Parece que a Copa América 2016 vai rolar mesmo. Já fizeram até o desenho da bola oficial

O modelo será basicamente o mesmo da próxima temporada da Premier League

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A limpa que o FBI fez na cartolagem das Américas deixou a Copa América Centenário na berlinda. Claro, os dirigentes de Conmebol e Concacaf que (ainda) não foram presos ou indiciados estão claramente com medo de viajar aos Estados Unidos ou a países com acordo de extradição com os EUA. Assim, quem é que iria comandar o torneio realizado em solo norte-americano?

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Bem, uma reunião na semana passada ratificou a realização do torneio, e parece que vai acontecer mesmo. O ótimo Footy Headlines, fonte constante de vazamento de novos modelos de camisas, bolas e chuteiras, apresentou o desenho que a Nike preparou para a bola oficial do torneio.

O modelo da bola teria base na Nike Ordem IV, a mesma que será utilizada na temporada 2016/17 da Premier League. A imagem acima é só um esboço do desenho que a peça terá, pois a tecnologia e estrutura em si ainda está em desenvolvimento.

O italiano que quer mudar o futebol das Américas, e acabar com a Libertadores que conhecemos

A MP & Silva tomou o lugar de Traffic e TyC como principal agência de mídia do futebol das Américas, e pretende unificar torneios de Concacaf e Conmebol

Nenhum sobrenome tem tanto a cara do Brasil quanto “Silva”. Mas o Silva dessa história não tem nada de brasileiro. Nasceu em Milão, filho da família dona da Italsilva, uma das maiores indústrias químicas da Itália. Mas os rumos profissionais levaram Riccardo Silva a chegar à América Latina. E, agora, ele tem um plano para mudar a cara do futebol de todo o continente, do Alasca à Terra do Fogo. O que poderia reformular a Copa Libertadores a ponto de ela se tornar algo que ninguém a reconheceria.

Essa história atravessa o mundo. O primeiro capítulo foi na Itália, onde Silva entrou na onda da primeira explosão de negócios da internet. Em 1998, criou a MP Web, empresa que provia conteúdo em vídeo de futebol. Vendeu a empresa, trabalhou como agente de celebridades italianas e assumiu o Milan Channel. O conhecimento desse mercado fez que, ao lado de Andrea Radrizzani, fundasse a MP & Silva. A empresa, com sede em Cingapura, trabalharia com a negociação de direitos de transmissão de eventos esportivos.

Durante anos, a MP & Silva ficou à margem do noticiário brasileiro. A empresa dos italianos tem um portfólio gigantesco, mas trabalhava mais no mercado asiático e europeu. Mas, aos poucos, Riccardo Silva foi atravessando o Oceano Atlântico para chegar às Américas. A ponte era natural, pois a maior parte dos torneios que vendia à Ásia eram latino-americanos (Copa América, Eliminatórias da Copa, Libertadores, Sul-Americana, amistosos do Brasil e da Argentina, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil, entre outros).

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Ainda assim, o mercado de transmissão de direitos do futebol latino-americano era dominado pela brasileira Traffic e a argentina Torneos y Competencias. Até que o FBI quebrasse essa estrutura, investigando líderes das duas empresas, além de prender diversos cartolas da Concacaf e da Conmebol.

Pode ser coincidência, mas a MP & Silva começou a ganhar espaço. Em parceria com o ex-defensor Paolo Maldini, Riccardo Silva será dono do Miami novo time da NASL, segunda principal liga profissional dos Estados Unidos. Agora, a nova investida é mais ousada: aproveitar o embalo da Copa América Centenário, que unificará Concacaf e Conmebol, para criar a Americas Champions League.

A primeira notícia sobre a ideia de criar um torneio pan-americano de clubes é de julho, mas começa a parecer cada vez mais séria. Em entrevista ao site Sports Business Daily, Silva apresenta números sobre o que representaria o projeto. “As Américas têm uma população combinada 30% maior que a Europa. Um torneio dessa escala pode valer mais de US$ 500 milhões em direitos de TV e de marketing, enquanto que os torneios da Concacaf e da Conmebol, somados, valem hoje apenas US$ 100 milhões.

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O sistema de disputa seria simples, com 64 clubes divididos em uma fase de grupos, com chaves regionais nas etapas iniciais, jogos em meio de semana e início em fevereiro. Segundo Silva, cada time poderia receber um mínimo de US$ 5 milhões, com prêmios que cresceriam gradualmente de acordo com o avanço da equipe, chegando a US$ 30 milhões para o vencedor. No total, US$ 440 milhões seriam distribuídos para os clubes.

Mais que os números, são os nomes envolvidos que chamam a atenção. O empresário disse ter feito consulta com vários clubes brasileiros, mencionando Corinthians e Flamengo como exemplos, e teria recebido sinal verde. O próximo passo seria conversar com equipes de EUA e México, e contaria com Paul Tagliabue (ex-chefão da NL) como consultor.

Se o projeto der certo, a MP & Silva estaria dando o passo definitivo para ocupar o espaço que o FBI deixou vago de principal empresa de marketing esportivo das Américas. E o italiano que começou com uma empresa para vídeos na internet se tornaria o herdeiro de J. Hawilla.

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Veja como ficaram as chaves da Copa Sul-Americana e quem seu time pode enfrentar

Os confrontos estão definidos, só resta saber que time ocupará cada vaga. São 13 com chances

A Conmebol não se emenda. Até fez um esforço há dois anos para realizar sorteio de campeonatos com tudo acertadinho, mas já avacalhou de novo. Foi assim na Libertadores de 2015, e ficou ainda pior na Copa Sul-Americana. O torneio teve suas chaves sorteadas nesta quinta, e sobraram Brasil 1, Brasil 5 e Brasil 7 para todo lado. Fica aquela coisa misteriosa, e ninguém sabe direito o que significa aquilo todo. Bem, por isso estamos aqui. Vamos dar uma traduzida para você.

MAPA: Explore os estádios dos 87 clubes da Copa do Brasil de 2015 neste mapa interativo

O sorteio deixou as chaves assim:

– Brasil 8 x Brasil 3
– Brasil 7 x Brasil 2
– Brasil 6 x Brasil 4
– Brasil 5 x Brasil 1

Meio bagunçado, deixando o cruzamento olímpico (1×8, 2×7, 3×6, 4×5) de lado, mas isso é o de menos no momento. O que importa é: quem serão esses times?

Brasil 1 a 6

Como ocorre há três anos, os participantes da Sul-Americana são os melhores times do Brasileirão do ano anteiror que não estejam classificados para as oitavas de final da Copa do Brasil. Essas equipes ficam com as 6 primeiras vagas. Quatro delas já têm donos, mas os outros dois classificados e a ordem de todos os seis dependem de como terminar a terceira fase da Copa do Brasil. Veja quem são as equipes que podem entrar nessas vagas, pela ordem:

1) Grêmio
2) Atlético Paranaense*
3) Santos
4) Sport
5) Goiás*
6) Coritiba
7) Chapecoense*
8) Joinville*
9) Ponte Preta
* Já eliminados da Copa do Brasil. Desses, apenas o Joinville ainda não está assegurado na Sul-Americana

Brasil 7

Vaga do campeão da Copa do Nordeste de 2015. Teoricamente, ela pertence ao Ceará, mas o Vovô ainda está vivo na Copa do Brasil e, se eliminar o Tupi (o jogo de ida foi 0 a 0 em Fortaleza), cederá essa vaga ao vice-campeão Bahia. No entanto, o Tricolor baiano também está na disputa da Copa do Brasil e, se passar pelo Paysandu (jogo de ida: 3 a 0 Papão em Belém), deixa a vaga para o Vitória (já eliminado da Copa do Brasil).

Brasil 8

Única vaga em que não há dúvida. É do Brasília, campeão da Copa Verde de 2014.

Por que a posição da Conmebol sobre atitude de Jara é tão importante

Entidade tem a oportunidade de estabelecer um limite do que é aceitável ou não no futebol sul-americano

A malandragem e a intimidação fazem parte do futebol sul-americano como o dinheiro faz parte da vida do Real Madrid e do Barcelona. Por décadas, aceitou-se que os gramados se transformassem quase em arenas de telecatch em partidas da Libertadores, sempre com olhar muito, digamos, “generoso” da arbitragem. Essas práticas já diminuíram, mas ainda há resquícios de um jogo provocador, que desafia os limites da regra a todo momento. A dedada de Jara em Cavani no Chile x Uruguai desta quarta é um sinal disso, e por isso é tão importante o que a Conmebol decidirá fazer com o jogador chileno.

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A entidade pode punir o zagueiro por dois caminhos. Se o árbitro brasileiro Sandro Meira Ricci relatou a agressão em sua súmula, basta a comissão disciplinar da confederação julgar o caso e estabelecer a punição. Se o lance foi omitido, o julgamento teria de ser feito com base nas imagens da TV. O regulamento da Copa América não prevê punições por provas em vídeo, mas até a imprensa chilena reconhece que a Conmebol poderia lançar mão desse dispositivo para corrigir um eventual silêncio de Ricci. A pena poderia ir de um a três jogos.

Há muitas coisas em jogo nesse debate. Do ponto de vista político, o Chile deve fazer pressão para que nada ocorra para aumentar suas chances de conquistar um título inédito diante de sua torcida. Na pior das hipóteses, os chilenos aceitariam empurrar o caso para após a Copa América, mesmo que isso tirasse o jogador de algumas partidas das Eliminatórias para o Mundial da Rússia.

No entanto, duas potências do continente gostariam de ver uma punição rigorosa a Jara. O Uruguai, ressentido pela expulsão de Cavani e pela eliminação, deseja que se faça justiça de alguma forma. E, de acordo com vários relatos vindos do Chile, o Brasil também está de olho em todas as ações do comitê disciplinar da Conmebol, pois considerou a punição de quatro jogos a Neymar muito pesada e quer se certificar que os demais casos também sejam julgados com rigor.

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Mas o que está em julgamento não é a força política do Chile, do Uruguai ou do Brasil. É que tipo de atitude se aceita dentro do futebol sul-americano. É desenhar no chão o limite do que é a malandragem saudável, que faz parte da identidade futebolística latino-americana, do que é a provocação antiética e antiesportiva, que não deve continuar existindo.

Se a Conmebol não punir Jara ou estabelecer uma pena leve (multa, por exemplo), ela dará passe livre para que outros jogadores repitam o zagueiro chileno. Se houver uma suspensão pesada, ficará claro para qualquer jogador que há um limite na provocação, e colocar o dedo em uma área íntima do adversário está do lado errado dessa linha imaginária.

O futebol da América do Sul é fascinante e único por diversos motivos. A paixão em campo e nas arquibancadas, a técnica no gramado, a intensidade do jogo e, sim, a malandragem também. Mas isso engloba agressão sexual? A Conmebol dará a resposta.

Grondona diz que botou as mãos em jogos de Santos e Corinthians na Libertadores. O que aconteceu neles?

As duas partidas mencionadas pelo cartola argentino tiveram arbitragem contestada na época

As Caixas de Pandora da Conmebol e da Concacaf já foram abertas. Talvez tenha acontecido o mesmo com a do futebol argentino. Neste domingo, o canal argentino América revelou o conteúdo de várias conversas de Julio Grondona, presidente da AFA entre 1979 e 2014 (ano em que faleceu), gravadas em 2013 pela Justiça local em uma investigação de lavagem de dinheiro em transações de jogadores. O programa teve o pomposo nome de “As escutas da máfia do futebol argentino” e mostrou várias negociações sobre tabela de jogos, manipulação na escolha de árbitros e um incentivo ao Colón para ajudar o Independiente a escapar do rebaixamento.

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No meio de tudo isso, dois clubes brasileiros são citados. Grondona comemora a atuação do árbitro paraguaio Carlos Amarilla no jogo de volta entre Corinthians e Boca Juniors na Libertadores de 2013. Segundo o dirigente, o juiz foi “o melhor reforço do Boca no último ano”.

A conversa visava definir os apitadores de Boca Juniors x Newell’s Old Boys nas quartas de final daquela mesma Libertadores. Após a escolha dos nomes, o cartola diz a seu interlocutor (Abel Gnecco, presidente da comissão de arbitragem da AFA) para prestar atenção nos bandeirinhas escolhidos, pois eles poderiam executar o plano que os árbitros atrapalhariam. “Em 64, quando jogamos com o Santos, eu ganhei de Leo Horn, que era holandês, com os dois bandeiras”, afirmou Grondona.

Mas como foram esses dois jogos?

O Corinthians 1×1 Boca Juniors de 2013 é recente e está na memória de muito torcedor brasileiro, sobretudo dos corintianos. O vídeo abaixo mostra vários dos lances polêmicos do empate que classificou o Boca Juniors.

O Santos x Independiente de 1964 é um pouco mais misterioso, mas há pistas de que realmente teve arbitragem ruim. As duas equipes se enfrentaram nas semifinais da Libertadores, com vitória argentina por 3 a 2 no Maracanã e por 2 a 1 em Avellaneda. Os santistas buscavam o tricampeonato continental e os rojos tinham como presidente da subcomissão de futebol um cartola ascendente chamado Julio Grondona, então com 33 anos. As duas partidas tiveram o mesmo árbitro. Não era nenhum holandês chamado Leo Horn, mas o inglês Arthur Holland. O sobrenome do juiz pode ter se confundido com a nacionalidade na memória de Grondona 49 anos depois.

Relatos da época e até esse compacto em vídeo dão conta que o placar da partida de volta foi justo, sem momentos de polêmica. A resposta poderia ser no jogo de ida, em que o Peixe abriu 2 a 0 e sofreu a virada. Não há vídeos na internet com lances desse duelo, mas jornais do dia seguinte concordam em dois pontos: o Santos se acomodou depois de abrir vantagem e a arbitragem não foi das melhores.

Segundo a Folha de São Paulo, Holland foi bem, mas os bandeirinhas paraguaios Cabrera e La Rosa foram fracos (clique aqui para ver a imagem ampliada).

Relato de Santos 2x3 Independiente na Folha de Sâo Paulo de 16 de julho de 1964
Relato de Santos 2×3 Independiente na Folha de Sâo Paulo de 16 de julho de 1964

O Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, publicou que o árbitro deixou de assinalar várias faltas e houve muitos impedimentos não marcados em favor dos argentinos (clique aqui para ver a imagem ampliada).

Correio da Manhã de 16 de julho de 1964
Correio da Manhã de 16 de julho de 1964

Os dois textos não deixam claro o quanto a arbitragem, sobretudo os assistentes, teria influenciado o resultado da partida ou o comportamento das equipes, mas reforçam a tese de que os bandeiras teriam errado acima da média, ponto principal da menção de Grondona a esse jogo na conversa grampeada pela Justiça argentina.

Os comentários de Grondona são genéricos e não quantificam sua participação nas eliminações de Santos e Corinthians, mas evidencia uma proximidade suspeita com o dia a dia das arbitragens e dão motivos para os dois alvinegros paulistas reclamarem veementemente. E ainda abre a perspectiva de que poderia ter ocorrido coisas parecidas em vários outros jogos durante décadas.

Lei paraguaia impede polícia de investigar documentos e dinheiro na sede da Conmebol

Edifício em Luque, região metropolitana de Assunção, tem proteção legal semelhante a de uma representação diplomática estrangeira

Homens com coletes do FBI entram e saem de um edifício comercial. Levam computadores e várias pastas com papeis, muitos papeis. Qualquer evento que envolve pessoas com identificação da polícia federal norte-americana parece automaticamente algo importante ou gravação de um filme. No caso da manhã da última quarta em Miami Beach, não era cinema. Eram agentes recolhendo documentos na sede da Concacaf para alimentar a investigação que fez uma devassa no futebol das Américas. Uma cena que ainda pode ser vista de alguma forma em vários outros escritórios, menos na Conmebol.

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A questão não é se há ou não documentos importantes ou suspeitas razoáveis em torno do edifício localizado em Luque, na região metropolitana de Assunção. O problema é legal. Nenhuma autoridade paraguaia tem poder para entrar na sede da Confederação Sul-Americana para qualquer operação, de uma simples busca a confisco de bens e documentos.

É uma situação surreal, revelada pelo jornal paraguaio ABC Color nesta quinta.  Em 1997, a sede da Conmebol ainda estava em construção. Nicolás Leoz, cheio de poder naquele momento, conseguiu convencer a Câmara, o Senado e o presidente Juan Carlos Wasmosy a aprovar uma lei que dava ao prédio a inviolabilidade de “mesmo alcance que a estabelecida nas seções 3 e 4 da Convenção sobre os Privilégios e Imunidades das Nações Unidas”. Basicamente, os escritórios da Conmebol ganharam a mesma proteção de uma representação diplomática (embaixada ou consulado) estrangeira.

A situação é tão surreal que não é apenas o espaço físico e os materiais que estão dentro do edifício que estão protegidos. A lei dá privilégios para bens comprados para uso da Conmebol (de material para decoração até carros de uso dos dirigentes) até ao dinheiro que a entidade opera.

Esse dispositivo foi utilizado em 2013. O uruguaio Luis Cubilla (autor do gol do Uruguai contra o Brasil na semifinal da Copa de 1970) havia falecido, e sua família cobrava o Olimpia por dívidas da época em que treinou o clube paraguaio. A Justiça deu ganho de causa aos Cubillas e embargou a premiação do clube pela participação na Libertadores daquele ano. No entanto, como o recurso da competição internacional era da Conmebol, a decisão não pôde ser executada.

Essa lei pode causar diversos problemas para qualquer autoridade que tente investigar a Conmebol. No mínimo, terá de passar por cima da lei, alterá-la ou convencer os cartolas da entidade a colaborarem voluntariamente com a polícia. Eis uma missão difícil para o FBI resolver.

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Veja quem são os cartolas presos na Suíça. José Maria Marin está entre eles

Dirigentes detidos a mando da Justiça americana são ligados a Concacaf e Conmebol

A quarta amanheceu quente em Zurique. Logo nas primeiras horas do dia, a polícia suíça entrou no congresso da Fifa para prender diversos dirigentes – entre os quais José Maria Marin, ex-presidente da CBF, e Nicolás Leoz, ex-presidente da Conmebol – a pedido da Justiça dos Estados Unidos. As acusações são diversos esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro da entidade nos últimos 20 anos, o que inclui o processo de escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022.

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Os cartolas detidos são ligados à Conmebol e à Concacaf. Joseph Blatter não foi indiciado, mas a previsão é de que as prisões tenham um impacto grande nas eleições presidenciais da entidade, programadas para esta sexta. O suíço é favorito a sua quarta reeleição diante da concorrência de Ali bin Al-Hussein, príncipe da Jordânia.

As autoridades não haviam divulgado a lista de dirigentes detidos, mas o jornal New York Times divulgou uma relação com base em informações que seus repórteres teriam apurado dentro das autoridades suíças.

José Maria Marin – brasileiro, ex-governador de São Paulo 1982-83), ex-presidente da CBF (2012-15) e ex-presidente do Comitê Organizador da Copa 2014;

Nicolás Leoz – paraguaio, ex-presidente da federação paraguaia (1971-73 e 1979-85), ex-presidente da Conmebol (1986-2013) e membro do Comitê Executivo da Fifa de 1998 a 2013;

Eugenio Figueredo – uruguaio, ex-presidente da federação uruguaia (1997-2006) e ex-presidente da Conmebol (2013-14);

Jack Warner – trinitário, ex-presidente da Concacaf (1990-2011)

Jeffrey Webb – caimanês, presidente da federação das Ilhas Cayman (desde 1991) e presidente da Concacaf (desde 2012)

Eduardo Li – costarriquenho, presidente da federação costarriquenha (desde 2007) e representante da Concacaf na Fifa

Julio Rocha – nicaraguense, ex-presidente da federação nicaraguense (1988-2012)

Costas Takkas – caimanês, secretário-geral da federação caimanesa

Rafael Esquivel – espanhol, presidente da federação venezuelana (desde 1988)

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Vídeo da Copa América coloca bandeira do Paraguai ao contrário… mais uma vez

Talvez a ausência paraguaia na Copa do Mundo do Brasil só tenha evitado mais uma gafe

A Copa América de 2015 nem começou e já temos a primeira gafe diplomática. A Conmebol divulgou o vídeo oficial do torneio nesta segunda. É um filme legal, que pega carona na ideia de “a América Latina é o coração do futebol” em uma narração que passa um pouco do limite na dramaticidade em alguns momentos. Para algo ligado à Conmebol, está acima da média. Mas, como algo ligado à Conmebol, algum problema precisa ter. E sobrou para o Paraguai.

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Uma passagem do vídeo mostra um torcedor carregando a bandeira paraguaia de ponta cabeça. Considerando que a Conmebol tem sede em Luque, foi comandada por décadas pelo paraguaio Nicolás Leóz e é presidida atualmente pelo também paraguaio Juan Ángel Napout, é difícil de entender como isso acontece.

Claro que o erro não passou impune. A imprensa de Assunção reclamou muito e a organização do torneio rapidamente editou o clipe, colocando uma bandeira do Paraguai do jeito certo (o trecho que estava errado é em 0:54):

A chiadeira dos paraguaios pode até soar exagerada, mas ela tem razão de ser. Não por esse vídeo isoladamente, mas porque parece que a América do Sul sofre de uma epidemia de uso errado do maior símbolo do Paraguai. Ou todo mundo ficou daltônico e tem confundido o vermelho com o azul.

Confira só:

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Diante desse histórico, que envolve competições em Chile e Argentina e eventos políticos no Equador, parece um complô do subcontinente. Nesse aspecto, talvez não tenha sido tão ruim o Paraguai ter ficado de fora da Copa do Mundo de 2014. Seria a oportunidade de o Brasil cometer a mesma gafe e inverter a bandeira paraguaia, só que diante de uma audiência mundial.

Bem, se você também está entre os que não sabiam como era ordem das faixas horizontais da bandeira do Paraguai, é só lembrar que é como o uniforme da seleção de futebol: azul em baixo, vermelho e branco em cima. Ou então lembre-se que ela tem a mesma disposição de cores da bandeira da Holanda, mas com o brasão nacional no meio (do mesmo jeito que a bandeira do México tem a mesma disposição de cores da bandeira da Itália, com brasão no meio, e as de Andorra e Moldávia têm faixas no mesmo tom da Romênia, e também se diferenciam pelo brasão no meio).

Agora ficou mais fácil?

Enquanto autoridades fingirem que não veem o racismo, não adianta Elias prestar queixa contra González

As instituições têm os elementos para tomar as atitudes necessárias, mas preferem expor a vítima até ela se tornar vilã

Jogadores do Corinthians e do Danubio discutem. O assunto está quente, e pela reação de Elias no meio do bolo, dá para imaginar do que se trata. O empurra-empurra segue por um minuto sem que ninguém apareça para evitar uma confusão maior. Quando os ânimos esfriam, o volante do Corinthians se direciona ao árbitro e conta que foi chamado de “macaco”. O árbitro Diego Haro diz que não viu, e continua se preocupando mais com o jogador uruguaio que está sendo colocado na maca.

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A atitude do juiz diz muito sobre o porquê de casos de injúria racial serem tão recorrentes no futebol. O peruano foi mal durante toda a partida, muitas vezes por interpretar erradamente as jogadas ou não ter a coragem de tomar atitudes mais duras no aspecto disciplinar. Mas, no caso da ofensa de Cristián González a Elias, ele faz questão de não estar por perto da confusão, acabou não vendo o que ocorreu, não fez força para se inteirar após ser informado e já tem a desculpa perfeita para lavar as mãos em sua súmula.

Haro errou, mas não está sozinho. Ele é apenas o elemento final de um sistema covarde  que é feito para não se combater o racismo em campo. O delegado da Conmebol, por exemplo, tentou mostrar surpresa ao “descobrir” por meio de jornalistas brasileiros que “macaco” é um xingamento racista no Brasil (o atacante Guerrero, quando soube dessa reação do dirigente, afirmou que “macaco é xingamento em qualquer lugar”). Roberto de Andrade, presidente do Corinthians, disse que o clube deixou na mão de Elias a decisão de prestar queixa contra González e aceitava a ideia de que “o que acontece em campo fica no campo”.

É um círculo já comum. As autoridades civis podem fazer algum barulho se forem acionadas, mas no final acabarão liberando o jogador. Os clubes convenientemente largam a decisão sobre a ida à delegacia na mão do atleta ofendido, como se eles não tivessem responsabilidade em dar suporte se um funcionário foi ofendido. As federações fingem que não veem nada e usam a burocracia para justificar a falta de atitude quando há alguma pressão.

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Esse cenário ocorre em vários casos de racismo, sobretudo no futebol internacional. A Uefa costuma punir esse tipo de situação com multas, geralmente em valores perfeitamente acessíveis a quem cometeu o crime. A Conmebol não foi diferente. Por exemplo, o Real Garcilaso foi multado em apenas R$ 12 mil e uma bronca (“se fizer de novo, vou tirar mando de campo, entendeu?”) pelo xingamento generalizado ao cruzeirense Tinga no ano passado.

Nesse aspecto, algumas punições que ocorreram no Brasil foram surpreendentemente duras. O Grêmio foi eliminado na Copa do Brasil e o Esportivo de Bento Gonçalves foi rebaixado no Gauchão por perda de pontos decorrentes de xingamentos racistas de torcedores. E é esse tipo de medida que realmente pode ter efeito.

Dentro desse universo em que todos parecem se mobilizar para fazer vista grossa ao racismo, a vítima se torna a parte mais frágil. Ir à delegacia é a atitude correta, mas é sempre uma decisão colocada como individual. O atleta ofendido se vê obrigado a lutar sozinho por uma causa que todos deveriam defender. Isso o deixa exposto, e muitas vezes comprar a briga se volta contra ele. A torcida pode reforçar o discurso racista quando quiser atacá-lo (só lembrar como Aranha sofreu ataques racistas de alguns santistas quando foi ao Palmeiras). A imprensa pode usar o caso para criar uma imagem de mártir ou de líder de uma causa que talvez o jogador não queira para si. As entidades podem ficar incomodadas prejudicar o clube ou o próprio atleta no decorrer da competição.

Por isso, discutir se Elias acerta ou não ao ir à delegacia é algo menor. Ele deveria prestar a queixa contra González e reforçar a luta contra o racismo, mas é difícil condenar alguém que está em posição tão fragilizada. Até porque não é preciso um boletim de ocorrência ou uma frase a mais na súmula do árbitro para que se saiba o que ocorreu. As imagens estão aí, e as instituições podem perfeitamente tomar as atitudes necessárias sem obrigar a vítima a se expor. Então, que tomem.

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Torcedores salvam BH de passar batida na final da Libertadores

Conmebol faz um trabalho bem preguiçoso de divulgação da final de sua mais importante competição

Belo Horizonte vive a decisão da Libertadores. Não a cidade em si, mas as pessoas que nela vivem. Nos últimos dias, qualquer agrupamento de dez belo-horizontinos terá pelo menos um com a camisa do Atlético Mineiro. É o assunto dos bate-papos, na revista-pôster no estilo “já ganhou” que o jornaleiro coloca em destaque na banca, nos programas de rádio e de TV. Não tem como ignorar.

Mas tudo isso é mérito do torcedor de Belo Horizonte (incluindo os secadores cruzeirenses, pois eles ajudam a criar o clima de tensão pré-final na cidade). Se dependesse da organização da Libertadores, era bem fácil isso passar batido. A capital mineira recebe um de seus maiores eventos esportivos nos últimos tempos, e há pouquíssima menção a isso.

O Mineirão está lá, como se observasse imponente a Lagoa da Pampulha. Mas ninguém o vestiu devidamente para a festa da qual ele será anfitrião. Há algumas sinalizações para quem ainda procurava ingresso para a decisão, nada além disso. Não há faixas celebrando a chegada da principal partida do ano no calendário sul-americano ao estádio, um quiosque com produtos especiais da Libertadores ou da final, nada.

O mesmo ocorre no resto da cidade. A Conmebol trata o jogo como um jogo, e não como “o” jogo. A entidade não armou nenhum ponto que servisse de referência ao torcedor e ao turista, com exposição histórica, venda de produtos, conversa com antigos ídolos e qualquer coisa do gênero.

O máximo é o “Tour da Taça”, organizado pela Bridgestone. O troféu da Libertadores foi colocado à exposição no Mercado Central. O local é interessante, bem localizado e de interesse turístico. A exposição tem relevância, tanto que olimpistas e até cruzeirenses foram dar uma conferida no troféu.

Mas o evento não é feito como se fosse nobre. A sinalização dentro do Mercado Central é ruim, e mal se sabe onde realmente está ocorrendo. A reportagem da Trivela viu vários atleticanos zanzando entre os queijos, pimentas e frutas sem saber para que lado ir. E não era para ir a lado algum, mas para cima. Tudo porque instalaram a exposição no estacionamento. Se não havia espaço mais nobre para fazer o evento dentro do mercado, que fizessem em outro local (que tal a Praça Liberdade?), onde ele fosse visto por muito mais gente, mesmo que sem querer.

A falta de cuidado na divulgação, em enobrecer o momento, é só mais um dos tantos erros da Conmebol como promotora de sua principal competição. Algo que se vê quando não exige que os clubes sejam dispensados de outros compromissos entre as decisões (os clubes é que precisam pedir às federações para adiar jogos dos campeonatos nacionais), quando marca uma outra final para o mesmo dia da partida de ida, quando redige um regulamento sem clareza e permite discussão sobre os estádios da decisão. E, convenhamos, nada disso seria muito difícil fazer. Basta um pouco de criatividade e carinho com seu torneio.

A Libertadores merecia muito mais. Merecia o tratamento que os torcedores em Belo Horizonte estão dando. Ainda bem que eles existem.