Já que prêmio de ícone do Espys podia ser dividido, não custava darem também a Jeff Gordon

Um dos maiores pilotos da história dos Estados Unidos merecia uma homenagem no ano de sua aposentadoria

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Um dos maiores jogadores da história da NFL, fechou sua carreira conquistando o Super Bowl 50. Uma das maiores jogadoras de futebol da história, conquistou a Copa do Mundo feminina em seu último ano. Um dos maiores jogadores da história do basquete, fechou a carreira com uma partida de 60 pontos. Não há a menor dúvida que Peyton Manning, Abby Wambach e Kobe Bryant foram três dos grandes nomes que deixaram o esporte em 2015/16. Por isso, não há como contestar o fato de eles serem merecedores de um prêmio pelo que fizeram, como a edição de 2016 do Espys.

Era difícil decidir entre eles. Cada um, dentro de sua modalidade, foi vencedor e deixou sua marca, como Derek jeter, vencedor único de 2015. Dessa forma, a organização decidiu dar o prêmio aos três. Uma decisão compreensível, já que se trata de uma premiação honorífica e estabelecer uma competição entre quem foi mais espetacular entre grandes nomes acabaria indiretamente desvalorizando a trajetória dos derrotados.

Até aí, tudo certo. Mas, se era possível premiar mais de um atleta nessa categoria, faltou um nome: Jeff Gordon. O piloto encerrou a carreira na Sprint Cup em 2015 com quatro títulos, 93 vitórias (terceiro no ranking histórico) e três vitórias nas 500 Milhas de Daytona. É recordista de vitórias em superspeedways e em mistos, o que mostra sua versatilidade. Também sempre foi muito respeitado por torcedores e adversários. É um dos melhores da história do automobilismo americano.

Manning, Wambach e Bryant (no vídeo abaixo, o discurso deles em inglês) mereciam o prêmio de ícone. Mas, já que era possível entregar para três, podiam dar para quatro e incluir Gordon.

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Veja abaixo a lista completa de vencedores do Espys 2016:

Melhor desempenho de quebra de recorde: Stephen Curry (basquete/Golden State Warriors)
Melhor atleta revelação: Jake Arrieta (beisebol/Chicago Cubs)
Melhor jogada: Aaron Rodgers para Richard Rodgers (futebol americano/Green Bay Packers)
Melhor time: Cleveland Cavaliers (basquete)
Melhor atleta mulher: Breanna Stewart (basquete/UConn Huskies e Seattle Storm)
Melhor atleta homem: LeBron James (basquete/Cleveland Cavaliers)
Melhor desempenho de título: LeBron James (basquete/Cleveland Cavaliers)
Melhor jogo: Golden State Warriors x Cleveland Cavaliers, jogo 7 das finais da NBA (basquete)
Melhor jogador da NBA: LeBron James (Cleveland Cavaliers)
Melhor jogador da MLB: Bryce Harper (Washington Nationals)
Melhor atleta mulher de esporte de ação: Jamie Anderson (snowboard)
Melhor atleta homem de esporte de ação: Ryan Dungey (motocross)
Melhor jóquei: Mario Gutierrez
Melhor jogador de boliche: Jason Belmonte
Melhor atleta universitária: Breanna Stewart (basquete/UConn Huskies)
Melhor atleta mulher com deficiência: Tatyana McFadden (atletismo)
Melhor atleta homem com deficiência: Richard Browne (atletismo)
Maior zebra: Vitória de Holly Holm sobre Ronda Rousey (MMA)
Melhor técnico: Tyronn Lue (basquete/Cleveland Cavaliers)
Melhor atleta internacional: Cristiano Ronaldo (futebol/Real Madrid e Portugal)
Melhor lutador: Conor McGregor (MMA)
Melhor jogador da NFL: Cam Newton (Carolina Panthers)
Melhor jogador da NHL: Sidney Crosby (Pittsburgh Penguins)
Melhor jogadora da WNBA: Maya Moore (Minnesota Lynx)
Melhor atleta universitário: Buddy Hield (basquete/Oklahoma Sooners)
Melhor piloto: Kyle Busch (Nascar)
Melhor golfista homem: Jordan Spieth
Melhor golfista mulher: Lydia Ko
Melhor tenista homem: Novak Djokovic
Melhor tenista mulher: Serena Williams
Melhor jogador da MLS: Sebastian Giovinco (Toronto FC)
Prêmio Jimmy V de Perseverança: Craig Sager
Prêmio Arthur Ashe de Coragem: Zaevion Dobson
Prêmio Pat Tillman de Serviço militar: Sargento Elizabeth Marks
Melhor momento: Cleveland vence seu primeiro título em 52 anos
Melhor atleta que deu a volta por cima: Eric Berry (futebol americano/Kansas City Chiefs)
Prêmio de Ícone: Kobe Bryant (basquete/Los Angeles Lakers), Peyton Manning (futebol americano/Denver Broncos) e Abby Wambach (futebol/Estados Unidos)

Aqui está o discurso de despedida de Peyton Manning. Na íntegra e em português

“Vocês não precisam imaginar se eu sentirei falta. Absolutamente. Absolutamente eu vou”

Peyton Manning fez um belo discurso de despedida da carreira. Mas foi um discurso longo, e sempre se perde alguma coisa nessas horas. Então, aí vai a tradução integral do que disse o (agora ex) quarterback do Denver Broncos.

LEIA MAIS: Por que gostamos tanto de Peyton Manning

“Em meu primeiro jogo da NFL, completei meu primeiro passe para Marshall Faulk, running back que está no Hall da Fama. Eu lancei um touchdown nesse mesmo jogo para Marvin Harrison, que será introduzido ao Hall da Fama em agosto.

O quarterback do nosso oponente, o Miami Dolphins, era – depois de meu pai, meu jogador favorito – Dan Marino, membro do Hall da Fama que, na primeira terceira descida do jogo completou um passe de 25 jardas. Foi um dos melhores lançamentos que já vi.

Mais tarde, eu completei um passo para o tight end Marcus Pollard no meio e alguém me acertou realmente forte e, depois que me levantei, disse para mim mesmo ‘Eu sei que eu posso jogar nessa liga’.

Mais tarde naquela difícil temporada, jogamos e perdemos para o Baltimore. Foi a primeira vez que os Colts tinham jogado em Baltimore desde que saíram da cidade em 1984. Não tivemos uma recepção particularmente calorosa naquele dia. Os torcedores estavam gritando para mim e eu segui pensando, ‘Ei, eu só tinha oito anos na época, sai do meu pé’.

Eu o encontrei uma vez antes, mas quando o jogo terminou eu tive a chance de cumprimentar Johnny Unitas [quarterback lendário do Baltimore Colts, morto em 2002]. Ele me disse: ‘Peyton, você ficou aqui. Estou torcendo por você’.

Bem, eu fiquei. Eu fiquei por 18 anos e espero que o velho número 19 esteja lá em cima e espero que ele saiba que eu fiquei, e talvez ele até sinta um pouco de orgulho de mim.

Tem algo sobre 18 anos. Dezoito é um bom número e hoje eu me aposento do futebol americano profissional.

Eu quero agradecer às pessoas de Nova Orleans e do sul da Louisiana. Nova Orleans é minha cidade natal e claro que eles torcem para o seu time, os Saints, mas eles também torcem para os seus e aquela cidade e estado ficaram ao meu lado desde o início.

Quase 19 anos atrás, eu anunciei minha decisão de desistir do draft e ficar na Universidade do Tennessee para meu último ano. Foi uma das melhores decisões que eu tomei. Eu tenho carinho pelo meu tempo em Knoxville, especialmente meu último ano. E eu quero que os torcedores dos Vols em todos os cantos saibam o papel único que eles tiveram na minha vida.

Obrigado ao Indianapolis Colts e todos os torcedores pelo país. Vocês não podem imaginar quanto eu gostei dos 14 anos lá e o carinho que minha família sente por vocês. Eu estaria errado em não mencionar Jim Irsay, Bill Polian, alguns grandes técnicos, a comissão técnica e um monte de incríveis companheiros de time, muitos dos quais serão amigos para toda a vida.

Quando eu fui draftado pelos Colts, Indianápolis era uma cidade de basquete e automobilismo, meu não demorou muito para os Colts mudarem a cidade e o estado de Indiana em pregadores do futebol americano.

Terminamos minha temporada de estreia com 3 vitórias e 13 derrotas e, no processo, eu estabeleci o recorde de interceptações para um estreante, um recorde que ainda está vivo. Todo ano eu torço para um quarterback estreante quebrá-lo. Andrew Luch, Matthew Stafford, Eli Manning, Cam Newton. Eu ainda brinco com Eli que ele teria quebrado se tivesse sido titular em todos os 16 jogos.

No começo da minha passagem em Indianápolis, a dificuldade do time era agonizante. Meu avô me ligava semanalmente para perguntar se sua equipe de transmissão favorita, John Madden e Pat Summerall, estariam no meu jogo. ‘Paw Paw, estamos só 2-8. Estamos jogando contra os Bengals, que estão com 3-7. Madden e Summerall não transmitem esse tipo de jogo’.

Avançando para meu segundo ano, quando as coisas começaram a melhorar um pouco. Estávamos jogando contra o Dallas Cowboys de Troy Aikman e Emmitt Smith, Michael Irvin e Deion Sanders. Eu liguei para Paw Paw: ‘Adivinha, Madden e Summerall estarão transmitindo o jogo’. Ele disse: ‘ Não acredito’.

Ele ficou muito feliz e orgulhoso, e vencemos os Cowboys naquela semana e fizemos o mundo saber que os Colts tinham chegado. Não se engane, estávamos chegando e seguimos para fazer coisas fenomenais como vencer pelo menos 12 jogos em sete anos seguidos e, claro, vencer o Super Bowl 41. Eu fiquei verdadeiramente honrado e orgulhoso de ser parte disso.

Há um ditado que diz: ‘trate um homem como ele é e ele permanecerá quem ele é. Trate um homem como ele poderia ser e ele se tornará o que ele deveria ser’.

Quando eu visitei Denver quatro anos atrás, se John Elway tivesse se sentado comigo e dito: ‘Peyton, aqui está o que você vai fazer. Vamos vencer mais de 50 jogos, vencer quatro títulos seguidos da divisão, perder apenas três jogos de divisão em quatro anos e nenhum será fora de casa, vamos vencer os Patriots em duas decisões de conferência e você conquistará um prêmio de jogador que deu a volta por cima, outro MVP, seu ataque terá recordes de passes para uma temporada, você vai quebrar alguns recordes de todos os tempos e vamos a alguns Super Bowls’. Eu acho que entendi o acordo.

John, você me disse isso, não disse?

Agradecimento é a palavra que vem à minha mente quando penso nos Denver Broncos. Eu quero agradecer Pat Bowlen e sua família, Joe Ellis, John Elway, John Fox, Gary Kubiak, a comissão técnica e os funcionários desse grande clube.

A todos os meus companheiros em Denver, obrigado pelo que vocês fizeram por esse velho quarterback. E, claro, minha gratidão para os torcedores dos Broncos em todo lugar.

Ao longo da minha carreira na NFL, eu tive cinco técnicos que ajudaram a me tornar melhor na minha profissão e a me tornar um ser humano melhor: Jim Mora, Tony Dungy, Jim Caldwell, John Fox, Gary Kubiak.

Enquanto eu obviamente mudei de times, tive sempre a mesma representação no futebol americano por quase duas décadas. Eu devo muitos agradecimentos a Tom Condon. Ele me representou com categoria em todas as questões e sempre será um grande amigo.

Eu quero agradecer o enorme grupo de amigos que apoiaram minha carreira e estiveram ao meu lado em jogos do ensino médio a Tennessee, Indianápolis e até à incrível vitória dos Broncos no Super Bowl no mês passado. Vocês sabem quem são e o que representam para mim.

Não há meios de expressar adequadamente o que uma família como a minha significa. Mãe, pai, Cooper, Eli, família estendida, vocês são os melhores. Ashley, seu apoio como uma motivadora foi o melhor que um homem pode ter.

Marshall e Mosley, filhos meus e de Ashley, estão por aqui apenas por alguns anos, mas mudaram minha vida para sempre. Uma semana antes do Super Bowl, nossa filha Mosley me perguntou: ‘Papai, esse é o último jogo?’. ‘Sim, Mosley, é o último jogo da temporada.’ ‘Tenho certeza que você conquistará o troféu.’ ‘Eu também, Mosley. E isso é o que vamos tentar fazer.’

Então, ela perguntou: ‘Papai, é o último jogo de todos?’ E eu balancei minha cabeça em espanto porque eu estava pensando: ‘Mort e Adam Schefter chegaram à minha filha de 5 anos para cultivar uma nova fonte’.

Quando alguém completamente exaure uma experiência, ele não pode fazer nada além de reverenciá-la. Eu reverencio o futebol americano. Eu amo o esporte. Então, vocês não precisam imaginar se eu sentirei falta. Absolutamente. Absolutamente eu vou. Nossas crianças são pequenas agora, mas, a medida que eles crescem, nós vamos ensiná-las a curtir as pequenas coisas da vida porque, um dia, elas irão olhar para trás e descobrir que aquilo tudo era muito grande.

Então, aqui estão as coisas que parecem pequenas que, quando eu olho pelo retrovisor, cresceram muito.

Vou sentir falta dos filés no St. Elmo em Indianápolis após uma vitória. Minhas batalhas com os jogadores chamados Lynch, Lewis, Thomas, Bruschi, Fletcher, Dawkins, Seau, Urlacher, Polamalu, Harrison, Woodson e Reed. E com técnicos como Fisher, Ryan, Bilichick, Kiffin, Phillips, Rivera, LeBeau, Crennel, Capers, Lewis, o falecido Jim Johnson e muitos mais. Eu sempre senti que estava jogando contra aquele middle linebacker ou aquele safety ou aquele coordenador defensivo.

Sentirei falta de perceber blitzes com Jeff Saturday. Reggie sentado no topo do banco ao meu lado. Aperfeiçoar um handoff para Edgerrin James. Sentirei falta de Demaryius Thomas dizendo que me amava e agradecendo por vir a Denver depois de cada touchdown que eu lancei para ele.

Sentirei falta de fazer uma jogada com Tom Moore e Adam Gase que termina com um touchdown no domingo. Na sexta eu sentirei falta de coletar as bolas de jogo com o pessoal que cuida do equipamento. Falar de futebol americano com a equipe de transmissão e, depois, sentirei falta de falar sobre o jogo com meu pai. E conferir se os Giants venceram e ligar para o Eli enquanto estamos nós dois nos ônibus de nossos times.

Sentirei falta daquele cumprimento com Tom Brady e eu sentirei falta das viagens de avião apoós uma grande vitória com 53 companheiros em pé nos corredores, rindo e celebrando durante todo o voo. Sentirei falta de jogar em frente a tantos grandes torcedores, tanto em casa quanto fora. Sentirei falta até dos torcedores dos Patriots em Foxborough, e eles deverão sentir falta de mim porque certamente eles conseguiram me vencer muitas vezes.

E isso é importante. Torcedores de futebol americano em todos os lugares precisam saber o quanto eles significaram para mim ao longo dos anos. Torcedores, vocês são a alma do que faz esse esporte notável. Recebi mais cartas de vocês do que posso contar. Cartas de torcedores que me tocaram, me fizeram pensar, rir e me fizeram agir.

Eu aprendi através de meus erros, quedas e derrotas no futebol americano. Aprendi também que esse esporte é uma plataforma poderosa que me deu uma voz que pode ecoar além do esporte. O futebol americano me ensinou a não ser comandado por obstáculos e reveses, mas por sonhos. Por causa de bons genes, fui inteligente o suficiente para saber que essas lições podem enriquecer quem eu sou e onde eu vou a partir de agora.

Estou totalmente convencido que o final da minha carreira é só o começo de algo que eu nem descobri ainda. A vida não está encurtando para mim, está se mudando para um mundo inteiramente novo de possibilidades.

Comentaristas vão especular que meu esforço nos últimos 18 anos foram sobre domínio ou tentativa de dominar cada aspecto de um jogo da NFL. Bem, eu não acredito neles. Porque cada momento, cada gota de suor, cada noite em claro de preparação, cada anotação eu fiz e cada quadro de vídeo que eu vi foram apenas por causa de uma coisa: reverência a esse esporte.

Quando eu olho para trás na minha carreira na NFL, eu sei que, sem dúvida, eu deu tudo o que pude para ajudar meus times a sair de campo com a vitória. Houve outros jogadores que tinham mais talento, mas nenhum poderia estar mais preparado que eu, e por isso não tenho arrependimentos.

Há um versículo, 2 Timóteo 4:7: ‘Combati o bom combate, completei a corrida, perseverei na fé’. Bem, eu combati o bom combate. Terminei minha corrida no futebol americano e, depois de 18 anos, está na hora. Deus abençoe a todos vocês e Deus abençoe o futebol americano.”

Por que gostamos tanto de Peyton Manning

Não são apenas os recordes e conquistas, mas o que ele representava sempre que comandava seu time

Esportes americanos são comumente traduzidos em números. Médias de pontos, touchdowns, home runs, vitórias, gols, strikeouts, jardas, aproveitamento de três pontos, retrospecto em confrontos diretos, desempenho em playoffs e até rendimento em jogos diurnos fora de casa com temperatura ambiente abaixo de 40ºF em ano de eleição presidencial. Por isso, é muito fácil usar estatísticas e mais estatísticas, recordes e mais recordes, para justificar a idolatria a um jogador como Payton Manning. Mas não é nada disso.

O quarterback do Denver Broncos anuncia sua aposentadoria nesta segunda como um dos jogadores mais admirados dos Estados Unidos e um dos maiores da história da NFL (para muitos, o maior). E muito disso tem a ver com o que ele representava cada vez que entrava em campo e comandava sua equipe a uma campanha vitoriosa.

Manning é daqueles jogadores que parecem atemporais. Representam o que o torcedor aprendeu a ver como um atleta “clássico” de sua modalidade. Parece ter um talento transcendente, que permite que ele domine as ações e imponha sua técnica de forma quase natural e incontestável, como se soubesse que aquele é seu lugar e não precisasse jogar isso na cara dos demais. Ele só faz o seu papel e pronto. Não precisa de força ou capacidade física que atropele os outros, tampouco cria alguma coreografia para que todos vejam quando ele salvou o dia ou tem uma vida pessoal extravagante.

Pelo olhar marqueteiro, Peyton Manning seria um jogador comum e quase ignorável. Seria um figurante a mais na liga, mas basta a jogada cair em suas mãos para ele observar o posicionamento da defesa adversária, definir por conta própria a jogada e distribuir passes com precisão para mudar. Ele age como um fazendeiro de uma cidade do interior da Itália ao produzir seu vinho ou seu queijo: discreto, preciso e inigualável em sua arte.

Todo esporte tem mitos com essas características: o futebol teve Zidane, o tênis tem Roger Federer, o beisebol teve Greg Maddux, o basquete teve Larry Bird e o automobilismo teve Alain Prost (e Emerson Fittipaldi, se você faz questão de um brasileiro na lista). É fácil encontrar pessoas que olham esses caras e prefiram outros da mesma época, como Ronaldo, Rafael Nadal, Roger Clemens, Magic Johnson e Ayrton Senna. Mas é quase impossível encontrar alguém que não admire e respeite o que esses craques faziam e como representavam o que de mais nobre há em suas modalidades. Como Peyton Manning.

Peyton Manning jogou no sacrifício, e agora estão discutindo qual era a lesão

Jogador estaria com problema muscular na coxa direita desde dezembro, quando enfrentou os Chargers

Era nítido para quem via Denver Broncos x Indianapolis Colts. Peyton Manning não estava em sua melhor condição, e parecia algo mais sério do que o tradicional desconforto de jogar no frio de janeiro. Seus lançamentos não estavam tão precisos, a escolha das jogadas nem sempre parecia a melhor. Por isso, não surpreendeu quando saiu a notícia, nesta segunda, de que ele realmente entrou em campo com lesão. A questão agora é definir qual é essa contusão.

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Adam Schefter, repórter da ESPN especializado em bastidores da NFL, informou em seu Twitter que Manning está com um rompimento no quadríceps (músculo da coxa) direito. O quarterback estaria atuando no sacrifício há um mês. A contusão teria ocorrido na partida contra o San Diego Chargers, em 14 de dezembro.

Em seguida, o jornal Denver Post contestou parte da informação de Schefter. Reforçou que o quarterback estaria contundido desde o jogo contra os Chargers, mas o problema seria uma luxação no quadríceps, não um rompimento.

Pode parecer um preciosismo discutir o que ocorreu na coxa direita de Manning, considerando que os Broncos já foram eliminados, mas já surgiu a especulação de que o jogador poderia se aposentar. Um rompimento muscular, ainda que não coloque em risco sua condição para a temporada 2015/16, poderia ter um efeito psicológico mais forte no momento de decidir entre assinar mais um contrato ou parar de vez.

Jornal ficou tão desnorteado com atuação de Peyton Manning que até confundiu os QBs

Columbus Dispatch deu uma manchete para o grande desempenho de… John Elway

Peyton Manning é um fenômeno, talvez o maior quarterback na história. Mas sua passagem no Denver Broncos ainda está no começo. Foi uma boa temporada, e a segunda começou com um jogo paranormal. Tão paranormal que o pessoal do Columbus Dispatch, jornal de Columbus (capital de Ohio), se empolgou e já confundiu Manning com o maior QB que o time do Colorado já teve.

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Veja a manchete do diário para a vitória dos Broncos sobre o Baltimore Ravens na abertura da NFL:

Elway ainda joga? (Reprodução)
Elway ainda joga? (Reprodução)

Você preferiu a balada a ver Broncos x Ravens? Temos uma má notícia para lhe dar…

Depois de se salvar com TD de 70 jardas no último minuto, Baltimore ganha por 38 a 35 na (segunda!!!) prorrogação

Ray Rice comemora vitória dos Ravens (Crédito: Jeff Gross/Getty Images/AFP)

“Ah, jogo sábado à noite, não rola. Melhor ir à balada e ver se chega a tempo de ver 49ers x Packers que esse é, afinal, o grande clássico do dia.” Se você entrou nessa, se deu mal. Denver Broncos e Baltimore Ravens protagonizaram o que talvez tenha sido o melhor jogo da temporada 2012/13 da NFL. Melhor para os Corvos, que sobreviveram várias vezes para vencer por 38 a 35 na segunda prorrogação. Sim, jogo histórico, daqueles para se falar durante vários anos.

Foi um jogo bem diferente dos da semana passada. Desta vez, os ataques superaram as defesas e protagonizadam um festival de touchdowns. Foram cinco para cada lado no tempo normal. Nesse contexto, houve TDs de diversos modos: retorno de interceptação, retorno de punt, retorno de kick off e, claro, passe e corrida.

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Mas seguir a pontuação não mostra toda a emoção da partida. Ainda que nenhum time tenha aberto mais de uma posse de bola de vantagem, o modo como Baltimore ressuscitou no último minuto do tempo normal e, depois, no último minuto da prorrogação mostram como esse jogo ficará entre as lendas dos torcedores dos Ravens. Um jogo que, além de salvar a temporada do time, ainda prolongou a carreira do ídolo Ray Lewis por, no mínimo, mais uma semana.

E aí, sua balada foi tão boa assim?

OS PONTOS

12min14, 1º quarto – Denver 7×0 Baltimore
Trinton Holliday retorna punt de 90 jardas para touchdown. Matt Prater converte ponto extra

10min31, 1º quarto – Denver 7×7 Baltimore
Joe Flacco passa para Torrey Smith em touchdown de 59 jardas. Justin Tucker converte o ponto extra.

9min49, 1º quarto – Denver 7×14 Baltimore
Corey Graham intercepta passe de Peyton Manning e retorna para touchdown. Justin Tucker converte ponto extra.

4min09, 1º quarto – Denver 14×14 Baltimore
Peyton Manning passa para Brandon Stockley em touchdown de 15 jardas. Matt Prater converte ponto extra.

7min26, 2º quarto – Denver 21×14 Baltimore
Peyton Manning passa para Knowshon Moreno em touchdown de 14 jardas. Matt Prater covnerte ponto extra.

0min36, 2º quarto – Denver 21×21 Baltimore
Joe Flacco passa para Torrey Smith em touchdown de 32 jardas. Justin Tucker converte ponto extra.

14min47, 3º quarto – Denver 28×21 Baltimore
Trinton Holliday retorna chute para touchdown de 104 jardas. Matt Prater converte ponto extra.

0min20, 3º quarto – Denver 28×28 Baltimore
Ray Rice corre para touchdown de 1 jarda. Justin Tucker converte ponto extra.

7min11, 4º quarto – Denver 35×28 Baltimore
Peyton Manning passa para Demayius Thomas em touchdown de 17 jardas. Matt Prater converte ponto extra.

0min31, 4º quarto – Denver 35×35 Baltimore
Joe Flacco passa para Jacoby Jones em touchdown de 70 jardas. Justin Tucker converte ponto extra.

14min08, 2ª prorrogação – Denver 35×38 Baltimore
Justin Tucker acerta field goal de 47 jardas.

O CARA

Joe Flacco

Não é o quarterback mais consistente da NFL. Na verdade, é um jogador de nível bom para um time com pretensões de playoffs, mas não se espera que seja ele realmente a força dos Ravens. Mas não dá para contestá-lo neste sábado. Lançou para 331 jardas e 3 touchdowns, sem sofrer nenhuma interceptação (viu isso, Peyton?). E, mais importante que os números, foi como Flacco apareceu nos momentos mais agudos. Faltando 41 segundos para o final da partida, com seu time na marca de 30 jardas do próprio campo, ele conseguiu um passe para TD de 70 jardas de Jacoby Jones, ressuscitando sua equipe.

O MOMENTO-CHAVE

O touchdown de Jacoby Jones foi “o” momento do jogo, óbvio. Mas já falamos bastante da jogada no parágrafo acima. Então, vale destacar a interceptação de Peyton Manning faltando um minuto para o final da prorrogação. O Denver tentava se posicionar para Matt Prater chutar o field goal da vitória, mas o quarterback se viu pressionado, acabou correndo para a direita e tentou um passe sem o equilíbrio necessário. Corey Graham interceptou e já deixou Baltimore em posição boa para construir a campanha da vitória.

O NÚMERO

52
Jardas de distância na tentativa de field goal do Denver Broncos no terceiro quarto. Matt Prater não conseguiu a conversão e o time do Colorado perdeu a oportunidade de abrir dez pontos (31 a 21) de vantagem.