[Copa 2014, um ano] Messi perde troféus de melhor em campo no truco da concentração

Um levantamento do Facebook que (não) vai mudar sua vida

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Para celebrar o primeiro aniversário do Mundial 2014, vamos retomar um dos lemas da Copa. Depois do “Não vai ter Copa”, do “Vai ter Copa, sim” e do “Devia ter Copa todo ano”, é a vez de gritar “Volta, Copa!”. A cada dia, uma retrospectiva do que ocorreu há um ano. Só para alimentarmos nossa saudade.

VOLTA, COPA: Confira a retrospectiva dia a dia do que rolou na Copa das Copas

O folclore

Times de folga, jogadores arrumando coisas para passar o tempo na concentração. Na Argentina, o pessoal vai para um carteado. E Messi mostra que é tão bom em campo quanto ruim com o baralho. Perdeu no truco dois troféus de melhor jogador em campo. Melhor para Demichelis e Maxi Rodríguez. Outro argentino já pôde curtir mais. Verón encerrou a carreira e pode curtir mais as praias. No caso, jogando futevôlei com Vieri.

Na Colômbia, o pessoal já está se preparando para a partida contra o Brasil. O dia do duelo pelas quartas de final virou feriado nacional. Sim, de verdade.

E, claro, onde tem galhofa tem alguém da seleção alemã. Podolski começou sua relação de amor com o Rio de Janeiro ganhando uma camisa do Flamengo do ex-colega André Santos.

Bola rolando

Não houve jogos neste dia.

Vídeos do dia

Qual é a graça de ser o homem mais poderoso do mundo se não for para ligar para os jogadores do seu time depois de mandarem muito bem? (vídeo em inglês)

Enquanto isso, na Trivela

Onde as pessoas comemoram “gooooool” escrevendo com mais vogais? O Facebook fez esse levantamento, e o vencedor nem era um país que participava da Copa (e que tampouco tem o futebol como esporte mais popular). Também mostramos alguns dos melhores momentos do Mundial para os leitores escolherem o melhor gol, jogo e craque do torneio. Para completar, uma galeria com a versão de personagens anime de cada uma das 32 seleções.

Oea do dia

Estamos em estado de choque após ver a chamada da Copa América 2015 na TV japonesa

Aprenda como pegar uma ideia ruim, fazer algo ainda pior em cima e ter um resultado espetacular

Maradona está tentando ensinar o filho a jogar bola, percebe que o pimpolho não tem talento para a coisa e pensa: “ele precisa ver Messi jogando para aprende um pouco”.  Dito e feito, o garoto vê a Copa América e passa a acertar uns petardos no ângulo.

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Pode dizer, a ideia é estúpida e é impossível algum canal de TV usá-la como forma de promover suas transmissões da Copa América. A não ser que seja no Japão, porque a TV japonesa tem a missão de usar as distribuir ao planeta os vídeos mais incrivelmente surreais que o ser humano produziu.

Foi o que aconteceu. A Sky PerfecTV pegou o enredo acima e conseguiu fazer uma propaganda sensacional em cima da pior história.

Dica e tradução de Tiago Bontempo, dono do sempre recomendado blog Futebol no Japão.

É injusto, mas compreensível: por que Messi foi eleito o melhor da Copa

A escolha do craque argentino foi resultado das circunstâncias, tão contestáveis quanto conhecidas

Lionel Messi sobe os degraus do Maracanã como a criança que achou que ganharia o videogame, mas viu o Papai Noel trazer um par de meias. Não conseguia esconder a decepção, ainda que esse presente de Natal antecipado fosse a Bola de Ouro. Um prêmio que poderia coroar o que tantos lhe cobravam: uma grande Copa do Mundo. A questão é que o Mundial de Messi não foi tão marcante, e a conquista individual soa mais como um consolo exagerado do que como uma consagração. Mas… é plenamente compreensível essa escolha por parte da Fifa.

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Messi fez uma boa Copa. Limitado fisicamente durante todo o torneio – sua mobilidade lembrava a do final de temporada do Barcelona, e não a do jogador que está por todos os lados do campo –, foi marcado com mais facilidade do que de costume. Ainda assim, aproveitou-se das poucas oportunidades em que tinha liberdade para decidir.

Foi assim contra Bósnia-Herzegovina, Irã, Nigéria, Suíça e Bélgica. Boas atuações, mas nada espetacular como Maradona em 1986, a dupla Ronaldo em 2002 ou Zidane de 2006, mas ele se destacou. Na semifinal ficou preso na forte marcação. Na decisão contra a Alemanha foi muito bem no primeiro tempo, mas pareceu sentir algo e foi se apagando. O saldo? Uma boa participação, com momentos decisivos, que talvez lhe vale um lugar na seleção do torneio. Mas não foi o melhor jogador. Não foi nem o melhor jogador da Argentina.

O problema é que a eleição da Fifa não é feita por um colegiado que analisa cada caso e chega a um consenso. A eleição era feita por jornalistas, com voto direto em turno único, muitas vezes antes da final. Desta vez, foi um “colegiado” selecionado pela Fifa. Inevitavelmente, grandes personagens e grandes nomes acabam atraindo seguidores. E, nesse ponto, a Copa do Mundo sempre contou sua história em cima de craques que chamaram a responsabilidade para decidir.

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Esse padrão favorece jogadores que sejam destaques individuais de suas seleções. Basta ver quem foram os últimos cinco vencedores da Bola de Ouro: Ronaldo em 1998, Kahn em 2002, Zidane em 2006, Forlán em 2010 e Messi em 2014. Todos chegaram até a última semana da Copa e eram os responsáveis por decidir os jogos de suas equipes. Isso acaba pesando na hora de se dar o voto, ainda mais no caso de registrá-lo antes de sair o campeão.

Nisso, Müller de 2014 pagou pelo mesmo pecado de Ronaldo e Rivaldo em 2002 e Xavi e Iniesta em 2010. Teve de repartir votos com companheiros devido a um time com vários jogadores decisivos. Messi ganhou terreno por ser o jogador decisivo da outra seleção finalista, mesmo que Mascherano talvez tenha feito uma Copa melhor. Até porque as boas atuações do volante se devem justamente ao fato de Alejandro Sabella ter montado uma equipe que se sacrificava muito para que o camisa 10 pudesse decidir.

No final, Messi não fez a Copa que gostaria, que o colocasse definitivamente entre os 3 ou 5 maiores de todos os tempos. Mas fez uma Copa boa, e com perfil que o levou a ganhar a Bola de Ouro. Um prêmio injusto, mas plenamente compreensível.

Enyeama pede uma força para o juizão porque estava difícil segurar o Messi

Goleiro nigeriano já não aguentava mais ter de defender cobranças de falta do craque argentino

Intervalo de Nigéria x Argentina. Os platinos vencem por 2 a 1, dois gols de Messi. O segundo foi em uma cobrança de falta perfeita, que o goleiro Enyeama nem tentou defender (ou tentou defender com os olhos). Coitado. Minutos antes, o nigeriano havia feito uma defesa espetacular em uma falta bastane parecida. Acertar uma era possível, mas duas já era pedir demais.

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Por isso, o goleirão foi bater um papo com o árbitro italiano Nicola Rizzoli na volta para o segundo tempo. O diálogo e a tradução vão abaixo:

Enyeama: “Ainda tenho que jogar contra o Messi. E vocês dão para ele um monte de faltas. Já deram dois nessa partida. Não é?”
Rizzoli: “É muito difícil, entendo o que você está falando. É muito difícil.”
Enyeama: “Deram dois, três, quatro. E ele quer cobrar sempre. Ele pega muito bem na bola, é muito bom.”
Rizzoli: “Eu sei, eu sei. Mas você também é bom.”
Enyeama: “Estou tentando, porque ele é muito bom. Se ele não é bom, eu sou merda.”
Rizzoli: “Se você não fosse bom não estaria aqui.”

Jogador por jogador, as avaliações de Nigéria 2×3 Argentina

Messi foi o cara, claro, mas Di María, Enyeama e Musa também se destacaram

Nigéria

Enyeama – 7,5

Ficou a sensação de que poderia ter tentado uma defesa no lance do segundo gol da Argentina, mas foi muito exigido durante o jogo e respondeu bem.

Ambrose – 5,5

Foi muito exigido por Di María, mas até que teve bons momentos.

Yobo – 6

Muito esforçado, foi bem na antecipação de jogadas do ataque argentino.

Oshaniwa – 5

Em um jogo muito aberto, a defesa nigeriana não esteve tão fechada e protegida como nas partidas anteriores.

Omeruo – 6,5

Foi mais eficiente em limpar a área que Oshaniwa.

Onazi – 6,5

Bem na marcação, não deu tantos espaços ao ataque argentino.

Obi Mikel – 6

Ainda não é um volante que traga uma melhoria técnica ao meio-campo nigeriano como é de se esperar de alguém com sua projeção.

Musa – 8

O melhor da Nigéria em campo. A defesa da Argentina não conseguia pará-lo, e foi um perigo constante, não apenas nos lances dos dois gols.

Babatunde – 6,5

Ajudava na saída de bola, mas saiu com uma lesão após levar uma bolada na mão. Fez a jogada do primeiro gol nigeriano.

(Uchebo – 5,5)

Apareceu pouco. Entrou em um momento em que a partida estava mais acomodada.

Odemwingie – 5

Esteve tecnicamente apagado, não conseguiu ajudar Musa e Emenike como poderia.

(Nwofor – sem nota)

Ficou pouco tempo em campo.

Emenike – 6,5

Apesar da posição, não trabalha exatamente como centroavante. Foi muito útil para abrir espaços e fazer o pivô em jogadas nigerianas

Argentina

Romero – 5

Não dá para dizer que teve grande culpa no primeiro gol da Nigéria, mas… ele não parece demorar um pouco além da conta para esticar os braços?

Zabaleta – 5

Sofreu muito na tentativa de marcar Musa. Por seu lado saíram as principais jogadas da Nigéria.

Fernández – 5

Elo mais fraco da defesa argentina nesta quarta. Bobeou em algumas jogadas, como ao sair da defesa para dar combate em Babatunde no que se transformou no primeiro gol nigeriano e em Emenike no segundo.

Garay – 6,5

Melhor jogador da instável defesa argentina. Foi firme atrás e ainda apareceu com bastante perigo no ataque.

Rojo – 6,5

Apareceu bem na frente, criando jogadas pela esquerda e combinando bem com Di María. Ah, e ainda fez um gol sem querer.

Mascherano – 6,5

Lutou bastante na marcação e ainda saiu jogando bem. Melhor que seu companheiro de linha Gago.

Gago – 5

Falho na marcação e no passe, esteve em um tom abaixo da média.

Di María – 7,5

Sua melhor partida na Copa, que só não terá o devido reconhecimento porque Messi ofuscou tudo. Encontrou espaços, criou jogadas e ajudou a comandar o time da forma que se esperava pelo que ele vinha jogando no Real Madrid.

Messi – 8,5

Ainda parece não ter a mesma mobilidade e arranque de antes, mas é um craque muito acima da média. Foi oportunista no primeiro gol argentino e fez o segundo de falta. Chamou a responsabilidade em outras jogadas e já é um dos artilheiros da Copa.

(Álvarez – 5,5)

Entrou no lugar de Messi para o craque ser poupado. Foi discreto.

Higuaín – 6

Tentou bastante, mas não esteve inspirado.

(Biglia – sem nota)

Ficou pouco tempo em campo.

Agüero – 5,5

Não fazia uma boa partida, e acabou saindo ainda no primeiro tempo com um problema físico.

(Lavezzi – 6)

Movimentou-se bastante para criar espaço, mas acabou se apagando com o tempo.

Árbitro

Nicola Rizzoli – 6,5

Arbitragem segura e sem polêmicas, mas o jogo foi relativamente tranquilo.

Aqui está o golaço de Messi contra o Getafe

Argentino driblou todo mundo e nem parece que acabou de voltar de contusão

Messi parece ter algo pessoal contra o Getafe. O gol mais bonito de sua carreira foi em uma partida contra o time azul, na Copa do Rei. No meio da semana passada, voltou de contusão marcando dois gols contra o mesmo adversário. E, nesta quinta, também pela copa, ele fez outro golaço. E com alguma semelhança com o primeiro: pegou a bola e saiu driblando todo mundo como se fosse um profissional enfrentando um time de crianças.

Aí está o gol desta quinta. Desfrutem:

Todos os gols do Barcelona no ano em um só vídeo, e é bastante coisa

Mesmo em fase de transição, o time catalão ainda faz gols bonitos em doses industriais

É fácil avaliar cada centímetro do Barcelona, dissecar cada passe como quem está traçando o genoma de uma espécie, e chegar à conclusão que o time “não é mais o mesmo”. Bem, jogar cinco temporadas no nível de 2010/11 seria impossível para qualquer equipe, em qualquer esporte. O Barça está mudando, mas continua sendo um dos grandes times do momento, e uma máquina de fazer gols bonitos.

Por isso, vamos deixar a análise de lado por um dia e curtir esse vídeo com todos os 151 gols em jogos oficiais em 2013.

Quem tem Messi nem precisa jogar tão bem para golear

Barcelona aproveita fragilidade da defesa do Ajax para fazer 4 a 0, mas ainda precisa encontrar seu melhor jogo com Tata Martino

O Barcelona tenta, mas ainda não é a mesma coisa. Ainda mais quando Xavi está no banco, poupado dentro do rodízio do elenco. O time de Tata Martino não tem o toque de bola rápido e envolvente das temporadas passadas. Mas tem o talento (sobretudo de Messi) e o repertório para fazer as partidas parecerem fáceis. Como nesta quarta, na vitória por 4 a 0 sobre o Ajax na estreia pela Liga dos Campeões.

A equipe catalã começou com forte pressão na marcação e paciência na troca de passes. O Ajax passou um grande sufoco, e mal passou do meio de campo até Messi abrir o marcador, aos 21 minutos. No entanto, o Barcelona mostrava algumas jogadas diferentes do usual. O próprio fato de fazer um gol de falta direta, algo quase inexistente na era Guardiola e que seguiu uma raridade com Tito Vilanova, já mostrava como a equipe está mais vertical.

Os holandeses equilibraram a partida na segunda metade do primeiro tempo e, no começo do segundo, começaram a se abrir mais para buscar o empate. Foi fatal diante de um Barcelona mais agudo. Neymar e Messi se aproveitaram para impor velocidade nos espaços abertos, e os gols foram saindo com naturalidade.

Com o 4 a 0 no placar, os barcelonistas relaxaram e o Ajax teve boas oportunidades. Valdés fez três boas defesas, incluindo em um pênalti cobrado por Sigthorsson antes do final do encontro. O Barcelona ainda está buscando seu melhor jogo com o novo comandante. E, mesmo com os problemas dessa transição, teve modos de golear como no auge do período Guardiola.

Destaque

Lionel Messi

O cara fez três gols como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Em uma partida em que o Barcelona não esteve particularmente brilhante, foi o talento do melhor jogador do mundo que fez a diferença ficar tão grande no marcador.

Momento-chave

Defesa de Valdés em cabeçada de Van Rhijn

O Barcelona começou melhor, fez 1 a 0 e começava a relaxar em campo quando o Ajax teve sua primeira oportunidade. Aos 31 minutos, Bojan cruzou e Van Rhijn, de peixinho, exigiu grande defesa de Valdés. Um empate naquele momento permitiria aos holandeses voltarem a uma estratégia mais defensiva, que não os obrigassem a se abrir em busca do empate. Provavelmente não evitaria a derrota, mas talvez a goleada.

Os gols

21’/1T – BARCELONA
Falta na entrada da área, de frente para o gol. Messi chuta direto, no ângulo direito de Vermeer.

10’/2T – BARCELONA
Busquets puxa o contra-ataque do Barcelona. Quando ele se aproxima da área, os três defensores do Ajax fecham. O volante rola para Messi pela direita. O argentino corta o marcador que chega atrasado e chuta no contrapé de Vermeer.

24’/2T – BARCELONA
Neymar cruza na área, Piqué se antecipa a Vermeer e desvia par ao gol vazio.

30’/2T – BARCELONA
Messi recebe na meia-lua. Nenhum jogador do Ajax chega para marcar, facilitando o trabalho do atacante, que se ajeita, escolhe o canto e chuta rasteiro, no canto esquerdo de Vermeer.

Curiosidade

É a quarta edição seguida da Liga dos Campeões que o Ajax enfrenta clubes espanhóis. Nas três anteriores, cruzou no caminho do Real Madrid. O retrospecto do time de Amsterdã nesses duelos: 0 vitória, 0 empate, 7 derrotas, 2 gols prós, 24 gols sofridos.

Formações iniciais

Campinho_Barcelona x Ajax 2013

Ficha técnica

BARCELONA 4×0 AJAX

Barcelona Barcelona
Victor Valdés; Daniel Alves, Gerard Piqué (Marc Bartra, 35’/2T), Javier Mascherano e Adriano; Sergio Busquets, Cesc Fàbregas e Andrés Iniesta (Xavi Hernández, 27’/2T); Alexis Sánchez, Lionel Messi e Neymar (Pedro Rodríguez, 27’/2T). Técnico: Gerardo Martino
Ajax Ajax
Kenneth Vermeer; Ricardo van Rhijn, Stefano Denswil, Nikolas Moisander (Mike van der Hoorn, 28’/2T) e Daley Blind (Lasse Schöne, 32’/2T); Christian Poulsen, Siem de Jong (Thulani Serero, 14’/2T) e Lerin Duarte; Bojan Krkic, Kolbeinn Sigthorsson e Nicolai Boilesen. Técnico Frank de Boer
Local: Estádio Camp Nou
Árbitro: Svein Moen
Gols: Messi (21’/1T e 10’/2T), Piqué (24’/2T) e Messi (30’/2T)
Cartões amarelos: Moisander e Denswil
Cartões vermelhos: Nenhum

 

Problema do Barça não é sistema, é efetividade perdida

Blaugranas continuam com a bola em seus pés, mas têm sido dominado nas finalizações

À primeira vista, tudo parece normal. O Barcelona tem a bola no pé, toca ela incessantemente, Iniesta e Xavi distribuem o jogo, Messi faz gol. Mas algo está errado. O futebol não é mais tão dominante, e os resultados acabam mostrando isso. Duas derrotas seguidas para o Real Madrid (uma para o misto do time merengue) e uma para o Milan deixaram a equipe azul-grená próxima da eliminação na Liga dos Campeões e fora da Copa do Rei. Menos mal para a torcida que só uma hecatombe tira de Les Corts o título do Campeonato Espanhol.

A questão não é tão fácil de ver. O estilo de jogo do Barcelona continua o mesmo, e sua capacidade de envolver o adversário também. Pelo menos em uma olhada superficial. O time perde poder de definição. O toque de bola tem sido cada vez mais estéril, e a defesa não consegue mais sufocar os oponentes. É como se o time tivesse entrado no piloto automático, perdendo a criatividade e a voluntariedade que fazia de seu jogo algo tão dominante e inevitável.

Para retratar isso, resolvi levantar as estatísticas de várias partidas do Barcelona. Não partidas aleatórias, porque os jogos contra times pequenos do Campeonato Espanhol poderiam distorcer este dado. Aí estão apenas os jogos na Liga dos Campeões, os confrontos contra os quatro melhores times de La Liga até o início do fim de semana (Atlético de Madrid, Real Madrid, Málaga e Valencia) e os dois duelos com o Real na Copa do Rei. A lista está no final desta página.

Barcelona_gráfico posse de bola

A posse de bola não teve grande variação, salvo os dois jogos contra o Celtic na Liga dos Campeões, que passaram de 80%. Mas aquilo é um número absurdo mesmo para os padrões do Barcelona, e dizem muito sobre a estratégia utilizada pelos escoceses. Se ignorarmos essas duas partidas, não houve uma variação excepcional, que reflita em resultados. Afinal, o Barcelona ainda teve mais de 70% de posse em dois jogos que perdeu recentemente, para o Milan e para o mistão do Real Madrid.

Ou seja, a bola continua no pé do Barcelona. O time toca a bola, envolve o adversário, impõe seu ritmo. O problema é o que o clube catalão faz com isso. O objetivo de cada jogada no futebol é arrematar a gol em algum momento. E, claro, fazê-lo nas melhores condições possíveis para que o atacante tenha mais chances de acertar o alvo.

É aí que se vê como o Barcelona caiu. O toque de bola deixou de ser objetivo ofensivamente, pois o número de finalizações caiu sensivelmente, principalmente, as que foram em direção ao gol. Isso pode denotar má fase dos atacantes ou arremates realizados de forma precipitada, sem um ângulo adequado ou com zagueiros adversários atrapalhando.

O pior para os blaugranas é que o benefício defensivo da posse de bola extrema (tirar do adversário a possibilidade de construir suas jogadas) também se perdeu. Os oponentes continuam com a bola em menos de 40% (ou até menos de 30%) do tempo, mas já conseguem concluir as jogadas. Mais que isso: estão acertando o gol barcelonista e obrigando Valdés e Pinto a trabalharem mais. Nas últimas quatro partidas importantes, os oponentes tiveram mais finalizações em direção ao gol que o time catalão. Algo impensável para quem produz um volume de jogo tão grande.

Veja só:

Barcelona_gráfico finalizações

Esse processo não surgiu repentinamente. Na temporada passada, o Barcelona teve esses problemas em casos pontuais. O mais evidente foi na derrota em casa para o Real Madrid no Campeonato Espanhol. Mas foi um caso isolado, e o nível de conhecimento mútuo dos dois gigantes espanhóis é imenso após tantos encontros decisivos nas últimas temporadas.

Neste ano, o Barcelona já mostrou algumas vulnerabilidades. Uma dela é a defesa, que tem dado mais espaço nas laterais. No começo, parecia uma questão momentânea devido à falta de entrosamento de Jordi Alba com o resto do time. Mas a queda de produção de Daniel Alves também chama a atenção, e causou muitos problemas do lado direito do time. É uma equipe mais exposta a contra-ataques.

Do ponto de vista ofensivo, o Barcelona criou uma dependência de Messi. O fato de o argentino ser um craque extraordinário permite que ele acabe dando conta da obrigação na maioria das vezes. No entanto, essa sobrecarga acabou mascarando o mau momento de outros jogadores de frente do time. Pelo ritmo atual, Villa, com sete gols, seria o único além de Messi a passar de dez ao final do Campeonato Espanhol.

Um fenômeno parecido com o da temporada passada, quando só Alexis Sánchez acompanhou Messi com mais de dez gols. O chileno marcou 11. Mas, importante lembrar, na temporada passada o Barcelona acabou perdendo o título do Campeonato Espanhol e o da Liga dos Campeões, sem que isso impedisse o argentino a bater recordes de artilharia.

Por isso, parar Messi é metade do caminho para parar o ataque do Barcelona. Veja o número de gols e de finalizações do argentino nos 14 jogos mais fortes desta temporada e como, nas últimas cinco partidas importantes, em apenas uma ele conseguiu arrematar mais de duas vezes. Óbvio, a quantidade de gols também diminuiu. Até um extraterrestre como ele tem limitações.

Barcelona_gráfico Messi

Esses números não são as causas dos problemas do Barcelona, são apenas reflexos dela. O Barça se desarticulou coletivamente, e já não surpreende as defesas mais fortes com tanta facilidade. Isso tem muito a ver com eventual desmotivação, desgaste natural do sistema de jogo e o aprendizado dos adversários sobre como anulá-lo. Também não se pode menosprezar os efeitos de questões extracampo como a perda de um líder como Guardiola e a de um comandante querido do elenco como Tito Vilanova.

De qualquer modo, o Barcelona de hoje não é o mesmo dos anos anteriores, e o das últimas semanas também não é o mesmo do início da temporada. O time pode até passar pelo Milan e ir longe na Liga dos Campeões, mas precisará descobrir o que tem acontecido e agir em cima desses defeitos para manter o domínio que teve nas últimas cinco temporadas. É possível, porque o talento está lá. Mas não é algo que se resolve de um dia para o outro.

Lista de jogos: 1) Barcelona 1×0 Valencia; 2) Barcelona 3×2 Spartak Moscou; 3) Benfica 0x2 Barcelona; 4) Barcelona 2×2 Real Madrid; 5) Barcelona 2×1 Celtic; 6) Celtic 2×1 Barcelona; 7) Spartak Moscou 0x3 Barcelona; 8) Barcelona 4×1 Atlético de Madrid; 9) Málaga 1×3 Barcelona; 10) Real Madrid 1×1 Barcelona; 11) Valencia 1×1 Barcelona; 12) Milan 2×0 Barcelona; 13) Barcelona 1×3 Real Madrid; 14) Real Madrid 2×1 Barcelona.

 

Caio Júnior, técnico do Vitória, já encontrou Messi

O comandante rubro-negro contou com a ajuda Maxi Biancucchi, provável reforço do clube, para conversar com o craque em Barcelona

O Vitória está mais próximo de Lionel Messi do que o vídeo gravado por um torcedor num restaurante em Barcelona pode sugerir. Em negociação com o primo do craque do Barcelona, Maxi Biancucchi, ex-Flamengo, o time rubro-negro conta em seu comando com um profissional que já teve a oportunidade de conversar pessoalmente com Messi e, inclusive, escutar dele os segredos de sua equipe e de Pep Guardiola.

Não entendeu? Talvez as fotos abaixo registradas por Caio Júnior durante a sua passagem por Barcelona, em 2011, possam ajudar. O novo treinador do Vitória é amigo pessoal de Maxi, a quem tenta levar para o Barradão. Na época à frente do Grêmio, ele contou ao blogueiro como conseguiu agendar a passagem pelo Camp Nou.

“Fui através do Maxi Biancucchi, que foi meu jogador no Flamengo. Ele é primo do Messi, tenho uma relação boa com ele e ele acabou ligando para o Lionel”, revelou.

Caio Júnior ainda deu detalhes sobre a conversa que teve com Messi ao lado do lateral-esquerdo Adriano, ex-Coritiba e também próximo ao técnico. “Bati um papo legal com o Messi e ele entrou nessas questões táticas. Foi super atencioso e me explicou que o Guardiola teve um papel importante na evolução dele porque ensinou a pressionar sem bola”.

Através de sua página no Twitter, Maxi Biancucchi reforçou nesta segunda-feira o seu desejo de acertar com o clube baiano. “Estou com muito desejo de vestir essa camisa do Vitória. Conheço essa grande torcida e torço para que tudo dê certo”, escreveu.

Caio Júnior conversa com Thiago, meia do Barcelona
Adriano (dir.), Caio Júnior e Messi
Caio Júnior (dir.) com Messi (centro)