Como uma notícia plantada permitiu o casamento entre Kobe e Lakers

O New Jersey Nets pretendia draftar o garoto promissor do ensino médio, mas ficou com medo de ele se mudar para a Itália

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Foram 20 anos juntos, com cinco títulos, um sem-número de cestas da vitória no estouro do cronômetro e diversas marcas. É impossível dissociar a imagem de Kobe Bryant do Los Angeles Lakers no século 21. Uma história que tem seu fim nesta quarta, na partida contra o Utah Jazz, a última do ala-armador. Uma história que talvez nem tivesse existido, ou fosse muito diferente, não fosse por um boato.

Kobe não teve uma trajetória comum às promessas do basquete. Cresceu na Itália e só passou a se dedicar mais à bola laranja quando seu pai, o ex-jogador Joe Bryant, encerrou a carreira e a família retornou à Filadélfia. No ensino médio, o garoto mostrou muito talento, mas não estava tão vivo no radar dos principais olheiros americanos.

Sonny Vaccaro, organizador de torneios de basquete para ensino médio e responsável por levar Michael Jordan à Nike, trabalhava pela Adidas e teve conhecimento do potencial de Kobe, com a informação de que o jovem pretendia ir direto do colégio para a NBA, pulando a universidade. O diretor da empresa alemã colocou na cabeça que o garoto poderia fazer dela uma força no mercado de basquete como Jordan havia feito com a Nike. Vaccaro se aproximou da família Bryant e fechou um acordo de patrocínio para o momento em que o jogador se profissionalizasse.

Com Kobe se apresentado para o draft, foi natural que ele participasse de treinos organizados pelas franquias para apresentar seu talento de perto. Algumas demonstraram interesse, incluindo os Lakers. Jerry West, diretor esportivo do time, deixou claro o quanto se impressionou com o jovem e queria levá-lo a Los Angeles. A Adidas adorou a ideia, pois aumentaria incrivelmente o potencial de marketing da futura estrela.

O problema é que os Lakers tinham apenas a 24ª escolha no draft de 1996. A questão se tornava garantir que nenhuma equipe selecionasse o garoto antes de os californianos terem a oportunidade.

Os dirigentes dos Lakers fizeram um acordo com o Charlotte Hornets, que tinha a 13ª escolha e recrutariam Kobe para fazerem uma troca imediata por Vlade Divac. Uma transação que fazia algum sentido, pois o iugoslavo era um jogador experiente e já consolidado na liga, não um adolescente que, por mais promissor que fosse, poderia ter dificuldades em dar o salto ao profissionalismo.

A maior ameaça se tornou o New Jersey Nets. O time, na época comandado por John Calipari (um dos mais vencedores da NCAA), também estava interessado em Kobe e tinha a oitava escolha do draft. Para afastar esse interesse, Vaccaro espalhou um boato que o jovem não queria jogar perto de sua casa, na Filadélfia. “Era meu dever informar as pessoas: compradores, cuidado. Eu não tive medo em contar a todos – especialmente os Nets – que havia a possibilidade de Kobe Bryant jogar no basquete italiano”, revelou o dirigente da Adidas no documentário Sole Man (disponível no Brasil no Watch ESPN).

Calipari acreditou na história, até porque os assessores de Kobe já haviam dito a algumas franquias que o jogador não aceitaria se fosse recrutado por elas. Por exemplo, o jogador nem aceitou o convite para treinar no Sacramento Kings apenas para evitar o interesse da franquia. Assim, os Nets decidiram priorizar Kerry Kittles. Se a estrela do Villanova Wildcats fosse selecionado antes, aí o New Jersey pegaria Kobe.

Kittles ficou disponível para os Nets, que o escolheram. Kobe passou batido por Dallas Mavericks, Indiana Pacers, Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers, caindo no colo dos Hornets – e dos Lakers. E assim começava um dos casamentos mais vitoriosos e duradouros da NBA.

Recorde: 76ers perde 27º jogo seguido, maior marca dos esportes americanos

Philadelphia deixou Cleveland Cavaliers, Tampa Bay Buccaneers e a si próprio para trás

Hoje não! Hoje não! Hoje não! Hoje sim… A vitória passou perto, muito perto, mas o Philadelphia 76ers voltou a perder. Nesta sexta, o time fez um quarto período espetacular, mas caiu diante do Houston Rockets no Texas, 116 a 114. Com isso, chegou a 18 derrotas em 18 partidas nesta temporada. Somando o final da temporada passada, já são 27 quedas seguidas.

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São duas marcas impressionantes. As 27 derrotas seguidas representam um novo recorde dos esportes americanos. Até então, a maiores saequências de derrotas das grandes ligas eram de 26, em mãos dos próprios 76ers (2013/14 e 2015), do Cleveland Cavaliers (2010/11) e do Tampa Bay Buccaneers (1976/77). Além disso, o time ficou a um revés do recorde de pior início de temporada da história da NBA, título que está nas mãos do New Jersey Nets de 2009/10.

O pior é que tudo isso poderia não ter ocorrido. Os 76ers estiveram perto de uma surpreendente vitória em Houston. Os Rockets dominaram o placar nos três primeiros quartos, mas o Philadelphia abriu o período final com uma sequência de 24 a 7, abrindo sete pontos de vantagem.

Mas aí James Harden apareceu. O barbudo anotou 14 de seus 50 pontos (sua maior marca na temporada) nos últimos seis minutos, comandando a virada dos texanos. Ainda assim, os 76ers tinham a chance do empate na última posse. Uma cesta de três levaria o jogo para a prorrogação, mas Robert Covington sofreu falta e só converteu um dos lances livres.

Veja os resultados da NBA nesta sexta:

Charlotte Hornets 90×95 Cleveland Cavaliers
Orlando Magic 114×90 Milwaukee Bucks
Boston Celtics 111×78 Washington Wizards
New York Knicks 78×97 Miami Heat
Indiana Pacers 104×92 Chicago Bulls
Houston Rockets 116×114 Philadelphia 76ers
Memphis Grizzlies 101xx116 Atlanta Hawks
Oklahoma City Thunder 103×87 Detroit Pistons
Denver Nuggets 80×91 San Antonio Spurs
Phoenix Suns 116×135 Golden State Warriors
Sacramento Kings 91×101 Minnesota Timberwolves
Los Angeles Clippers 111×90 New Orleans Pelicans

Nos 20 anos da morte de Petrovic, veja um duelo histórico com Oscar

Ala croata era o melhor jogador não-americano de basquete no mundo quando morreu em um acidente de carro na Alemanha

Petrovic na partida contra o Caserta, na final da Recopa de 1989
Petrovic na partida contra o Caserta, na final da Recopa de 1989

Drazen Petrovic era um craque. Comandou a Iugoslávia ao vice-campeonato olímpico em 1988 e ao título mundial em 1990. Em 1992, já defendendo a Croácia, foi levou a recém-criada seleção à prata olímpica, caindo apenas para o Dream Team. Ele ainda vinha em grande momento na NBA, ídolo do New Jersey Nets. Até 7 de junho de 1993, quando morreu em um acidente de carro na Alemanha.

Para os jovens de hoje, a história de Petrovic é mais conhecida pelo primoroso documentário Once Brothers, que conta a história de sua como sua parceria e amizade com o sérvio Vlad Divac se deteriorou junto com a ruína da Iugoslávia. Mas o filme talvez não mostre o que Petro representava na época, sobretudo para os brasileiros. Era o cara que batia de frente com Oscar, a referência do basquete nacional na época.

Veja abaixo um vídeo das jogadas de Petrovic na final da Recopa Europeia de 1989. Naquela partida, Oscar fez 44 pontos pelo Snaidero Caserta. Mas Petrovic marcou 62 (isso, sessenta e dois) e levou o Real Madrid à vitória na prorrogação por 117 a 113.

Vídeos como esse são acessíveis hoje. Mas, na década de 1980, eram raridade. Não havia internet, NBA estava começando a passar na Bandeirantes. Basquete na TV eram basicamente as competições nacionais ou torneios oficiais da seleção brasileira. Tinha público decente, audiência respeitável. As notícias que vinham de fora eram sempre atrasadas, muitas vezes incompletas. Uma vez por semana, às vezes nem isso, vinha informação de que Oscar continuava arrebentando em seu clube na Itália. Também pintavam textos sobre o novo gigantão soviético, o novo catimbeiro porto-riquenho e o chutador impecável da Iugoslávia.

Não havia tantas imagens sobre isso. Eram fotos ou lances isolados no noticiário da TV. Até que surgia alguma competição internacional em que esse pessoal encarava o Brasil. Ali tudo ganhava formas mais nítidas. E assim os brasileiros puderam ver quem era e o que fazia Drazen Petrovic, o tal arremessador iugoslavo. Podíamos ver que o tal arremessador também armava, infiltrava. O cara era bom mesmo…

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A primeiro grande encontro do Brasil com Petro foi em Los Angeles, nos Jogos Olímpicos de 1984. O ala croata tinha apenas 20 anos, e fez 26 pontos na vitória de sua equipe por 98 a 85. Mas as estrelas iugoslavas eram Ratko Radovanovic (cestinha do jogo ao lado de Oscar, ambos com 28 pontos) e Drazen Dalipagic. Dois anos depois, os dois Drazens voltaram a fazer estragos, e a Iugoslávia bateu o Brasil por 117 a 91 na disputa do bronze do Mundial da Espanha.

A sensação que Petrovic passava era de que sempre teria uma resposta para qualquer coisa que Oscar, o grande nome do Brasil, fizesse. Nos Jogos Olímpicos de 1988, as duas seleções não se encontraram, mas Petrovic voltou a comandar seu país em uma vitória sobre os brasileiros em 1990, no Mundial.

Por mais que Oscar saísse de quadra como cestinha, a Iugoslávia de Petrovic sempre vencia. Parecia um jogador infalível, o melhor do mundo fora da NBA. Até porque as seleções universitárias dos Estados Unidos já não conseguiam mais encarar soviéticos e iugoslavos na segunda metade dos anos 80. Ainda que aquelas equipes norte-americanas tivessem nomes como David Robinson, Christian Laettner, Alonzo Mourning, Mitch Richmond, Dan Majerle, Danny Manning, Steve Kerr e Muggsy Bogues, todos com algum nível de sucesso na NBA.

Nesse cenário, era difícil acreditar no insucesso de Petrovic em seu período de Trail Blazers. Não era possível um jogador tão bom estar tão abaixo do nível profissional dos Estados Unidos. A recuperação nos Nets mostrou que não estávamos iludidos ao chamá-lo de craque. Pena que isso não durou. Resta ver mais um vídeo do Youtube, agora com jogadas pelo New Jersey.