Por que acreditamos que a seleção brasileira motivou a saída de Rienzo dos Marlins

Falamos com exclusividade com o arremessador, que defenderá o Brasil nas eliminatórias do WBC na próxima semana

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Na última semana, o Miami Marlins anunciou o rompimento do contrato com o arremessador André Rienzo. O brasileiro vinha defendendo o New Orleans Zephyrs (filial Triple-A da equipe da Flórida) como jogador de bullpen, inclusive como fechador. Estava com 2,85 de ERA (bom) e já tinha fechado oito partidas, sem ceder nenhuma corrida em 14 dos 17 jogos em que participou desde que retornara de contusão, em julho. Números que justificariam uma continuidade no trabalho, pensando como um jogador que pudesse colaborar na montagem do elenco de 2017 dos Marlins ou para usá-lo como parte de eventuais negociações.

Conversei com Rienzo nesta semana, e o brasileiro deu uma outra versão para o fato. “Oficialmente eles me dispensaram, mas eu que pedi para sair porque vi que eles não tinham nenhum plano para mim”, disse. “Então, achei melhor sair e buscar, no ano que vem, algum lugar em que eu tenha mais oportunidade.”

Com base em alguns elementos oferecidos pelo arremessador brasileiro durante o papo e um pouco de análise do cenário, inclusive as possíveis motivações do Miami para anunciar uma dispensa neste momento incomum da temporada, minha avaliação do cenário (atenção: é uma análise, somando informações com opiniões) é:

– Rienzo imaginava que seria chamado para o time principal no início de setembro. Os Zephyrs já estavam eliminados da Pacific Coast League e os elencos da MLB são expandidos para 40. Os Marlins não promoveram o brasileiro;
– Sem atividade no mês, apenas os jogos derradeiros dos Zephyrs na temporada regular da PCL, Rienzo pediu liberação para defender o Brasil nas eliminatórias do World Baseball Classic, que começam na próxima semana em Nova York. Os Marlins teriam relutado em liberar, talvez temendo que isso prejudicasse o físico do arremessador, que vinha de lesão;
– Rienzo insistiu, e os dois lados acharam melhor terminar o contrato.

Saíram os grupos das Eliminatórias do Mundial de beisebol, e o Brasil se deu bem

Seleção jogará em campo neutro e tem boas possibilidades de retornar ao World Baseball Classic em 2017

A organização do World Baseball Classic anunciou nesta quinta os grupos das Eliminatórias para a edição 2017 do torneio. E o Brasil deu sorte. Na distribuição das chaves, sem a regionalização ocorrida em 2012, a seleção brasileira fugiu das principais forças dessa etapa do Mundial, além de poder atuar em campo neutro.

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O Brasil ficou no Grupo 4, com jogos disputados no MCU Park, casa do Brooklyn Cyclones (filial de liga menor do New York Mets) em Nova York. Os adversários serão Grã-Bretanha, Israel e Paquistão. Os times variam muito sua montagem para o WBC, mas a tendência é que Israel (normalmente reforçado por norte-americanos de origem judaica que atuam na MLB ou em ligas menores dos Estados Unidos) seja o concorrente mais perigoso. O Paquistão é uma incógnita, pois aparece pela primeira vez no torneio.

Ainda que os israelenses dividam o favoritismo com o Brasil (e potencialmente tenham a maioria da torcida por jogar em Nova York), é um cenário menos ameaçador do que encontrar México, Austrália, Espanha (que conta com vários cubanos e dominicanos naturalizados) e até o Panamá, batido pelos brasileiros em 2012, mas ainda um país com mais tradição e vantagem do mando de campo.

Veja como ficaram os grupos:

Grupo 1 (Sydney, Austrália): Austrália, Nova Zelândia, Filipinas e África do Sul

Grupo 2 (Mexicali, México): México, República Tcheca, Alemanha e Nicarágua

Grupo 3 (Cidade do Panamá, Panamá): Colômbia, França, Panamá e Espanha

Grupo 4 (Nova York, Estados Unidos): Brasil, Grã-Bretanha, Israel e Paquistão

O Grupo 1 será disputado em fevereiro de 2016. Os Grupos 2 e 3 terão partidas em março e o Grupo 4, apenas em setembro do mesmo ano. O vencedor de cada chave terá uma vaga no WBC de 2017. Já estão classificados os 12 primeiros colocados da última edição: Canadá, China, Coreia do Sul, Cuba, Estados Unidos, Holanda, Itália, Japão, Porto Rico, República Dominicana, Taiwan e Venezuela.

Carrasco do Brasil no Mundial joga nas nove posições em uma única partida

Ray Chang, que liderou vitória chinesa no World Baseball Classic, está nas ligas menores do Cincinnati Reds

Ray Chang é mais um dos centenas de jogadores que perambulam pelas ligas menores do Cincinnati Reds. Mas, para o Brasil, seu nome tem outro significado.  O shortstop nascido foi o principal responsável pela derrota da seleção brasileira para a China no World Baseball Classic. Nesta semana, ele voltou a ser destaque, mas por outro motivo: jogou em todas as posições na mesma partida.

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Foi na última partida de temporada regular do Pensacota Blue Wahoos, time do nível double-A, contra o Mobile BayBears (filial do Arizona Diamondbacks). O título da divisão já estava garantido, o que deu margem para o técnico Pat Kelly realizar o sonho do veterano de 32 anos. Chang fez uma entrada em cada posição, pela ordem: primeira base, segunda base, shortstop, terceira base, campo esquerdo, campo central, campo direito, catcher e arremessador.

Segundo Chang, a posição mais difícil foi a de catcher. “A parte difícil dessa posição é quando a bola está na zona de strike, você sabe que o rebatedor vai para o swing, mas você tem de ficar focado na bola e não no bastão passando na sua frente”, comentou. Ficar pulando de posições na defesa não afetou seu desempenho no ataque. Chang teve três rebatidas em quatro idas ao bastão, ajudando na vitória por 4 a 2 de sua equipe.

Nascido em Kansas City, Chang tem pais chineses e, por isso, se tornou elegível para defender a seleção asiática no WBC. Na partida contra o Brasil, a última da primeira fase (as duas equipes já estavam eliminadas e brigavam pela terceira posição, que daria uma vaga direta à próxima edição do Mundial), Chang teve três rebatidas em quatro idas ao bastão. Além disso, impulsionou as corridas da virada na oitava entrada, quando a seleção brasileira deixou escapar a vantagem de 2 a 0 para perder por 5 a 2.

Brasil reage no final, mas cai diante da Colômbia na final do Sul-Americano

Colombianos asseguram também uma vaga no torneio de beisebol dos Jogos Pan-Americanos

Quatro corridas na sétima entrada, o jogo reaberto. Depois de um início ruim, o Brasil deu sinal de vida e a surpresa diante dos favoritos colombianos pareceu possível. Mas, no final, a Colômbia conseguiu segurar sua vantagem e venceu por 6 a 4 a final do Sul-Americano de Beisebol, realizada na manhã deste sábado em Cuiabá. Além do título, a partida valia uma vaga nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em julho deste ano.

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Os colombianos tinham 100% de aproveitamento no torneio e haviam vencido o Brasil por 8 a 3 na primeira fase. E começaram a decisão mostrando força. Efrain Contreras rebateu um home run logo no segundo arremesso da partida.

Na segunda entrada, Ismael Castro chegou em base após erro do defensor direito Fábio Murakami. Em seguida, Carlos Willoughby e Dioverde Ávila lotaram as bases sem nenhum eliminado. O Brasil perdeu a concentração e deu mais terreno para a Colômbia: o arremessador Rafael Miranda cedeu um walk, Lucas Rojo cometeu um erro defensivo e Felipe Fukuda (reliever) acertou o rebatedor. Com essa sequência, Castr, Willoughby e Ávila completaram corridas e deixaram o placar em 4 a 0. Marcel Vianna foi ao montinho e conseguiu fazer as eliminações que evitaram uma sangria ainda maior.

A terceira entrada teve mais problemas para o Brasil. Castro teve uma rebatida dupla, chegando à terceira base por meio de bunt de sacrifício e completando a quinta corrida da Colômbia após uma simples de Jhonatan Lozada. De qualquer maneira, o arremessador Marcel Vianna estabilizou o cenário para o Brasil e dominou os colombianos por nas três entradas seguintes.

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Enquanto isso, os brasileiros produziam ofensivamente, mas não conseguiam articular uma sequência para pontuar. Na segunda entrada, Luis Camargo e Fernando Nishimura ocuparam a terceira e segunda bases, mas não completaram corrida. Na terceira entrada, Rojo também alcançou a terceira base. Na quinta, Valter Matumoto rebateu uma simples, roubou a segunda e foi eliminado no home plate ao tentar percorrer duas bases na rebatida simples de Rojo.

O marcador não teve alterações até a sétima entrada, quando Contreras rebateu um home run que deixou os colombianos com seis corridas de vantagem. Mas o Brasil reagiu rapidamente. Camargo teve uma rebatida simples, seguida de um home run de Murakami. Os brasileiros anotaram mais duas corridas após Pedro Ivo Okuda impulsionar Nishimura e Felipe Mizukosi.

No entanto, o bullpen da Colômbia deu conta das entradas finais. Harold Rumión cedeu apenas uma base (para Murakami) na oitava entrada e Cristián Mendoza teve uma nona entrada perfeita para fechar o jogo e assegurar o título da Colômbia.

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Brasil disputa com a Colômbia uma vaga em Toronto-2015, e muito disso se deve a Yuji Izawa

Muita correria. O Campeonato Sul-Americano de Beisebol está se aproximando, e Yuji Izawa mal tem tempo para falar ao telefone. Compreensível. Ele tem de ir ao congresso técnico da competição e ao Aeroporto Marechal Rondon pegar as delegações de Argentina e Bolívia. Quase ao mesmo tempo, como se ele fosse dois ou três. E está assim há dois meses, repletos de reuniões com autoridades cuiabanas e mato-grossenses e potenciais patrocinadores e verificações das obras nos estádios que recebem o evento. Pai – ou um dos pais, como ele faz questão de salientar – tem de cuidar da criança.

A existência do Sul-Americano de Beisebol de 2015 deve muito a Izawa e à comunidade do esporte no Mato Grosso. O torneio estava programado para dezembro de 2014 em Lima. Em cima da hora, os peruanos desistiram da organização por falta de recursos e a competição ficou moribunda, sem sede, sem data. O fato de, neste sábado, Colômbia e Brasil disputarem a final, que vale uma vaga para os Jogos Pan-Americanos deste ano, marcados para julho em Toronto, é quase um milagre.

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A história dessa improvável competição começou longe, e das formas mais improváveis. Sérgio Yuji Izawa começou a jogar beisebol em clubes da comunidade japonesa do Mato Grosso. Teve de parar na categoria pré-júnior, devido aos estudos. Quando concluiu o ensino médio, decidiu tomar o mesmo rumo de milhares de jovens brasileiros de origem nipônica na década de 1990: atravessou o mundo e virou mais um dekassegui no Japão.

Izawa foi parar em Kawasaki, cidade na região metropolitana de Tóquio. Trabalhava na fábrica de caminhões da Isuzu durante o dia e estudava japonês à noite. “Meus pais migraram para o Brasil muito novos e foram direto para a roça trabalhar. Por isso, sempre quiseram que os filhos se formassem em uma faculdade”, conta. O mato-grossense aprendeu japonês e ingressou na Tokyo Metropolitan College of Commerce. Após formado em comércio exterior, conseguiu um emprego em uma agência de turismo na capital japonesa.

Na mesma época, o Japão se abria ao futebol. A J-League havia sido criada e dezenas de brasileiros eram contratados. O lateral-direito Jorginho, campeão do mundo em 1994, participaria de uma coletiva da Jomo Cup (espécie de Jogo das Estrelas da liga) como jogador do Kashima Antlers. Izawa foi contratado para fazer a tradução. Dias depois, uma equipe da empresa de Zico fez uma proposta para o ex-funcionário da fábrica da Isuzu se tornar o intérprete do craque.

Yuji Izawa com Zico em 1997 (Arquivo pessoal)
Yuji Izawa com Zico em 1997 (Arquivo pessoal)

O Galinho já havia encerrado a carreira, mas tinha várias atividades no Japão. Eram clínicas de futebol, comerciais de TV, eventos e palestras por todo o país. Zico ainda era um dos ícones do beach soccer. Izawa o acompanhava em boa parte desse processo. “Aprendi muito a enxergar oportunidades de negócio onde as pessoas viam problemas e ainda construí uma boa rede de contatos.”

Após o trabalho no Japão, Izawa se mudou para os Estados Unidos, onde estudou administração da Franklin University, em Columbus (estado de Ohio). Foi trabalhar no escritório de San Diego da PEC, um fabricante de fusíveis de automação. Atravessar a fronteira mexicana para visitar a fábrica da empresa em Tijuana era uma tarefa diária.

Em 2002, o ex-dekassegui resolveu retornar a Cuiabá para ter uma rotina mais regular (e com menos passagens em hotel). Investiu na compra de uma franquia da Fisk na capital mato-grossense. Além disso, passou a trabalhar em entidades ligadas à comunidade japonesa local, que haviam perdido força depois da ida de tantos brasileiros para o Japão na década anterior. E aí essa trajetória de Izawa encontra o beisebol.

Primeiro, ele entrou em um time local, sem recursos. Com o tempo, passou a organizar campanhas de arrecadação, vender publicidade no estádio para o empresariado local e melhorar as condições para a realização de campeonatos estaduais. “Começamos em um campo cheio de carrapicho. No final, tínhamos um técnico trazido do Japão, arquibancadas pintadas e uma gaiola de rebatidas importada dos Estados Unidos”, comenta. Acabou eleito presidente da Federação Matogrossense de Beisebol e Softbol.

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O beisebol não era para ser um trabalho. A experiência com esporte havia sido importante para impulsionar a carreira, mas cansativa. “Quando trabalhava com futebol, ficava viajando o ano inteiro e não tinha residência fixa. Também percebi que pouca gente ganha bem, mas não parece porque a mídia só fala do 1% que tem sucesso”, reflete.

Yuji Izawa com Junior, Leonardo e Jorginho em 1996 (Arquivo pessoal)
Yuji Izawa com Junior, Leonardo e Jorginho em 1996 (Arquivo pessoal)

O retorno ao beisebol cuiabano e a entrada na organização de competições mato-grossenses nos leva direto ao que se seguiu após a desistência do Peru de sediar o Sul-Americano de Beisebol. Com a ameaça de não-realização do torneio, o que complicaria a definição do representante da América do Sul no Pan de Toronto, a bola passou para o Brasil. A direção da CBBS ligou para Izawa e perguntou se ele não conseguiria organizar a competição em Cuiabá e na vizinha Várzea Grande. “Eu e os outros quatro diretores da federação decidimos bancar o torneio, mesmo que assumíssemos os prejuízos entre nós.  Corremos atrás do governo, da prefeitura e de empresas privadas. Conseguimos apoio para trocar o telhado das arquibancadas, construir dois vestiários novos e cinco banheiros, trocar a tela do alambrado e o placar.”

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Deu tempo. O Sul-Americano começou no último sábado com cinco seleções – Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia e Peru (a Venezuela já tem vaga automática no Pan e não disputa o torneio) – e até tem transmissão dos jogos pelo YouTube. Os colombianos dominaram a primeira fase, com quatro vitórias. A seleção brasileira bateu argentinos (em um duro 2 a 1), bolivianos e peruanos e terminou na segunda posição. Nas semifinais, disputadas nesta quinta, o Brasil fez 4 a 2 na Argentina e garantiu uma vaga na final.

A Colômbia é favorita na decisão. Nada surpreendente se considerada a história do beisebol colombiano, a existência de uma liga profissional no país e ao fato de o Brasil estar desfalcado de jogadores que atuam no exterior. Mas, dentro de todas as circunstâncias, só o fato de o torneio estar acontecendo já é surpreendente. Ainda mais porque essa história começou em Cuiabá, passou pelo Japão, pela fronteira mais vigiada do mundo antes de voltar ao Mato Grosso.

 

Seleção brasileira precisa de uma mãozinha sua para conquistar uma vaga no Pan

A delegação precisa pagar do próprio bolso e abriu uma vaquinha virtual para arrecadar contribuições

O beisebol brasileiro está em crescimento, mas ainda é um esporte amador. E no sentido tradicional do amadorismo, pois a falta de verbas obriga constantemente os jogadores e técnicos a bancarem do próprio bolso as viagens para competições. Mesmo quando elas são realizadas no Brasil.

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É o caso do Sul-Americano de Beisebol, que vale uma vaga para os Jogos Pan-Americanos deste ano. A competição estava originalmente programada para Lima, Peru, em dezembro de 2014 e foi adiada e transferida para Cuiabá, em fevereiro de 2015. Boa parte dos custos sairão dos membros da delegação, mas, para atenuar um pouco o impacto, o grupo abriu uma vaquinha virtual para levantar uma verba.

Se você quiser dar uma olhada e contribuir, clique aqui.

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Saiu mais uma convocação do Brasil para o Sul-Americano, agora sem o pessoal da MLB

Adiamento do torneio prejudicou a seleção, que não poderá contar com atletas ligados a franquias da MLB

Os planos da seleção brasileira de beisebol foram prejudicados com o adiamento do Sul-Americano da modalidade. O torneio estava inicialmente programado para dezembro, no Peru, e foi transferido para o final de fevereiro e início de março em Cuiabá. Com isso, a ideia de contar com jogadores ligados a equipes da MLB foi por terra.

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Isso ficou claro na lista de convocados anunciada pelo técnico Luis Cobas nesta segunda. De qualquer modo, ainda é um elenco capaz de brigar pelo título, que vale uma vaga nos Jogos Pan-Americanos deste ano, em Toronto.

Confira a lista:

Arremessadores

Felipe Fukuda (Marília)
Rafael Miranda (Nippon Blue Jays)
Hideki Tadokoro (Atibaia)
Jean Tomé (Atibaia)
Marcel Viana (Anhanguera)
Fernando Oda (Gecebs)
Renan Ishihara (Mogi)
Romulo Shindo (Nippon Blue Jays)
Vitor Souza (Atibaia)

Catchers

Felipe Manabo Hanada (Gecebs)
Luis Camargo (Nippon Blue Jays)

Defensores internos

Allan Fanhoni (Marília)
Fabio Rienzo (Atibaia)
Lucas Rojo (Atibaia)
Eduardo Watanabe (Nippon Blue Jays)
Felipe Burin (Marília)
Fernando Nishimura (Gecebs)
Pedro Ivo Okuda (Marília)
Felipe Mizukosi (Gebecs)

Defensores externos

Fabio Murakami (Marília)
Tiago Magalhães (Anhanguera)
Valter Matumoto (Nippon Blue Jays)

[Exclusivo] Presidente da CBBS: beisebol nas Olimpíadas está 99% certo, e com jogadores da MLB

Anúncio do Comitê Olímpico Internacional pode sair neste fim de semana

O retorno do beisebol e do softbol aos Jogos Olímpicos está próximo. Tão próximo que as entidades que governam as modalidades até já fazem planos sobre como seria a competição e quais os benefícios que esse fato traria para o Brasil, independentemente de participar ou não das competições. É o que conta Jorge Otsuka, presidente da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol em entrevista ao ExtraTime.

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Na conversa, o dirigente afirma que o COI pode anunciar já neste fim de semana o retorno do beisebol para Tóquio-2020 e que a luta da modalidade é voltar em definitivo ao programa olímpico, e não apenas para o evento japonês. Além disso, ele detalhou como seria o torneio, curto para não atrapalhar o calendários das principais ligas do mundo e permitir a liberação de jogadores. o que incluiria até a MLB.

Para o Brasil, o beisebol e o softbol voltarem a ser olímpicos colocaria a CBBS na lista de entidades que recebe repasse de verbas do Comitê Olímpico Brasileiro. Isso daria mais poder de investimento à entidade, mas os projetos mais promissores para o futuro estão mais ligados ao interesse crescente da MLB no País.

O COI anunciou uma série de novas políticas para os Jogos Olímpicos, incluindo uma flexibilidade maior na relação de modalidades que farão parte do evento. Como os Jogos de 2020 serão em Tóquio, o beisebol fica em posição privilegiada para voltar. Qual é a posição atual?

Em Tóquio é 99% de certeza que terá o beisebol e o softbol, mas não queremos que seja algo transitório, só para 2020. Em 6 e 7 de dezembro, o COI vai se reunir novamente. O Thomas Bach [presidente do comitê] já foi claro que quer que o beisebol volte, mas talvez seja em definitivo.

Qual é a posição da MLB e da NPB em relação a isso? Ano passado, quando o beisebol disputou com a luta e o squash para entrar em 2020, houve promessa de apoio e cessão de jogadores. Isso está em pé?

A liga japonesa está inteiramente a favor. A liga coreana (KBO) e a de Taiwan (CPBL) também. Elas se comprometeram a ceder todos os jogadores que forem necessários. Na MLB é mais difícil, mas o modelo de torneio deve ajudar. A ideia é fazer um torneio bem rápido para atrapalhar pouco o calendário das ligas. Seriam oito times e apenas cinco dias. Se for assim mesmo, uma possibilidade que foi pensada era a de a MLB liberar seus jogadores, sobretudo os arremessadores, em duas etapas. Na primeira leva os jogadores que disputariam os primeiros jogos e, na segunda, os atletas que disputariam a fase final. Assim, não haveria tanto desgaste e os clubes americanos não perderiam seus jogadores por tanto tempo. Em relação aos atletas não-americanos da MLB, é algo que teria de ser conversado entre a liga e as federações dos países.

O Brasil dificilmente conseguiria uma vaga em um torneio de oito seleções. De qualquer forma, o retorno do beisebol e do softbol para o programa olímpico recolocaria a CBBS como entidade que receberia repasse de verbas do Comitê Olímpico Brasileiro.

Isso. Seria muito importante para nós. Com o repasse da Lei Agnello-Piva, voltamos a ter ajuda. Quando recebíamos, podíamos mandar a seleção para disputar os torneios continentais, era mais fácil bancar a estrutura do CT em Ibiúna, por exemplo. O Brasil já é 14º no ranking mundial da Ibaf, mas dá para subir uma ou duas posições se disputarmos mais competições.

O time que vai disputar o Sul-Americano em janeiro vai bancar a viagem para o Peru do próprio bolso?

Isso. Recurso dos atletas.

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Então, mas sobre os eventuais repasses do COB, a CBBS já tem algum plano para o que fazer com esse dinheiro? Bancar a viagem das seleções e o CT é o mínimo, mas não é a oportunidade de também fazer algo diferente para alavancar o esporte?

Já demos o pontapé inicial para uma parceria com a MLB, que está ajudando a implementar projetos em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Recife, e com outros já programados para Natal, Fortaleza e Porto Alegre. A liga tem sido fundamental, porque um problema que sempre tivemos era o custo dos equipamentos. Agora ela manda para cá.

Neste ano, o Náutico se tornou o primeiro clube tradicional no futebol a criar uma equipe de beisebol. Esse é um caminho?

Seria um sonho nosso ter time do Corinthians, do São Paulo, do Flamengo. Porque eles já têm um público próprio, que viria junto com o time. Inclusive, vamos fazer um evento com o André Rienzo lá em Recife no começo de 2015 para ajudar a promover esse trabalho do Náutico.

Mas isso é um sonho ou já existe algo em andamento?

É só um sonho por enquanto. Nunca conversamos com nenhum dirigente de clube de futebol.

A Taça Brasil está sendo disputada e não há nenhum clube de fora de São Paulo na disputa, algo que tem se tornado comum nos últimos anos. O que falta para o Brasil ter uma competição nacional que seja realmente nacional?

É difícil fazer tudo o que queremos. Existem competições regionais em Belém, Manaus, no Mato Grosso, no Mato Grosso do Sul, no Paraná e em São Paulo. Mas é caro para os times de fora de São Paulo disputarem o torneio aqui. Para uma equipe paraense, custaria algo em torno de R$ 50 mil entre transporte, hospedagem e alimentação. Fora que o nível técnico em muitos desses lugares ainda é inferior, não dá para competir.

CONFIRA: MLB planeja reformar estádio em São Paulo para organizar um jogo no Brasil

O Caleb Santos-Silva [coordenador de desenvolvimento internacional da MLB] já disse que a liga pensa em fazer um jogo no Brasil. O que seria preciso fazer de infraestrutura para viabilizar isso?

Temos primeiro de trabalhar com a prefeitura de São Paulo. O estádio Mie Nishii tem uma ótima localização, no Bom Retiro, bairro central. O problema é que teria de fazer muita obra para deixar o estádio em condições de receber um jogo desses. Há espaço, mas a estrutura em si teria de praticamente construir tudo de novo. Já estamos vendo com a secretaria de esportes o que pode ser feito naquele local.

A chegada de brasileiros na MLB aumentou a exposição do beisebol na mídia e aumentou a procura pelo esporte?

Melhorou bastante. Houve muita gente nos procurando ou fazendo consultas para eventuais projetos. Temos atletas bons, somos mais respeitados lá fora, só precisamos de mais quantidade. Uma coisa que começou a andar é a conversa com o Sesi-SP, que pode implementar em suas unidades o mesmo trabalho que o Sesc-SP já faz. Também já fechamos com a prefeitura de Indaiatuba uma clínica na cidade durante o Carnaval, levando técnicos para ensinarem os professores de educação física da rede municipal a colocarem o beisebol na grade.

Seleção brasileira começa preparação para o Sul-Americano, e vai com elenco forte dessa vez

Torneio vale uma vaga para os Jogos Pan-Americanos de 2015, em Toronto

Leonardo Reginatto, destaque brasileiro no WBC (AP Photo/Koji Sasahara)
Leonardo Reginatto, destaque brasileiro no WBC (AP Photo/Koji Sasahara)

É raro o Brasil juntar uma equipe tão forte. A seleção que começa a se preparar nesse fim de semana para o Sul-Americano de Beisebol é uma das mais fortes possíveis, reunindo jogadores que atuam nos Estados Unidos e no Japão para reforçar a base nacional. O objetivo é recuperar a hegemonia do torneio e conquistar a única vaga em jogo para os Jogos Pan-Americanos de 2015, em Toronto.

ENTREVISTA: “Expectativa para 2015 é chegar à Triple-A e tentar vaga na MLB”, diz brasileiro Leonardo Reginatto

Os destaques da seleção são André Rienzo, Paulo Orlando e Leonardo Reginatto, todos atuando em franquias da Major League Baseball. Yan Gomes não foi chamado para poder ficar com a família no Tennesse durante as férias da MLB. Thyago Vieira, arremessador das ligas menores do Seattle Mariners, foi incluído na primeira lista de pré-convocados, mas também não fará parte da equipe. Paulo Orlando está na relação de convocados, mas está atuando na Venezuela e só deve integrar a delegação nas vésperas da competição.

Os 30 convocados treinarão no campo do Gecebs, em Arujá, até o técnico Luís Cobas definir os 22 que integrarão a delegação que vai a Lima para a disputa do torneio, de 10 a 17 de janeiro. O Brasil é o maior campeão do Sul-Americano, com 8 títulos, mas a Argentina é a atual tricampeã.

Vejam os convocados:

Arremessadores
André Rienzo (Chicago White Sox-EUA)
Oscar Nakaoshi (Honda-JAP)
Romulo Shindo (Nippon Blue Jays)
Claudio Matumoto Jr (Nippon Blue Jays)
Rafael Miranda (Nippon Blue Jays)
Tetsui Uehara (Gecebs)
Marco Murakami (Gecebs)
Jean Tomé (Atibaia)
Hideki Tadokoro (Atibaia)
Renan Ishihara (Mogi das Cruzes)
Felipe Fukuda (Marília)
Fernando Koga (Marília)
Marcel Viana (Anhanguera)
João Martins (São Paulo)

Receptores
Felipe Manabo Hanada (Gecebs)
Marcio Kikuchi (Atibaia)
Luis Camargo (Nippon Blue Jays)
Felipe Talos (Ibiuna)

Defensores internos
Leonardo Reginatto (Tampa Bay Rays-EUA)
Reinaldo Sato (Yamaha-JAP)
Eduardo Watanabe (Nippon Blue Jays)
Felipe Mizukosi (Gecebs)
Fernando Nishimura (Gecebs)
Lucas Rojo (Atibaia)
Fabio Rienzo (Atibaia)
Everton Shimizu (Atibaia)
Allan Fanhoni (Marília)
Henrique Yoshida (Marília)
Pedro Ivo Okuda (Marília)
Felipe Burin (Marília)

Defensores externos:
Paulo Orlando (Kansas City Royals-EUA)
Valter Matumoto (Nippon Blue Jays)
Fabio Murakami (Marília)
Thiago Magalhães (Anhanguera)

Brasil faz pré-convocação com time praticamente completo para Sul-Americano de beisebol

André Rienzo, Paulo Orlando e Leonardo Reginatto foram chamados, mas Yan Gomes ficou de fora

Seleção Brasileira no World Baseball Classic (Divulgação)
Seleção Brasileira no World Baseball Classic (Divulgação)

A CBBS divulgou a lista de pré-convocados para o Sul-Americano de beisebol. E, pela relação inicial, a seleção brasileira iria ao Peru com uma equipe bastante forte. Foram chamados alguns dos principais jogadores brasileiros, incluindo André Rienzo, Daniel Missaki, Leonardo Reginatto, Paulo Orlando e Luís Gohara, todos atuando profissionalmente nos Estados Unidos. Alguns atletas que estão no Japão, como Oscar Nakahoshi, também foram convocados. Yan Gomes ficou de fora.

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Os treinos começam em 6 de setembro. Fica a cargo dos 40 jogadores encontrar disponibilidade para se apresentar para a preparação e, depois, os custos da viagem a Lima (o torneio será disputado na capital peruana entre 28 de novembro e 7 de dezembro). Por isso, a tendência é que alguns dos principais jogadores não sejam mantidos na lista final de 22 nomes, pois podem ter compromissos em ligas latino-americanas ou mesmo nos Estados Unidos.

O Brasil é o maior campeão do Sul-Americano de Beisebol, mas não conquista o título desde 2005. Em 2013, ficou a um strike do troféu, mas acabou cedendo a virada para a Argentina (atual tricampeã) na final.

Veja abaixo a lista de convocados. Para mais detalhes, o recomendado Baseball Live Brasil fez a lista com os clubes de cada um:

Arremessadores

André Rienzo*, Caic Nonoyama, Daniel Missaki*, Ernesto Noris Chacón, Felipe Fukuda, Felipe Natel**, Fernando Koga, Gabriel Asakura, Hideki Tadakoro, Jean Tomé, Luis Gohara*, Marcel Viana, Missaki Minowa, Oscar Nakahoshi**, Rafael Miranda e Thyago Vieira*

Catchers

Felipe Manabo Harada, Felipe Talos, Marcio Kikuchi e Thiago Taira

Defensores internos

Allan Fanholi, Eduardo Watanabe, Everton Shimizu, Fabio Nakamura, Felipe Mitsuro Mizukosi, Fernando Nishimura, Gustavo Ogassawara, Leonardo Reginatto*, Lucas Rojo*, Pedro Ivo Okuda e Reinaldo Tsuguio Sato**

Defensores externos

Ariel Frigo, Caio Benedito, Fabio Murakami, Henrique Yoshida, Juan Carlos Muniz, Paulo Orlando*, Rodrigo Shindo, Thiago Magalhães e Valter Matumoto

* Jogadores que atuam no beisebol norte-americano
** Jogadores que atuam no beisebol japonês