Veja como ficaram as chaves da Copa Sul-Americana e quem seu time pode enfrentar

Os confrontos estão definidos, só resta saber que time ocupará cada vaga. São 13 com chances

Anúncios

A Conmebol não se emenda. Até fez um esforço há dois anos para realizar sorteio de campeonatos com tudo acertadinho, mas já avacalhou de novo. Foi assim na Libertadores de 2015, e ficou ainda pior na Copa Sul-Americana. O torneio teve suas chaves sorteadas nesta quinta, e sobraram Brasil 1, Brasil 5 e Brasil 7 para todo lado. Fica aquela coisa misteriosa, e ninguém sabe direito o que significa aquilo todo. Bem, por isso estamos aqui. Vamos dar uma traduzida para você.

MAPA: Explore os estádios dos 87 clubes da Copa do Brasil de 2015 neste mapa interativo

O sorteio deixou as chaves assim:

– Brasil 8 x Brasil 3
– Brasil 7 x Brasil 2
– Brasil 6 x Brasil 4
– Brasil 5 x Brasil 1

Meio bagunçado, deixando o cruzamento olímpico (1×8, 2×7, 3×6, 4×5) de lado, mas isso é o de menos no momento. O que importa é: quem serão esses times?

Brasil 1 a 6

Como ocorre há três anos, os participantes da Sul-Americana são os melhores times do Brasileirão do ano anteiror que não estejam classificados para as oitavas de final da Copa do Brasil. Essas equipes ficam com as 6 primeiras vagas. Quatro delas já têm donos, mas os outros dois classificados e a ordem de todos os seis dependem de como terminar a terceira fase da Copa do Brasil. Veja quem são as equipes que podem entrar nessas vagas, pela ordem:

1) Grêmio
2) Atlético Paranaense*
3) Santos
4) Sport
5) Goiás*
6) Coritiba
7) Chapecoense*
8) Joinville*
9) Ponte Preta
* Já eliminados da Copa do Brasil. Desses, apenas o Joinville ainda não está assegurado na Sul-Americana

Brasil 7

Vaga do campeão da Copa do Nordeste de 2015. Teoricamente, ela pertence ao Ceará, mas o Vovô ainda está vivo na Copa do Brasil e, se eliminar o Tupi (o jogo de ida foi 0 a 0 em Fortaleza), cederá essa vaga ao vice-campeão Bahia. No entanto, o Tricolor baiano também está na disputa da Copa do Brasil e, se passar pelo Paysandu (jogo de ida: 3 a 0 Papão em Belém), deixa a vaga para o Vitória (já eliminado da Copa do Brasil).

Brasil 8

Única vaga em que não há dúvida. É do Brasília, campeão da Copa Verde de 2014.

Olha como estádio fica empolgante quando tem torcida de verdade nas arquibancadas

Arquibancadas do Monumental de Núñez ficaram lindas antes do River x Boca desta quinta

“Recibimiento.” A festa que a torcida faz para a entrada do time em campo é tão importante para o argentino que até tem um nome próprio. É o momento em que o fanático recebe sua equipe, canta, joga papel picado e pula para energizar os jogadores antes de uma partida. Se for uma partida decisiva contra um rival, esse instante de troca pode ser a diferença entre ganhar ou perder (pelo menos é o que o torcedor gosta de acreditar).

LEIA MAIS: Setor vazio do Mineirão é a falência do modelo de ingressos caros no futebol brasileiro

Então, veja como foi o recibimiento do River Plate para o clássico contra o Boca Juniors nesta quinta no Monumental de Núñez, valendo pela partida de volta das semifinais da Copa Sul-Americana. Impossível não se empolgar, não se deixar levar pela torcida. Assim, fica fácil de entender como os Millonarios venceram por 1 a 0 e conquistaram a vaga na decisão contra o Atlético Nacional.

De qualquer modo, fica um pensamento inevitável. As torcidas da Argentina têm todos os defeitos do mundo, mas dá tristeza ver uma festa dessa e comparar com os estádios cada vez mais assépticos do Brasil. Nem uma final em clássico local sobreviveu à era de ingressos caros e torcedor-consumidor das novas arenas brasileiras.

Alan Kardec, Neymar ou Elano, quem bateu o pênalti mais longe do gol?

Vamos comparar três cobranças incrivelmente tortas, e que fizeram a bola entrar em órbita

A culpa é 90% do gramado. Em muitos casos, é desculpa esfarrapada, mas, nos três citados abaixo, dá para acreditar. Elano teve de encarar um gramado de La Plata que não estava enraizado o suficiente na terra e se soltava. Neymar encarou um piso exageradamente fofo e ondulado pelo fato de os rolos de grama natural terem sido colocados em cima de um gramado artificial. E Alan Kardec teve de encarar o chão do Morumbi encharcado por um dia de chuva pesada em São Paulo.

SUL-AMERICANA: Pela primeira vez em 89 anos, nenhum dos quatro grandes de São Paulo será campeão

De qualquer forma, esses três bons jogadores foram vencidos pelo gramado e acabaram pagando caro. Elano contra o Paraguai na Copa América de 2011, Neymar contra a Colômbia em amistoso em 2012 e Alan Kardec contra o Atlético Nacional pela Copa Sul-Americana de 2014 bateram pênaltis horríveis. Nos três casos, a bola decolou como se fosse entrar em órbita. E nos três casos a torcida fez piada do ocorrido.

Então, reveja os três erros e diga: qual deles foi pior?

Alan Kardec, São Paulo 1(1)x(4) Atlético Nacional 2014
Elano, Brasil 0(0)x0(2) Paraguai 2011
Neymar, Brasil 1×1 Colômbia 2012

Um torneio só precisa de uma coisa: sentimento do torcedor. E isso o Nordestão tem de sobra

O Sport ficou com o título, mas quem ganhou de verdade nesta quarta foi o futebol brasileiro

O Sport é o primeiro representante brasileiro na Copa Sul-Americana. O Leão conquistou essa vaga ao empatar com o Ceará por 1 a 1 e ficar com o título da Copa do… ESPERA AÍ! APAGA TUDO! Sim, o Sport de fato tem uma vaga na Copa Sul-Americana. E daí? Pode ser importante, pode fazer uma boa campanha, mas isso não importa. O Leão conquistou a Copa do Nordeste, e só de ver as 61 mil pessoas que foram ao Castelão nesta quarta já dá para saber que a Copa Sul-Americana é o item menos importante de toda essa história. O valor técnico, de um torneio que dá vaga para outro, é irrelevante neste caso. Importante é o sentimento que gira em torno dessa competição.

VEJA TAMBÉM: Copa do Nordeste precisa do Maranhão e do Piauí, não do Flamengo

A Copa do Nordeste é uma das melhores coisas do futebol brasileiro na atualidade. Ela teve de lutar para ser criada. Teve de improvisar um espaço no calendário, teve de contrariar os desejos de cartolas de federações estaduais preocupados com seus feudos e cartolas nacionais que ignoram o que está acima de Minas Gerais. Mas seu surgimento era inevitável, como se uma força da natureza estivesse impulsionando esse processo. Tudo porque o Nordeste tem algo especial.

Há diferenças entre um nordestino e outro, mas existe um sentimento em comum a respeito de sua região. O orgulho do Nordeste, e de todos os aspectos culturais, econômicos, históricos e sociais que giram em torno disso. Era impossível impedir que esse sentimento buscasse uma forma de manifestação no campo de futebol, e que o resultado disso fosse um torneio com identificação total com seu público.

 

A torcida do Sport fez a festa no Castelão, em Fortaleza (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
A torcida do Sport fez a festa no Castelão, em Fortaleza (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Os 61 mil bateram o recorde de público do novo Castelão e os milhões de cearenses e pernambucanos que ficaram na frente da TV não estavam preocupados com a vaga na Sul-Americana, na Libertadores, no Mundial de Clubes ou no Ramón de Carranza. Eles pensavam apenas em ser os melhores diante de seus iguais. Puro sentimento de orgulho regional, sem nenhuma megalomania de usar aquilo como um passo para dominar o sistema solar. Isso é esporte em sua essência.

Sim, o Sport tem uma vaga na Sul-Americana, mas o Leão é grande o suficiente para consegui-la várias e várias vezes. Mas conquistar um dos torneios de clubes mais legítimos do Brasil, que tem um casamento mais íntimo com seu torcedor, isso não tem vaga que paga. O Rubro-Negro incrementou sua sala de troféus, mas quem ganha mesmo com o Nordestão é o Brasil. Ele enriquece a cultura do futebol brasileiro. Que o resto do País tenha inteligência para admirar isso.

LEIA MAIS: Nordestão já tinha versão melhorada do nome da Champions League, agora tem do hino

As 5 maiores campanhas da história da Ponte Preta

Chegar à final da Copa Sul-Americana já é o maior feito da Macaca em seus 113 anos?

O que diriam se o Corinthians chegasse à final da Copa Sul-Americana depois de vencer o Vélez Sársfield em Buenos Aires e bater o São Paulo? E se fosse o Flamengo? Ou o Grêmio? Seriam momentos épicos, provas de grandeza internacional de alguns dos clubes mais tradicionais do Brasil. Mas o responsável por isso foi a Ponte Preta. Sim, a Macaca, que luta para não ser rebaixada, que muitas vezes é lembrada por não ter título algum. Mas é essa equipe da Ponte sem estrelas e que tem em Rafael Ratão a maior promessa feita em casa que está perto de tirar o time da fila.

Já podemos dizer que essa é a maior campanha da história da Ponte Preta? Grandes participações não faltam nesses 113 anos. Peguei as melhores e montei um ranking com as cinco. Confiram, e cornetem.

5) Paulistão 1977

O Campeonato Paulista de 1977 ficou marcado pelo final dos 23 anos de fila do Corinthians. E, sempre que se fala da Ponte Preta, adversária naquela decisão, vem acompanhado de um “era mais time que o Corinthians”. Era, de fato, uma equipe muito boa, mas a própria Macaca teve participações mais brilhantes que a daquele ano.

A Ponte pecou pelo início de campanha muito instável. No primeiro turno, não passou para as semifinais porque venceu apenas seis dos 18 jogos (ainda que, das seis vitórias, quatro foram com três gols ou mais, o que dava três pontos). No segundo, venceu 12 jogos (inclusive um 4 a 0 no Corinthians), mas ficou de fora do mata-mata no saldo de gols.

O time deslanchou mesmo no terceiro turno, quando teve cinco vitórias e dois empates nos sete jogos. Todas as partidas contra as grandes equipes paulistas da época: as cinco grandes tradicionais, mais Guarani e Botafogo de Ribeirão Preto. Aí o time chegou à final, mas a instabilidade das fases anteriores fez que o Corinthians tivesse vantagem do empate na prorrogação após três jogos.

4) Paulistão 1979

A campanha da Ponte no Paulista de 1979 não foi tão boa quanto a de dois anos antes. Empatou metade dos 38 jogos da primeira fase, mas garantiu a classificação para a segunda, quando embalou. Foi a primeira colocada no Grupo 1 e garantiu vaga no mata-mata.

Aí vem o motivo de a Macaca de 1979 estar à frente da Macaca de 1977 nesse ranking. Na semifinal do campeonato, a Ponte teve de disputar uma vaga na final contra o Guarani, campeão brasileiro do ano anterior. Os alvinegros venceram as duas partidas. Não importa que, na decisão, o Corinthians tenha vencido com mais facilidade que em 1977. A Macaca de 1979 tirou o Guarani da final, e isso garantiu àquela campanha uma posição no nosso ranking.

3) Brasileiro 1981

A grande participação nacional da Macaca. Foi uma campanha consistente desde o início. Na primeira fase, os campineiros ficaram em segundo lugar no Grupo A, um ponto atrás do Vasco (mas à frente de Internacional e Vitória). Na segunda, a Ponte venceu o Grupo F, deixando para trás Bahia, Santa Cruz e o algoz Corinthians e assegurando uma vaga nas oitavas de final.

No mata-mata, a Ponte Preta eliminou o Náutico e o Vasco. Chegou à semifinal contra o Grêmio. Perdeu no Majestoso por 3 a 2, e ia a Porto Alegre apenas para ver os gremistas ratificarem a classificação para a final. Nada disso!

Diante de 98.421 torcedores (85.751 pagantes, marca que nunca será batida no Olímpico), a Macaca venceu por 1 a 0. O Grêmio se classificou porque tinha vantagem do empate agregado, mas a Ponte, pela segunda vez em quatro anos, vencia fora de casa no jogo decisivo que registrou recorde de público de um grande estádio brasileiro.

Uma grande campanha nacional era o que a Ponte precisava para reforçar sua posição como uma das grandes forças do Brasil naquela época.

2) Copa Sul-Americana 2013

Chegar à final de sua primeira competição internacional já é um grande feito. Mas conseguir isso depois de passar pela altitude, bater o campeão argentino em Buenos Aires e o atual campeão do torneio fora de casa ajuda a aumentar a mística que se cria em torno da participação da Ponte Preta na Sul-Americana 2013. Coisa de time grande, coisa de time que joga competição continental todo ano.

A Epopeia do Cuspe (entenda aqui) ainda não terminou. Dependendo das circunstâncias da final contra Libertad ou Lanús, a campanha ganhará uma posição nesse ranking e ficará como a maior da história do segundo clube mais antigo em atividade do Brasil (e mais antigo em atividade ininterrupta). Faltam dois jogos. Aguardamos ansiosamente.

1) Paulistão 1981

O pontepretano foi muito feliz em 1981. Além da campanha no Brasileirão, o time presenteou a torcida com uma campanha espetacular no Paulistão. Na segunda fase do primeiro turno, quando todas as equipes se juntaram, a Ponte passeou: foi a primeira colocada com apenas uma derrota em 19 jogos, terminando quatro pontos à frente do segundo colocado (o Guarani).

Na terceira fase, Ponte e Guarani foram para grupos diferentes, e ambos conquistaram a vaga na final do turno de forma invicta. O futebol de Campinas estava no topo. Macaca e Bugre se enfrentariam para decidir o campeão do primeiro turno e uma vaga na finalíssima do estadual. No Brinco de Ouro, 1 a 1. No Majestoso, a Ponte venceu por 3 a 2 no que pode ser considerado o maior Dérbi Campineiro da história.

No segundo turno, a Ponte baixou a guarda, mas ainda foi competitiva. Terminou a primeira fase na quarta posição, apenas três pontos atrás do líder São Paulo. Na segunda fase, brigou por um lugar na decisão até a última rodada, quando foi eliminada por um empate com o Palmeiras.

Na final, a Macaca cruzou com o São Paulo. Duas partidas no Morumbi: empate por 1 a 1 no jogo de ida e vitória tricolor por 2 a 0 no de volta. E assim acabava a maior campanha da história da Ponte Preta. Pelo menos até a decisão da Copa Sul-Americana.

Se você quiser ver um compacto de 40 minutos do espetacular 3 a 2 de 1981, o vídeo vai abaixo (com direito a narração de Luciano do Valle):

Sobre pênaltis, e sobre dois filhos ilustres de Pato Branco

Rogério mostrou contra a Universidad Católica porque podia bater mal um penal decisivo

Há dois domingos, o São Paulo recebeu o Corinthians no Morumbi. Jogo amarrado, 0 a 0 (era jogo do Corinthians, não dá para esperar nada muito diferente), até que o juiz marca um pênalti para os tricolores no último minuto. Rogério, com um histórico recente horrível nos 11 metros, vai para a cobrança. E perde. De novo.

O São Paulo desperdiçou a oportunidade de acabar com um tabu sem vitórias sobre o rival alvinegro no Morumbi, e ainda correu o risco de voltar à zona de rebaixamento (o que não ocorreu com aquele empate porque Coritiba e Vasco perderam na rodada). Muricy foi cobrado por permitir que o goleiro cobrasse o pênalti. Torcedores e jornalistas criticaram a decisão. Muitos acusaram Rogério Ceni de deixar seu ego à frente.

Em teoria, estão certos. E Rogério já mostrou ter um domínio às vezes exagerado das questões internas do elenco são-paulino, a ponto de ser viável imaginar que ele tenha se mantido como batedor por capricho pessoal. Mas o goleiro deveria, sim, ter batido aquele pênalti. Ele estava batendo mal? Estava. A chance de ele perder era grande? Proporcionalmente, era. Ele acabou perdendo? Sim. Tudo isso é verdade, mas ele deveria ter batido, como bateu.

Pênaltis decisivos são lances de extrema pressão. Tudo pára naquele momento*. O cobrador está exposto. Não há defensores atrapalhando. Não dá para perder a concentração pela possibilidade de o bandeirinha dar impedimento. Não há torcedor que esteja alheio ao lance, tanto dentro do estádio quanto nos milhões de sofás em salas de estar pelo Brasil. É o chutador e o goleiro, só. E todo mundo vendo.

*Coloquei o acento de propósito em “para”, pois a frase ficou dúbia sem ele, ouviu Sr. Acordo Ortográfico?

Rogério Ceni deveria ter batido contra o Corinthians porque ele era o único jogador daquele São Paulo ainda saindo da crise que podia perder aquele pênalti. O gol e a vitória eram importantes, mas só o goleiro poderia assumir o risco de aguentar um empate naquelas circunstâncias.

Cenário semelhante foi vivido na Espanha em 1994. O Deportivo de La Coruña liderava o Campeonato Espanhol com larga vantagem no começo do segundo turno. Mas perdeu vários pontos importantes, alguns deles em pênaltis desperdiçados por Bebeto (o brasileiro cobrava quando Donato não estava disponível).

Na última rodada, o time galego tinha um pênalti no último minuto contra o Valencia. O gol daria o título. Donato havia saído e Bebeto, diante de seu histórico recente, preferiu não bater. Djukic o fez, o goleiro pegou e o Barcelona foi campeão. Até hoje há quem culpe Bebeto. Pelo retrospecto, o atacante não era o nome mais indicado, como Rogério Ceni não era contra o Corinthians. Mas há momentos em que o grande jogador precisa assumir a responsabilidade. Ele pode assumir o risco.

A noite desta quarta mostrou isso de duas formas, ambas oriundas de Pato Branco, Paraná. Em Santiago, o pato-branquense Rogério Ceni teve a (provavelmente) melhor atuação de sua carreira na classificação do São Paulo sobre a Universidad Católica pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana. Melhor até que na final do Mundial de 2005 contra o Liverpool.

Não demorou nada para são-paulinos pedirem para ele desistir da aposentadoria, o chamarem de “Mito”, bradarem aos quatro cantos (a saber: Twitter, Facebook, Instagram e WhatsApp) que se trata do maior goleiro da história do sistema solar. Alguém se lembra que ele perdeu um pênalti importante no último minuto de um clássico? Não, Rogério está acima daquela cobrança.

Minutos mais tarde, em Porto Alegre, o também pato-branquense Alexandre Pato foi escolhido como o último batedor do Corinthians na disputa de pênaltis contra o Grêmio. Nada errado. Ele havia assumido esse papel (com sucesso) nas semifinais do Paulistão contra o São Paulo de seu conterrâneo Rogério. Semanas antes, em outro clássico no Morumbi, ele também convertera um pênalti. Era o jogador indicado para fechar a disputa contra os tricolores gaúchos na Copa do Brasil.

Mas Pato quis inventar. Tentou a cavadinha contra Dida. O goleiro pegou com facilidade constrangedora e o futuro do atacante no Corinthians é seriamente colocado em dúvida. Sim, ele é fortemente contestado mesmo sendo a única opção viável de um ataque que tem Guerrero contundido, Emerson e Romarinho em péssima fase, Paulo Victor, Douglas Tanque e Léo sem experiência alguma para segurar a bucha de um time em crise e o Zizao que… é o Zizao. E qual foi o pecado do centroavante anatídeo? Simples, ele ainda não fez o suficiente no Corinthians para se dar ao luxo de cobrar tão mal um pênalti.

O senso comum dos pênaltis manda um jogador deixar de bater se estiver errando muitos em sequência. Esse mesmo senso comum também manda que um jogador cobre com seriedade e capricho um pênalti decisivo. Ignorar esse bom senso é possível, mas só para quem pode assumir a responsabilidade por cometer um erro previsível em momento importante. Rogério Ceni, por pior que seja sua fase “ofensiva”, pode. Alexandre Pato, não.