Saídas de Garnett, Kobe e Duncan serão sentidas, mas NBA nunca esteve tão preparada para isso

Há décadas liga não vivia uma fase tão prolífica em grandes estrelas

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Pessoas que acompanham o basquete, particularmente a NBA, há pelo menos duas décadas, devem estar insuportáveis. E não fique ofendido, eu estou nessa. Com o anúncio das aposentadorias de Kevin Garnett (imediata) e de Paul Pierce (que ainda atua mais uma temporada), a NBA perderá ao menos quatro referências que vêm desde o final dos anos 90: os dois, mais Kobe Bryant e Tim Duncan. Considerando que outras estrelas devem deixar as quadras em breve, como Dirk Nowitzki e, por questões de saúde, Chris Bosh, o cenário está pronto para vários trintões ou quarentões começarem a povoar as redes sociais com posts chorosos com o tema “estou ficando velho”.

O amigo Fábio Balassiano até falou em troca da guarda, comparando esse momento com o final dos anos 90, quando Michael Jordan, Hakeem Olajuwon, Karl Malone e Isiah Thomas deixaram a NBA. É uma boa comparação, mas o amante de basquete pode se contentar com uma coisa: a liga está muito mais preparada para perder esses ídolos hoje do que estava na época.

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A transição de gerações da virada do século foi dura para a NBA. desde o final da década de 1970, a liga tinha como um de seus principais atrativos o show proporcionado pelas superestrelas. Isso explodiu na década de 1980, com o duelo do Los Angeles Lakers de Magic Johnson e Kareem Abdul-Jabbar com o Boston Celtics de Larry Bird redefinindo os rumos do basquete profissional em termos de popularidade e poderio econômico e midiático. Aquela geração teve Magic e Bird como referências, mas havia várias outras estrelas, algumas que começaram a surgir na segunda metade dos anos 80.

Isso se materializou em muitos dos marcos que temos da NBA até hoje. A reunião de talentos inigualável do Dream Team original. O All-Star Game de 1992 com Magic Johnson voltando às quadras e arrebentando. Os duelos envolvendo Lakers, Celtics, Detroit Pistons, Chicago Bulls, Portland Trail Blazers, Utah Jazz, Phoenix Suns, Indiana Pacers, New York Knicks… A internacionalização das marcas, a audiência da TV, a entrada definitiva da liga na cultura norte-americana.

O tempo passa e, uma a uma, as estrelas daquela turma foram pendurando o tênis: Magic Johnson, Larry Bird, Charles Barkley, Hakeem Olajuwon, Isiah Thomas, John Stockton, Karl Malone, Pat Ewing, Reggie Miller, David Robinson e Clide Drexler, entre outros. O problema é que a geração seguinte não conseguiu ter a mesma força.

Shaquille O’Neal ainda jogou junto com muitos dos craques acima e virou herdeiro como grande estrela e figura carismática. Kobe e Garnett também eram referências. Vince Carter surgiu como um furacão, mas não manteve o ritmo. Grant Hill teve vários problemas físicos. Tracy McGrady não atingiu o nível de estrelato que se esperava. Duncan sempre foi genial, mas sempre foi discreto. E, apesar de nunca faltar talento na liga, era nítida a queda de carisma geral.

O resultado se viu no bolso e na TV, ainda mais quando os Lakers entraram em uma fase de transição e as grandes forças do campeonato eram equipes com menos torcida. Quatro das cinco piores audiências da história das finais ocorreram entre 2003 e 07, quando as decisões tiveram San Antonio Spurs x New Jersey Nets, Detroit Pistons x Los Angeles Lakers (único duelo do período que não está na rabeira), Spurs x Pistons, Miami Heat x Dallas Mavericks e Spurs x Cleveland Cavaliers.

O crescimento da internet contribuiu para o aumento de ofertas de atrações e a queda de audiência, mas não dá para ignorar que faltava uma narrativa mais empolgante em muitas dessas finais, sobretudo considerando uma grande parcela do público uma partida importante (pessoas que não são tão fanáticas e só ligaram a TV porque ouviram falar que algo relevante vai acontecer). Outro sinal de que não é apenas uma mudança na mídia é que, a partir de 2008, a concorrência midiática pelo público se tornou ainda maior, mas a NBA cresceu. As duas últimas finais, alimentadas pela atração Curry x LeBron, tiveram as maiores audiências desde 1998.

Ainda que perder figuras do nível de Garnett, Kobe e Duncan seja um golpe duro a qualquer modalidade, o basquete de hoje está mais forte do que na virada do século. Já há um grupo de estrelas estabelecidas e que ainda ficarão bons anos na ativa, como LeBron James, Stephen Curry, Kevin Durant, Dwyane Wade, Russell Westbrook, Carmelo Anthony, Chris Paul, Tony Parker, Paul George e Derrick Rose. E a geração que sucederá essa turma também já desponta, com nomes como Kawhi Leonard, Damien Lillard e Anthony Davis.

Não à toa, o mais novo contrato de TV da liga tem uma alta acentuada de valores. Sinal de confiança da mídia de que o produto seguirá dos melhores. Mesmo sem Kobe Bryant, Kevin Garnett e Tim Duncan.

Kevin Garnett voltou a Boston, e a torcida dos Celtics fez questão de mostrar agradecimento

Boston fez questão de agradecer ao pivô, mesmo com a bola em jogo

A visita do Minnesota Timberwolves ao Boston Celtics não passaria em branco nesta temporada. Jamais. Era o reencontro de Kevin Garnett com a torcida do time que ajudou a levar ao título em 2008. Um momento que recebeu uma homenagem adequada.

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A torcida dos Celtics foi bastante efusiva ao celebrar o ídolo. Mesmo durante a partida, com a bola em jogo, não parou de cantar “Thank You, KG” (“Obrigado, KG”). Merecido.

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Veja os resultados da NBA nesta segunda:

Washington Wizards 113×99 Sacramento Kings
Boston Celtics 113×99 Minnesota Timberwolves
New York Knicks 99×107 Orlando Magic
Atlanta Hawks 106×97 Portland Trail Blazers
Chicago Bulls 102×105 Brooklyn Nets
Houston Rockets 102×95 Charlotte Hornets
San Antonio Spurs 106×92 Indiana Pacers
Utah Jazz 110×89 Phoenix Suns
Los Angeles Clippers 99×100 Oklahoma City Thunder

Veja a homenagem que os Timberwolves prepararam para o retorno de Kevin Garnett

Pivô fez sua primeira partida desde que acertou a volta ao time que o lançou na NBA

Tudo foi armado para tornar a ocasião especial. Kevin Garnett acertou o retorno ao Minnesota Timberwolves, clube que defendeu de 1995 a 2007, mas ficou inativo em suas duas primeiras partidas. Claro, elas eram fora de casa. O primeiro jogo com a nova-velha camisa tinha de ser em Minneapolis, diante da torcida que tanto o adora.

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Aconteceu nesta quarta, na vitória por 97 a 77 contra o Washington Wizards. Garnett finalmente voltou a vestir a camisa do Minnesota, e sua primeira aparição foi cheia de pompa. A direção da equipe preparou uma homenagem na apresentação do pivô antes da partida. Nada mais merecido.

Veja os resultados da NBA nesta quarta:

Orlando Magic 90×93 Miami Heat
Atlanta Hawks 104×87 Dallas Mavericks
Boston Celtics 115×94 New York Knicks
Chicago Bulls 86×98 Charlotte Hornets
Houston Rockets 110×105 Los Angeles Clippers
Milwaukee Bucks 104×88 Philadelphia 76ers
Minnesota Timberwolves 97×77 Washington Wizards
New Orleans Pelicans 102×96 Brooklyn Nets
Denver Nuggets 96×110 Phoenix Suns
Utah Jazz 97×100 Los Angeles Lakers
Sacramento Kings 102×90 Memphis Grizzlies
Portland Trail Blazers 111×95 San Antonio Spurs

Clique aqui e veja a classificação completa.

Kevin Garnett chama Dwight Howard para a briga, e ainda bem que estávamos bem longe

Muito respeito ao Trevor Ariza, que teve coragem de se meter no meio dos gigantes para evitar o pior

Brigar é feio, ainda mais no esporte. Então, se o pessoal fica de cabeça quente, é fundamental que a turma do deixa-disso apareça para apartar os brigões. O problema é fazer isso quando a querela envolve Kevin Garnett e Dwight Howard.

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Foi o que ocorreu nesta segunda, no confronto entre Brooklyn Nets e Houston Rockets. Os dois pivôs brigavam por espaço no garrafão. Aí, Howard deu um empurrãozinho, Garnett não gostou, jogou a bola no adversário e logo depois o ameaçou.

Antes que a coisa ficasse pior, Trevor Ariza apareceu para segurar Garnett. Parabéns para ele, pois poucos teriam coragem de se meter numa briga como essa.

Veja os resultados desta segunda na NBA:

Boston Celtics 108×100 New Orleans Pelicans
Brooklyn Nets 99×113 Houston Rockets
Toronto Raptors 111×114 Detroit Pistons
Chicago Bulls 114×121 Orlando Magic

Clique aqui e veja a classificação completa da NBA.

Projeto do Brooklyn Nets não é apenas ganhar, é também marcar território

Equipe quer fazer muito barulho para se colocar rapidamente como a melhor de Nova York

Paul Pierce e Kevin Garnett desarmam Raymond Felton, do New York Knicks (Crédito: AP Photo/Kathy Willens)
Paul Pierce e Kevin Garnett desarmam Raymond Felton, do New York Knicks (Crédito: AP Photo/Kathy Willens)

Deron Williams, Brook Lopez e Joe Johnson, provavelmente com a companhia de Kevin Garnett e Paul Pierce. Se a negociação com o Boston Celtics for finalizada, o Brooklyn Nets montou um time interessante no papel. Provavelmente não tão explosivo quanto o bicampeão Miami Heat, tampouco coeso quanto o Indiana Pacers, mas pode fazer muito barulho na Conferência Leste. E talvez esse seja o objetivo realista ao trazer os veteranos: fazer barulho.

Claro que Mikhail Prokhorov, dono da franquia, quer mesmo o título. Mas, se essa fosse a prioridade, a estratégia seria outra. Por exemplo, dar de bandeja a um rival de divisão três escolhas de primeira rodada do Draft nos próximos cinco anos não soa muito inteligente em longo prazo. O que o clube quer é marcar território para consolidar seu público.

O Nets foi muito habilidoso no seu marketing. Mudou o nome geográfico, o distintivo e as cores, se afastando bastante do passado perdedor da época de Nova Jersey. A postura anti-Manhattan ajuda a ganhar a simpatia de torcedores do Brooklyn e, eventualmente, do Queens e até manter os torcedores de Nova Jersey.

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O problema é entrar nessa disputa contra uma franquia tradicional como o New York Knicks, ainda mais em um momento em que ela começa a se recuperar tecnicamente. Muita gente no Brooklyn já torcia para os Knicks, e nunca viu nenhum problema filosófico nisso. Parte desses torcedores não vai comprar a ideia de que os Knicks representam apenas Manhattan e precisam de argumentos mais fortes para mudar de time.

A boa campanha da temporada passada, em que a pior campanha de 2011/12 foi transformada em uma classificação para o mata-mata em 2012/13 ajudou. Mas é preciso mais, até porque os Knicks foram mais longe na competição. Contratar Jason Kidd, ídolo da época de New Jersey Nets e recém-aposentado pelos Knicks, para treinar a equipe pode se provar uma boa aposta esportiva, mas foi certamente uma boa aposta de marketing. Se a especulação de que a diretoria está interessada em Jason Collins, o primeiro atleta de uma grande liga norte-americana a se assurmir gay ainda na ativa, será difícil tirar o time do noticiário.

A transação de Garnett e Pierce é o golpe final, o “fatality” para quem joga videogame. Ela mostra ao público que os Nets são ousados e ambiciosos. E que ainda montam um time potencialmente superior ao dos Knicks para as próximas temporadas. Um título seria fundamental para consolidar o lugar da franquia dentro do mercado nova-iorquino, mas só esse barulho todo já pode ajudar a convencer os habitantes de Brooklyn e Queens que estão divididos a escolherem o lado alvinegro da Força.

Essa base que está se formando não durará muito, basta ver a idade de Pierce e Garnett. Mas, se for competitiva por dois ou três anos, pode consolidar definitivamente o público dos Nets. Mesmo que os anos seguintes sejam de secura e desempenhos ruins. Nisso, a transação com os Celtics tem boa chance de dar certo. Até porque, para o título mesmo, o time ainda precisa crescer mais.