Parece que a Copa América 2016 vai rolar mesmo. Já fizeram até o desenho da bola oficial

O modelo será basicamente o mesmo da próxima temporada da Premier League

A limpa que o FBI fez na cartolagem das Américas deixou a Copa América Centenário na berlinda. Claro, os dirigentes de Conmebol e Concacaf que (ainda) não foram presos ou indiciados estão claramente com medo de viajar aos Estados Unidos ou a países com acordo de extradição com os EUA. Assim, quem é que iria comandar o torneio realizado em solo norte-americano?

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Bem, uma reunião na semana passada ratificou a realização do torneio, e parece que vai acontecer mesmo. O ótimo Footy Headlines, fonte constante de vazamento de novos modelos de camisas, bolas e chuteiras, apresentou o desenho que a Nike preparou para a bola oficial do torneio.

O modelo da bola teria base na Nike Ordem IV, a mesma que será utilizada na temporada 2016/17 da Premier League. A imagem acima é só um esboço do desenho que a peça terá, pois a tecnologia e estrutura em si ainda está em desenvolvimento.

O italiano que quer mudar o futebol das Américas, e acabar com a Libertadores que conhecemos

A MP & Silva tomou o lugar de Traffic e TyC como principal agência de mídia do futebol das Américas, e pretende unificar torneios de Concacaf e Conmebol

Nenhum sobrenome tem tanto a cara do Brasil quanto “Silva”. Mas o Silva dessa história não tem nada de brasileiro. Nasceu em Milão, filho da família dona da Italsilva, uma das maiores indústrias químicas da Itália. Mas os rumos profissionais levaram Riccardo Silva a chegar à América Latina. E, agora, ele tem um plano para mudar a cara do futebol de todo o continente, do Alasca à Terra do Fogo. O que poderia reformular a Copa Libertadores a ponto de ela se tornar algo que ninguém a reconheceria.

Essa história atravessa o mundo. O primeiro capítulo foi na Itália, onde Silva entrou na onda da primeira explosão de negócios da internet. Em 1998, criou a MP Web, empresa que provia conteúdo em vídeo de futebol. Vendeu a empresa, trabalhou como agente de celebridades italianas e assumiu o Milan Channel. O conhecimento desse mercado fez que, ao lado de Andrea Radrizzani, fundasse a MP & Silva. A empresa, com sede em Cingapura, trabalharia com a negociação de direitos de transmissão de eventos esportivos.

Durante anos, a MP & Silva ficou à margem do noticiário brasileiro. A empresa dos italianos tem um portfólio gigantesco, mas trabalhava mais no mercado asiático e europeu. Mas, aos poucos, Riccardo Silva foi atravessando o Oceano Atlântico para chegar às Américas. A ponte era natural, pois a maior parte dos torneios que vendia à Ásia eram latino-americanos (Copa América, Eliminatórias da Copa, Libertadores, Sul-Americana, amistosos do Brasil e da Argentina, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil, entre outros).

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Ainda assim, o mercado de transmissão de direitos do futebol latino-americano era dominado pela brasileira Traffic e a argentina Torneos y Competencias. Até que o FBI quebrasse essa estrutura, investigando líderes das duas empresas, além de prender diversos cartolas da Concacaf e da Conmebol.

Pode ser coincidência, mas a MP & Silva começou a ganhar espaço. Em parceria com o ex-defensor Paolo Maldini, Riccardo Silva será dono do Miami novo time da NASL, segunda principal liga profissional dos Estados Unidos. Agora, a nova investida é mais ousada: aproveitar o embalo da Copa América Centenário, que unificará Concacaf e Conmebol, para criar a Americas Champions League.

A primeira notícia sobre a ideia de criar um torneio pan-americano de clubes é de julho, mas começa a parecer cada vez mais séria. Em entrevista ao site Sports Business Daily, Silva apresenta números sobre o que representaria o projeto. “As Américas têm uma população combinada 30% maior que a Europa. Um torneio dessa escala pode valer mais de US$ 500 milhões em direitos de TV e de marketing, enquanto que os torneios da Concacaf e da Conmebol, somados, valem hoje apenas US$ 100 milhões.

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O sistema de disputa seria simples, com 64 clubes divididos em uma fase de grupos, com chaves regionais nas etapas iniciais, jogos em meio de semana e início em fevereiro. Segundo Silva, cada time poderia receber um mínimo de US$ 5 milhões, com prêmios que cresceriam gradualmente de acordo com o avanço da equipe, chegando a US$ 30 milhões para o vencedor. No total, US$ 440 milhões seriam distribuídos para os clubes.

Mais que os números, são os nomes envolvidos que chamam a atenção. O empresário disse ter feito consulta com vários clubes brasileiros, mencionando Corinthians e Flamengo como exemplos, e teria recebido sinal verde. O próximo passo seria conversar com equipes de EUA e México, e contaria com Paul Tagliabue (ex-chefão da NL) como consultor.

Se o projeto der certo, a MP & Silva estaria dando o passo definitivo para ocupar o espaço que o FBI deixou vago de principal empresa de marketing esportivo das Américas. E o italiano que começou com uma empresa para vídeos na internet se tornaria o herdeiro de J. Hawilla.

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Por que a posição da Conmebol sobre atitude de Jara é tão importante

Entidade tem a oportunidade de estabelecer um limite do que é aceitável ou não no futebol sul-americano

A malandragem e a intimidação fazem parte do futebol sul-americano como o dinheiro faz parte da vida do Real Madrid e do Barcelona. Por décadas, aceitou-se que os gramados se transformassem quase em arenas de telecatch em partidas da Libertadores, sempre com olhar muito, digamos, “generoso” da arbitragem. Essas práticas já diminuíram, mas ainda há resquícios de um jogo provocador, que desafia os limites da regra a todo momento. A dedada de Jara em Cavani no Chile x Uruguai desta quarta é um sinal disso, e por isso é tão importante o que a Conmebol decidirá fazer com o jogador chileno.

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A entidade pode punir o zagueiro por dois caminhos. Se o árbitro brasileiro Sandro Meira Ricci relatou a agressão em sua súmula, basta a comissão disciplinar da confederação julgar o caso e estabelecer a punição. Se o lance foi omitido, o julgamento teria de ser feito com base nas imagens da TV. O regulamento da Copa América não prevê punições por provas em vídeo, mas até a imprensa chilena reconhece que a Conmebol poderia lançar mão desse dispositivo para corrigir um eventual silêncio de Ricci. A pena poderia ir de um a três jogos.

Há muitas coisas em jogo nesse debate. Do ponto de vista político, o Chile deve fazer pressão para que nada ocorra para aumentar suas chances de conquistar um título inédito diante de sua torcida. Na pior das hipóteses, os chilenos aceitariam empurrar o caso para após a Copa América, mesmo que isso tirasse o jogador de algumas partidas das Eliminatórias para o Mundial da Rússia.

No entanto, duas potências do continente gostariam de ver uma punição rigorosa a Jara. O Uruguai, ressentido pela expulsão de Cavani e pela eliminação, deseja que se faça justiça de alguma forma. E, de acordo com vários relatos vindos do Chile, o Brasil também está de olho em todas as ações do comitê disciplinar da Conmebol, pois considerou a punição de quatro jogos a Neymar muito pesada e quer se certificar que os demais casos também sejam julgados com rigor.

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Mas o que está em julgamento não é a força política do Chile, do Uruguai ou do Brasil. É que tipo de atitude se aceita dentro do futebol sul-americano. É desenhar no chão o limite do que é a malandragem saudável, que faz parte da identidade futebolística latino-americana, do que é a provocação antiética e antiesportiva, que não deve continuar existindo.

Se a Conmebol não punir Jara ou estabelecer uma pena leve (multa, por exemplo), ela dará passe livre para que outros jogadores repitam o zagueiro chileno. Se houver uma suspensão pesada, ficará claro para qualquer jogador que há um limite na provocação, e colocar o dedo em uma área íntima do adversário está do lado errado dessa linha imaginária.

O futebol da América do Sul é fascinante e único por diversos motivos. A paixão em campo e nas arquibancadas, a técnica no gramado, a intensidade do jogo e, sim, a malandragem também. Mas isso engloba agressão sexual? A Conmebol dará a resposta.

Dunga precisa parar de procurar a si próprio no elenco da Seleção

Técnico parece buscar um líder ressentido, e pode perder jogadores importantes por não achar um

Ele está triste, e triste ele não ajuda à Seleção. Melhor voltar para casa. Assim terminou a participação de Neymar na Copa América, com o capitão dispensado da concentração por estar macambúzio com a suspensão de quatro jogos que recebeu. O jogador aceitou e talvez até tenha pedido por esse desfecho, mas o técnico Dunga não fez nada para mudar. Aliás, ele próprio disse após a vitória sobre a Venezuela que considerava essa decisão a melhor.

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Ficou uma sensação de que o treinador não se satisfez com o estilo de liderança de Neymar. Uma liderança muito mais pelo desempenho em campo do que pelas atitudes de comando, diga-se. Do mesmo jeito que Dunga também deu sinais de que não vê Thiago Silva como dono da tarja de capitão. Desde o Mundial, um ano atrás, o zagueiro não teve esse posto, e o capitão do Paris Saint-Germain mostrou que está chateado com a situação (ainda mais depois que seu parceiro de zaga, Miranda, assumiu o papel).

O técnico não está desprovido de razão ao ficar contrariado com Neymar e Thiago Silva. O atacante não teve frieza para lidar com as particularidades do jogo contra a Colômbia e murchou com a suspensão. Deveria ter tomado a iniciativa de se oferecer para ficar, de mostrar que tinha importância também fora do campo. Do mesmo jeito que o zagueiro do PSG mereceu as críticas recebidas por se isolar dos companheiros na disputa de pênaltis contra o Chile na Copa do Mundo.

Obs.: Se fôssemos fazer um caça às bruxas por 2014, David Luiz merecia muito mais uma reprimenda, pois teve péssimo desempenho como zagueiro e como capitão nos 7 a 1 da Alemanha. E quem perdeu a posição de titular com Dunga foi Thiago Silva.

A questão é que Dunga, em seu jeito impulsivo, deu declarações expondo os dois jogadores, a ponto de vários jornalistas colocarem em dúvida até o espírito de liderança de Thiago Silva e o comprometimento de Neymar. E o Brasil não pode se dar ao luxo de ter dois de seus principais jogadores (se é que não são os dois principais) sem moral diante do público e do elenco em si.

Uma das coisas que mais chamam a atenção da seleção brasileira pós-Copa do Mundo é a dificuldade de se impor diante dos adversários. Não é questão de vencer ou não, mas de ter uma atitude dominadora, de fazer o oponente entender que, do outro lado, está a equipe mais vitoriosa do futebol mundial. Muitos parecem aceitar com facilidade a ideia de o Brasil ser uma seleção “comum”.

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Neymar e Thiago Silva, com todos os seus problemas, entendem isso. O primeiro mostra isso ao chamar a responsabilidade para definir os jogos quando os companheiros se abstêm. Talvez sua falha como “líder técnico” seja atrair demais as atenções ao invés de usar seu talento para elevar o nível do resto do time (o que explica essa reportagem do UOL). O segundo pecou justamente por não conseguir lidar com o peso da responsabilidade de capitanear a Seleção em uma Copa casa, mas ele tinha plena noção de qual o tamanho da camisa que vestia.

Por isso, Dunga não deve enfraquecer suas duas lideranças mais claras. Precisa é ajudá-los a canalizar esse espírito de liderança para reerguer a Seleção como um todo. E ninguém é mais indicado para esse papel do que o atual técnico, que teve na liderança sua grande virtude como jogador. O volante soube redirecionar sua frustração por 1990 para motivar seus colegas em 1994. Só que ele não pode achar que todo capitão precisa ser como ele, e que o ressentimento é o único caminho para um grande líder. Pois, se procurar um no atual grupo, não achará nenhum.

O xingamento a Zuñiga revela um Neymar mais humano

Camisa 10 merece várias críticas pela partida ruim contra a Colômbia – menos pelo entrevero com o lateral

O Brasil fez uma péssima partida contra a Colômbia, o que significa dizer que Neymar esteve mal. E esteve mesmo. Perdeu bolas que não costuma perder, não teve ideias tão claras em campo e ainda estava irritadiço ao extremo. E dá para elencar uma série de possíveis razões para isso: os problemas fiscais na Espanha, o futebol débil da Seleção, o reencontro com Zúñiga em jogo oficial, o desgaste da temporada, a força do adversário, as arbitragens ruins, a marcação exageradamente dura que recebe ou apenas uma noite pouco inspirada. Criticar a atuação do camisa 10 brasileiro é fácil e sobram argumentos, mas a discussão com Zúñiga no meio da partida não é um deles.

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Uma câmera do Canal Plus espanhol, que acompanhou os movimentos de Neymar, flagrou um bate boca do brasileiro com Zúñiga. Pelas imagens (não há áudio), o jogador do Barcelona reclama do colombiano e parece dizer, em espanhol, “depois você me liga para pedir desculpas, filho da puta”. Pronto, foi o ponto de partida para dizerem que ele não sabe perder, que só sabe reclamar, que é mal educado, que é mimado, que ele mentiu ao dizer que havia perdoado o colombiano, que ele isso, que ele aquilo.

Claro que um craque deve superar os obstáculos que qualquer defesa lhe impuser, como provocação e marcação ríspida. E ele pode ser criticado caso o adversário consiga desestabilizá-lo. Mas o xingamento em si, remetendo ao infeliz encontro com Zúñiga nas quartas de final da Copa do Mundo, não tem nada de condenável.

Ele reclamou de forma agressiva e soltou um palavrão. Como todos os jogadores fazem diversas vezes durante qualquer partida. Neymar não usou termo racista, xenófobo, homofóbico ou com qualquer outro tipo de preconceito, tampouco atacou a filha do lateral colombiano (como alguns torcedores brasileiro fizeram ano passado). Foi um xingamento comum de jogo, e, de tão comum, não significa também que ele tenha mentido quando perdoou Zúñiga. Ele pode perfeitamente ter perdoado, mas se irritou com alguma dividida e reclamou.

Tente-se colocar alguns segundos no lugar de Neymar. Você perdoa o cara que te deu uma joelhada nas costas durante a Copa do Mundo na sua casa e o tira do resto do torneio. Mas, no segundo encontro, você recebe uma entrada mais dura dele. É muito difícil manter a serenidade, ainda mais com tantos outros problemas ao redor. O xingamento é humano. Eu já fiz isso. Você já fez isso.

A única diferença dessa discussão de tantas outras é que um dos protagonistas é seguido por uma câmera durante os 90 minutos. Se houvesse uma em Filipe Luís, outra em Murillo, e mais uma em Thiago Silva, certamente surgiriam mais imagens de atletas disparando palavrões para colegas. Jogo jogado.

Criticar Neymar por isso é exagero, é procurar defeitos em qualquer coisa.E nem precisava fazer tanta força, pois o camisa 10 do Brasil deu vários motivos. Jogou mal e foi expulso corretamente. Pronto, já há elementos para uma avaliação negativa sobre sua participação na derrota brasileira. Senão, deixa de ser crítica. Vira perseguição barata. E de perseguição boba o país já está cheio.

Neymar, muitas vezes, é acusado de ser excessivamente marqueteiro, de se preocupar apenas com a imagem. O xingamento a Zuñiga revela um sujeito normal, que se irrita, que tem dias ruins. O xingamento a Zuñiga revela um Neymar mais humano – e haja humanidade na partida contra a Colômbia…

Estamos em estado de choque após ver a chamada da Copa América 2015 na TV japonesa

Aprenda como pegar uma ideia ruim, fazer algo ainda pior em cima e ter um resultado espetacular

Maradona está tentando ensinar o filho a jogar bola, percebe que o pimpolho não tem talento para a coisa e pensa: “ele precisa ver Messi jogando para aprende um pouco”.  Dito e feito, o garoto vê a Copa América e passa a acertar uns petardos no ângulo.

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Pode dizer, a ideia é estúpida e é impossível algum canal de TV usá-la como forma de promover suas transmissões da Copa América. A não ser que seja no Japão, porque a TV japonesa tem a missão de usar as distribuir ao planeta os vídeos mais incrivelmente surreais que o ser humano produziu.

Foi o que aconteceu. A Sky PerfecTV pegou o enredo acima e conseguiu fazer uma propaganda sensacional em cima da pior história.

Dica e tradução de Tiago Bontempo, dono do sempre recomendado blog Futebol no Japão.

Aqui estão os grupos da Copa América 2015, e o Brasil reencontra a Colômbia

Argentina x Uruguai pinta como jogo mais interessante da primeira fase

A Conmebol realizou, nesta segunda, o sorteio dos grupos da Copa América 2015. Chile, Brasil e Argentina foram os cabeças de chave, e as demais seleções foram divididas em potes de acordo com seu nível técnico: Colômbia, México e Uruguai no pote 2, Equador, Paraguai e Peru no 3 e Bolívia, Jamaica e Venezuela no 4. Veja como ficou:

Grupo A

Chile, México, Equador e Bolívia

Grupo B

Argentina, Uruguai, Paraguai e Jamaica

Grupo C

Brasil, Colômbia, Peru e Venezuela

O Brasil até que não pode reclamar. Caiu na chave com Colômbia, Peru e Venezuela. O confronto com os colombianos se ensaia interessante, com o reencontro depois da violenta partida nas quartas de final da Copa 2014 e no exageradamente ríspido amistoso em setembro, disputado em Miami. Mas peruanos e venezuelanos não vivem grande momento e são adversários contornáveis.

Classificam-se os dois primeiros de cada grupo e os dois melhores terceiros colocados.

Hugo Chávez e o futebol na Venezuela

Presidente venezuelano investiu no crescimento do esporte, mas ajudou a criar uma estrutura difícil de sustentar

O beisebol é o esporte mais popular na Venezuela. É o que mobiliza a torcida, a mídia. É onde está a tradição e o orgulho esportivo venezuelano. Hugo Chávez não perderia a oportunidade de usar o esporte para projetar os feitos de seu governo, mas o beisebol não era o melhor caminho. Primeiro, porque já é um esporte estabelecido no país. Segundo, porque a influência da modalidade seria forte apenas nos Estados Unidos (onde ninguém daria bola para qualquer evolução que o governo chavista trouxesse ao esporte) e em Cuba (onde não seria necessário crescer no esporte para ter repercussão). O que restou ao presidente? Investir no esporte mais popular das Américas.

O futebol poderia mostrar para a América Latina os efeitos da linha de trabalho esportivo-social de seu governo. E aqui não cabe julgar se ela é boa ou ruim, positiva ou negativa, demagógica ou ideológica. Mas o futebol foi o alvo escolhido, pois teria repercussão nas nações que interessavam ao governo chavista mostrar seu trabalho.

Dentro de campo, dá para dizer que a virada venezuelana foi em 2001, quando a seleção arrancou na reta final das Eliminatórias e entrou em um patamar equivalente à dos demais países da América do Sul, onde está até hoje. Fora de campo, o ano da mudança foi 2007. Justamente o alvo do governo de Chávez.

O país estava definido como sede da Copa América. O governo deu tratamento de torneio de primeira linha. Foram investidos cerca de US$ 700 milhões em arenas, entre construção de três estádios e grande renovação em outros seis. Das nove arenas, apenas uma tem capacidade inferior a 35 mil torcedores.

As construções impressionaram por estarem muito acima do padrão normal da Copa América. O torneio foi bem sucedido em campo e, mesmo com a queda dos vinotintos já nas quartas de final, a média de público oficial foi de mais de 40 mil torcedores. Impulso suficiente para justificar a ampliação do Campeonato Venezuelano de dez para 18 times.

A partir daí, o futebol virou um esporte das massas na Venezuela, certo? Não tão cedo. De fato, o futebol se consolidou como a segunda modalidade mais popular entre os venezuelanos, mas nada minimamente compatível com a aposta realizada. A média de público seguiu baixa (muitos clubes não chegavam a mil torcedores), o que ficou ainda mais nítido em arenas gigantescas.

Muitos dos oito clubes clubes promovidos repentinamente não tinham estrutura financeira para manter os custos de uma equipe de primeira divisão. Outros já estavam estabelecidos, mas dentro de uma estrutura enxuta. Não tinham torcida para sustentar estádios de 40 mil lugares. Nesse cenário, vários clubes fecharam as portas e outros tiveram de contar com apoio da prefeitura para se sustentar (ou para manter os estádios). O caso mais evidente desse processo foi o Unión Maracaibo, finalista nas três edições do Campeonato Venezuelano anteriores à expansão de 2007 e que fechou as portas em 2011.

No geral, o projeto de Hugo Chávez com o futebol não trouxe os resultados esperados. A Venezuela cresceu no cenário internacional, mas isso se deveu muito mais ao trabalho de jogadores e técnicos do que ao investimento em infraestrutura. O trabalho extracampo não virou referência no continente. De qualquer forma, o país ficou com grandes estádios, que ainda esperam o momento em que o futebol realmente se tornará um esporte de massa no país. Deve demorar muito.