Os estaduais finalmente esquentam, mas também tem decisão em Inglaterra e Holanda

Se você for otimista, ainda dá para achar que há um jogaço decisivo na Itália

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O torcedor brasileiro já está cansado dos estaduais, mas agora é o momento em que eles têm alguma graça. Após fases de classificação longas, o mata-mata já chegou no fim de semana passado e decisões começam a pintar. Clássicos emocionantes dominarão as conversas em Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Belém, Campina Grande e São Luís. Os gaúchos ainda discutirão o Inter x Brasil de Pelotas e Grêmio x Juventude.

Mas a Europa também tem seus atrativos. A Inglaterra vê um jogaço entre Chelsea x Manchester United, em que o resultado pode ser a diferença entre uma disputa pelo título virtualmente encerrada ou uma reta final emocionante. Reading, Arsenal, Liverpool e Aston Villa ainda estarão na disputa de uma vaga na final da FA Cup. Enquanto isso, a Itália tem um de seus maiores clássicos citadinos e um duelo entre líder e vice-líder. A Espanha tem um grande jogo em que coloca a liderança do Barcelona em risco. E a Holanda pode ter campeão novo.

Em bom português, há motivo de sobras para você não sair da frente da TV.

>>> Veja a programação de TV completa para o final de semana

O jogão

Chelsea x Manchester United
Sábado, 13h25 (Fox Sports)

Pode ser o último suspiro da briga pelo título inglês. O Chelsea tem sete pontos de vantagem sobre o Arsenal e oito sobre o Manchester United, e ainda tem uma partida a menos (contra o lanterna Leicester). No entanto, os Blues já não têm o mesmo nível de desempenho da primeira metade da temporada e parecem mais vulneráveis. Bom momento para o Manchester United alongar a série de seis vitórias seguidas pela Premier League e dar um susto nos azuis londrinos. Se a diferença entre ambos cair para cinco pontos, dá para sonhar com uma reação na reta final.

O clássico

Internazionale x Milan
Domingo, 15h45 (ESPN Brasil)

Talvez seja o Derby della Madonna mais melancólico dos últimos anos, mas um Inter x Milan sempre é um jogo especial. São duas equipes com alguns bons jogadores e que teriam condições de fazer campanhas mais competitivas do que têm feito. Por isso, é até difícil prever o resultado (e mesmo a qualidade do jogo, que pode ser qualquer coisa entre sofrível e emocionante).

Corinthians x Palmeiras
Domingo, 16h (Globo, Bandeirantes e Sportv)

Muitos especialistas (incluindo Oswaldo de Oliveira, técnico do Palmeiras) têm considerado o Corinthians o melhor time desse começo de temporada no Brasil. Mas o Alvinegro está em um momento mais duro do ano, com algumas atuações titubeantes e excesso de jogos importantes em poucos dias. Enquanto isso, o Palmeiras foi ganhando confiança ao longo das semanas e vai a Itaquera como candidato viável a acabar com a invencibilidade corintiana em 2015 e em sua casa. Para dar mais molho ao confronto: o duelo anterior entre ambos não serve de parâmetro, pois os palmeirenses claramente estavam em fase de montagem e os corintianos entraram em campo com um time misto.

O reencontro

Cruzeiro x Atlético Mineiro
Domingo, 16h (Globo Minas e Premiere)

O Atlético Mineiro transformou o Independência em sua casa, mas há uma relação histórica com o Mineirão que não pode ser esquecida. E o clube volta a disputar uma decisão no estádio em que comemorou, nos últimos dois anos, os títulos da Libertadores, da Recopa e da Copa do Brasil (e ainda as viradas épicas contra Corinthians e Flamengo na Copa do Brasil). O problema é que do outro lado está o Cruzeiro, que tem a vantagem do empate, resultado dos dois confrontos diretos de 2015. Além disso, as duas equipes precisam dosar o nível de desgaste, pois terão compromissos importantes pela Libertadores no meio de semana.

Fique de olho

Juventus x Lazio
Sábado, 15h (Fox Sports)

O otimismo é uma qualidade invejável. Ele ajuda a tornar a vida mais suportável, mesmo quando parece difícil. Assim, enquanto a maioria das pessoas já desencanaram da luta pelo título italiano, os otimistas podem olhar para esse Juventus x Lazio e ficar animados. Afinal, é o jogo do líder contra o vice-líder, e uma vitória do segundo colocado (no caso, a Lazio) pode reabrir a disputa pelo scudetto. Claro, se você for da turma dos otimistas e achar que reduzir a diferença entre as equipes de 12 para 9 pontos é algo que fará grande diferença para as sete rodadas que restariam. De qualquer forma, a Lazio está embaladíssima – venceu nove e empatou uma das últimas dez partidas – e pode proporcionar um duelo bem interessante.

Aston Villa x Liverpool
Domingo, 11h (ESPN Brasil)

Semifinal da FA Cup, jogo único em Wembley. Faz tempo que o tradicional Aston Villa não participa de um jogo desse tamanho, algoq ue deve motivar bastante seus torcedores e jogadores. Mas, do outro lado, estará o Liverpool buscando o último título que lhe resta nesta temporada. O título que pode fechar com glória a histórica passagem de Steven Gerrard por Anfield.

O cara

Paulo Victor
Flamengo x Vasco
Domingo, 16h (Globo, Bandeirantes e Premiere)

Paulo Victor foi um dos destaques do 0 a 0 no jogo de ida das semifinais do Cariocão. Sua atuação reforçou o coro de quem acha que ele já deveria seguir os passos do xará tricolor dos anos 80 e receber uma oportunidade na seleção brasileira, o que só serve para aumentar os olhares atentos sobre o goleiro rubro-negro.

Vale uma zapeada

PSV x Heerenveen
Sábado, 14h45 (ESPN+)

Campeonato Holandês nem sempre está no topo de prioridades do torcedor, mas pode sair o primeiro campeão minimamente relevante da temporada europeia. Uma vitória sobre o Heerenveen dá ao PSV o 22º título holandês. Mas é preciso ficar atento, os pois frísios foram responsáveis por uma das quatro derrotas do time de Eindhoven nesta temporada.

O brasileiro

Diego Alves
Barcelona x Valencia
Sábado, 11h (Sports+)

O Barcelona tropeçou no Sevilla na última rodada e deixou a vantagem sobre o Real Madrid cair a dois pontos. O problema é que os catalães enfrentam o competitivo Valencia, que perdeu apenas quatro partidas neste campeonato. Diego Alves tem boas condições de ser um dos protagonistas. Ele costuma crescer nas partidas contra Barça e Real, o que ficou evidente em sua atuação no primeiro turno, quando os blaugranas precisaram dos acréscimos para vazar o brasileiro e vencer por um suado 1 a 0.

Passe longe

Rayo Vallecano x Almería
Domingo, 7h (Sports+)

Paco Jémez, ótimo técnico do Rayo, que nos desculpe, mas um confronto entre o 12º e o 18º do Campeonato Espanhol às 7h da manhã de domingo é um pouco demais. Haja amor ao futebol.

Legado: em cidade com arena da Copa, maior clássico é disputado em estádio de 10 mil lugares

Até o estádio da Colina teve espaço sobrando para o primeiro Rio Negro x Nacional de 2015

“Se você construir, ele virá.” No cinema, esse mantra funcionou. Kevin Costner fez um campo de beisebol em sua fazenda, atraiu fantasmas de antigos jogadores e ainda ganhou três indicações para o Oscar com o filme “Campo dos Sonhos”. No mundo real, é preciso construir, mas também é preciso investir, incentivar e promover. Assim, não é em um passe de mágica (e de engenharia) que a Arena Amazônia, tida como potencial elefante branco da Copa 2014, impulsionaria o futebol manauara.

LEIA MAIS: Como Balotelli ajuda a entender Manaus

Nesta quinta, Nacional e Rio Negro disputaram o primeiro Rio-Nal de 2015. Trata-se do maior e mais tradicional clássico do Amazonas e, teoricamente, é o jogo que mais mobiliza os torcedores de times locais. Mas, pelo visto, ainda não é suficiente para abrir o estádio de 40 mil lugares e obras de R$ 605 milhões. O jogo foi disputado no estádio da Colina, com capacidade de 10,4 mil torcedores após uma reforma para ser campo de treino durante o Mundial. E mesmo o estádio ainda teve espaço de sobra: apenas 1.209 nacionalinos e barrigas-pretas pagaram ingresso para ver a vitória azul por 3 a 0.

O futebol amazonense já foi maior que isso, e pode voltar a ser. Mas não é apenas a construção do estádio que fará isso. É preciso ter carinho com os clubes locais, dar motivos para o público deixar de lado a preferência por equipes do Rio de Janeiro. Que esse Rio-Nal sirva de alerta para mudanças no futuro, e não como sinal definitivo de que está tudo perdido.

Veja algumas imagens do clássico manauara:

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Agradecemos à leitora Monique Albuquerque, fiel torcedora do Rio Negro, por nos enviar algumas imagens do clássico

Nós queremos você… para dar a SUA sugestão para o calendário do futebol brasileiro

É fácil cornetar o calendário alheio. Agora queremos ver o que vocês têm a dizer sobre isso

Nem o calendário da CBF, nem o do Bom Senso FC. O melhor calendário para o futebol brasileiro, aquele que vai resolver todos os problemas dos times, é o seu. Afinal, cada um tem sua própria versão de calendário na cabeça e tem certeza absoluta que ela é perfeita. E a gente sabe disso porque, a cada nota ou reportagem sobre calendário publicada na Trivela, recebemos comentários de gente dizendo que sabe como resolver esse problema.

Então, quer saber? É hora de provar!

Estamos convocando nossos leitores a mandarem suas versões de calendário para o futebol brasileiro (ou mundial, se a ideia for mais ambiciosa). Para que? Ora, vamos publicá-las para que todo mundo possa ver e debater. Mas atenção para as regras:

1) As ideias precisam ser enviadas para o e-mail redacao@trivela.com, com o assunto “Calendário para o futebol brasileiro”. Vamos ignorar propostas colocadas aqui no espaço de comentários, pois saber ler as regras é fundamental.

2) O prazo para o envio é esta segunda-feira (1º de setembro, é uma campanha vapt-vupt) às 16h.

3) Não vamos necessariamente publicar as melhores propostas, ou as propostas com as quais concordemos. A intenção é justamente promover o debate, e ideias diferentes serão contempladas, por mais estranho que algumas possam parecer.

4) Na proposta, concentre-se em explicar os princípios e o que estaria diferente do calendário atual, mostrando quantas datas as competições ocupariam e o período do ano. Não precisa fazer tabelas gigantescas com que jogo seria realizado a cada dia do ano.

Bem, mãos à obra. Estamos esperando seu e-mail!

Precisamos saber o que queremos dos estaduais (ou Deixem os pequenos trabalharem)

Por que há um lado saudável em ver decisões em Paraná, São Paulo (e talvez em Pernambuco) sem um clássico

Que se dane que o mata-mata do Paulistão não teve nenhum clássico. Que se dane que o Campeonato Paranaense não teve o Coritiba tentando o penta em cima de um Atlético Paranaense de estádio renovado (ainda que com um time sub-23). Que se dane que um dos grandes de Recife pode ficar fora do Nordestão em 2015. Muitas vezes criticamos essas coisas sem refletir bem, porque os estaduais são tão ruins e caricatos que nem sabemos mais o que merece ou não ser cornetado.

VEJA TAMBÉM: Londrina x Maringá: por que bater o vizinho vale mais que ganhar de um grande da capital

Bem, muito do que se quer dos estaduais é consenso entre muita gente. Pede-se que ocupem um espaço no calendário proporcional a sua relevância e que efetivamente realizem seu papel de fomentar as rivalidades locais. Nisso, os atuais estaduais já tiram uma nota tão baixa que não adianta nem fazer recuperação para se salvar. Mas precisamos entender que eles não deixam de ser uma competição esportiva e sempre há o risco de os resultados não levarem ao que muitas vezes se imagina (e é a imprevisibilidade que nos faz gostar tanto de esportes, certo?)

Ainda que se queira que grandes clássicos decidam os estaduais, é preciso entender que os clubes pequenos disputam o torneio e existe a possibilidade de alguns deles surpreenderem as equipes mais tradicionais. Se os pequenos perdem de todo mundo, diz-se que são ruins demais e não servem de parâmetro. Se vencem, é sinal de decadência dos estaduais. Não faz sentido.

Claro que o fato de o Ituano estar perto do título paulista, a final do Paranaense ser Londrina x Maringá e o Salgueiro ter se aproximado da final do Pernambucano servem de sinais de alertas para Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Coritiba e Náutico. Mas isso é só ver a situação pelo olhos dos grandes. Vamos olhar pelo lado dos pequenos.

O clube do interior tem recursos pequenos, jogam a vida no estadual. Muitos deles dão com os burros n’água, montam equipes terríveis e são detonados pelos grandes. Mas vez ou outra alguns acertam. O Ituano tem a melhor defesa do Paulistão, eliminou o Corinthians na primeira fase, ganhou do Palmeiras no Pacaembu e, neste domingo, repetiu a dose contra o Santos. O Penapolense segurou o São Paulo no Morumbi, mostrou muita frieza ao vencer na disputa por pênaltis e quase aprontou uma zebra monumental na Vila Belmiro. Londrina goleou o sub-23 do Atlético Paranaense e o Maringá acabou com o sonho do penta do favoritíssimo Coritiba. O Salgueiro foi o time de melhor campanha na fase dos pequenos e, na segunda etapa, venceu Sport e Náutico e arrancou um empate do Santa Cruz. Na semifinal, fez 2 a 0 no Náutico no jogo de ida e deixou o Timbu em situação bastante complicada, com a possibilidade de ter de disputar a terceira vaga do estado no Nordestão 2015 com o perdedor de Sport x Santa Cruz.

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Dentro de suas limitações, são equipes competitivas para o nível estadual. Se não há um superclássico no mata-mata paulista e paranaense, é porque os times pequenos foram competentes para se meterem no meio da briga. Quem considera isso errado pode, sem perceber, estar dizendo que os pequenos não têm direito de brilhar, por mais méritos que eles tenham.

Por isso, não é errado se um clube do interior vai longe e impede os grandes de fazerem a festa no estadual. O problema é que eles têm pouquíssimas chances de manter o trabalho que deu certo, pois no máximo conquistam uma vaga numa terrível Série D, que começa apenas em julho e só garante dois meses de atividade. Não à toa, muitos clubes vão à quarta divisão nacional com elencos completamente diferentes dos que fizeram bom papel no estadual meses antes.

Sim, queremos que os estaduais sejam mais curtos. Mas queremos também que clubes pequenos sejam competitivos, justificando a existência desses torneios e revelando jogadores e técnicos. E, para isso, o Brasil precisa criar mais condições para que esses times possam fazer bons trabalhos, o que inclui pensar no que acontece com todos eles após o estadual. Esse é o grande pecado, e não ver os grandes fracassando em São Paulo e Paraná.

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