Playoffs estão criando um novo conceito de arremessador: o super-reliever

Os melhores jogadores do bullpen ainda precisam fechar o jogo, mas o jogo não é necessariamente arremessar a nona entrada

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Uma partida de playoff da MLB pode exigir um espaço grande na agenda do torcedor. Com a temporada em jogo, muitos técnicos lançam mão de todas as suas armas para assegurar a vitória. Normalmente, isso significa um desfile de relievers, muitos deles saindo do bullpen para fazer uma ou duas eliminações e deixar o montinho. Era a superespecialização dos arremessadores, promovida por técnicos que buscam sempre o braço ideal para eliminar cada rebatedor adversário antes de chegar ao set up (oitava entrada) e o fechador (nona). Uma estratégia que se mostrou eficiente e até hoje pauta a atuação de treinadores nas entradas finais. Mas a pós-temporada 2016 está subvertendo essa lógica.

O ponto de mudança foi o jogo de repescagem entre Toronto Blue Jays e Baltimore Orioles, o primeiro do mata-mata. Buck Showalter, tido como um dos melhores técnicos da MLB, adotou uma postura convencional para lidar com seus arremessadores. Foi colocando jogadores especializados nas entradas finais de um duelo que estava empatado. Entraram Mychal Givens, Donnie Hart, Brad Brach, Darren O’Day, Brian Duensing e, quando o confronto parecia ir longe nas entradas extras, Ubaldo Jiménez. Quem não entrou foi Zach Britton. O melhor fechador da temporada ficou na espera de seu time assumir a vantagem para finalizar a partida.

Ainda durante o jogo, muitos torcedores e jornalistas criticavam a ausência de Britton. Afinal, era um jogo de vida ou morte para os O’s e era preciso tratar cada entrada como se fosse a última. Showalter preservou o arremessador para uma possibilidade futura. A possibilidade não se confirmou e o futuro da equipe foi entrar em férias.

A partir daí, a abordagem de muitos técnicos foi completamente diferente. Ainda mais porque os playoffs de 2016 têm sido generosos em partidas de placares apertados. Ainda que haja momentos de desfile de jogadores saindo do bullpen, como nos confrontos entre Los Angeles Dodgers e Washington Nationals, surgiu a figura do super-reliever. Assim, o braço mais confiável não é usado necessariamente para manter uma vantagem na nona entrada. Até porque o momento mais delicado talvez seja na sexta, na sétima ou na oitava entrada, naquele momento em que chega a vez dos melhores rebatedores do adversário, há corredor em base. E, como são playoffs, não dá para pensar muito no futuro. É preciso garantir o presente.

Andrew Miller tem sido um dos melhores jogadores da atual pós-temporada por incorporar como ninguém esse papel. Quando os Indians precisaram evitar que o Boston Red Sox ou os Blue Jays crescessem, ele foi ao montinho garantir uma ou duas entradas impecáveis. Kenley Jansen fez essa função nos Dodgers (e o Clayton Kershaw entrar para finalizar uma partida está dentro dessa lógica), Roberto Osuna fechou jogo em duas entradas no Toronto e Aroldis Chapman foi acionado nessas situações pelo Chicago Cubs. Desses, é possível dizer que Chapman não teve sucesso, mas os demais foram importantes para levar seus times às finais de liga.

Entre os times já eliminados, os Nationals ensaiaram usar Mark Melancon nesse papel no jogo 5 contra os Dodgers e o Texas Rangers fizeram isso com Matt Bush no jogo 3 contra os Blue Jays. Os demais times (Red Sox, New York Mets e San Francisco Giants) foram mais convencionais pela falta de opção, pela ausência de um jogador com essas características ou falta de necessidade pelas circunstâncias dos jogos. Não dá para saber se fariam o mesmo em outros cenários.

De qualquer modo, o sucesso dessa medida propõe uma releitura sobre o papel dos fechadores e até de qual é o momento mais delicado da partida. É uma estratégia que desgasta os arremessadores e talvez não seja usada largamente durante a temporada regular, quando gerenciar o elenco pensando nos dias seguintes é quase tão importante quanto comandar a equipe em campo. Mas, em playoffs, é possível que se torne um caminho bastante usado. Bom para os fechadores, que terão uma valorização de seu trabalho (e de seus salários), e um desafio novo para técnicos e dirigentes que precisarão contar com uma figura como essa no elenco.

Nationals x Dodgers demorou tanto que fez que o metrô fosse xingado em rede nacional

As pessoas parecem irritadas com o serviço metroviário de Washington

O jogo chegava ao final e a tensão crescia. O duelo valia uma vaga na semifinal do campeonato para o vencedor, e as férias antecipadas para o perdedor. Técnicos vão fazendo substituições para ter as melhores condições para a vitória e a torcida local já temia pelo pior quando via a reação da equipe adversária. De repente, os torcedores se unem em um grito, que pôde ser ouvido até pelos que acompanhavam a partida pela TV: “O metrô é uma droga! O metrô é uma droga!”.

Veja a matéria completa no Outra Cidade

Royals arrumam problema com os vizinhos de Kansas ao consolar Panthers

E toda a inusitada troca de mensagens começou com os Mets

Os dois times de Kansas City, Chiefs e Royals, mostraram muita sintonia nos últimos anos. Duas franquias que vinham de várias temporadas ruins,a mbas cresceram recentemente e aproveitaram para se apoiarem nos momentos de playoffs, criando uma boa relação no cenário esportivo de Kansas. Mas isso teve um abalo, simplesmente porque o representante da cidade na MLB resolveu fazer uma graça com o Carolina Panthers pelo Twitter.

Incrivelmente, essa histórica começou com o New York Mets. O time ofereceu palavras simpáticas para Denver Broncos e Panthers, parabenizando os primeiros pelo título do Super Bowl e dizendo ao Carolina que, como perdedores da última World Series, sabem como é duro perder uma decisão.

//platform.twitter.com/widgets.jsOs Panthers pegaram carona. Agradeceram, aproveitando para lembrar que os Royals venceram a World Series um ano após ficarem com o vice.

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A bola passou para os Royals, que ofereceram palavras de conforto e inspiração: “Redenção torna tudo mais saboroso. Boa sorte!”.

//platform.twitter.com/widgets.jsOutro time de Kansas City não gostou de ver o vizinho desejar sorte aos Panthers, e não ao representante da cidade na NFL. Como assim?

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Aí os Royals tiveram de agir como marido que foi pego flertando outra garota e teve de dar alguma prova de amor aos Chiefs.

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Royals conquistam World Series mostrando como sufocar o adversário no beisebol

Um ataque em avalanche e um bullpen quase impenetrável deixaram Mets sempre com as costas contra a parede

Beisebol não tem marcação, não tem um time impedindo fisicamente o outro de agir. Cada equipe tem sua vez de arremessar/defender e de rebater/atacar, com jogadores dentro de espaços definidos para agir. Mas é possível sufocar o adversário também no beisebol, e o Kansas City Royals conquistou a World Series por saber como usar isso.

O time comandado por Ned Yost joga com intensidade. Não é a melhor rotação da MLB, também não tem os rebatedores de mais potência da liga. Mas usa suas armas para fazer o adversário sempre se sentir acuado, contra as cordas, mesmo quando tem vantagem no marcador. Afinal, os Royals controlam mentalmente o duelo e deixam margem mínima de erro para o oponente.

O primeiro motivo disso é o ataque. Não é um alinhamento que aparece em todos os momentos, mas surge sempre em avalanche. Os rebatedores não sofrem strikeouts. Eles colocam a bola em jogo e são rápidos, expondo a defesa adversária a suas próprias fragilidades. Além disso, uma rebatida parece sempre dar início a uma série delas, como flechadas que vão ferindo e enfraquecendo o arremessador adversário até ele cair.

Como um predador, o Kansas City parece escolher a hora certa para esse ataque. Sempre na segunda metade do jogo, quando o adversário está mais cansado e vulnerável, e quando há menos chance de um contra-golpe. Não à toa, o tine anotou 51 corridas a partir da sétima entrada nos playoffs de 2015, de muito longe um recorde na história da MLB (a marca anterior era do Anaheim Angels de 2002, com 36).

Para dar suporte a isso, o bullpen é quase impenetrável. Toronto Blue Jays e New York Mets entraram em campo na final da Liga Americana e na World Series sabendo que precisavam resolver o jogo até a sexta entrada. Se não tivessem uma vantagem folgada, teriam problemas. Não apenas porque o ataque dos Royals resolve aparecer, mas porque Wade Davis e Kelvin Herrera praticamente não dão chances aos rebatedores adversários.

O New York Mets não soube lidar com essa intensidade. Tiveram vantagem no marcador em todas as cinco partidas da World Series, mas cederam no momento de pressão em quatro delas. A limitação da defesa se fez sentir, bem como a vulnerabilidade do bullpen. O Kansas City cercava e dava o bote, sem dar margem para qualquer saída.

No jogo 5, o definitivo, Matt Harvey quase anulou os Royals. O abridor dos Mets foi gigantesco por oito entradas e manteve seu time com vantagem de 2 a 0. Ele pediu para ficar a nona entrada, cedeu um walk e uma rebatida dupla, o que deu a brecha necessária para o Kansas City empatar em cima de Jeurys Familia (que se tornou o primeiro fechador da história a entregar três jogos na mesma World Series) e, na 12ª entrada, vir como uma bola de neve com cinco corridas e um 7 a 2 virtualmente impossível de virar.

Esse sistema de jogo mostrado pela equipe de Ned Yost difícil de montar, pois depende de um trabalho coletivo grande. Mas, quando isso se materializa, é bom de ver. Mesmo para quem não é um feliz torcedor dos Royals.

Jogo 6 foi decidido nos detalhes, mas a vaga na World Series foi para o melhor time

Blue Jays podem se lamentar de pequenos lances da partida de sexta, mas Royals venceram porque foram melhores em quase tudo

O torcedor do Toronto Blue Jays terá cinco meses para ficar dissecando o último jogo de sua equipe na temporada 2016. Não faltará assunto. A vitória do Kansas City Royals por 4 a 3 que definiu o título da Liga Americana foi definida por detalhes, e dá para ficar muito tempo discutindo cada um deles. Foi realmente home run de Mike Moustakas ou o torcedor interferiu com a jogada? José Bautista bobeou ao ignorar a possibilidade de Lorenzo Cain correr três bases em uma rebatida simples na oitava entrada? O árbitro Jeff Nelson não adotou uma zona de strike generosa demais para Wade Davis fechar a partida?

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Tudo isso merece consideração, e talvez o torcedor canadense chegue à conclusão que o Toronto poderia (ou pior, que deveria) ter vencido a partida desta sexta. Mas esses detalhes podem ter definido o sexto confronto da série, mas não definiram a classificação. A classificação foi definida ao longo dos seis jogos, e, no final das contas, os Royals foram à World Series porque foram um time melhor.

O Kansas City tinha como ponto frágil a sua rotação. De fato, ela foi instável, com algumas atuações fracas (Cueto no jogo 4, principalmente) e outras um pouco acima de medianas (como Yordano Ventura no jogo 2). Mas foi isso. De resto, o time foi consistente em vários fundamentos. Chegou bastante em base, soube atacar os arremessadores adversários em um momento qualquer de vulnerabilidade, defenderam melhor e tinham o bullpen para evitar sustos nas entradas finais.

Dois números simples revelam como os Royals estavam mais prontos para a decisão. Somando as seis partidas da final da Liga Americana, o Kansas City bateu o Toronto por 59 a 46 em rebatidas e por impressionantes 24 a 5 em corridas anotadas nas últimas três entradas (sendo 10 a 1 na sétima, quando os bullpens costumam entrar em ação). Poderíamos afundar ainda mais em estatísticas como aproveitamento com corredores em base, ERA do bullpen ou produção da parte de baixo do alinhamento, mas eles apenas confirmam o que esses dois números já mostram: os Royals tiveram mais volume de jogo e cresceram na hora decisiva.

NA LIGA NACIONAL: Depois de 15 anos os Mets estão de volta à World Series com um herói no elenco

Enquanto isso, os Blue Jays se viram refém de sua principal virtude, as rebatidas longas. O time canadense desperdiçou muitas oportunidades de anotar corridas por não conseguir contatos para rebatidas simples. Dependeu demais de pancadas e, nos dias em que elas não vieram, o Toronto ficou asfixiado.

O jogo 6 tem sua história própria, mas a história de seu resultado não é exatamente a mesma da série. E essa fala de um bicampeonato justo de uma equipe que foi melhor.

A World Series está chegando, e até os Simpsons estão ansiosos por ela

Os Isotopes não disputam o título nesta temporada, mas isso não impediu Springfield de entrar no clima da decisão do beisebol

As finais da Liga Nacional e da Liga Americana ainda estão quentes, mas já tem gente pensando na World Series. Afinal, tudo acontece rápido no beisebol (quer dizer, exceto um arremesso do Clay Buchholz) e na próxima terça tem o arremesso inicial do jogo 1 da final da MLB. Entre a turma ansiosa pela decisão está Springfield, mesmo que os Isotopes tenham fracassado por mais uma temporada.

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Veja a chamada da Fox (canal que transmitirá as finais nos Estados Unidos) para a World Series:

Por que a arbitragem errou feio na jogada que decidiu Dodgers x Mets

Juízes podiam dar queimada dupla ou apenas eliminar Utley, mas deixá-lo a salvo na base é quase incompreensível

O texto da lei, em qualquer esfera, nunca será perfeito. O mundo real sempre é mais complexo do que as palavras e inevitavelmente surgirão situações em que duas ou mais regras se contradizem. Para isso existe o sistema judiciário ou estruturas que arbitram ou julgam como o fato deve ser interpretado. Vale para a justiça comum, vale para o esporte. E um exemplo deste fim de semana vem dos Estados Unidos, no polêmico choque entre Chase Utley e Rubén Tejada que acabou decidindo a vitória do Los Angeles Dodgers sobre o New York Mets por 5 a 2 de virada.

A partida estava na sétima entrada e os nova-iorquinos venciam por 2 a 1, com um eliminado. Kike Hernández estava na terceira base e Chase Utley, na primeira. Howie Kendrick rebateu em linha para a segunda base. Daniel Murphy fez a defesa e lançou para o shortstop Rubén Tejada. A possibilidade de queimada dupla, que salvaria os Mets naquele momento, era palpável. Utley se atirou em Tejada para atrapalhar sua ação.

Foi uma sequência toda negativa para os nova-iorquinos. Hernández anotou a corrida do empate, Kendrick chegou sem problemas à primeira base, Tejada fraturou a fíbula no choque e Utley (após revisão de replay que reverteu a decisão inicial) ainda foi considerado salvo porque o defensor dos Mets não tocou a base, mesmo que ele próprio também não o tenha feito. O time visitante perdeu a concentração e acabou cedendo mais três corridas.

Foi uma decisão trágica da arbitragem. Oficialmente, o que ocorreu foi o seguinte:

1) Utley se projeta de forma dura, mas tecnicamente legal como modo de dificultar a ação do defensor;

2) Como Tejada faz a defesa de costas para a primeira base, foi interpretado que ele quis apenas eliminar Utley, sem ter pretensão de queimada dupla;

3) Utley não tocou a base, mas Tejada tampouco pisou na base ou tocou a luva no jogador dos Dodgers. Pela regra, se nenhum dos dois jogadores toca a base, o corredor é considerado a salvo. Além disso, Utley desistiu de tocar na base quando o árbitro marcou sua eliminação, não por incapacidade ou desistência. Foi o que a equipe que faz a revisão das jogadas pelo replay considerou ao orientar os árbitros de campo.

MAIS POLÊMICA: Os árbitros conseguiram errar e acertar ao mesmo tempo em lance decisivo. Depende do critério

Esse caminho é possível pelas regras, mas ele é todo torto e, em última instância, bastante equivocado. Sobretudo por ignorar vários elementos dentro da regra que entrariam em choque com a interpretação adotada.

1) A forma como Utley se projetou deveria ser considerada ilegal. Ele se atira tarde demais e passa por cima da base, o que descaracteriza uma tentativa legítima de tocar a base. Ele apenas comete uma interferência, “falta” que resultaria em sua eliminação e na do corredor que se dirigia à primeira base. Ou seja, a entrada terminaria e nem a corrida de Hernández seria anotada.

Nesse ponto é possível dar o benefício da dúvida aos árbitros, pois lances de interferência não podem ser mudados por revisão de replay. Como o árbitro da segunda base (Chris Guccione) não viu inicialmente que Utley passou sobre a base (um equívoco aceitável, não foi tão claro no momento em que ocorreu), o carrinho foi considerado legal, uma definição que não poderia ser alterada.

2) O principal erro, e a raiz dos problemas. Veja novamente o vídeo acima. Claramente Tejada tinha pretensão de queimada dupla. Ele pisa de costas para a primeira base porque o lançamento de Murphy o forçou a virar o corpo para apanhar a bola, mas ele começa a girar e preparar o braço direito para o lançamento quando é atropelado. Esse detalhe faz uma diferença enorme dentro do contexto.

Ao marcar uma escolha defensiva na segunda base, o árbitro de campo estabeleceu que a jogada era revisável pelo replay. Se fosse tentativa de queimada dupla, entraria em vigor a regra de “neighborhood play” (jogada de vizinhança, que basicamente é uma flexibilização da regra de eliminação em caso de queimada dupla, dando ao defensor o direito de apenas se aproximar da segunda base antes de lançar para a primeira, reduzindo o risco de lesão por atropelamento por parte do corredor).

A neighborhood play não é mencionada diretamente no regulamento do jogo e foi adotada de modo informal pela arbitragem por décadas, mas ela se tornou indiretamente oficial em 2014, quando a MLB estabeleceu o que poderia ou não ser mudado por revisão de replay. Um dos itens definidos como revisável é “eliminação forçada (EXCETO o defensor tocar a segunda base em uma queimada dupla)”. Ao definir que eliminações na segunda base em tentativa de queimadas duplas não podiam ser mudadas, a liga oficializou que os árbitros teriam a liberdade para definir como bem entendessem essas jogadas. E foi o que ocorreu, tanto que houve dezenas de casos nos dois últimos anos em que técnicos não puderam pedir revisão de jogadas nessas características. Ontem foi uma incompreensível exceção.

3) De fato, Tejada não fez a eliminação de Utley, mas como ele faria isso se estava claramente lesionado (a fratura foi identificada minutos depois, nos vestiários) e se não precisava porque o árbitro já havia marcado eliminação? A flexibilidade empregada pelos árbitros para absolver Utley pelo não toque da base não foi adotada para o lesionado Tejada.

O resultado final foi desastre completo, com uma marcação criticada por grande parte dos analistas e pelo público. Joe Torre, ex-técnico das duas equipes e atual vice-presidente da MLB, deu entrevista após a partida e deixou nas entrelinhas que os árbitros erraram. Afirmou que o carrinho de Utley foi “um pouco atrasado” (o que poderia definir como fora da linha legal de ocupação da base) e que o jogador do Los Angeles “estava tentando quebrar uma queimada dupla” (o que caracteriza a jogada como queimada dupla).

De qualquer maneira, não dá para afirmar que os Dodgers não teriam condições de reagir. A interpretação mais recorrente da jogada é a que daria a Hernández a corrida do empate e o duelo seguiria. Mas certamente os ânimos dos Mets estarão exaltados, sobretudo para o jogo desta segunda no Citi Field. Os nova-iorquinos poderão usar o caso como motivação extra para passarem de fase, mas isso também pode ser canalizado de forma errada e servir apenas para tirar a concentração dos jogadores.

A missão dos times é saber digerir da forma mais adequada o que ocorreu. Mas a MLB precisará conversar bem sobre o que ocorreu para evitar novas polêmicas causadas por algo que deveria acabar com elas, o replay.

Os árbitros conseguiram errar e acertar ao mesmo tempo em lance decisivo. Depende do critério

O replay criou um novo tipo de polêmica no beisebol, e os árbitros adotaram uma postura mais flexível em relação à interpretação das regras

Toronto Blue Jays e Texas Rangers faziam o jogo mais acirrado dos playoffs 2015 da MLB. A partida seguia em 4 a 4 em entradas extras e ninguém queria ceder nada. Os texanos sabiam que uma vitória praticamente definiam a classificação após a vitória no jogo 1 da série, também em Toronto, enquanto os canadenses precisavam se recuperar para recuperar o moral. Até que, na 14ª entrada, ocorreu um lance decisivo.

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Chris Giménez conseguiu uma rebatida simples para o campo externo. Rougned Odor, que estava na primeira base, correu para a segunda e ensaiou partir para a terceira. Voltou rapidamente e levou a tentativa de queimada de Troy Tulowitzki. O juiz não marcou a eliminação, a entrada continuou e os Rangers anotaram as duas corridas que deram a vitória por 6 a 4. Mas… Odor estava realmente salvo?

Os Blue Jays pediram a revisão da jogada pelo replay. A maior parte dos ângulos deixam muita dúvida sobre a posição do pé de Odor, mas uma imagem (destacada na foto no alto dessa página e aos 3:50 no vídeo abaixo) deixa claro que o jogador dos Rangers perdeu contato com a base por alguns décimos. Evidências suficientes para os árbitros reverterem a marcação e encerrarem o turno ofensivo dos texanos. Mas isso não ocorreu, e a polêmica se instalou.

Tecnicamente, parece claro que Odor foi tocado pela luva de Tulowitzki em um momento em que não estava na base. Pela interpretação literal da regra, eliminação incontestável. No entanto, esse tipo de jogada já está motivando alguns debates sobre como deve ser encarada.

Até a implantação do replay, corredores tinham o benefício da dúvida quando algum defensor tentava queimá-los no momento em que tocava a base. Pequenas perdas de contato com a base, como a de Odor (ele toca a base, mas acaba se descolando por alguns centímetros), eram imperceptíveis e, portanto, perdoados. Isso fazia parte do jogo.

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Desde que jogadas de eliminação em base se tornaram revisáveis por replay, as câmeras lentas passaram a encontrar várias eliminações de corredores que chegaram na base, mas se desprenderam dela pelo embalo. Defensores identificaram essa possibilidade, e passaram a insistir ao encostar a luva no corpo do adversários, às vezes (não é o caso desse lance de Blue Jays x Rangers) quase o empurrando para tirar proveito de qualquer perda de contato com a base.

Isso mudou as características desse tipo de jogada, motivando alguns analistas a pedirem uma certa flexibilidade na interpretação das regras nesse lance. Pode parecer estranho ou defender o descumprimento da lei, mas essa mesma “margem de erro” é adotada em favor dos defensores nas queimadas duplas. Para diminuir o risco de impacto com o corredor, o shortstop ou segunda base não precisa tocar a base antes de lançar a bolinha para a primeira. Basta chegar perto para a arbitragem aceitar a eliminação.

O que os árbitros de Blue Jays x Ranges fizeram foi adotar essa postura mais flexível. É certo por um lado, e errado por outro. Durante as férias, a liga precisará debater melhor que critério usar para essas jogadas. Enquanto isso, o torcedor do Toronto vai reclamar. Mas os canadenses também podem pensar em como seus arremessadores cederam duas corridas com apenas uma eliminação na mão e em como o melhor ataque da MLB ficou nove entradas sem anotar uma corridinha sequer.

Pancada de Daniel Murphy foi tão grande que bolinha ficou com seu nome marcado

Home run do jogador dos Mets em cima de Clayton Kershaw foi realmente espetacular

Los Angeles Dodgers x New York Mets foi o duelo de arremessadores que se esperava. Clayton Kershaw teve 11 strikeouts e cedeu três corridas (duas delas depois que tinha saído do montinho) em mais de 6 entradas, enquanto que Jacob deGrom conseguiu 13 strikeouts e não cedeu corrida alguma na vitória nova-iorquina por 3 a 1. No entanto, a jogada mais espetacular foi de Daniel Murphy.

NA TV: Anote aí para não se perder: a programação dos playoffs da MLB na TV nesta semana

Veja o home run que o segunda base rebateu na quarta entrada:

A pancada foi tão grande que deixou marcas na bolinha. Como ela caiu dentro do bullpen dos Mets, os companheiros de Murphy puderam guardar o souvenir. E viram que o a estampa que identifica o dono do bastão passou para o couro da bolinha, que ficou com as marcas do responsável pela pancada.

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Veja Sean Rodríguez descontando sua frustração em um pobre balde de isotônico

O jogador do Pittsburgh Pirates estava meio pilhadão e acabou transformando o Gatorade em saco de pancada

Deve ser decepcionante ter a segunda melhor campanha da temporada regular, mas ser eliminado em casa porque perde um jogo único contra o arremessador em melhor fase do planeta. Dá para entender o que passava na cabeça do Pittsburgh Pirates ao cair diante do Chicago Cubs, mas teve gente que ficou pilhado acima da conta. Como Sean Rodríguez.

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O arremessador Jake Arrieta estava passando por cima dos Piratas, mas duas bolas saíram de controle e acabaram acertando rebatedores do Pittsburgh. Quando o abridor dos Cubs foi ao bastão, levou o troco. Os ânimos ficaram exaltados, sobretudo de Rodriguez, que havia sido substituído.

O defensor interno foi expulso, e resolveu fazer com o balde de Gatorade do banco o que ele gostaria de fazer com todo o time do Chicago.