Ida de Durant para os Warriors indica que a NBA segue por um caminho perigoso

Jogadores têm o direito de atuar onde quiser, mas isso pode criar um desnível muito grande dentro da liga

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A traição de um jogador que troca sua ex-equipe pela que o derrotou em uma dura e longa batalha na última temporada. A construção de um supertime que deve bater alguns dos recordes que ele próprio já havia estabelecido. Essas são as duas histórias mais imediatas em torno da contratação de Kevin Durant pelo Golden State Warriors. Mas uma narrativa surge no longo prazo, uma nada boa para a NBA: a perspectiva de se tornar tecnicamente cada vez mais desigual.

O esporte profissional norte-americano tem vários mecanismos para promover a paridade técnica dos times, como a distribuição do dinheiro, a criação de teto salarial (não se aplica à MLB) e o draft que oferece os principais talentos jovens às equipes de pior desempenho na temporada. A NBA faz tudo isso, mas ela é claramente a liga que tem mais dificuldade em ter equilíbrio, ainda que classificar mais de 50% dos times aos playoffs mascare um pouco isso. A diferença de aproveitamento na temporada entre os primeiros e os últimos é gigantesca e, salvo contusões, a franquia que tiver um supercraque fatalmente chegará à pós-temporada, com grandes chances de ficar no mínimo entre os semifinalistas de conferência.

Ainda que o basquete seja um esporte coletivo de alto grau de complexidade tática e que jogadores fora-de-série possam se estranhar e não “encaixar”, um talento fenomenal faz a diferença. Ou tornando competitiva uma equipe fraca no geral, ou desequilibrando um duelo contra um adversário que tem como sua maior virtude o conjunto. Se alguma franquia consegue juntar dois ou três craques, ela se torna automaticamente candidata ao título.

Esse é o problema atual. O teto salarial e o draft trataram de distribuir os talentos por toda a liga, mas, nos últimos anos, tem se tornado cada vez mais comum os jogadores se unirem para formarem os supertimes. LeBron James e Chris Bosh se juntaram a Dwyane Wade para levar o Miami heat ao topo. Quatro anos depois, LeBron foi fundamental para o Cleveland Cavaliers ter Kevin Love e buscar seu primeiro título. Nas últimas semanas, surgiu a especulação que Wade poderia ir ao New York Knicks e se encontrar com Derrick Rose e Carmelo Anthony. E, nesta semana, se confirmou a ida de Kevin Durant para os Warriors de Stephen Curry, Klay Thompson e Draymond Green.

É matematicamente impossível todos os supertimes conquistarem o título, pois só há um troféu disponível no final das contas. Isso cria superconfrontos, duelos históricos como os que envolveram Los Angeles Lakers e Boston Celtics dos anos 60 e 80, ou Lakers x Bulls na era Magic Johnson x Michael Jordan. A repercussão desses encontros é extraordinária e a audiência da TV explode na reta final dos playoffs.

O problema é o resto da liga. Já é muito difícil distribuir craques pelas 30 equipes. Se alguns desses jogadores começarem a se unir dentro da mesma franquia, várias outras ficarão à margem da competição. Podem até ganhar algumas partidas dos gigantes na temporada regular, mas não terão condições de brigar em uma série de playoffs em melhor de sete. Se a reta final do mata-mata se torna espetacular, o surgimento dos supertimes é muito ruim para a temporada regular.

A NBA precisa ficar atenta a esse processo, ainda mais em um momento em que enriqueceu demais – e, portanto, teve aumento no teto salarial, permitindo que mais jogadores caros se acomodem dentro de um mesmo elenco. Não é algo fácil, pois os atletas têm o direito de trabalhar onde bem entenderem e podem, pelo motivo que seja (amizade, desejo de conquista ou mesmo afinidade com certa cidade), se juntarem. Do mesmo jeito que os clubes têm o direito de tentarem se reforçar o máximo possível, e muitos esquadrões surgiram de forma orgânica, como os Warriors de Curry-Thompson-Green, o Thunder de Durant-Westbrook e os Spurs de Duncan-Parker-Ginóbili que se transformou nos Spurs de Duncan-Parker-Leonard.

É aquele caso em que cada um buscar melhor para si próprio não tem como resultado o melhor para o conjunto como um todo.

Como uma notícia plantada permitiu o casamento entre Kobe e Lakers

O New Jersey Nets pretendia draftar o garoto promissor do ensino médio, mas ficou com medo de ele se mudar para a Itália

Foram 20 anos juntos, com cinco títulos, um sem-número de cestas da vitória no estouro do cronômetro e diversas marcas. É impossível dissociar a imagem de Kobe Bryant do Los Angeles Lakers no século 21. Uma história que tem seu fim nesta quarta, na partida contra o Utah Jazz, a última do ala-armador. Uma história que talvez nem tivesse existido, ou fosse muito diferente, não fosse por um boato.

Kobe não teve uma trajetória comum às promessas do basquete. Cresceu na Itália e só passou a se dedicar mais à bola laranja quando seu pai, o ex-jogador Joe Bryant, encerrou a carreira e a família retornou à Filadélfia. No ensino médio, o garoto mostrou muito talento, mas não estava tão vivo no radar dos principais olheiros americanos.

Sonny Vaccaro, organizador de torneios de basquete para ensino médio e responsável por levar Michael Jordan à Nike, trabalhava pela Adidas e teve conhecimento do potencial de Kobe, com a informação de que o jovem pretendia ir direto do colégio para a NBA, pulando a universidade. O diretor da empresa alemã colocou na cabeça que o garoto poderia fazer dela uma força no mercado de basquete como Jordan havia feito com a Nike. Vaccaro se aproximou da família Bryant e fechou um acordo de patrocínio para o momento em que o jogador se profissionalizasse.

Com Kobe se apresentado para o draft, foi natural que ele participasse de treinos organizados pelas franquias para apresentar seu talento de perto. Algumas demonstraram interesse, incluindo os Lakers. Jerry West, diretor esportivo do time, deixou claro o quanto se impressionou com o jovem e queria levá-lo a Los Angeles. A Adidas adorou a ideia, pois aumentaria incrivelmente o potencial de marketing da futura estrela.

O problema é que os Lakers tinham apenas a 24ª escolha no draft de 1996. A questão se tornava garantir que nenhuma equipe selecionasse o garoto antes de os californianos terem a oportunidade.

Os dirigentes dos Lakers fizeram um acordo com o Charlotte Hornets, que tinha a 13ª escolha e recrutariam Kobe para fazerem uma troca imediata por Vlade Divac. Uma transação que fazia algum sentido, pois o iugoslavo era um jogador experiente e já consolidado na liga, não um adolescente que, por mais promissor que fosse, poderia ter dificuldades em dar o salto ao profissionalismo.

A maior ameaça se tornou o New Jersey Nets. O time, na época comandado por John Calipari (um dos mais vencedores da NCAA), também estava interessado em Kobe e tinha a oitava escolha do draft. Para afastar esse interesse, Vaccaro espalhou um boato que o jovem não queria jogar perto de sua casa, na Filadélfia. “Era meu dever informar as pessoas: compradores, cuidado. Eu não tive medo em contar a todos – especialmente os Nets – que havia a possibilidade de Kobe Bryant jogar no basquete italiano”, revelou o dirigente da Adidas no documentário Sole Man (disponível no Brasil no Watch ESPN).

Calipari acreditou na história, até porque os assessores de Kobe já haviam dito a algumas franquias que o jogador não aceitaria se fosse recrutado por elas. Por exemplo, o jogador nem aceitou o convite para treinar no Sacramento Kings apenas para evitar o interesse da franquia. Assim, os Nets decidiram priorizar Kerry Kittles. Se a estrela do Villanova Wildcats fosse selecionado antes, aí o New Jersey pegaria Kobe.

Kittles ficou disponível para os Nets, que o escolheram. Kobe passou batido por Dallas Mavericks, Indiana Pacers, Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers, caindo no colo dos Hornets – e dos Lakers. E assim começava um dos casamentos mais vitoriosos e duradouros da NBA.

Garoto cai no choro ao descobrir que Anderson Varejão deixou os Cavaliers

Pequeno torcedor só parou quando pai contou que LeBron James e Kyrie Irving tinham ficado

É fácil explicar para um torcedor experiente e bem informado por que Anderson Varejão foi negociado pelo Cleveland Cavaliers. Ele tinha um salário alto e, por questões físicas, não conseguia jogar o suficiente para dar o retorno a esse investimento. Tudo bem, é uma conta relativamente fácil de fazer. Mas tenta explicá-la a uma criança.

Um torcedor dos Cavs gravou o momento em que contou a seu filho que um de seus jogadores preferidos havia deixado o time. Em um primeiro momento, o garoto achou que era alguma brincadeira e até perguntou quem veio em troca. Mas, quando a ficha caiu…

Anderson Varejão escreveu uma bela carta de despedida dos Cavaliers. Veja só

Brasileiro atuou 12 anos em Cleveland e foi trocado na última quinta

Foram 12 anos de altos e baixos, tanto da condição física do atleta quanto da condição técnica do time, mas a trajetória de Anderson Varejão chegou ao fim no Cleveland Cavaliers. O brasileiro foi negociado na última quinta e, ainda que a negociação que o colocou no Portland Trail Blazers (que imediatamente o colocou à disposição de qualquer outra franquia) faça sentido do ponto de vista técnico e econômico, ela é dura para os dois lados. O jogador deixou o clube com o qual se identificava e os torcedores perderam um de seus representantes favoritos em quadra.

Por isso, o brasileiro deixou uma mensagem aos torcedores dos Cavaliers e à cidade de Cleveland no Facebook. Uma bela mensagem, que deve ter feito muita gente em Ohio ficar com olho carregado. Veja só:

Queridos fãs dos Cavs,

Durante os últimos 12 anos, tive a honra de representar a cidade de Cleveland, a franquia dos Cavaliers e, por isso, serei grato para sempre. Cheguei da Espanha com apenas 21 anos, foi uma transição difícil para mim, mas na hora em que vesti a camisa dos Cavs e pisei em quadra, a sensação era de estar em casa.

Houve épocas em que jogamos bem, em outras lutávamos juntos. Disputamos playoff e também títulos. Nas últimas 12 temporadas, foram altos e baixos, mas não importava o resultado, porque uma coisa nunca mudou… o apoio incondicional de todos vocês, os fãs.

Se vocês estavam assistindo pela TV, ouvindo no rádio ou gritando a plenos pulmões, nós sentíamos essa energia e o apoio. Os fãs do Cleveland são simplesmente os melhores.

Não há nada melhor do que andar pelas ruas em um dia frio e ouvir os fãs gritarem seu nome, poder parar para conversar com eles. Não há nada como olhar para a arena e ver mais de 20 mil pessoas usando perucas para combinar com o seu cabelo… Isso é algo que eu vou levar para o resto da minha vida, nunca vou esquecer.

Assim como o Brasil ocupa um lugar muito especial no meu coração, Cleveland agora é parte de mim. Eu considero a cada um do Cleveland Cavaliers como parte da família – proprietários, membros do escritório, treinadores que tive ao longo dos anos, companheiros, cada um dos funcionários… Obrigado.

A cidade de Cleveland é realmente um lugar especial.

Eu vi jogadores e treinadores indo e vindo, e por tudo que vi, sempre soube que Cleveland era onde eu queria me aposentar. Mas a vida nem sempre funciona da maneira como queremos. E, no fim do dia, quando dizem ‘isto é negócio’, infelizmente é verdade.

Então, sendo assim, digo adeus. Mas, o mais importante, eu digo obrigado. Obrigado por todo o apoio. Obrigado por terem vindo todas as noites, estivéssemos ganhando ou perdendo. E obrigado por me darem os melhores 12 anos da minha vida.

Lar é onde o coração está. E meu coração sempre estará em Cleveland.

Anderson Varejão

Phil Jackson acha que Kobe voltará bem e prolongará a carreira (mas não nos Lakers)

Para o técnico, as duas últimas temporadas não devem ser consideradas

Kobe Bryant praticamente não jogou nas duas últimas temporadas. Foram 41 jogos somando ambas, o que dá um aproveitamento de 25%. Como ele chega ao próximo campeonato da NBA com 37 anos e em seu último ano de contrato, muitos imaginam que ele está se despedindo das quadras. Mas, para uma das pessoas que o conhecem melhor, não é bem assim.

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Phil Jackson, técnico de Kobe nos Lakers em 11 temporadas, acha que o jogador voltará melhor do que imaginam, e isso o fará seguir mais um tempo na ativa. “Kobe teve duas temporadas abortadas por contusões. Eu acho que ele será realmente melhor do que as pessoas imaginam, e eu penso que ainda haverá um futuro para ele assim que ele seguir pela temporada”, comentou em entrevista à ESPN norte-americana. “As pessoas vão perguntar ‘Você ainda quer jogar basquete?'”, acrescentou.

Isso não significaria que os Lakers teriam Kobe por muito mais tempo. O ex-técnico, atual dirigente do New York Knicks, vê a próxima temporada como a última do jogador com a camisa angelina. Sua sequência na carreira seria por alguma outra equipe.

 

Raulzinho precisará lutar por seu espaço na NBA, mas há bons sinais pelo caminho

Utah Jazz não contrataria o brasileiro se estivesse completamente tranquilo com seus jovens armadores

O Utah Jazz poderia ficar quieto. O time tinha os direitos para a NBA de Raulzinho desde 2013, teve oportunidade de vê-lo em ação em treinos e preferiu esperar. Poderia esperar mais, pois o elenco já tem Dante Exum e Trey Burke, dois jovens armadores no qual o clube gastou boas posições no draft. Mas a equipe de Salt Lake City foi atrás do brasileiro e o ofereceu um contrato de três anos, dois deles garantidos, para tirá-lo do Murcia da Espanha.

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Raulzinho não chega à NBA para se tornar titular imediato. Claramente ele está em terceiro lugar na hierarquia de armadores do Jazz e provavelmente ficará um bom tempo no banco de reservas durante suas primeira semanas – talvez primeiros meses – nos Estados Unidos. Ele precisará de paciência, mas talvez ela se pague, porque os sinais secundários lhe são favoráveis.

A concorrência entre armadores é grande e conta com muitos jovens (Exum completará 20 anos na próxima segunda, Trey Burke tem 22). A tendência é que eles cresçam tecnicamente nas próximas temporadas, o que diminuiria a necessidade de contratar um outro garoto (Raulzinho fez 23 anos em maio). Mas o Utah foi atrás do brasileiro, e deve ter um bom motivo para isso.

A direção do clube conhece bem o basquete de Raulzinho pelo período de treino em 2013 e o acompanhamento nas últimas temporadas da Liga ACB, como bem relata Giancarlo Giampietro no Blog Vinte e Um. Viu nele potencial de se tornar um membro útil do elenco, na pior das hipóteses tendo capacidade de contribuir para a rotação de armadores.

Isso se deve também ao fato de Burke ainda não ter deslanchado na NBA. O jogador, que brilhou na Universidade de Michigan e dava pinta de que seria um líder em torno do qual um time se monta, ainda não convenceu. Talvez a franquia já tenha planos para ele (criar uma sombra para pressioná-lo, diminuir seus minutos em quadra ou usá-lo como moeda de troca), e ter outro jogador da posição no elenco seria importante.

De qualquer forma, há a sensação de que Raulzinho tem fãs na direção do Jazz eo time sabe muito bem por que o contratou. Só é preciso paciência para que tudo se desenrole.

Frank Kaminsky faz sua estreia profissional, e já deixa uma ótima impressão

Principal aposta do Charlotte Hornets no draft deste ano faz 19 pontos em jogo da Liga de Verão

O noticiário da NBA está todo ouriçado por causa das negociações dos primeiros dias de mercado de agente livres, mas a torcida do Charlotte Hornets tinha bons motivos para olhar um pouco para a quadra. Neste sábado, o ala-pivô Frank Kaminsky, destaque do Wisconsin Badgers na campanha do vice-campeonato do March Madness, faria sua primeira aparição com o time que o selecionou na primeira rodada do Draft de 2015.

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Não foi uma espera em vão. Kaminsky fez 19 pontos, com quatro acertos em oito arremessos para três pontos, contra o Oklahoma City Thunder em jogo da Liga de Verão da NBA. No entanto, ele passou em branco no quarto período, incluindo um erro no último segundo que daria o empate a sua equipe (o placar ficou em 76 a 74 para o Thunder).

É nas férias que LeBron terá de realmente carregar Cavaliers nas costas

Cleveland tem uma base para brigar por título, e o papel da estrela na montagem do time é fundamental

Poucas vezes uma série decisiva da NBA teve um caso tão claro de jogador que atua sozinho em um time. Claro, LeBron James não era o único jogador dos Cavaliers, e alguns de seus companheiros foram úteis em determinados momentos. Mas é inegável que aquele time só tinha um mínimo de competitividade contra o Golden State Warriors porque sua grande estrela estava lá.

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LeBron foi o líder do time em pontos, assistências, rebotes, turnovers, faltas cometidas (empatado com outros quatro), minutos em quadra, arremessos, lances livres e tocos sofridos e segundo em roubos. Ou seja, quase tudo o que acontecia com os Cavaliers tinha o camisa 23 como protagonista, pois ele sempre estava em quadra e a bola sempre estava em suas mãos.

Claro, isso se deve muito às lesões de Kyrie Irving, Kevin Love e Anderson Varejão, que tiraram muita força dos Cavs e deixaram LeBron quase órfão. Mas, se ficou a sensação que o Cleveland dependia demais de seu melhor nos playoffs, provavelmente dependerá ainda mais agora que a temporada acabou.

Os Cavaliers foram superados pelos Warriors, mas ficaram realmente perto do título. Se considerarmos que caíram no jogo 1 das finais na prorrogação depois de desperdiçar a última posse do tempo regulamentar e estiveram com a vitória ao alcance até o quarto período nos jogos 5 e 6. A questão não é se mereceriam ou se teriam condições de subir um degrau para bater o Golden State, mas apenas constatar que o título esteve perto e que, sem as lesões, a missão da equipe californiana seria muito mais dura.

Por isso, é legítimo considerar que o Cleveland tem condições de levantar o inédito troféu na próxima temporada. Para isso, precisa ajustar o time para não depender tanto de um jogador, por melhor que ele seja. E LeBron tem muito a fazer nesse aspecto.

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Os Cavs devem perder vários jogadores. Irving, Varejão e Mozgov têm contrato firmado por mais temporadas, mas os demais, incluindo LeBron e Love, estarão livres para negociar. O caso de LeBron não preocupa em princípio, porque ele optou por encerrar o contrato ao final da temporada provavelmente imaginando uma renovação imediata sob novos termos, pois a liga como um todo pode ser obrigada a rever seu acordo trabalhista com os jogadores.

Assim que a situação de LeBron se resolver, é hora de reconstruir o elenco, sobretudo nos papéis de coadjuvantes. Aí, os Cavaliers podem ter alguns problemas. O melhor jogador do mundo é genioso e pode assustar, e morar em Cleveland nem sempre soa como uma ideia tão atraente para um jogador (a cidade não provoca o fascínio de Miami e São Francisco e não dá a projeção midiática de ser uma estrela como Nova York ou Los Angeles).

Aí, entra em cena o LeBron líder e diplomata. A forma mais eficiente de os Cavs conseguirem atrair jogadores importantes (não precisar ser craques, mas coadjuvantes que sirvam de válvula de escape em alguns momentos) a valores acessíveis é colocar sua estrela no meio. Se o camisa 23 conseguir mostrar que trabalha para montar uma equipe multicampeã em Ohio, pode atiçar jogadores medianos e bons que desejam algumas glórias no currículo. Foi o que fez Dwyane Wade em Miami, convencendo LeBron e Chris Bosh a levarem seus talentos ao sul da Flórida por salários menores do que poderiam receber em outros lugares apenas pela possibilidade de ganhar vários anéis.

Para isso funcionar, LeBron não precisa apenas se colocar nas conversas, mas eventualmente se dispor a renunciar a certas coisas, inclusive sua tendência a querer concentrar as atenções e de fazer sua a equipe em seu redor. Se souber fazer isso, os torcedores de Cleveland não precisam ficar tão angustiados. O título acabará vindo, finalmente.

Sabe a piada “time estava tão ruim que podia pegar quem passasse por perto”? Rolou quase isso na NBA

Timberwolves precisavam urgentemente de um jogador para completar o elenco, e contratou um porque estava perto

“O time estava tão ruim que podia pegar qualquer um passando na rua e botar a camisa para jogar.” Muita gente já fez essa brincadeira para ironizar a fase negativa de alguma equipe, mas foi mais ou menos isso o que aconteceu nesta quinta no basquete norte-americano. E não foi em uma liga amadora ou estudantil, foi na NBA.

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O Minnesota Timberwolves está sofrendo com a superpopulação do departamento médico. São oito jogadores contundidos no momento, o que causou um problema para a partida contra o New York Knicks no duelo dos dois lanternas da competição. Não havia como deixar oito jogadores disponíveis, mínimo exigido pelo regulamento da liga.

No desespero, a equipe de Minneapolis teve de apelar. Buscou jogadores para um contrato de emergência, e o principal requisito era: estar perto de Nova York. Sobrou para Sean Kilpatrick, armador que teve passagem no Golden State Warriors (só atuou na D-League e foi dispensado) e estava no Delaware 87ers, também da D-League. Ele estava em Newark, Delaware, e levaria três horas de carro para chegar ao Madison Square Garden. O jogador se apresentou ao novo clube 48 minutos antes da partida, que marcou sua estreia na NBA.

Kilpatrick atuou por dez minutos, conseguindo um rebote, cometendo um turnover e errando o único arremesso que tentou. Ainda assim, os Timberwolves venceram por 95 a 92 e deixaram os Knicks isolados como time de pior campanha da NBA.

Veja os resultados da NBA nesta quinta:

New York Knicks 92×95 Minnesota Timberwolves
Houston Rockets 118×108 Denver Nuggets
Phoenix Suns 74×72 New Orleans Pelicans
Los Angeles Lakers 73×80 Utah Jazz

Clique aqui e veja a classificação completa.

Kevin Love é dos Cavaliers, a negociação mais anunciada desse mercado

Veja os detalhes da troca entre Timberwolves e Cavaliers, e como LeBron James ficou todo animado

Kevin Love em partida dos Timberwolves contra os Lakers (AP Photo/Ann Heisenfelt)
Kevin Love em partida dos Timberwolves contra os Lakers (AP Photo/Ann Heisenfelt)

É 23 de agosto, ou seja, é dia de Kevin Love vestir a camisa do Cleveland Cavaliers. Não finja surpresa, pois essa negociação era mais barbada do que o resultado de Estados Unidos x Finlândia na primeira rodada da Copa do Mundo de basquete, no próximo dia 30. No início deste mês a imprensa já noticiava o acordo entre os Cavs e o Minnesota Timberwolves, que cederia Love em troca de Andrew Wiggins, a primeira escolha do último draft.

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O motivo da demora para o anúncio é o fato de Wiggins ter assinado com o Cleveland em 23 de julho. Com isso, ele tinha de esperar um mês antes de trocar de equipe. No final, a negociação ainda envolveu o Philadelphia 76ers. Veja como foi:

– Os Timberwolves pegam Andrew Eiggins e Anthony Bennett dos Cavaliers, Thaddeus Young dos 76ers e mais US$ 6,3 milhões de trade exception (margem para gastar em contratos de futuras trocas nesta temporada);

– Os 76ers levam Alexey Shved e Luc Richard Mbah a Moute dos Timberwolves;

– Os Cavaliers ficam com Kevin Love dos Timberwolves.

O ExtraTime já havia comentado o impacto da chegada de Love a Cleveland no início do mês. O texto completo está aqui, mas o trecho relevante segue abaixo:

Com a chegada de Love, os Cavs viram os favoritos a vencer a Conferência Leste. Além de Love e LeBron, o quinteto titular conta com o pivô Anderson Varejão, o ala-armador Dion Waiters e o armador Kyrie Irving. Mike Miller e James Jones são os principais reservas, com Ray Allen podendo se juntar ao grupo em breve.

Enquanto isso, os Timberwolves ganham mais duas peças para trabalhar em uma remodelação da franquia. Wiggins é tido como a melhor promessa do basquete desde LeBron e pode fazer um bom par na armação com Ricky Rubio. Enquanto isso, Bennett pode ser uma boa opção de rotação com Luc Richard Mbah a Moute na posição deixada por Love.

Na troca, parece que todos ganharam. LeBron, Love e Cavaliers estão mais perto de um título, enquanto os Wolves perdem a estrela, mas ganham um bom retorno para trabalhar.

Outra forma bem rápida de entender como o pessoal dos Cavaliers ficou animado é ver a imagem que LeBron James postou no Instagram minutos após o anúncio da negociação:

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