Futebol mambembe: veja como era difícil comprar a camisa do seu time em 1988

As táticas incluíam telefonar para o roupeiro, comprar diretamente dos jogadores depois dos jogos ou até mandar um cheque pelo correio

Às vezes não parece, mas o mundo de hoje é melhor que o do passado em vários aspectos. Não é uma questão do futebol de raiz x futebol moderno, um debate que se desmembra também em arenas x estádios tradicionais, torcedores-clientes x torcedores-torcedores ou autenticidade x marketing. É uma questão que um pouco de profissionalismo e organização é bom, simples assim. E isso pode ser visto em um ato dos mais singelos, como comprar a camisa oficial de seu clube.

ESPECIAL: Por que a camisa do seu clube custa tão caro

O amigo Humberto Peron, editor da revista Monet, achou uma preciosidade e a publicou em pedaços em seu Twitter. Uma reportagem da revista Placar Mais (nome da Placar no finalzinho dos anos 80) de dezembro de 1988 mostrando o que era preciso fazer para comprar a camisa dos times da Copa União (Campeonato Brasileiro) daquele ano. Era um outro mundo, em que era preciso fazer muito esforço para não comprar uma peça pirata. Confira:

Obs.: clique aqui para ver a imagem com mais resolução

Placar 1988_venda de camisas

Veja um apanhado das melhores histórias:

– Corinthians: “A chave se chama Miranda, roupeiro do time. Ele vende até por telefone”;

– Cruzeiro: “Como no caso do rival Galo, uma boa pedida é falar com os jogadores do time. Eles têm seis camisas que podem distribuir à vontade”;

– Fluminense: “A Flu-Boutique é a principal revendedora do clube. Também atende aos pedidos por carta. Ou procurando o roupeiro Chimbica”; “Preço: com o roupeiro é mais barato: Cz$ 4 mil. Na loja, sai por Cz$ 10,9 mil a listrada e Cz$ 8,6 mil a branca”;

– Goiás: “Os jogadores mal têm camisas suficientes para utilizar nos jogos. Estão proibidos de trocá-las ou vendê-las no final das partidas”;

– Guarani: “O lateral-esquerdo Élcio é o encarregado das vendas depois dos jogos”;

– Portuguesa: “No Canindé, onde cada jogador tem uma cota de dez camisas para vender, ou escrevendo para o goleiro Waldir Peres, presidente da caixinha”;

– Santa Cruz: “O encarregado das vendas é o lateral-esquerdo Lóti. Ele atende tanto no clube como por carta”;

– Em vários clubes, como Santos, Sport e São Paulo, o melhor jeito era enviar um cheque pelo correio;

– Os números também chamam a atenção. O Corinthians vendia 350 camisas por mês. O Internacional comercializava apenas 90 e o Cruzeiro, só 80.

GALERIA: Como seriam essas camisas antigas bizarras nos dias de hoje?

Basicamente, não havia sistema de distribuição das camisas para as lojas. Os fabricantes (e, na época, os clubes já tinham fornecedores oficiais) enviavam remessas aos clubes e por lá elas ficavam. Algumas equipes montavam uma lojinha na sede e só. O resto era resolver com os próprios jogadores ou com o roupeiro.

Era um futebol quase mambembe, em um nível que o desconforto causado é muito maior que o ar romântico. Afinal, o estádio com arquibancada de concreto, torcida em pé e ninguém tirando selfie é legal, mas vender a camisa oficial em qualquer loja esportiva da cidade é o mínimo que se espera em 2015.

Atualização às 14h46

Um lado positivo desse universo mambembe. A maioria das camisas custavam cerca de Cz$ 7 mil. Considerando que a Placar Mais custava Cz$ 750, um uniforme oficial era menos de dez vezes o valor de uma revista (sendo que a Placar mais tinha papel de baixa qualidade pra ter um preço mais acessível que as revistas normais da época). Hoje, a Placar custa R$ 13. Ou seja, dá para projetar que as camisas oficiais custavam o equivalente a pouco mais de R$ 100.

Esses são os confrontos das quartas de final da Copa do Brasil

Teremos a reedição de uma final de Campeonato Brasileiro. E é possível dois dérbis locais nas semifinais

Foi só na sorte. Não teve cabeça-de-chave, direcionamento para evitar confrontos de clubes de um mesmo estado, muito menos direcionamento para forçar esses dérbis locais, não teve polêmica vazia com modelo se atrapalhando. A CBF fez, nesta segunda, o sorteio dos confrontos das quartas de final da Copa do Brasil e valeu o que as bolinhas disseram.

Os duelos serão esses (o primeiro time tem o mando de campo no jogo de ida):

São Paulo x Vasco
Figueirense x Santos
Internacional x Palmeiras
Grêmio x Fluminense

Os jogos de ida serão em 23 e 24 de setembro, e os de volta na semana seguinte, em 30 de setembro e 1º de outubro.

PODCAST TRIVELA: Copa do Brasil com as loucuras do mata-mata

Santos passou pelo Corinthians com a autoridade de quem fazia a partida perfeita

Não foi uma questão de golear, mas de controlar

A perfeição é uma palavra perigosa. Ela tem um sentido absoluto, e a forma de cada um interpretar o que é essa plenitude é diferente. Por exemplo, o que é um time fazer a partida perfeita? Talvez o Barcelona de Guardiola nos 5 a 0 sobre o Real Madrid de José Mourinho em 2010. Ou o primeiro tempo da Alemanha contra o Brasil na semifinal da Copa de 2014. Mas o perfeito pode ser também o melhor possível para realizar um objetivo. E, nesse nível de perfeição, podemos colocar o Santos que venceu o Corinthians por 2 a 1 nesta quarta e eliminou o rival da Copa do Brasil.

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O encaixe técnico e tático da equipe de Dorival Júnior foi notável. O alvinegro praiano soube identificar os problemas do alvinegro da capital. A ausência de Jadson tiraria mobilidade, dinamismo e capacidade de penetração do meio campo do Corinthians. A falta de Fagner deixaria a lateral direita menos insinuante na frente e mais lenta na recomposição. E, claro, a necessidade de fazer muitos gols obrigaria o time da casa a se abrir após o 2 a 0 santista na Vila Belmiro.

Dentro desse cenário, o Santos foi senhor do jogo. Teve uma enorme maturidade tática para variar seu jogo de acordo com a situação de cada momento. Quando o Corinthians forçava, o Peixe se compactava atrás, obstruindo a intermediária e impedindo qualquer comunicação do ataque com o meio-campo do adversário. Renato Augusto, o melhor dos paulistanos, era forçado a voltar para buscar o jogo, mas não encontrava Jadson para ajudá-lo a entrar na defesa santista.

Nesses momentos, o Santos parecia retraído, mas estava apenas preparando o bote. A saída rápida pelas pontas, aproveitando justamente a lentidão dos laterais corintianos, era sempre perigosa. Gil e Felipe se viam expostos a Geuvânio, Ricardo Oliveira e, enquanto esteve em campo, Gabriel. Foi assim que saíram os dois gols.

Mas o Santos não foi apenas o time do contra-ataque. Os dois gols surgiram assim, mas outros momentos da partida tinham uma cara diferente. Quando sentiam uma redução na intensidade corintiana, os santistas se adiantavam. Marcavam a saída de bola e, quando a tinham, trocavam passes no campo de ataque do adversário.

Aí se via quem controlava o duelo. O Peixe parecia fazer o que queria a cada momento, tudo dentro de sua estratégia. Não goleou porque talvez não fosse possível, e nem sempre a perfeição do futebol é a goleada absoluta. Muitas vezes é usar seus recursos ao máximo possível para conseguir o objetivo. Foi isso que o Santos fez. Uma classificação merecida e indiscutível para uma equipe que, dentro de sua ideia de jogo, foi perfeita nesta quarta.

A Final Caipira surgiu como vergonha, mas ajudou a reconstruir o futebol paulista nos anos 90

Parecia um sinal da decadência total de São Paulo, mas indicou os caminhos do renascimento

Podiam ser Guarani, Ponte Preta, Inter de Limeira, São José, XV de Piracicaba, São Bento, Botafogo de Ribeirão Preto ou Ferroviária. Mas eram Bragantino e Novorizontino que entravam em campo naquele 26 de agosto de 1990 para decidir quem era o melhor time de São Paulo. Duas equipes relativamente novatas no estadual. O Leão de Bragança tivera uma rápida passagem na década de 1960 e voltara ao convívio dos grandes apenas em 1989. O Tigre de Novo Horizonte era desconhecido até 1986, quando estreou na primeira divisão.

Por isso, São Paulo não sabia direito o que achar de sua primeira final do interior. Havia um certo orgulho de ver duas equipes de pouca tradição chegarem à decisão estadual, como se isso reforçasse a crença de que a pujança do futebol bandeirante (não há nada mais paulista que colocar “pujança” e “bandeirante” na mesma frase, mesmo sem ser em ano eleitoral) se deve sobretudo à força dos pequenos. Ao mesmo tempo, ficava uma sensação de que os grandes estavam decadentes, um pensamento que fazia todo o sentido há 25 anos.

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Considerando o cenário geral, o Rio havia sido, de longe, o estado mais vencedor no futebol brasileiro nos anos anteriores. Entre 1980 e 89, o Flamengo conquistou o Brasileirão três ou quatro vezes (depende da versão da história que cada um adota) e o mundo, enquanto Vasco e Fluminense levaram um título nacional cada. Além disso, cruzmaltinos e tricolores tiveram momentos especiais no Carioca, os botafoguenses saíram de 21 anos de fila, os banguenses chegaram a uma final nacional e o América ficou entre os quatro melhores do Brasil.

A situação não parecia tão diferente no primeiro semestre de 1990. O São Paulo, que havia sido vice-campeão brasileiro no ano anterior, foi eliminado na repescagem do Paulistão e caiu no grupo dos times mais fracos para a edição de 1991. O Santos havia sido inócuo. Corinthians e Palmeiras dominaram o campeonato no começo, mas perderam fôlego na reta final. Para piorar, o fim de semana anterior ao da Final Caipira teve a primeira rodada do Brasileirão (sim, o calendário encavalou) com uma hecatombe para os grandes: o Corinthians tomou 3 a 0 do Grêmio, mesmo placar da derrota da Portuguesa para o Fluminense, o São Paulo caiu em casa para o Atlético Mineiro e o Santos perdeu do Náutico nos Aflitos (o Palmeiras teve seu jogo adiado). Os únicos paulistas a pontuarem foram São José (1 a 1 com o Goiás) e a Inter de Limeira (2 a 1 no Bahia).

Tudo isso estava vivo na cabeça dos torcedores quando Bragantino e Novorizontino decidiram o Paulistão de 1990. Duas equipes que fizeram boas campanhas, mas que pareciam estar ali por aproveitar as circunstâncias. Não era bem assim. Na época, o Bragantino até havia mostrado força em 1989 (semifinalista do estadual e campeão da Série B nacional), mas pareciam times do interior como tantos outros: uma reunião de desconhecidos com refugos procurando oportunidade e um ou outro nome realmente promissor. Eram mais que isso.

Juntas, as duas equipes tinham dez jogadores que teriam passagem pela seleção brasileira nos anos seguintes: Paulo Sérgio, Márcio Santos, Odair e Maurício (esse último só foi convocado, não entrou em campo) no Novorizontino e Mauro Silva, Gil Baiano, Mazinho, Sílvio, Robert e João Santos pelo Bragantino. Três deles, Paulo Sérgio, Márcio Santos e Mauro Silva, fariam parte do elenco que levou o Brasil ao tetra na Copa de 1994. No banco, os técnicos Nelsinho Baptista e Vanderlei Luxemburgo tinham a oportunidade de mostrar ao Brasil seu trabalho.

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Ninguém podia adivinhar que tantos nomes da Final Caipira teriam futuro. Por isso, a reação imediata dos grandes foi se organizar (para os padrões da época). Eles ainda aproveitaram a onda de capitalização do futebol brasileiro – entrada de investidores e aumento dos valores pagos pela TV e pelos patrocinadores – para reverter a lógica da década anterior. Entre 1990 e 2008, só houve um Brasileirão (o de 1992) sem nenhum representante de São Paulo entre os dois primeiros colocados.

O curioso é que muito do sucesso paulista passou pelos nomes da decisão interiorana de 1990. Após atingir o fundo do poço naquele Paulistão, o São Paulo fez uma limpeza em seu elenco e deu espaço a garotos. Em uma formação bastante ofensiva, Telê Santana precisou de jogadores que topassem carregar o piano no meio-campo, casos de Pintado, ex-Bragantino, e Luiz Carlos Goiano, ex-Novorizontino. Essa fórmula levou o Tricolor a ganhar quase tudo nos três anos seguintes. O Corinthians foi buscar Nelsinho, técnico do Tigre, para conquistar seu primeiro título nacional já em 1990. O Palmeiras saiu dos 17 anos de fila tendo o comando de Luxemburgo, técnico campeão pelo Bragantino. Até as glórias do Santos tiveram alguma ligação com a final caipira, com o meia Robert participando da campanha do vice brasileiro de 1995 e do título nacional de 2002.

Outros personagens da Final Caipira estão em posição de destaque no futebol pernambucano. Nei, zagueiro do Bragantino, é executivo de futebol do Sport. O goleiro Marcelo, também do Bragantino, é o técnico do Santa Cruz. Franklin, atacante do Alvinegro, inventou a comemoração “Nana, neném” em 1991, fez carreira na Alemanha e é pai de Leonardo Bittencourt, destaque da seleção alemã nas categorias de base.

Esses nomes mostram o enorme legado deixado pela Final Caipira. Por isso, o Bragantino x Novorizontino não deve completar seu 25º aniversário apenas como uma curiosidade. De alguma forma, aqueles dois times deram uma mão na mudança de rumos do futebol paulista – e, por consequência, do brasileiro – na década seguinte.

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Veja como ficaram as chaves da Copa Sul-Americana e quem seu time pode enfrentar

Os confrontos estão definidos, só resta saber que time ocupará cada vaga. São 13 com chances

A Conmebol não se emenda. Até fez um esforço há dois anos para realizar sorteio de campeonatos com tudo acertadinho, mas já avacalhou de novo. Foi assim na Libertadores de 2015, e ficou ainda pior na Copa Sul-Americana. O torneio teve suas chaves sorteadas nesta quinta, e sobraram Brasil 1, Brasil 5 e Brasil 7 para todo lado. Fica aquela coisa misteriosa, e ninguém sabe direito o que significa aquilo todo. Bem, por isso estamos aqui. Vamos dar uma traduzida para você.

MAPA: Explore os estádios dos 87 clubes da Copa do Brasil de 2015 neste mapa interativo

O sorteio deixou as chaves assim:

– Brasil 8 x Brasil 3
– Brasil 7 x Brasil 2
– Brasil 6 x Brasil 4
– Brasil 5 x Brasil 1

Meio bagunçado, deixando o cruzamento olímpico (1×8, 2×7, 3×6, 4×5) de lado, mas isso é o de menos no momento. O que importa é: quem serão esses times?

Brasil 1 a 6

Como ocorre há três anos, os participantes da Sul-Americana são os melhores times do Brasileirão do ano anteiror que não estejam classificados para as oitavas de final da Copa do Brasil. Essas equipes ficam com as 6 primeiras vagas. Quatro delas já têm donos, mas os outros dois classificados e a ordem de todos os seis dependem de como terminar a terceira fase da Copa do Brasil. Veja quem são as equipes que podem entrar nessas vagas, pela ordem:

1) Grêmio
2) Atlético Paranaense*
3) Santos
4) Sport
5) Goiás*
6) Coritiba
7) Chapecoense*
8) Joinville*
9) Ponte Preta
* Já eliminados da Copa do Brasil. Desses, apenas o Joinville ainda não está assegurado na Sul-Americana

Brasil 7

Vaga do campeão da Copa do Nordeste de 2015. Teoricamente, ela pertence ao Ceará, mas o Vovô ainda está vivo na Copa do Brasil e, se eliminar o Tupi (o jogo de ida foi 0 a 0 em Fortaleza), cederá essa vaga ao vice-campeão Bahia. No entanto, o Tricolor baiano também está na disputa da Copa do Brasil e, se passar pelo Paysandu (jogo de ida: 3 a 0 Papão em Belém), deixa a vaga para o Vitória (já eliminado da Copa do Brasil).

Brasil 8

Única vaga em que não há dúvida. É do Brasília, campeão da Copa Verde de 2014.

Grondona diz que botou as mãos em jogos de Santos e Corinthians na Libertadores. O que aconteceu neles?

As duas partidas mencionadas pelo cartola argentino tiveram arbitragem contestada na época

As Caixas de Pandora da Conmebol e da Concacaf já foram abertas. Talvez tenha acontecido o mesmo com a do futebol argentino. Neste domingo, o canal argentino América revelou o conteúdo de várias conversas de Julio Grondona, presidente da AFA entre 1979 e 2014 (ano em que faleceu), gravadas em 2013 pela Justiça local em uma investigação de lavagem de dinheiro em transações de jogadores. O programa teve o pomposo nome de “As escutas da máfia do futebol argentino” e mostrou várias negociações sobre tabela de jogos, manipulação na escolha de árbitros e um incentivo ao Colón para ajudar o Independiente a escapar do rebaixamento.

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No meio de tudo isso, dois clubes brasileiros são citados. Grondona comemora a atuação do árbitro paraguaio Carlos Amarilla no jogo de volta entre Corinthians e Boca Juniors na Libertadores de 2013. Segundo o dirigente, o juiz foi “o melhor reforço do Boca no último ano”.

A conversa visava definir os apitadores de Boca Juniors x Newell’s Old Boys nas quartas de final daquela mesma Libertadores. Após a escolha dos nomes, o cartola diz a seu interlocutor (Abel Gnecco, presidente da comissão de arbitragem da AFA) para prestar atenção nos bandeirinhas escolhidos, pois eles poderiam executar o plano que os árbitros atrapalhariam. “Em 64, quando jogamos com o Santos, eu ganhei de Leo Horn, que era holandês, com os dois bandeiras”, afirmou Grondona.

Mas como foram esses dois jogos?

O Corinthians 1×1 Boca Juniors de 2013 é recente e está na memória de muito torcedor brasileiro, sobretudo dos corintianos. O vídeo abaixo mostra vários dos lances polêmicos do empate que classificou o Boca Juniors.

O Santos x Independiente de 1964 é um pouco mais misterioso, mas há pistas de que realmente teve arbitragem ruim. As duas equipes se enfrentaram nas semifinais da Libertadores, com vitória argentina por 3 a 2 no Maracanã e por 2 a 1 em Avellaneda. Os santistas buscavam o tricampeonato continental e os rojos tinham como presidente da subcomissão de futebol um cartola ascendente chamado Julio Grondona, então com 33 anos. As duas partidas tiveram o mesmo árbitro. Não era nenhum holandês chamado Leo Horn, mas o inglês Arthur Holland. O sobrenome do juiz pode ter se confundido com a nacionalidade na memória de Grondona 49 anos depois.

Relatos da época e até esse compacto em vídeo dão conta que o placar da partida de volta foi justo, sem momentos de polêmica. A resposta poderia ser no jogo de ida, em que o Peixe abriu 2 a 0 e sofreu a virada. Não há vídeos na internet com lances desse duelo, mas jornais do dia seguinte concordam em dois pontos: o Santos se acomodou depois de abrir vantagem e a arbitragem não foi das melhores.

Segundo a Folha de São Paulo, Holland foi bem, mas os bandeirinhas paraguaios Cabrera e La Rosa foram fracos (clique aqui para ver a imagem ampliada).

Relato de Santos 2x3 Independiente na Folha de Sâo Paulo de 16 de julho de 1964
Relato de Santos 2×3 Independiente na Folha de Sâo Paulo de 16 de julho de 1964

O Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, publicou que o árbitro deixou de assinalar várias faltas e houve muitos impedimentos não marcados em favor dos argentinos (clique aqui para ver a imagem ampliada).

Correio da Manhã de 16 de julho de 1964
Correio da Manhã de 16 de julho de 1964

Os dois textos não deixam claro o quanto a arbitragem, sobretudo os assistentes, teria influenciado o resultado da partida ou o comportamento das equipes, mas reforçam a tese de que os bandeiras teriam errado acima da média, ponto principal da menção de Grondona a esse jogo na conversa grampeada pela Justiça argentina.

Os comentários de Grondona são genéricos e não quantificam sua participação nas eliminações de Santos e Corinthians, mas evidencia uma proximidade suspeita com o dia a dia das arbitragens e dão motivos para os dois alvinegros paulistas reclamarem veementemente. E ainda abre a perspectiva de que poderia ter ocorrido coisas parecidas em vários outros jogos durante décadas.

Pegamos a tabela do Brasileirão, e apontamos os jogos mais interessantes

Ainda não sabemos como estarão os times e nem as datas exatas, mas algumas coisas já dá para imaginar

O Campeonato Brasileiro é uma maratona. São 38 rodadas, em uma história que se conta aos poucos e que pode se tornar cansativa em alguns momentos. Mas é o grande torneio do nosso futebol, e não há como não sentir uma ponta de empolgação quando sai a tabela da competição. Afinal, fica a lembrança de que nem todo jogo precisa ser modorrento como os desses longos estaduais.

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A tabela é longa (veja aqui) e a maioria dos torcedores estará preocupada com o seu clube. Para quem quiser um panorama mais geral, demos uma estudada rodada a rodada para identificar dez momentos potencialmente interessantes. Não sabemos como os clubes estarão em maio (muito menos em novembro), não sabemos se os clubes estarão priorizando o Brasileirão naquele momento e nem sabemos qual a data exata de cada partida, mas há situações que já se pode prever.

Confira, e anote na agenda:

9 e 10 maio: Clássicos de saída

O Brasileirão chega chutando a porta, com três duelos entre clubes dos mais vitoriosos do país: São Paulo x Flamengo, Palmeiras x Atlético Mineiro e Cruzeiro x Corinthians. Além disso, há um interessante Atlético Paranaense x Internacional programado para a Arena da Baixada. Ufa, os estaduais já ficaram para trás!

30 e 31 de maio: Alívio para os caçulas

Dos quatro times que subiram da Série B de 2014, três deles terão pedreiras nas rodadas iniciais. O Joinville pega Fluminense, Palmeiras e São Paulo, a Ponte Preta enfrenta Grêmio, São Paulo e Cruzeiro, e o Avaí joga contra Santos, Internacional e Flamengo. Não seria surpreendente se os três fizessem poucos pontos nas rodadas iniciais e chegassem à quarta, quando enfrentarão Atlético Paranaense em casa (Joinville), Chapecoense em casa (Ponte) e Coritiba fora (Avaí), precisando desesperadamente de uma vitória.

Obs.: o Vasco também é caçula, mas terá uma tabela supostamente menos áspera no começo: Goiás, Figueirense e Inter

31 de maio: Primeiros clássicos

Domingão para agitar as duas maiores cidades do país: Corinthians x Palmeiras e Flamengo x Fluminense. Serão os primeiros clássicos estaduais do campeonato, e com ingredientes extras. Por exemplo, caso corintianos e palmeirenses não voltem a se enfrentar no Paulista, o duelo pode valer o empate no retrospecto histórico entre os clubes (os alviverdes têm uma vitória a mais).

Fred e Chicão se agarram no Fla-Flu do Brasileirão de 2014 (Jorge Rodrigues/Eleven)
Fred e Chicão se agarram no Fla-Flu do Brasileirão de 2014 (Jorge Rodrigues/Eleven)

6 ou 7 de junho: Reencontro perigoso

Atlético Paranaense x Vasco têm encontro programado para Curitiba. Será o primeiro duelo entre as duas equipes desde a última rodada do Brasileirão de 2013, quando as duas torcidas protagonizaram uma das brigas mais impressionantes dentro de um estádio brasileiro. A polícia paranaense terá muito trabalho.

RELEMBRE: A rodada que terminou aos 17 do primeiro tempo

10 de junho a 4 de julho: Desfalques para a Copa América

Serão cinco rodadas (da sétima à 11ª) da Série A durante a disputa da Copa América. Vários jogadores selecionáveis poderão ser chamados e desfalcar seus clubes, casos de Gil, Elias, Guerrero e Romero (Corinthians), Dedé, Mena e De Arrascaeta (Cruzeiro), Valdívia (Palmeiras), Aránguiz (Internacional), Robinho e Valencia (Santos), Julio dos Santos e Martín Silva (Vasco), Diego Cavallieri (Fluminense), Erazo (Grêmio) e Victor (Atlético Mineiro). Isso sem considerar jogadores que podem ganhar espaço na seleção brasileira ou na de seus países nos primeiros meses de 2015. As ausências podem ser decisivas, pois estão programadas partidas bastante importantes nesse período: Corinthians x Internacional, Palmeiras x Fluminense, Vasco x Cruzeiro e Atlético Mineiro x Santos (sétima rodada), Santos x Corinthians, Flamengo x Atlético Mineiro, Grêmio x Palmeiras, Atlético Paranaense x Coritiba (oitava), Palmeiras x São Paulo, Vasco x Flamengo e Internacional x Santos (nona), Fluminense x Santos, Grêmio x Cruzeiro, Atlético Paranaense x São Paulo, Sport x Internacional (décima) e São Paulo x Fluminense, Santos x Grêmio e Internacional x Atlético Mineiro (11ª).

13 ou 14 de junho: Aranha reencontra a torcida gremista

As atenções da imprensa estarão na Copa América, e Aranha provavelmente será reserva do Palmeiras. Tudo isso pode diminuir um pouco o impacto midiático desse reencontro, mas certamente será um dos assuntos da semana.

8 ou 9 de agosto: Clássico das faixas, ou da ressaca

A 17ª rodada será a primeira do Brasileirão após o jogo de volta da final da Libertadores. Se Corinthians, Internacional ou São Paulo chegarem à decisão continental, poderão curar a ressaca da comemoração do título (ou da depressão da derrota) contra um rival. Alvinegros e tricolores paulistas se encontram no Morumbi, enquanto que o Colorado terá de ir à Arena do Grêmio para mais um Gre-Nal.

19 ou 20 de setembro: Revanche do melhor jogo de 2014

Atlético Mineiro e Flamengo se enfrentam em Belo Horizonte. Uma das maiores rivalidades interestaduais do Brasil ganhou uma nova força após as semifinais da Copa do Brasil de 2014, quando o Rubro-Negro fez 2 a 0 no Maracanã e perdeu por 4 a 1 de virada no Mineirão, em uma das vitórias mais memoráveis do Galo nos últimos tempos (e olha que não faltaram vitórias memoráveis na trajetória recente do Atlético).

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18 ou 19 de novembro: Internacional vai a Chapecó

Enfrentar a Chapecoense em Santa Catarina não foi uma boa ideia para o Inter em 2014, e retornar ao Índio Condá será a oportunidade de apagar um pouco a imagem do 5 a 0 do último Brasileirão. Mas a questão desse reencontro não é apenas uma suposta necessidade de revanche do Colorado, mas da possível necessidade de se fazer resultado. Nenhum time terá uma reta final potencialmente tão dura quanto o Inter, que enfrentará Grêmio, Fluminense e Cruzeiro nas últimas três rodadas. Dependendo de como o clube estiver no campeonato, vencer a Chapecoense fora de casa será fundamental.

6 de dezembro: A rodada final

O campeonato será encerrado em uma rodada relativamente morna. Só dois jogos chamam a atenção pela tradição do confronto: Internacional x Cruzeiro e Flamengo x Palmeiras. De qualquer forma, há possíveis coincidências históricas: Cruzeiro dando o troco de 1975 no Inter, Goiás x São Paulo fazendo o tira-teima (o São Paulo ganhou o título de 2008 sobre o Goiás fora de casa e perdeu o de 2009 ao cair no Serra Dourada na penúltima rodada), Sport buscando outro título nacional contra um time campineiro (enfrenta a Ponte Preta no Moisés Lucarelli), Santos e Atlético Paranaense ressuscitando a rivalidade de 2004 e Figueirense tentando se vingar da final da Copa do Brasil de 2007 contra o Fluminense.

Antti Niemi faz a versão do hóquei da série de defesas de Rodolfo Rodríguez

Incrível! Ele defendeu com o taco, com a perna, com as costas e até com a axila

Jonathan Toews avançou livre no contra-ataque. Não teve problemas para finalizar diante de Antti Niemi. Uma vez. Duas vezes. Três vezes. Quatro vezes. E o disco não entrou. O goleiro finlandês protagonizou uma série de defesas fantásticas na vitória do San Jose Sharks por 2 a 0 contra o Chicago Blackhawks. Ele defendeu com o taco, com a axila, com a perna e com as costas.

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Futebolizando, até lembrou uma memorável série de Rodolfo Rodríguez, goleiro uruguaio do Santos, contra o América-SP pelo Campeonato Paulista de 1984.

Caso você não se lembre (ou nunca tenha visto) as defesas de Rodolfo Rodríguez que ficaram famosas, aí vai o vídeo:

Veja os resultados da NHL neste fim de semana:

Sábado

Montréal Canadiens 1×0 Washington Capitals
Detroit Red Wings 4×1 New York Islanders
Ottawa Senators 7×2 Arizona Coyotes
Boston Bruins 3×1 Los Angeles Kings
New Jersey Devils 3×1 Florida Panthers
New York Rangers 4×1 Carolina Hurricanes
Philadelphia Flyers 1×0 Toronto Maple Leafs
Winnipeg Jets 2×5 Dallas Stars
Tampa Bay Lightning 3×1 Columbus Blue Jackets
Calgary Flames 4×2 Edmonton Oilers
San Jose Sharks 2×0 Chicago Blackhawks

Domingo

Montréal Canadiens 2×3 Arizona Coyotes
Washington Capitals 2×3 St. Louis Blues
Pittsburgh Penguins 0x4 Nashville Predators
Vancouver Canucks 2×4 Minnesota Wild

Clique aqui para ver a classificação completa.

Pela primeira vez em 89 anos, nenhum dos quatro grandes de São Paulo será campeão

O quarteto não passava em branco desde 1925, quando o São Bento levou o Campeonato Paulista

Quando Ruiz converteu sua cobrança, a quarta do Atlético Nacional na disputa de pênaltis no Morumbi, ele estava pondo fim a um tabu que durava desde 1925. O atacante fez o 4 a 1 definitivo para o time colombiano em cima do São Paulo nas semifinais da Copa Sul-Americana, acabando com a última possibilidade de um dos quatro grandes clubes paulistas conquistar um título em 2014. Algo que não ocorria há 89 anos.

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Em 2014, o Paulistão ficou com o Ituano, o Cruzeiro levou o Brasileirão, o Atlético Mineiro levou a Copa do Brasil e nenhum paulista havia disputado a Libertadores. Nem a Portuguesa, tida como uma quinta grande, teve um ano bom. Foi rebaixada de forma contundente para a Série C nacional.

É preciso voltar a 1925 para ver algo semelhante. Naquele ano, o São Bento (da capital, já extinto, não confundir com o de Sorocaba) foi campeão paulista ao bater o Paulistano por 1 a 0 na última rodada. Com esse resultado, foi a 16 pontos, ficando um a frente do próprio Paulistano e do Corinthians.

São Bento campeão paulsita de 1925 (Biblioteca do Mosteiro)
São Bento campeão paulsita de 1925 (Biblioteca do Mosteiro)

Na época, o Santos nem estava consolidado como um dos grandes, o São Paulo nem existia e o Palmeiras se chamava Palestra Itália. A partir do ano seguinte, Corinthians e Palestra começaram a se revezar. O São Paulo da Floresta (atualmente aceito pela federação paulista como o São Paulo atual) levou o primeiro título tricolor em 1931. O Santos virou protagonista em 1935.

Formou-se o Trio-de-Ferro na década de 1940, que se transformou em quatro grandes quando Pelé colocou o Peixe definitivamente no grupo de elite. O Paulistão só escapou do quarteto em 1986 (Internacional de Limeira), 1990 (Bragantino), 2002 (Ituano), 2004 (São Caetano) e 2014 (novamente Ituano). Mas, até a atual temporada, um grande paulista sempre conseguiu levantar um outro troféu. O São Paulo foi campeão brasileiro em 1986. O Corinthians levou o Brasileirão em 1990, e o Rio-São Paulo e a Copa do Brasil em 2002. e o Santos levou o Brasileirão em 2002 e 2004.

Em 2014, não deu para nenhum deles. E, pela primeira vez em 89 anos, nenhuma das quatro grandes torcidas paulistas terminaram o ano comemorando uma taça.

A prova está no vídeo: mais que o filho preso de Pelé, Edinho foi um bom goleiro do Santos

A história de Edson Cholbi do Nascimento é triste, e, como amantes de futebol, preferimos nos lembrar desses momentos com a camisa do Peixe

A história é triste. Independentemente de sua opinião sobre Pelé, a trajetória de Edinho, seu filho, não merece comemoração ou piada. É a vida de um rapaz que não soube lidar com as condições favoráveis que teve desde que nasceu e acabou escolhendo um caminho errado. Foi preso nesta terça após condenação a 33 anos de prisão por lavagem de dinheiro. Se cometeu algum crime, tem de pagar. Mas tudo isso poderia ser diferente.

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O curioso é que as menções a Edinho normalmente são apenas como filho de Pelé. Claro, é a referência imediata. Mas Edinho foi mais que isso. Ele foi goleiro titular do Santos por três anos, de 1994 a 96, tendo períodos de ótimo desempenho. Até foi eleito o melhor goleiro do Campeonato Paulista de 1994 por sua agilidade e reflexo. Ele ainda esteve presente em outros momentos marcantes, como a campanha do vice-campeonato brasileiro de 1995.

Com o tempo, seu desempenho foi caindo, a torcida reclamava que ele não era alto e elástico o suficiente e ele acabou perdendo a posição em 1997 para o recém-contratado Zetti. De qualquer forma, torcedores do Santos que tiveram idade para vê-lo devem ter guardado alguma boa lembrança dele no gol alvinegro.

Talvez essa boa lembrança seja de um clássico contra o Corinthians no Morumbi, pelo Paulistão de 1994. O Peixe estava fora da disputa, mas os corintianos precisavam da vitória para seguir na luta pelo título. O time da capital fez 2 a 0 rápido, mas o Santos virou ainda no primeiro tempo. Depois do intervalo, o Corinthians pressionou, e Edinho impediu a reação. Veja abaixo: