[Exclusivo] Retorno às Olimpíadas coloca liga semiprofissional nos planos do beisebol brasileiro

Entenda como é o retorno do beisebol aos Jogos Olímpicos e o que isso pode representar ao Brasil

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Atletas, dirigentes, torcedores e jornalistas ligados a cinco modalidades tiveram uma quarta para comemorar: beisebol/softbol, caratê, escalada esportiva, surfe e skate foram confirmados como integrantes do programa dos Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio. O carimbo oficial é importante, mas a aceitação já era esperada, eventualmente até dada como certa, há meses. Por isso, já há rascunhos do que pode acontecer a partir da decisão anunciada no congresso do COI.

O beisebol é um caso bastante claro disso. A modalidade já tem planos para o que pode ocorrer após a volta da modalidade às Olimpíadas. Preparamos um resumo do que esse retorno significa, incluindo informações exclusivas:

Validade da decisão

Em busca de aumento de público e viabilidade econômica, o Comitê Olímpico Internacional decidiu incluir modalidades com mais apelo popular – sobretudo entre os jovens – a cada edição dos Jogos. Por isso, dos cinco esportes aprovados nesta quarta, dois são muito fortes no Japão e as outras três são categorizadas como esporte de ação.

ESPECIAL: A história do beisebol nos Jogos Olímpicos

Por enquanto, a permanência dessas modalidades dependerão da aceitação que tiverem e da escolha dos organizadores de cada edição olímpica. O beisebol só está garantido para Tóquio-2020. A forma mais segura de o esporte seguir nos Jogos é Los Angeles vencer a disputa pela Olimpíada de 2024. Outro caminho é o torneio realizado na capital japonesa ter grandes resultados técnicos e comerciais e convencer o COI a manter a modalidade.

Sistema de disputa

A WBSC (World Baseball Softball Confederation) informou as federações nacionais que o sistema de disputa preferencial seria um torneio com oito seleções, divididas em dois grupos de quatro. Os dois primeiros se classificariam para a realização de semifinais e final. Nesta semana, foi levantada a possibilidade de uma competição ainda menor, com seis times.

O objetivo é realizar um torneio bastante rápido, ocupando apenas uma das semanas dos Jogos Olímpicos, e aumentar a chance de obter a liberação de jogadores importantes (leia-se: da MLB).

Jogador do Japão observa home run da Coreia do Sul na Olimpíada de 2008 (AP Photo/Elaine Thompson)
Jogador do Japão observa home run da Coreia do Sul na Olimpíada de 2008 (AP Photo/Elaine Thompson)

Atletas da MLB

O beisebol tentou entrar nos Jogos Olímpicos de 2016 (perdeu para golfe e rugby) em uma campanha com forte apoio da MLB. Na época, foi incluída uma cláusula para a liberação de uma cota de jogadores da maior liga do mundo. O projeto foi derrotado e enterrado.

O processo vitorioso nesta quarta não teve esse tipo de promessa da MLB. A liga continua fortemente inclinada a aumentar sua internacionalização, mas Rob Manfred, o atual comissário, não vê nos Jogos Olímpicos algo tão relevante nesse caminho quanto seu antecessor, Bud Selig. Por isso, dificilmente os americanos aceitariam perder jogadores no meio do campeonato ou fariam algum arranjo na tabela para permitir a participação de estrelas.

A tendência é que o torneio olímpico use jogadores de ligas menores, como ocorreu de 1992 a 2008. Isso não significa que o nível técnico será terrível. Os Estados Unidos levaram jogadores de grande talento para os Jogos, como RA Dickey, Troy Glaus e Jeff Weaver (1996), Ben Sheets, Roy Oswalt e Pat Borders (2000) e Dexter Fowler, Jake Arrieta, Stephen Strasburg, Trevor Cahill e Matt LaPorta (2008).

Ainda assim, a falta de jogadores de ponta pode ser um problema para a permanência do esporte nos Jogos, pois foi a ausência de grandes estrelas que motivou o COI a retirar o beisebol da Olimpíada após Pequim. “Se as estrelas não participarem, a competição pode ter problemas para continuar no programa olímpico em outras edições. Hoje tratamos somente de Tóquio”, alertou Franco Carraro, ex-presidente da Federação Italiana de Futebol e dirigente do COI responsável pela lista de novos esportes olímpicos, logo após a confirmação do beisebol em 2020.

Menos mal que as ligas de Japão (NPB) e Coreia do Sul (KBO) devem interromper sua temporada para que seus atletas disputem as medalhas.

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Chances do Brasil

Com um torneio olímpico enxuto, as chances brasileiras são praticamente nulas. A CBBS recebeu a informação que, se a competição tiver oito seleções, as Américas teriam apenas três vagas. Para o Brasil, seria difícil passar pelo corte em uma disputa com Estados Unidos, República Dominicana, Cuba, Porto Rico, México, Venezuela, Canadá e Colômbia.

Desenvolvimento da modalidade no Brasil

A falta de perspectivas não significa que o anúncio do COI seja irrelevante. Pelo contrário. Como o beisebol volta a ter carimbo de modalidade olímpica, ele voltará a receber os repasses do Comitê Olímpico Brasileiro. A CBBS estima que entrarão no seu caixa cerca de R$ 400 mil por ano.

Esse dinheiro poderia alavancar vários projetos. “Poderemos ajudar mais as seleções que têm de viajar ao exterior para disputar torneios, além de tentar desengavetar o projeto de uma liga semiprofissional”, comenta Jorge Otsuka, presidente da entidade, em entrevista ao Extratime. A ideia seria uma liga com três a quatro meses de duração, dando atividade constante aos times. Além disso, a competitividade seria maior com a contratação de jogadores estrangeiros. “Talvez conseguíssemos colocar venezuelanos, cubanos ou colombianos em todas as equipes. Toda semana recebemos mensagens de jogadores latinos, sobretudo venezuelanos, pedindo informação sobre a possibilidade de jogar aqui. Não seria tão caro trazê-los.”

É questão de acompanhar e cobrar.

[Exclusivo] Presidente da CBBS: beisebol nas Olimpíadas está 99% certo, e com jogadores da MLB

Anúncio do Comitê Olímpico Internacional pode sair neste fim de semana

O retorno do beisebol e do softbol aos Jogos Olímpicos está próximo. Tão próximo que as entidades que governam as modalidades até já fazem planos sobre como seria a competição e quais os benefícios que esse fato traria para o Brasil, independentemente de participar ou não das competições. É o que conta Jorge Otsuka, presidente da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol em entrevista ao ExtraTime.

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Na conversa, o dirigente afirma que o COI pode anunciar já neste fim de semana o retorno do beisebol para Tóquio-2020 e que a luta da modalidade é voltar em definitivo ao programa olímpico, e não apenas para o evento japonês. Além disso, ele detalhou como seria o torneio, curto para não atrapalhar o calendários das principais ligas do mundo e permitir a liberação de jogadores. o que incluiria até a MLB.

Para o Brasil, o beisebol e o softbol voltarem a ser olímpicos colocaria a CBBS na lista de entidades que recebe repasse de verbas do Comitê Olímpico Brasileiro. Isso daria mais poder de investimento à entidade, mas os projetos mais promissores para o futuro estão mais ligados ao interesse crescente da MLB no País.

O COI anunciou uma série de novas políticas para os Jogos Olímpicos, incluindo uma flexibilidade maior na relação de modalidades que farão parte do evento. Como os Jogos de 2020 serão em Tóquio, o beisebol fica em posição privilegiada para voltar. Qual é a posição atual?

Em Tóquio é 99% de certeza que terá o beisebol e o softbol, mas não queremos que seja algo transitório, só para 2020. Em 6 e 7 de dezembro, o COI vai se reunir novamente. O Thomas Bach [presidente do comitê] já foi claro que quer que o beisebol volte, mas talvez seja em definitivo.

Qual é a posição da MLB e da NPB em relação a isso? Ano passado, quando o beisebol disputou com a luta e o squash para entrar em 2020, houve promessa de apoio e cessão de jogadores. Isso está em pé?

A liga japonesa está inteiramente a favor. A liga coreana (KBO) e a de Taiwan (CPBL) também. Elas se comprometeram a ceder todos os jogadores que forem necessários. Na MLB é mais difícil, mas o modelo de torneio deve ajudar. A ideia é fazer um torneio bem rápido para atrapalhar pouco o calendário das ligas. Seriam oito times e apenas cinco dias. Se for assim mesmo, uma possibilidade que foi pensada era a de a MLB liberar seus jogadores, sobretudo os arremessadores, em duas etapas. Na primeira leva os jogadores que disputariam os primeiros jogos e, na segunda, os atletas que disputariam a fase final. Assim, não haveria tanto desgaste e os clubes americanos não perderiam seus jogadores por tanto tempo. Em relação aos atletas não-americanos da MLB, é algo que teria de ser conversado entre a liga e as federações dos países.

O Brasil dificilmente conseguiria uma vaga em um torneio de oito seleções. De qualquer forma, o retorno do beisebol e do softbol para o programa olímpico recolocaria a CBBS como entidade que receberia repasse de verbas do Comitê Olímpico Brasileiro.

Isso. Seria muito importante para nós. Com o repasse da Lei Agnello-Piva, voltamos a ter ajuda. Quando recebíamos, podíamos mandar a seleção para disputar os torneios continentais, era mais fácil bancar a estrutura do CT em Ibiúna, por exemplo. O Brasil já é 14º no ranking mundial da Ibaf, mas dá para subir uma ou duas posições se disputarmos mais competições.

O time que vai disputar o Sul-Americano em janeiro vai bancar a viagem para o Peru do próprio bolso?

Isso. Recurso dos atletas.

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Então, mas sobre os eventuais repasses do COB, a CBBS já tem algum plano para o que fazer com esse dinheiro? Bancar a viagem das seleções e o CT é o mínimo, mas não é a oportunidade de também fazer algo diferente para alavancar o esporte?

Já demos o pontapé inicial para uma parceria com a MLB, que está ajudando a implementar projetos em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Recife, e com outros já programados para Natal, Fortaleza e Porto Alegre. A liga tem sido fundamental, porque um problema que sempre tivemos era o custo dos equipamentos. Agora ela manda para cá.

Neste ano, o Náutico se tornou o primeiro clube tradicional no futebol a criar uma equipe de beisebol. Esse é um caminho?

Seria um sonho nosso ter time do Corinthians, do São Paulo, do Flamengo. Porque eles já têm um público próprio, que viria junto com o time. Inclusive, vamos fazer um evento com o André Rienzo lá em Recife no começo de 2015 para ajudar a promover esse trabalho do Náutico.

Mas isso é um sonho ou já existe algo em andamento?

É só um sonho por enquanto. Nunca conversamos com nenhum dirigente de clube de futebol.

A Taça Brasil está sendo disputada e não há nenhum clube de fora de São Paulo na disputa, algo que tem se tornado comum nos últimos anos. O que falta para o Brasil ter uma competição nacional que seja realmente nacional?

É difícil fazer tudo o que queremos. Existem competições regionais em Belém, Manaus, no Mato Grosso, no Mato Grosso do Sul, no Paraná e em São Paulo. Mas é caro para os times de fora de São Paulo disputarem o torneio aqui. Para uma equipe paraense, custaria algo em torno de R$ 50 mil entre transporte, hospedagem e alimentação. Fora que o nível técnico em muitos desses lugares ainda é inferior, não dá para competir.

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O Caleb Santos-Silva [coordenador de desenvolvimento internacional da MLB] já disse que a liga pensa em fazer um jogo no Brasil. O que seria preciso fazer de infraestrutura para viabilizar isso?

Temos primeiro de trabalhar com a prefeitura de São Paulo. O estádio Mie Nishii tem uma ótima localização, no Bom Retiro, bairro central. O problema é que teria de fazer muita obra para deixar o estádio em condições de receber um jogo desses. Há espaço, mas a estrutura em si teria de praticamente construir tudo de novo. Já estamos vendo com a secretaria de esportes o que pode ser feito naquele local.

A chegada de brasileiros na MLB aumentou a exposição do beisebol na mídia e aumentou a procura pelo esporte?

Melhorou bastante. Houve muita gente nos procurando ou fazendo consultas para eventuais projetos. Temos atletas bons, somos mais respeitados lá fora, só precisamos de mais quantidade. Uma coisa que começou a andar é a conversa com o Sesi-SP, que pode implementar em suas unidades o mesmo trabalho que o Sesc-SP já faz. Também já fechamos com a prefeitura de Indaiatuba uma clínica na cidade durante o Carnaval, levando técnicos para ensinarem os professores de educação física da rede municipal a colocarem o beisebol na grade.

Por que a próxima terça pode ser tão importante ao beisebol brasileiro

Comitê Olímpico Internacional deve anunciar novidades para os Jogos de Tóquio-2022, e dá pinta que o retorno do beisebol/softbol seria uma delas

O japonês Masa Morino tenta pegar uma bola nos Jogos de Pequim, em 2008 (AP Photo/Charlie Riedel)
O japonês Masa Morino tenta pegar uma bola nos Jogos de Pequim, em 2008 (AP Photo/Charlie Riedel)

O que a desistência de Oslo na candidatura aos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 tem a ver com o beisebol brasileiro? Bem, o mundo é complexo, e um fato realmente pode ajudar bastante o outro. E o fato que liga as duas coisas é como o primeiro acendeu o alerta vermelho ao COI sobre como o maior evento poliesportivo do planeta precisa ser repensado.

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Apenas duas cidades são candidatas aos Jogos de 2022: Almaty, no Cazaquistão, e Pequim, China. As duas foram as sobreviventes de uma campanha que teve mais desistências que concorrentes efetivos. Abandonaram o barco Oslo (Noruega), Estocolmo (Suécia), Cracóvia (Polônia) e Lviv (Ucrânia). Esta última saiu por motivos políticos, mas as outras o fizeram por falta de apoio popular diante da dificuldade de justificar economicamente o investimento no evento. E, mais que isso, justificar os gastos para participar da escolha, correndo o risco de ser derrotado.

O COI ficou exposto. Os Jogos Olímpicos, sobretudo o de Verão, ainda têm apelo, mas é nítido como se tornou um evento gigantesco demais e é preciso reformulá-lo. O Comitê realizou diversos estudos e, nesta terça, o presidente Thomas Bach deve aproveitar uma assembleia da entidade para anunciar novidades. Baratear o processo de candidatura é um dos pontos mais importantes. Outro foco é aumentar o potencial de retorno ao país-sede. E uma das melhores maneiras de fazer isso é flexibilizar o programa, com mais margem para cada organizador incluir e excluir modalidades de acordo com seus interesses.

O primeiro passo para isso seria justamente no beisebol. Com o programa dos Jogos de 2016, no Rio, já fechado, os primeiros efeitos dessa mudança ocorreriam em Tóquio-2020. Aí, fica muito fácil perceber onde o beisebol entraria. Para a capital japonesa, seria muito interessante que o esporte mais popular do país tivesse um torneio olímpico, pois o retorno de TV e bilheteria seria imediato.

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Em entrevista ao ótimo Marcelo Laguna no blog Espírito Olímpico em outubro, Jorge Otsuka, presidente da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol, já se mostrou otimista em relação ao retorno das duas modalidades de que cuida às Olimpíadas. E, se as especulações se confirmarem, a CBBS se tornaria elegível a receber repasses de verba do Comitê Olímpico Brasileiro, pelo menos no período entre 2016 e 2020.

O corte desse dinheiro é tido por Otsuka como um dos grandes motivos de asfixia econômica do beisebol brasileiro. Então, voltar a estar na lista de recebedores do COB, somado ao crescimento da modalidade no Brasil após ações da MLB e, principalmente, aumento de destaque de jogadores brasileiros, daria mais margem para a entidade investir.

Mas é preciso aproveitar bem nesses quatro anos antes dos Jogos de Tóquio, pois pode ser uma melhoria apenas provisória. O retorno do beisebol e do softbol aos Jogos de 2020 é tido como certo. Mas dificilmente voltaria como modalidade fixa. Os japoneses a garantiriam em 2020, mas a manutenção para 2024 dependeria do interesse do país-sede, e a maioria dos candidatos não teriam motivos para querer o beisebol.

Obs.: o processo de candidatura aos Jogos de 2024 ainda está começando. Não há concorrentes oficiais, apenas pré-candidaturas, algumas delas ainda passariam por uma competição interna entre cidades interessadas do mesmo país antes de serem apresentadas ao COI. Elas são: Baku (Azerbaijão), Berlim (Alemanha) ou Hamburgo/Copenhague (Alemanha/Dinamarca, candidatura conjunta), Boston, Los Angeles, São Francisco ou Washington (Estados Unidos), Budapeste (Hungria), Casablanca (Marrocos),  Doha (Catar), Durban ou Joanesburgo (África do Sul), Istambul (Turquia), Kiev (Ucrânia), Lima (Peru), Melbourne (Austrália), Nairóbi (Quênia), Paris (França), Roma (Itália) e São Petersburgo (Rússia). De todas essas, só a candidata norte-americana deve sugerir a permanência do beisebol e do softbol para 2024.

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[Exclusivo] MLB planeja reformar estádio em São Paulo para organizar um jogo no Brasil

A liga ainda trabalha com fornecedores para baratear o custo de equipamentos no mercado brasileiro

Caleb Santos-Silva já é um conhecido no meio do beisebol brasileiro. Norte-americano, seu sobrenome português vem do pai, imigrante cabo-verdiano. Ele não aprendeu o português em casa, mas uma namorada brasileira o ensinou. Virou funcionário da MLB e, devido a familiaridade com o idioma, era sempre designado para coordenar os Elite Camps da liga no Brasil. Mas essa relação vai mudar, pois ele já está preparando a mudança para se tornar o chefe do escritório da Major League Baseball em São Paulo.

A criação desse posto avançado da MLB no Brasil é mais importante do que parece. Ela mostra como a liga colocou o País entre suas prioridades de investimentos para a expansão internacional. Atualmente, são apenas três escritórios comerciais da MLB fora dos Estados Unidos: Londres, responsável por assuntos de Europa, África e Oriente Médio, Tóquio, que trata de questões no Oriente, e Sydney, para a Austrália (onde há uma liga bancada pela MLB). A América Latina toda fica debaixo da sede principal, em Nova York.

Obs.: há também um escritório na República Dominicana, mas esse não cuida de questões comerciais, apenas a coordenação de trabalhos das franquias na busca de jogadores no país.

O escritório brasileiro tratará de temas ligados apenas ao Brasil. A liga já organiza anualmente os Elite Camps em Ibiúna, no qual olheiros das franquias podem observar os garotos com mais potencial para receber um contrato. Luiz Gohara, por exemplo, chamou a atenção do Seattle Mariners na edição de 2012 do evento. Mas os planos são muito mais ousados, e por isso a liga decidiu ter uma sede fixa.

Uma das ideias é fazer um jogo no Brasil. “Estamos avaliando a possibilidade de bancar, com dinheiro da liga, uma reforma total do estádio do Bom Retiro”, comentou Santos-Silva ao ExtraTime. “O objetivo é deixar esse estádio em condições de receber, em alguns anos, uma partida da MLB.” O Mie Nishii, no bairro do Bom Retiro, é o principal estádio do beisebol brasileiro. Pertence à prefeitura, e suas condições estão longe das ideais. O Elite Camp de 2012, por exemplo, foi bastante prejudicado porque o campo não suportou as chuvas que caíram no dia.

Estádio Mie Nishii, no bairo paulistano do Bom Retiro (Divulgação)
Estádio Mie Nishii, no bairo paulistano do Bom Retiro (Divulgação)

O futuro responsável pelo escritório brasileiro da MLB não deu um prazo, mas Paul Archey, vice-presidente da área internacional da liga, havia falado em fazer uma partida no Brasil em cinco anos para uma reportagem de Éder Fantoni e Paulo Roberto Conde na Folha de São Paulo. “A internacionalização é o caminho, e o Brasil é muito forte”, comentou. O dirigente acompanhou a comitiva da NBA que foi ao Rio de Janeiro para o amistoso entre Chicago Bulls e Washington Wizards, a primeira partida de NBA no Brasil.

Segundo Santos-Silva, a MLB tem interesse técnico, com o desenvolvimento de jogadores brasileiros, e comercial, com a presença maior das marcas ligadas ao beisebol. Realizar uma partida – ainda que um jogo demonstração ou um amistoso de pré-temporada – ajudaria a chamar a atenção do público, mas é preciso permitir que a prática do esporte se dissemine.

A liga já observa trabalhos sociais como o Baseball Escolar, no Rio de Janeiro. Mas há um plano mais ousado. “Estamos conversando com a Wilson, a Rawlings e outros fornecedores oficiais nossos para criar algum modo de importar equipamentos sem que eles fiquem tão caros aqui”, conta Santos-Silva.

São projetos de longo prazo, e que talvez nem se consolidem. Mas todos denotam um grande interesse da MLB no mercado brasileiro, e a intenção de se trabalhar para que isso cresça. O momento é positivo, e não pode ser desperdiçado.

Yan Gomes e LaTroy Hawkins virão ao Brasil para eventos durante as férias da MLB

Liga segue mostrando interesse em crescer no País, mas é importante que essas oportunidades sejam aproveitadas

Yan Gomes, do Cleveland Indians (AP Photo/Mark Duncan)
Yan Gomes, do Cleveland Indians (AP Photo/Mark Duncan)

A Major League Baseball está de olhos bem abertos com o Brasil. Os sinais disso aparecem aos poucos, mas precisam ser aproveitados. Nesta quinta, a liga anunciou a agenda de eventos de promoção internacional para os meses de recesso do campeonato. E dois deles serão realizados aqui.

Entre 12 e 15 de dezembro, Yan Gomes vem ao País para ajudar na divulgação do esporte. Não foram dados detalhes de sua agenda, mas estão programados eventos para a comunidade do beisebol em São Paulo, uma visita ao centro de treinamento da CBBS em Ibiúna (SP) para conversar com os jogadores e uma clínica para crianças em Mogi das Cruzes, cidade onde Yan começou a jogar.

Em fevereiro de 2014, quem vem é o veterano arremessador LaTroy Hawkins, do New York Mets. Ele servirá de instrutor de arremessadores no MLB Brazil Elite Camp entre 2 e 12 de fevereiro. O evento é realizado anualmente e permite que olheiros de franquias de MLB observem jovens promissores entre 14 e 17 anos de Brasil, Argentina e Colômbia. Também farão parte da delegação Barry Larkin, comentarista da ESPN nos Estados Unidos, membro do Hall da Fama e técnico da seleção brasileira no World Baseball Classic, Steve Finley e John Mizerock, todos ex-jogadores.

Ainda são eventos discretos. O Elite Camp já é realizado há alguns anos, e a novidade é ter uma delegação mais encorpada para 2014. Os eventos de Yan ainda não estão muito detalhados, mas devem ter como objetivo maior chamar a atenção para os jovens que praticam beisebol no Brasil e, principalmente, para a imprensa para o brasileiro que teve uma grande temporada na MLB. Mas seria interessante ver como a CBBS também se movimenta para aproveitar a oportunidade.

O Brasil joga Sul-Americano de beisebol, e fez um vídeo para se conhecer o time

Competição começou neste sábado no Chile, e a seleção brasileira venceu o Equador na estreia

A CBBS dá centenas de motivos para ser criticada, mas deu uma dentro agora. Neste sábado começou o Sul-Americano de Beisebol. O Brasil venceu o Equador por 6 a 3. Claro que os brasileiros que estão nos Estados Unidos não puderam fazer parte da seleção. E quem foi a Santiago para a competição, então?

Ora, veja esse vídeo legal em que o elenco do Sul-Americano é apresentado.

ATUALIZAÇÃO: O vídeo foi enviado junto com “press release oficial” pelo diretor e, por isso, assumimos que era um vídeo “oficial”, da confederação. Mas várias pessoas, algumas não com o nível de educação que deveriam, apontam que o vídeo não tem nada a ver com a CBBS. Então, nem nesse caso a entidade deu uma dentro. Parabéns ao Francis Toshimitsu, ao Marcelo Nakamura e aos demais responsáveis pela iniciativa.

O que o Brasil precisa fazer agora que o WBC é passado

Seleção teve desempenho digno no Japão, mas beisebol brasileiro precisa usar isso para tomar impulso

Seleção Brasileira no World Baseball Classic (Crédito: Divulgação)
Seleção Brasileira no World Baseball Classic (Crédito: Divulgação)

Há muito dinheiro no esporte brasileiro, muito mesmo. Aliás, muito mais do que sempre houve. E não me refiro ao novo contrato de fornecimento de camisa do São Paulo, ao patrocínio da Caixa ao Corinthians ou ao contrato de TV do Flamengo. É o dinheiro governamental e o de incentivo fiscal que jorra no esporte olímpico. Não é à toa que a preparação olímpica é a melhor da história do país, que os atletas passaram a ter melhores condições de competição e treino e que a imprensa cobra tanto melhoria (que vem de modo muito discreto) nas medalhas.

A Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol pegou o início dessa era, mas perdeu a mesada assim que o COI decidiu tirar o beisebol e o softbol do programa olímpico, logo após os Jogos de Pequim 2008. Depois disso, a CBBS ficou com pires na mão. Deixou de mandar um time para o Pan de 2011 por falta de recursos. E isso tem sido a explicação básica para a dificuldade em investir no crescimento da modalidade no Brasil.

Ainda que a explicação seja verdadeira, é difícil de acreditar que não fosse possível usar um pouco de criatividade para se virar melhor. Mas isso é uma outra discussão, porque surgiu um fato novo: o Brasil teve uma participação bastante digna no World Baseball Classic. Perdeu para a China a vaga automática na próxima edição do torneio, mas pensar nisso é o menos importante. As Eliminatórias da edição 2017 devem acontecer em 2016 e tem muito tempo até lá. O fundamental para o beisebol brasileiro é ver o que será feito nesse período.

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Houve muita chiadeira que os jogos do Brasil no WBC foram transmitidos por um canal com poucos assinantes e que a partida com horário mais palatável (contra Cuba, à 0h30 de domingo) só foi ao ar em VT. Mas se apegar a repercussão tendo como base apenas isso é não entender como funciona a mídia e a divulgação.

A participação do Brasil no Mundial de Beisebol teve notícias com chamadas grandes nos portais mais importantes do Brasil, como UOL (parceiro do ExtraTime), Globo Esporte.com, Terra e iG. Reportagens também foram feitas, independemente dos resultados dos jogos. A TV aberta deu algum espaço, incluindo o Globo Esporte. A Veja São Paulo publicou reportagem com jogadores brasileiros antes da viagem para o Japão. O Lance e a Folha de São Paulo também. E isso só inclui o que eu consegui rastrear, mas certamente muito mais coisa saiu em outros veículos.

Pensando na exposição do beisebol brasileiro como “marca”, tudo isso junto é um pacote de divulgação muito mais significativo do que o fato de o WBC ter passado ou não ao vivo, e em que canal isso aconteceu (foi no Sports+). Isso mostra que, de alguma forma, a seleção conseguiu criar interesse da grande imprensa. E isso tem de ser usado como um dos elementos-base para qualquer projeto que a CBBS tenha para seus próximos anos.

O ponto de partida é conseguir patrocinadores que viabilizem fornecimento de material esportivo, a contratação de treinadores estrangeiros permanentes, a participação da seleção em mais jogos internacionais e a realização de um Campeonato Brasileiro com mais clubes e estados representados (o último teve seis times, todos paulistas ou paranaenses). Para isso, a CBBS precisa apresentar um plano de trabalho, que inclua não apenas o Brasileirão, mas também outros eventos, como partidas internacionais e jogos da seleção.

Com algum planejamento, é viável apresentar a eventuais patrocinadores um plano para a seleção que inclua a participação em torneios continentais (Pan, Copa América, Sul-Americano) e séries amistosas com equipes estrangeiras. Por exemplo, a seleção cubana, um combinado japonês ou sul-coreano (certamente empresas orientais se interessariam em patrocinar), clubes latino-americanos. Se o modelo estiver bem amarrado, é até possível convencer algum canal fechado a transmitir algumas dessas séries e ainda semifinais e final do Campeonato Brasileiro. Parece otimismo exagerado, mas é essa a realidade do rúgbi nacional, que trouxe resultados internacionais muito mais modestos que o beisebol.

O outro caminho que deve ser traçado, ainda que mais complexo, é usar o desempenho brasileiro para convencer mais franquias da MLB a investirem no descobrimento de talentos no Brasil. Hoje, o Tampa Bay Rays trabalha em um CT em Marília. Dificilmente outra equipe fará uma aposta tão grande quanto a da Flórida em um futuro próximo, mas é possível amarrar parcerias. Por exemplo, fazer que times norte-americanos tenham acordo com clubes brasileiros, enviando treinadores e oferecendo ajuda de custo para jogadores, equipamentos e viagens para jogos. Isso resolveria muitos dos problemas internos do beisebol brasileiro, e ainda apresentaria aos garotos uma rota mais direta para o profissionalismo.

Qualquer que seja a solução adotada pela CBBS, ela precisa ter início imediatamente. Se esperarem a poeira do WBC baixar, já será tarde. O público se desmobiliza, e fica mais difícil convencer patrocinadores e meios de comunicação a embarcarem na ideia. A participação do Brasil no Mundial foi boa, e as autoridades do beisebol brasieiro precisam usar isso para o esporte andar pelas próprias pernas, sem depender das decisões do COI.

EXCLUSIVO: Brasil já projeta grupo duro no WBC

Anúncio oficial ainda não foi feito, mas CBBS trabalha com a possibilidade de cair em um grupo latino-americano nas eliminatórias

A organização do World Baseball Classic ainda não anunciou como funcionarão as Eliminatórias do torneio, previstas para este ano, mas a Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol já trabalha com alguns cenários. E todos eles consideram que o Brasil deve cair em um grupo com as outras seleções latino-americanas do torneio.

O ExtraTime conversou com dirigentes da entidade e jogadores da seleção brasileira sobre o WBC. “É muito importante para a gente, pela exposição que pode dar aqui e por mostrar ao mundo que temos potencial de crescimento”, afirmou Jorge Otsuka, presidente da CBBS. “É uma ansiedade grande. Espero que o ano passe rápido, pois temos condições de formar um time bom”, comentou Murilo Gouvea, arremessador do Houston Astros nas ligas menores.

A entidade não quis falar oficialmente, mas muitos dirigentes dão como provável que o Brasil atuará em um grupo latino-americano, contra Colômbia, Panamá e Nicarágua. Só o primeiro teria vaga no WBC. O sistema de disputa seria o mesmo adotado nos grupos de edição 2009 do torneio, em que uma equipe era eliminada ao perder dois jogos. Um dos entrevistados comentou que a seleção jogaria no Panamá, ainda que a confederação considere que ainda é possível que o cenário mude nos próximos meses.

As eliminatórias do WBC estariam programadas para o segundo semestre. A CBBS já teria entrado em contato com as franquias da MLB que têm brasileiros sob contrato, como Royals, White Sox e Astros.

O World Baseball Classic foi criado para ser uma espécie de Copa do Mundo do beisebol profissional. O Japão conquistou o título em 2006 e 2009. As duas primeiras edições tiveram 16 participantes. Para 2013, a organização ampliou para 28 equipes, criando uma fase eliminatória.

Além de Brasil, Colômbia, Nicarágua e Panamá, também disputarão uma das quatro vagas do WBC África do Sul, Alemanha, Canadá, Espanha, Filipinas, França, Grã-Bretanha, Israel, Nova Zelândia, República Tcheca, Tailândia e Taiwan. Já têm vaga assegurada Austrália, Coreia do Sul, China, Cuba, Estados Unidos, Holanda, Itália, Japão, México, Porto Rico, República Dominicana e Venezuela.