Atentado de Charleston não foi a uma igreja, mas a um símbolo da luta contra a escravidão

A Emanuel Metodista Episcopal Africana foi a primeira igreja negra do sul dos EUA

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Um indivíduo entra armado em uma igreja metodista, acompanha por uma hora uma sessão de um grupo de estudos bíblicos e, repentinamente, sai atirando. Nove pessoas morrem, incluindo o pastor Clementa Pinckney. Um caso que poderia levantar suspeita de motivação religiosa, mas que tem todos os elementos de um crime racial. E uma das principais razões disso é o próprio palco da tragédia.

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A história da Igreja Emanuel Metodista Episcopal Africana de Charleston (Carolina do Sul) está diretamente ligada à luta contra a escravidão no Sul dos Estados Unidos. Até porque sua existência se deve ao fato de que negros queriam ter um local para manifestar sua fé sem entrar em conflito com o desejo de serem livres.

No início do século 19, a escravidão ainda era permitida nos estados do sul dos EUA. A igreja não estava fora do processo, e muitas aceitavam abertamente essa situação. Negros eram proibidos ou tinham de ficar em ambientes separados. Isso motivou a divisão de diversas igrejas, com o surgimento de algumas voltadas especificamente para pastores e fieis negros.

Assim surgiu a Igreja Metodista Episcopal Africana, em 1816 na Filadélfia. Essa igreja, assim como outras da comunidade negra, se tornaram locais para reunião e debate de movimentos contra a discriminação racial e a escravidão. Não demorou para o movimento migrar para o sul, região dos Estados Unidos em que a questão era mais delicada. Em 1818, surgiu a primeira igreja metodista africana do sul, a Igreja Emanuel Metodista Episcopal Africana de Charleston (conhecida como Mãe Emanuel).

Um dos líderes da congregação era Denmark Vesey, um ex-escravo que tinha uma situação privilegiada dentro da comunidade. Sabia ler e falar três idiomas (inglês, francês e espanhol), tendo acesso a muito mais informações que uma pessoa média na época, e havia comprado sua liberdade após ganhar na loteria. No entanto, não conseguiu convencer o dono de sua mulher a vender sua liberdade (e a de seus futuros filhos).

Denmark Vesey, um dos fundadores da Igreja Emanuel Metodista Episcopal Africana de Charleston
Denmark Vesey, um dos fundadores da Igreja Emanuel Metodista Episcopal Africana de Charleston

As autoridades não gostavam da ideia de muitos escravos se reunindo e várias vezes fecharam a igreja. Mas a congregação continuava crescendo e a ideia de lutar pela liberdade ficou mais madura. Inspirado pelos “negros franceses”, como eram chamados os escravos levados a Charleston pelos brancos que fugiam da Revolução Haitiana, Vesey passou a articular uma revolta.

Após dois anos de planejamento, o levante dos escravos estava marcado para 16 de junho de 1822. No entanto, a informação acabou chegando às autoridades, que sufocaram o movimento antes mesmo de seu início. Vesey foi capturado e executado em 2 de julho. A Mãe Emanuel foi incendiada. Sua reconstrução ocorreu apenas em 1835, mas as igrejas negras continuaram proibidas na Carolina do Sul e a congregação só pôde se reunir em seus salões após a Guerra Civil Americana, em 1865.

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O fato de ser a primeira igreja negra do Sul dos EUA tornou a Emanuel Metodista Africana de Charleston um dos símbolos da luta pelos direitos civis na Carolina do Sul. Seu pastor, o Reverendo Clementa Pinckney, foi um dos líderes dos protestos na cidade após a morte de Walter Scott, um operador de empilhadeira negro morto pelo policial Michael Slager em uma ação que foi filmada por um pedestre. Slager foi condenado por assassinato.

Todos esses elementos tornam o pastor e sua igreja em um alvo claro de algum indivíduo que queira atacar a comunidade negra da Carolina do Sul. Ainda mais em 17 de julho, um dia depois do aniversário da revolta mal sucedida de Denmark Vesey. Que a história da Mãe Emanuel inspire a comunidade a seguir seu trabalho. Por mais sério que tenha sido, o ataque de Dylann Roof é pequeno perto de tudo o que a igreja já passou.

Agradecimento ao leitor Fábio Martelozzo Mendes

Nada de Babe Ruth ou Lou Gehrig. Legal é ter a bolinha autografada pelo Papa

Papa Francisco mostra que tem jeito para o beisebol, e já fica como sugestão para novo técnico do San Diego ou do Los Angeles

Papa Francisco tenta pegar bolinha de beisebol
Papa Francisco tenta pegar bolinha de beisebol

Fanáticos por beisebol são fanáticos por memorabília. Gastam fortunas comprando artefatos com alguma significância histórica, sobretudo objetos que participaram de grandes momentos ou que tenham autógrafos de ídolos do passado. Mas agora há um artigo mais raro que uma bolinha autografada por Lou Gehrig, Babe Ruth ou Ted Williams. É uma bolinha autografada pelo Papa Francisco.

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Foi nesta semana, no Vaticano. O Papa estava passando na frente de fieis na Praça São Pedro quando um deles atirou uma bolinha de beisebol. Francisco se atrapalhou um pouco, mas fez a defesa (enquanto seus seguranças estavam atordoados sem saber se era um objeto inofensivo ou um ataque). Depois, o argentino pegou a bolinha e deixou seu autógrafo antes de devolvê-la.

E, de fato, ela pode ser de qualquer um. O responsável por enviá-la ao Papa era um membro não-identificado da família Koeppel, de Palm Belach (Flórida). Os Koeppel estavam em Roma junto com frequentadores da Igreja de São Eduardo e pretendiam fazer Francisco assinar uma bolinha de beisebol para leiloá-la, levantando dinheiro para os trabalhos sociais da comunidade.

E fica também a sugestão. Se o Papa quiser expandir os horizontes e tentar algum trabalho no beisebol, já pode ir a Los Angeles ou San Diego tentar um emprego como técnico. Afinal, ele tem bom contato com anjos e já conta com experiência comandando padres.

Dica do leitor Fernando Maciel.