[Exclusivo] Retorno às Olimpíadas coloca liga semiprofissional nos planos do beisebol brasileiro

Entenda como é o retorno do beisebol aos Jogos Olímpicos e o que isso pode representar ao Brasil

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Atletas, dirigentes, torcedores e jornalistas ligados a cinco modalidades tiveram uma quarta para comemorar: beisebol/softbol, caratê, escalada esportiva, surfe e skate foram confirmados como integrantes do programa dos Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio. O carimbo oficial é importante, mas a aceitação já era esperada, eventualmente até dada como certa, há meses. Por isso, já há rascunhos do que pode acontecer a partir da decisão anunciada no congresso do COI.

O beisebol é um caso bastante claro disso. A modalidade já tem planos para o que pode ocorrer após a volta da modalidade às Olimpíadas. Preparamos um resumo do que esse retorno significa, incluindo informações exclusivas:

Validade da decisão

Em busca de aumento de público e viabilidade econômica, o Comitê Olímpico Internacional decidiu incluir modalidades com mais apelo popular – sobretudo entre os jovens – a cada edição dos Jogos. Por isso, dos cinco esportes aprovados nesta quarta, dois são muito fortes no Japão e as outras três são categorizadas como esporte de ação.

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Por enquanto, a permanência dessas modalidades dependerão da aceitação que tiverem e da escolha dos organizadores de cada edição olímpica. O beisebol só está garantido para Tóquio-2020. A forma mais segura de o esporte seguir nos Jogos é Los Angeles vencer a disputa pela Olimpíada de 2024. Outro caminho é o torneio realizado na capital japonesa ter grandes resultados técnicos e comerciais e convencer o COI a manter a modalidade.

Sistema de disputa

A WBSC (World Baseball Softball Confederation) informou as federações nacionais que o sistema de disputa preferencial seria um torneio com oito seleções, divididas em dois grupos de quatro. Os dois primeiros se classificariam para a realização de semifinais e final. Nesta semana, foi levantada a possibilidade de uma competição ainda menor, com seis times.

O objetivo é realizar um torneio bastante rápido, ocupando apenas uma das semanas dos Jogos Olímpicos, e aumentar a chance de obter a liberação de jogadores importantes (leia-se: da MLB).

Jogador do Japão observa home run da Coreia do Sul na Olimpíada de 2008 (AP Photo/Elaine Thompson)
Jogador do Japão observa home run da Coreia do Sul na Olimpíada de 2008 (AP Photo/Elaine Thompson)

Atletas da MLB

O beisebol tentou entrar nos Jogos Olímpicos de 2016 (perdeu para golfe e rugby) em uma campanha com forte apoio da MLB. Na época, foi incluída uma cláusula para a liberação de uma cota de jogadores da maior liga do mundo. O projeto foi derrotado e enterrado.

O processo vitorioso nesta quarta não teve esse tipo de promessa da MLB. A liga continua fortemente inclinada a aumentar sua internacionalização, mas Rob Manfred, o atual comissário, não vê nos Jogos Olímpicos algo tão relevante nesse caminho quanto seu antecessor, Bud Selig. Por isso, dificilmente os americanos aceitariam perder jogadores no meio do campeonato ou fariam algum arranjo na tabela para permitir a participação de estrelas.

A tendência é que o torneio olímpico use jogadores de ligas menores, como ocorreu de 1992 a 2008. Isso não significa que o nível técnico será terrível. Os Estados Unidos levaram jogadores de grande talento para os Jogos, como RA Dickey, Troy Glaus e Jeff Weaver (1996), Ben Sheets, Roy Oswalt e Pat Borders (2000) e Dexter Fowler, Jake Arrieta, Stephen Strasburg, Trevor Cahill e Matt LaPorta (2008).

Ainda assim, a falta de jogadores de ponta pode ser um problema para a permanência do esporte nos Jogos, pois foi a ausência de grandes estrelas que motivou o COI a retirar o beisebol da Olimpíada após Pequim. “Se as estrelas não participarem, a competição pode ter problemas para continuar no programa olímpico em outras edições. Hoje tratamos somente de Tóquio”, alertou Franco Carraro, ex-presidente da Federação Italiana de Futebol e dirigente do COI responsável pela lista de novos esportes olímpicos, logo após a confirmação do beisebol em 2020.

Menos mal que as ligas de Japão (NPB) e Coreia do Sul (KBO) devem interromper sua temporada para que seus atletas disputem as medalhas.

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Chances do Brasil

Com um torneio olímpico enxuto, as chances brasileiras são praticamente nulas. A CBBS recebeu a informação que, se a competição tiver oito seleções, as Américas teriam apenas três vagas. Para o Brasil, seria difícil passar pelo corte em uma disputa com Estados Unidos, República Dominicana, Cuba, Porto Rico, México, Venezuela, Canadá e Colômbia.

Desenvolvimento da modalidade no Brasil

A falta de perspectivas não significa que o anúncio do COI seja irrelevante. Pelo contrário. Como o beisebol volta a ter carimbo de modalidade olímpica, ele voltará a receber os repasses do Comitê Olímpico Brasileiro. A CBBS estima que entrarão no seu caixa cerca de R$ 400 mil por ano.

Esse dinheiro poderia alavancar vários projetos. “Poderemos ajudar mais as seleções que têm de viajar ao exterior para disputar torneios, além de tentar desengavetar o projeto de uma liga semiprofissional”, comenta Jorge Otsuka, presidente da entidade, em entrevista ao Extratime. A ideia seria uma liga com três a quatro meses de duração, dando atividade constante aos times. Além disso, a competitividade seria maior com a contratação de jogadores estrangeiros. “Talvez conseguíssemos colocar venezuelanos, cubanos ou colombianos em todas as equipes. Toda semana recebemos mensagens de jogadores latinos, sobretudo venezuelanos, pedindo informação sobre a possibilidade de jogar aqui. Não seria tão caro trazê-los.”

É questão de acompanhar e cobrar.

O sonho olímpico do futebol americano é adiado. Já o beisebol…

Decisão só sairá em 2016, mas parece que o retorno do beisebol e do softbol aos Jogos Olímpicos está cada vez mais perto

O Comitê Olímpico Internacional divulgou a lista de esportes finalistas no processo de inclusão nos Jogos Olímpicos de 2020, programados para Tóquio. Nenhuma grande surpresa, o que significa que o beisebol/softbol segue firme para seu retorno às Olimpíadas, enquanto que o futebol americano vai ter de esperar mais um pouco.

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As modalidades selecionadas pelo COI foram beisebol/softbol, caratê, boliche, patinação, escalada, surfe e wushu (kung fu). Dessa relação, apenas o boliche era tido como azarão, ainda mais depois da forte campanha de marketing que deixou o surfe como finalista certo.

O beisebol segue como favorito pelo fato de as ligas profissionais terem demonstrado algum apoio ao retorno aos Jogos (a falta de suporte da MLB foi o grande motivo da saída da modalidade em 2012) e pela popularidade no Japão. As federações internacionais do esporte já tratam a inclusão como certa e até criaram um modelo de disputa para o torneio olímpico. Ainda assim, a decisão de quantas e quais modalidades novas aparecerão nas Olimpíadas de Tóquio só ocorrerá em setembro de 2016.

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As modalidades que ficaram para trás foram esportes aéreos, futebol americano, bowls (espécie de petanca, ou bocha), bridge, xadrez, dança esportiva, floorball (semelhante ao hóquei em quadra), ultimate (frisbee), corfebol, netbol, orientação, polo, raquetebol, sinuca, sumô, cabo de guerra, esportes subaquáticos e esqui na água. Para o seguidor de esportes americanos, o sonho de ver o futebol americano no programa olímpico ficará para depois.

A exclusão do esporte mais popular dos Estados Unidos é justificável. Não há popularidade e disseminação da modalidade por vários países, e o nível técnico das competições internacionais ainda é muito abaixo do que há de melhor na competição (no caso, a NFL). Provavelmente a Ifaf e a NFL não tinham esperanças reais de conseguir alguma coisa, mas participar do processo ajuda na divulgação do cenário internacional do futebol americano, além de permitir às entidades do esporte a se aproximarem do movimento olímpico para uma investida no futuro.