu para 25,4%.

André Rienzo

O arremessador do Miami Marlins segue na rotação do New Orleans Zephyrs, filial triple-A do time da Flórida.

Programação de TV

Sábado, 9 de maio

17h – Washington Nationals x Atlanta Braves (Fox Sports 2)

Domingo, 10 de maio

21h – MLB: Detroit Tigers x Kansas City Royals (ESPN)

Segunda, 11 de maio

20h – Cincinnati Reds x Atlanta Braves (ESPN+)

Terça, 12 de maio

21h30 – Chicago Cubs x New York Mets (ESPN+, em andamento)

O que é pior: o arremessador rebatendo ou o shortstop arremessando?

Duas cenas bizarras: Bartolo Colón perde capacete de tão atrapalhado no swing no jogo dos Mets e Dean Anna vai ao montinho para os Yankees

Bartolo Colón tenta rebater (Reprodução)
Bartolo Colón tenta rebater (Reprodução)

O torcedor nova-iorquino viu cenas estranhas nos jogos dos seus times neste sábado. O que, para todo torcedor não-nova-iorquino, significa imagens engraçadas e curiosas.

O New York Yankees tomava de 14 a 1 do Tampa Bay Rays na oitava entrada, quando Joe Girardi resolveu não desgastar mais seu bullpen em um jogo perdido. Assim, o shortstop Dean Anna foi ao montinho para arremessar a entrada inteira. Cedeu duas corridas, ficou com um ERA de 18, mas cumpriu seu papel. Veja aqui.

Enquanto isso, os Mets colocavam seu arremessador para rebater. Tudo bem, é jogo de Liga Nacional, isso acontece sempre. Mas o responsável era Bartolo Colón. O dominicano está em sua 17ª temporada na MLB, mas até o final de 2013, ele só tinha atuado na Liga Nacional por meio ano (2002, pelo Montréal Expos). Sua falta de intimidade com o bastão ficou nítida pelo swing atrapalhado, com direito a perda de capacete.

E aí, o que foi mais bizarro?

UBIRATAN LEAL | A um passo de virar bagunça

Dopings de Cabrera e Colón têm implicações que vão além dos desfalques nas equipes que defendem

Melky Cabrera
Cabrera, pego no antidoping e potencial campeão de rebatidas

Tem sujeira que não é tão grande, mas fica tão impregnada que é duro tirar. Pode esfregar, botar produto químico, que vai precisar ralar muito. Quem lava a louça de casa sabe como é. Bud Selig, chefão da Major League Baseball, talvez não faça isso no seu dia a dia, mas vai saber como é difícil tirar determinadas sujeiras. No caso, as que carregam o nome de “doping de Melky Cabrera” e “doping de Bartolo Colón”.

A questão não é julgar as intenções ou o caráter dos jogadores. Ambos tomaram substâncias para melhorar seu desempenho, foram pegos e admitiram. No caso de Melky, houve o agravante de seus empresários terem tentado criar um esquema para inocentá-lo, um evento que parece mais uma passagem trapalhada de Homer Simpson para esconder algo da Marge do que uma atitude de jogador profissional.

O problema é a repercussão dentro e fora de campo. Tecnicamente, os dois jogadores vinham sendo importantes nas boas campanhas de suas equipes, ambas brigando por um lugar nos playoffs (e ambos só retornarão neste ano se suas equipes se classificarem aos playoffs e forem longe neles). As suspensões podem alterar o balanço de forças nas divisões oeste das duas ligas, ou mesmo influir na disputa pelo wild card.

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Bartolo Colón era o carregador de piano da rotação dos Athletics. O desempenho não era espetacular, mas ele liderava o grupo de arremessadores em partidas iniciadas e vitórias (24 e 10, ambas ao lado de Tommy Millone). Em entradas arremessadas, o dominicano era o segundo (uma entrada atrás de Millone), assim como em ERA (atrás de Brandon McCarthy). A sorte do Oakland é que a rotação não se ancora em um nome. Todos – McCarthy, Colón, Jarrod Parker, Travis Blackey e Millone – têm ERA entre 3,16 e 3,87. É mais fácil absorver a perda de uma figura.

A situação dos Giants é mais delicada. O time tem problemas crônicos no bastão, algo que era sentido mesmo na equipe campeã da MLB de 2010. A entrada de Melky, depois de uma temporada forte no Kansas City, deu novo gás ao ataque. Cabrera liderava o time em aproveitamento (34,6%, segunda melhor marca da Liga Nacional), rebatidas (159), corridas (84) e rebatidas triplas (10). Ainda era segundo em porcentagem em base (39%), home runs (11) e corridas impulsionadas (60) – nos três itens, atrás de Buster Posey – e terceiro em bases roubadas (13).

A dupla que o outfielder dominicano fazia com Posey era fundamental para o ataque dos Giants, que ainda assim era apenas o oitavo da Liga Nacional. Entre as equipes que brigam por um lugar nos playoffs, apenas Dodgers e Pirates produzem menos no bastão. Sem seu rebatedor mais constante, o San Francisco passa a depender ainda mais dos arremessadores, e de uma recuperação de Tim Lincecum.

Fora de campo, há uma questão estatística séria a resolver. O aproveitamento de 34,6% deixa Cabrera como o segundo colocado na disputa por campeão de rebatidas na Liga Americana. O líder é Andrew McCutchen, apenas 0,3 ponto percentual acima. Se o jardineiro dos Pirates seguir em fase descendente, rapidamente será ultrapassado por Melky.

Pelas regras da MLB, Melky precisaria de 460 idas ao bastão (at-bat) para ser elegível ao título de rebatidas. Com a suspensão por doping, o jogador dos Giants não chegou a esse número. Ele tem… 459. Sim, apenas uma a menos que o necessário. O que não significa que ele esteja fora da disputa.

Ainda pelas regras adotadas pela liga, um jogador que disputa o título de rebatidas, mas não teve a quantidade de idas ao bastão mínimas, pode “completar” suas idas contando todas elas como eliminação. Se ele ainda for o líder, fica com o título. Ou seja, Cabrera ficaria com 460 at-bats e as 159 rebatidas de hoje. Seu aproveitamento fica virtualmente inalterado (cai de 34,64 para 34,56%) e o título pode ir para ele, como já foi o prêmio de melhor jogador do All-Star Game. Tudo com base em um desempenho claramente ajudado pelo doping, pois seus números de 2012 estão muito acima de seu histórico recente.

A MLB entra em um dilema filosófico. Na temporada passada, já houve um grande debate sobre a entrega do prêmio de MVP da Liga Nacional a Ryan Braun, cujo doping foi anunciado dias após o resultado de sua eleição ser conhecido. Na época, a associação de jornalistas, responsável pelos prêmios de MVP, informou que manteria o prêmio. De qualquer modo, o jogador do Milwaukee Brewers foi inocentado e, para todos os efeitos, seu doping não ocorreu.

Braun foi inocentado, ajudando a esfriar o debate sobre o MVP

Mas, em 2012, Melky Cabrera confessou seu doping. E ele tem na mão um prêmio e está perto de conquistar outro. A MLB se vê, novamente, obrigada a legislar sobre o tema. É difícil fugir da necessidade de criação de um mecanismo que invalide os prêmios e estatísticas de jogadores nas temporadas em que eles forem pegos no antidoping. No boom do doping, nas décadas de 1990 e 2000, não foi assim? Bem, ainda que se saiba o nome de muitos dos dopados, não havia exames para comprovar exatamente quem eram e em que anos suas estatísticas seriam excluídas. Hoje, há o teste.

A liga precisa tomar uma atitude porque o fato de dois jogadores importantes serem pegos no doping na mesma semana ressuscitou outro fantasma: a de que todo mundo na MLB se dopa. Nesta quarta, um comentarista polêmico da ESPN levantou a hipótese de a grande temporada de Derek Jeter ter auxílio de substâncias proibidas. Relatos obscuros de que “todo mundo consome, mas a maioria sabe se livrar” começam a pulular no noticiário.

O beisebol é o esporte americano mais antigo, e vive com um vínculo gigantesco com suas estatísticas e recordes históricos. Isso lhe é útil quando algo glorioso ocorre, ou para consolidar a ligação de um time com sua cidade. Mas também faz que mídia e torcida tenham intolerância total a qualquer elemento ilegal ou imoral que possa falsear novas estatísticas e novos recordes. Como o uso de substâncias dopantes.

Por isso, a MLB não pode tratar os casos de Melky Cabrera e Bartolo Colón apenas como duas suspensões por doping. A liga precisa entender que eles têm repercussão que vão além da saída de ação de dois jogadores. A sujeira é grande, e precisa ser retirada logo, antes que fique mais grudada.