Por que acreditamos que a seleção brasileira motivou a saída de Rienzo dos Marlins

Falamos com exclusividade com o arremessador, que defenderá o Brasil nas eliminatórias do WBC na próxima semana

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Na última semana, o Miami Marlins anunciou o rompimento do contrato com o arremessador André Rienzo. O brasileiro vinha defendendo o New Orleans Zephyrs (filial Triple-A da equipe da Flórida) como jogador de bullpen, inclusive como fechador. Estava com 2,85 de ERA (bom) e já tinha fechado oito partidas, sem ceder nenhuma corrida em 14 dos 17 jogos em que participou desde que retornara de contusão, em julho. Números que justificariam uma continuidade no trabalho, pensando como um jogador que pudesse colaborar na montagem do elenco de 2017 dos Marlins ou para usá-lo como parte de eventuais negociações.

Conversei com Rienzo nesta semana, e o brasileiro deu uma outra versão para o fato. “Oficialmente eles me dispensaram, mas eu que pedi para sair porque vi que eles não tinham nenhum plano para mim”, disse. “Então, achei melhor sair e buscar, no ano que vem, algum lugar em que eu tenha mais oportunidade.”

Com base em alguns elementos oferecidos pelo arremessador brasileiro durante o papo e um pouco de análise do cenário, inclusive as possíveis motivações do Miami para anunciar uma dispensa neste momento incomum da temporada, minha avaliação do cenário (atenção: é uma análise, somando informações com opiniões) é:

– Rienzo imaginava que seria chamado para o time principal no início de setembro. Os Zephyrs já estavam eliminados da Pacific Coast League e os elencos da MLB são expandidos para 40. Os Marlins não promoveram o brasileiro;
– Sem atividade no mês, apenas os jogos derradeiros dos Zephyrs na temporada regular da PCL, Rienzo pediu liberação para defender o Brasil nas eliminatórias do World Baseball Classic, que começam na próxima semana em Nova York. Os Marlins teriam relutado em liberar, talvez temendo que isso prejudicasse o físico do arremessador, que vinha de lesão;
– Rienzo insistiu, e os dois lados acharam melhor terminar o contrato.

Mets estão de olho em jogador de críquete como possível reforço

Kieran Powell, um dos melhores rebatedores do Caribe, está trabalhando no centro de treinamento do clube na Flórida

Kieran Powell é um dos principais jogadores da atual geração do críquete caribenho. Aos 25 anos, o rebatedor já defendeu a seleção das Índias Ocidentais (no críquete, as ilhas de língua inglesa do Caribe têm uma única seleção) nos três formatos da modalidade, chegando a atuar na dupla de abertura*. Mas ele pode mudar de ares em breve. Ao invés de acompanhar os caribenhos na excursão pela Austrália nas últimas semanas, ele esteve nos Estados Unidos treinando… beisebol.

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O jogador são-cristovense (de São Cristóvão e Névis) foi convidado pelo New York Mets para usar o centro de treinamento da franquia na Flórida, onde sua evolução tem sido observada. Ele já havia passado um período nas instalações do Milwaukee Brewers, em dezembro.

Apesar de serem esportes de arremesso e rebatida, a técnica adotada nas duas modalidades são bem diferentes. No críquete, é possível rebater para o lado ou para trás, o que pode ser conseguido apenas desviando a bolinha. No beisebol, é preciso mandar a bola para frente. Além disso, o movimento no esporte americano é de lado, enquanto que no britânico é de baixo para cima.

Mesmo que a adaptação seja boa no bastão, Powell teria também de aprender os fundamentos e a leitura para jogadas defensivas e na corrida entre as bases. De qualquer forma, seria interessante se beisebol e críquete começassem a trocar jogadores, pois alguns talentos que estão de lado em uma das modalidades poderia ser bem aproveitados na outra.

Na década passada, um empresário norte-americano viu no críquete indiano uma fonte de talentos para a MLB. Ele criou um programa de TV para testar vários jovens indianos com braços fortes, que poderiam ser treinados para arremessar no beisebol. Os dois vencedores, Dinesh Patel e Rinku Singh, foram contratados pelo Pittsburgh Pirates. Curiosamente, nenhum deles tinha formação no críquete (praticavam arremesso de dardo).

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A trajetória dos garotos indianos virou o filme “Arremesso de Ouro” (“Million Dollar Arm” em inglês) em 2014. A produção conta a história de ambos até a assinatura do contrato, mas o que se seguiu não foi tão feliz. Patel foi dispensado em 2010 (hoje dá aulas de beisebol na Índia). Singh sofreu uma série de lesões, mas ainda está nas categorias de base dos Pirates. Em dezembro, seu contrato foi renovado por mais um ano.

Se for aprovado pelos Mets ou pelos Brewers (o Los Angeles Dodgers também estaria de olho no são-cristovense), Powell, 25 anos, teria de reiniciar a carreira. Provavelmente passando uma ou duas temporadas de adaptação nas ligas menores antes de ser considerado para a equipe principal.

O motivo de sua saída é a crise institucional do críquete das Índias Ocidentais. A federação tem sido alvo de várias críticas por parte dos jogadores, que chegaram a boicotar uma série de amistosos contra a Índia. A falta de comando se refletiu em campo, com uma queda brutal nos resultados da seleção caribenha, hoje muito distante da equipe que dominou o mundo nas décadas de 1970 e 80.

* Críquete tem semelhanças com o beisebol. Então use uma lógica parecida nesse caso. Os rebatedores que iniciam o jogo estão entre os mais eficientes da equipe, assim como os primeiros do alinhamento de um time de beisebol.

Dica de pauta do leitor Vinícius Bonizzoni de Alcântara.

Jason Heyward acabou de deixar a rivalidade Cubs x Cardinals ainda mais quente

Jogador se apresentou ao Chicago dizendo que não via um grande futuro em sua permanência no St. Louis

A perda de um dos melhores jogadores disponíveis no mercado para o maior rival já era motivo suficiente para o St. Louis Cardinals ficar contrariado com Jason Heyward, novo reforço do Chicago Cubs. Mas o defensor externo conseguiu tornar o cenário ainda mais hostil. Bastou explicar os motivos de sua escolha.

Segundo o jogador, suas perspectivas de títulos não seriam grandes se permancesse em St. Louis. E os motivos eram a idade dos companheiros. “Yadier Molina talvez aguente só dois anos. Matt Holiday provavelmente também. Já foram feitas negociações com Jon Jay indo embora e Tony Cruz e Adam Wainwright provavelmente só suportem três ou quatro anos… Esses caras foram o que realmente me apresentaram à franquia. Eu senti queseria difícil se eu olhasse em três anos e ver um time completamente diferente.”

 

Bem, Heyward foi bastante cruel e acabou atingindo o orgulho dos Cardinals em vários aspectos. Primeiro, ao dizer que vários jogadores estão no fim de carreira e não serão competitivos em alguns anos. Depois, desprezou a capacidade – da qual toda a franquia, dos dirigentes aos torcedores, tanto se orgulham – do St. Louis de formar jogadores de alto nível em sua base.

Mike Matheny, técnico dos Cardinals, já respondeu – de forma mais diplomática do que o esperado – dizendo que discorda da análise de Heyward e acha que seu time não deve em nada aos jovens talentos dos Cubs. Mas deixou uma frase que pode dar o tom dos encontros entre os rivais nesta temporada: “eu não acho que a declaração vai cair bem no nosso clube”.

Será um 2016 divertido.

Jogador chora em campo ao ser avisado pela torcida que havia sido negociado

Wilmer Flores está nos Mets desde os 16 anos e se emocionou quando foi ovacionado no que seria sua última jogada pelo clube

Wilmer Flores sempre defendeu o New York Mets. O venezuelano assinou com o clube ainda com 16 anos e subiu nas categorias de base até chegar à MLB. Tornou-se muito identificado com a franquia e, por isso, a notícia de que havia sido negociado com o Milwaukee Brewers teve um impacto muito forte nele. Ainda mais porque ele recebeu a informação durante um jogo após ser avisado por torcedores que olhavam as atualizações do mercado do beisebol no celular.

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Foi uma situação inusitada. O técnico Terry Collins não estava sabendo da notícia e manteve Flores na partida contra o San Diego Padres. A torcida dos Mets, achando que via os últimos lances do jogador pelo clube, o aplaudiu em pé. Foi muito para o venezuelano. Ele tentou evitar, mas não conseguiu se segurar e começou a chorar em campo. O treinador viu a cena e descobriu o que havia ocorrido, substituindo o venezuelano na nona entrada.

O mais curioso é que, assim que a partida acabou e todo mundo foi para os vestiários, a direção dos Mets informou a Flores que ele não deixaria o clube. A negociação, que envolvia a ida de Flores e do arremessador Zack Wheeler para os Brewers em troca de Carlos Gómez, foi cancelada devido a dúvidas do time nova-iorquino em relação às condições físicas do defensor central do Milwaukee. Aí, Flores pôde enxugar seu choro. Foi apenas um susto.

Veja os resultados da MLB nesta quarta:

Tampa Bay Rays 1×2 Detroit Tigers
Cleveland Indians 12×1 Kansas City Royals
Minnesota Twins 4×10 Pittsburgh Pirates
Chicago Cubs 3×2 Colorado Rockies
Seattle Mariners 2×8 Arizona Diamondbacks
San Francisco Giants 5×0 Milwaukee Brewers
Baltimore Orioles 2×0 Atlanta Braves
Toronto Blue Jays 8×2 Philadelphia Phillies
Boston Red Sox 2×9 Chicago White Sox
New York Mets 3×7 San Diego Padres
Miami Marlins 2×7 Washington Nationals
Texas Rangers 5×2 New York Yankees
Houston Astros 6×3 Los Angeles Angels
St. Louis Cardinals 0x1 Cincinnati Reds
Los Angeles Dodgers 10×7 Oakland Athletics

Paulo Orlando retorna ao elenco principal dos Royals, e da melhor forma possível

Técnico Ned Yost teve de alterar a composição do elenco porque queria ter o brasileiro de volta

O Brasil volta a ter dois jogadores na MLB. O defensor externo Paulo Orlando foi chamado de volta pelo Kansas City Royals, ocupando o lugar no elenco que era do reliever Jason Frasor. Mas a boa notícia não é o retorno do brasileiro às grandes ligas, mas a forma como ela ocorreu.

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Orlando foi colocado nas ligas menores porque o técnico Ned Yost precisava acomodar Alex Rios, também defensor externo, que voltava de contusão. O brasileiro era o único jogador que poderia ser enviado para o Omaha Storm Chasers (filial dos Royals no nível Triple-A) sem que ficasse aberto a negociar com qualquer outra equipe.

Se sua saída foi condicionada pelo excesso de jogadores de sua posição, sua reconvocação se deu por desejo de Yost em tê-lo novamente. Os Royals não perderam defensores externos (Rios, Alex Gordon, Lorenzo Cain e Jarrod Dyson seguem em condições de jogo), mas o treinador quis o brasileiro. Ainda não foi anunciado o motivo da decisão, mas é um sinal evidente que Orlando é considerado um elemento útil do elenco.

 

Para acomodar o brasileiro, Yost teve de abrir mão de um jogador de bullpen. O escolhido para sair foi Jason Frasor, que tinha estatísticas periféricas preocupantes (por exemplo, 5,8 walks a cada nove entradas), mas segurava um ERA competentíssimo de 1,54. O outro candidato a deixar o elenco sera Brandon Finnegan, que talvez tenha sido mantido por ser mais jovem (22 anos, contra 37 de Frasor).

Toronto Blue Jays contrata arremessador brasileiro Tiago da Silva

Shogun fez a maior parte da carreira na Itália e atuou no beisebol mexicano e venezuelano em 2014

O bullpen é uma das áreas mais carentes no elenco do Toronto Blue Jays, e uma das apostas do time canadense veio do Brasil. A franquia anunciou nesta terça a contratação do arremessador Tiago da Silva, conhecido como Shogun, que defendeu Delfines del Carmen (México), Leones del Caracas e Caribes de Anzoátegui (ambos Venezuela) nos últimos meses.

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O brasileiro cresceu em Suzano e aprendeu o beisebol nos Tomateros. Da Silva defendeu a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2003, mas se transferiu para o Ravenna, da Itália, onde poderia viver do esporte. Conseguiu nacionalidade italiana e defendeu a seleção do país no World Baseball Classic de 2009 e 2013. Em 2014, o arremessador foi para o beisebol mexicano. Apesar da ligação com a Itália, Da Silva sempre foi tratado como jogador brasileiro enquanto esteve nas ligas latino-americanas.

A contratação é surpreendente. É raro equipes da MLB investirem em jogadores estrangeiros (japoneses e cubanos são exceção nesse caso) com 29 anos sem experiência dentro da estrutura do beisebol norte-americano. No entanto, Da Silva teve números espetaculares em 2014/15. Nos Delfines (time considerado nível Triple-A), o Shogun teve 2,07 de ERA, 75 strikeouts e apenas 12 walks em 61 entradas arremessadas. Nos Leones, teve 2,70 de ERA, 37 strikeouts e apenas 3 walks em 30 entradas arremessadas. Nos Caribes, atuou apenas na fase final da liga e arremessou apenas três entradas.

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O baixo número de walks e a média de mais de um strikeout por entrada o configuram como um arremessador com potencial para entrar no final das partidas, como set up (oitava entrada) ou fechador (nona). Mesmo que os números piorem um pouco na MLB, ainda seria uma figura útil no elenco. Isso, claro, considerando que ele realmente chegue ao time principal dos Blue Jays. Seu futuro imediato dependerá do desempenho na pré-temporada e atuações seguras podem garantir promoção imediata, mas a expectativa em Toronto é que inicie o campeonato no Buffalo Bisons, Triple-A da franquia canadense, enquanto ganha experiência.

Como a contratação do arremessador Max Scherzer pode melhorar o ataque dos Nationals

Com arremessadores sobrando, Washington tem margem para fazer uma troca

É quase abusivo. Os arremessadores do Washington Nationals tiveram um ERA de 3,03 (sim, contando todo o time) em 2014 e terá, para este ano, o reforço de um dos melhores jogadores da posição nos últimos anos. Max Scherzer vai defender o time da capital por sete temporadas, recebendo US$ 210 milhões por esse contrato. Dá o tom de que será covardia lidar com a rotação dos Nats, mas talvez esse seja o primeiro passo de uma estratégia mais longa. E que envolve o ataque do time.

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O grupo de arremessadores do Washington já era muito forte. Com Gio González, Stephen Strasburg, Doug Fister, Jordan Zimmermann e Tanner Roark, os Nats tiveram cinco abridores com mais de 150 entradas, menos de 3,6 de ERA e 62,2% de vitórias na temporada. Aliás, se tirarmos González, os números seriam ainda melhores: um quarteto com mínimo de 160 entradas, máximo de 3,14 de ERA e 64,8% de aproveitamento.

É um grupo aparentemente intocável, mas a chegada de Scherzer faz sentido. Uma das razões, mais imediatas, é que essa rotação ainda precisa de uma referência, um jogador com experiência comprovada de fazer grandes partidas de playoffs (o Washington não pode pensar em nada menor do que a disputa do título). Financeiramente, o fato de os sete anos de serviços serem pagos em 14 anos ajudam a amortecer o impacto na folha salarial.

A grande questão, porém, é a projeção de um futuro de médio e longo prazo. Do quinteto titular dos Nationals em 2014, três arremessadores – Gonzalez, Fister e Strasburg – entram em seu último ano de contrato. Ainda que a direção se esforce bastante, provavelmente conseguiria manter apenas um ou dois. Desse modo, Scherzer poderia ser uma opção interessante já prevendo a saída de algum titular. Mas pode ser até algo mais ousado.

Com três membros da rotação em fim de contrato, os Nationals podem considerar seriamente a hipótese de negociar um deles já neste início de temporada. Gonzalez foi o arremessador menos espetacular da rotação em 2014 e seria o mais dispensável, mas é o único canhoto do grupo (a não ser que Ross Detwiler seja recolocado na rotação, mas seus números não são encorajadores). Strasburg é a jovem promessa, faria sentido mantê-lo na ideia de transformá-lo em um símbolo histórico da franquia. Poderia sobrar para Fister, ainda que seja o mais confiável do ponto de vista técnico e físico.

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Poder abrir mão de jogadores como esses é interessante para o Washington. Ainda mais porque o time precisa de uma referência no alinhamento ofensivo. No momento, os rebatedores são os mesmos de 2014, um grupo que tinha Jason Werth, Bryce Harper, Ian Desmond e Ryan Zimmerman como destaques (Adam LaRoche saiu). É um bom ataque, mas peca por ser apenas isso: “bom”.

Os Nationals não tiveram nenhum rebatedor na casa dos 30 home runs, nenhum com 100 corridas impulsionadas e apenas um na casa dos 30% de aproveitamento (Denard Span, e foi por pouco: 30,2%). Falta o grande rebatedor, aquela figura capaz de definir algumas partidas em um swing, como Miguel Cabrera no Detroit Tigers, David Ortiz no Boston Red Sox, Mike Trout no Los Angeles Angels, Andrew McCutchen no Pittsburgh Pirates e José Bautista no Toronto Blue Jays. Harper pode se tornar essa figura, mas foi prejudicado por uma lesão em 2014 e ainda precisa ser mais constante.

O resultado disso é que o Washington Nationals teve um ataque apenas cumpridor em 2014. Foi o nono em corridas anotadas, décimo em home runs e 12º em rebatidas, corridas impulsionadas e aproveitamento no bastão. A equipe da capital não é ruim em nada, mas não é boa em nada também. Não há um fundamento ofensivo em que o time conseguirá encurralar o adversário. É pouco para quem pretende conquistar o título.

Se os Nats souberem buscar os nomes certos, podem encontrar um rebatedor de potência que esteja disponível. Por exemplo, Justin Upton (Atlanta Braves) e Chris Davis (Baltimore Orioles), ambos com contrato terminando em 2015. Com a rotação que já está em Washington e um rebatedor desse nível se unindo às armas ofensivas que o time já tem, é perfeitamente cabível pensar em ver a World Series voltar a Washington após 91 anos.

Pablo Sandoval e Hanley Ramírez não são reforços tão bons quanto parecem

Boston Red Sox levou dois jogadores de muito talento, mas precisa de resultados imediatos para valer a pena

Pablo Sandoval se apresenta ao lado de um panda nos Red Sox (AP Photo/Stephan Savoia)
Pablo Sandoval se apresenta ao lado de um panda nos Red Sox (AP Photo/Stephan Savoia)

Pablo Sandoval é um rebatedor consistente, se tornou um ótimo terceira base e ainda tem um histórico para lá de interessante em mata-mata. Hanley Ramírez é meio displicente na defesa, mas é um dos rebatedores mais talentosos da MLB. Qualquer equipe ficaria satisfeita em ter um deles como reforço. E que tal o Boston Red Sox, que levou os dois no mesmo dia? Bem, aí já não parece tão bom assim.

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A questão é o encaixe dos jogadores dentro do que os Meias Vermelhas já têm e do que eles precisam. Nisso, não há dúvidas que era preciso um reforço na terceira base. Em 2014, o único jogador realmente da posição era o fraco Will Middlebrooks. De resto, houve um rodízio de coringas como Xander Bogaerts, Brock Holt, Jonathan Herrera, Garin Cecchini e Ryan Roberts.

Essa vaga é bem preenchida por Sandoval. O venezuelano não tem um histórico no bastão tão espetacular para os padrões dos Red Sox (não passa de 30% de aproveitamento, nem de 20 home runs, desde 2011), mas é consistente, ambidestro e cresce nos playoffs. Além disso, dá para dizer que seus números ofensivos devem crescer com a troca do At&T Park de São Francisco pelo Fenway Park de Boston.

Outro ponto interessante do acordo com o venezuelano é a possibilidade de, nos anos finais, aproveitá-lo como rebatedor designado. David Ortiz já tem 38 anos e não é ousado imaginar que ele perca rendimento ou se aposente antes de 2019. Se o Sandoval de 32 ou 33 anos tiver menos vigor para ser ágil mesmo com sua forma física atual, ele poderia fazer a transição para rebatedor designado tranquilamente.

Em resumo, o contrato de US$ 95 milhões por cinco anos parece dentro da medida. É um jogador que pode acrescentar muito a uma equipe que precisa realmente de caras novas, dando uma renovada em um elenco que parece viciado a ponto de ter desempenho muitas vezes inferior ao potencial.

O problema é entender Hanley Ramírez. O dominicano é ofensivamente ainda melhor que Sandoval, mas às vezes é desatento na defesa. Para um clube que tem histórico problemático na posição de shortstop, seria desaconselhável tirar Bogaerts do time. Ramírez já deu sinais de que atuaria na terceira base, mas Sandoval acabou de chegar para ocupar aquela vaga.

A tendência é que o ex-Dodgers vá para o campo esquerdo. Mais problema: ele nunca atuou na posição e, jogando no Fenway Park, a adaptação é particularmente complicada pela presença do Green Monster. Para piorar, a posição já é ocupada por Yoenis Céspedes, jogador ofensivamente competente e defensivamente muito melhor que Ramírez. Pelo dinheiro investido no dominicano (US$ 88 milhões por quatro anos), talvez valesse mais a pena negociar uma renovação com o cubano, que já está no elenco e é dois anos mais novo.

Ramírez ainda tem sido muito suscetível a lesões. Nas últimas quatro temporadas, só passou de 130 jogos em uma delas (2012). Ou seja, fica o pacote completo (defesa fraca, físico pouco confiável e muito talento para rebater) para um rebatedor designado no final de seu contrato.

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Percebe-se que Hanley Ramírez e Pablo Sandoval são jogadores muito semelhantes em várias questões. Têm uma projeção para o futuro semelhante e ocupam uma faixa da defesa parecida. Encaixar os dois no mesmo time não é uma tarefa tão fácil. Para piorar, investiu pesado em um fundamento que não era tão problemático (o ataque, que já tem Céspedes, Ortiz, Dustin Pedroia) e talvez tenha menos poder para fazer ofertas onde o time realmente tem problemas (os arremessadores da rotação).

Fica a sensação de que, para acomodar a dupla, os Red Sox terão de fazer muitas outras negociações. Por exemplo, não é de se descartar uma troca envolvendo Céspedes para levar um arremessador confiável para a rotação. No entanto, dificilmente algum time aceitaria ceder um ás em troca do cubano, que se tornaria um agente livre ao final da próxima temporada. A perspectiva seria em um jogador número 3 de rotação.

Além disso, os Red Sox ficam com uma projeção complicada para o futuro. Pela idade, Sandoval e Ramírez estão em seus últimos anos no pico de rendimento. Ou seja, é possível que ambos tenham queda nos anos finais de seus contratos e se transformem em um problema para a folha salarial.

Na soma de todos os fatores, o Boston fez uma ótima contratação com Sandoval, mas se empolgaram demais e levaram Ramírez sem tanta necessidade. E, se a contratação de um deles seria plenamente justificável, levar ambos soa como medida instintiva para ter resultados imediatos. Pode funcionar em 2015 e talvez em 2016, mas a partir daí já vira incógnita.

Pode esfregar as mãos, torcedor dos Cubs, 2015 vai ser um ano muito bom para você

Contratação de Joe Maddon e situação do elenco são sinais fortes de um crescimento rápido da equipe

Joe Maddon é apresentado nos Cubs pelo vice-presidente Theo Epstein (AP Photo/M. Spencer Green)
Joe Maddon é apresentado nos Cubs pelo vice-presidente Theo Epstein (AP Photo/M. Spencer Green)

Seria muito legal que Robert Zemeckis tivesse acertado sua previsão em “De Volta para o Futuro II”. Em uma parte do filme que se passa em 2015, Marty McFly (Michael J Fox) vê a notícia do Chicago Cubs vencendo a World Series. A chance de isso acontecer é mínima, mas ela não é tão pequena quanto parecia no final de 2013. Os Ursinhos estão crescendo, e a contratação do técnico Joe Maddon pode dar um impulso maior a esse processo.

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Os Cubs foram lanterna da Liga Nacional Central, com 73 vitórias e 89 derrotas. No entanto, foi 21-19 nos últimos 40 jogos. Essa série (que seria ainda mais impressionante não fosse uma sequência de sete derrotas no começo de setembro) coincidiu com as entradas no time do porto-riquenho Javier Baez e do cubano Jorge Soler. A dupla ajudou a dar ainda mais força ao time, que se tornou uma das principais forças ofensivas da Liga Nacional.

Era um passo importante no projeto do vice-presidente Theo Epstein de estruturar o elenco em cima de garotos. Com Anthony Rizzo e Starlin Castro mostrando um desempenho consistente, o Chicago já não tinha mais aquela cara de time de Triple-A dos últimos dois anos. Ou seja, estava pronto para buscar o salto.

Os pesados compromissos financeiros que minaram o clube nos últimos anos, como Carlos Zambrano, Alfonso Soriano e Matt Garza, ficaram para trás. Vá lá que Edwin Jackson assinou por um contratão, mas a folha salarial da franquia caiu rapidamente, de US$ 145 milhões em 2010 para US$ 62 milhões em 2014. Como a garotada já mostra serviço, dá para voltar a abrir a carteira.

Maddon, técnico que pegou o Tampa Bay Devil Rays como símbolo de fracasso e transformou a equipe em modelo de gestão, pode montar uma equipe com essa base de jovens. Foi sua especialidade na Flórida. Com a entrada de alguns bons jogadores – e os Cubs agora têm condições de atacar o mercado de agentes livres -, dá para montar um grupo bastante competitivo.

Opções estão disponíveis. Pegar um ou dois arremessadores entre Max Scherzer, James Shields e Francisco Liriano daria uma nova cara à rotação que hoje tem Jake Arrieta e Kyle Hendricks como principais nomes. Pablo Sandoval e/ou Michael Cuddyer dariam experiência ao ataque. E um catcher como Russell Martin ajudaria a orientar os arremessadores e ainda dar uma liderança ao jovem elenco.

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A tendência é que Maddon valorize aspectos pouco convencionais de avaliação. ele é um adepto de estatísticas avançadas e de atitudes ousadas em campo, com muita mudança de posicionamento defensivo, velocidade em base e troca constante de ordem de rebatedores. Em suas mãos, vários jogadores medianos tiveram muito sucesso, e é isso que os Cubs buscam para os próximos anos.

É difícil que o resultado desse trabalho seja o título já em 2015, atendendo parte da previsão de Zemeckis (a outra parte não se concretizará de forma alguma, pois o título seria conquistado sobre o Miami, algo impossível pelo regulamento da MLB). Mas, se os Cubs souberem agir no mercado e contratarem os jogadores certos para completar o elenco cheio de jovens talentos, dá para subir rapidamente e até se meter na briga por uma vaga nos playoffs. E, a partir de 2016, pensar realmente alto.

Royals promovem Paulo Orlando, e Brasil fica perto de ter mais um representante na MLB

Entenda por que entrar no elenco de 40 jogadores é tão importante para o brasileiro

Paulo Orlando observa partida do Omaha Storm Chasers
Paulo Orlando observa partida do Omaha Storm Chasers

A temporada 2014 da MLB acabou há uma semana, e o Brasil já pode ficar na expectativa de ter mais um representante na liga. Nesta segunda, o Kansas City Royals anunciou a promoção do defensor externo Paulo Orlando para o elenco de 40 jogadores. Um sinal de que o brasileiro está nos planos da franquia, e de que a estreia na Major League está próxima. Mas, se entrar no elenco de 40 não garante a promoção e Orlando já tem 29 anos, por que tanto otimismo?

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Orlando vem de uma ótima temporada. Seus números no Omaha Storm Chasers (Triple-A) foram bastante promissores: 30,1% de aproveitamento, 34 bases roubadas, 63 corridas impulsionadas, 21 rebatidas duplas e 9 triplas. São estatísticas de um jogador que rebate para contato e tem muita velocidade. Além disso, a comparação com os anos anteriores mostram um jogador que ainda está em evolução, e pode levar essa trajetória crescente para o degrau mais alto do beisebol mundial.

O cenário também ajuda. Como rebatedor de contato e velocidade em bases, o brasileiro se encaixa muito bem no sistema de jogo dos Royals. Em Kansas City, o campo externo já conta com Alex Gordon, Lorenzo Cain, Norichika Aoki, Jarrod Dyson e Terrance Gore. Os dois primeiros são titulares absolutos. Mas a terceira vaga de titular e a de quarto homem, o reserva de plantão, ainda está em aberto.

Terrance Gore é absurdamente rápido, mas seus números ofensivos são muito discretos. Sua utilidade maior, no momento, é como pinch-runner nas entradas finais. Assim, a disputa maior fica entre Aoki e Dyson. O contrato do japonês terminou com o final da World Series e o norte-americano, apesar de mais veloz que Orlando, ainda não é um rebatedor confiável. Aliás, a maior parte das estatísticas de Dyson em sua última temporada completa nos Storm Chasers (2011) foi inferior à do brasileiro: 27,9% de aproveitamento, 38 bases roubadas, 26 corridas impulsionadas, 10 rebatidas duplas e 3 triplas.

Considerando que Orlando ainda tem uma carreira consistente no traiçoeiro beisebol latino-americano (um título com MVP das finais no Panamá, duas temporadas muito boas na Venezuela), os Royals têm motivos para acreditar que o defensor externo pode suportar a pressão psicológica e técnica da MLB. Se o brasileiro mentiver seu momento nas grandes ligas, ele pode se tornar um bom substituto para Aoki, com a vantagem de ser três anos mais novo e não ganhar US$ 2 milhões anuais de salário.

Por isso, Orlando precisa estar nos planos dos Royals. Incluí-lo no elenco de 40 garante que ele não poderá ser assediado por outros clubes. No mínimo, é uma medida de proteção para um jogador que pode ser útil e que será avaliado na pré-temporada. Para jogar, o brasileiro precisa entrar no elenco de 25, mas, se mantiver sua condição atual dentro do elenco, a chance de receber alguma oportunidade em 2015 são grandes.