[Copa 2014, um ano] Uruguai vence Itália na bola, na raça e nas dentadas

Um legado da Copa? A punição de Suárez por morder o ombro de Chiellini

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Para celebrar o primeiro aniversário do Mundial 2014, vamos retomar um dos lemas da Copa. Depois do “Não vai ter Copa”, do “Vai ter Copa, sim” e do “Devia ter Copa todo ano”, é a vez de gritar “Volta, Copa!”. A cada dia, uma retrospectiva do que ocorreu há um ano. Só para alimentarmos nossa saudade.

VOLTA, COPA: Confira a retrospectiva dia a dia do que rolou na Copa das Copas

O folclore

A Inglaterra deixou a Copa, e junto com ela se vão seus torcedores e seu humor irônico. Algo que pôde ser bastante visto no Mineirão, durante o modorrento amistoso que se transformou o Inglaterra x Costa Rica. Uma pena, ainda mais porque seguiam no Mundial muita gente que já deveria ter voltado, como esse garoto que estava cabulando aula.

Quem começava a ficar com vontade de vir era Robert Downey Jr. Ainda mais depois que seu personagem mais famoso entrou no clima da Copa e mostrou apoio a seu companheiro Hulk.

Bola rolando

O Grupo da Morte termina, e com a configuração mais surpreendente. A Costa Rica empatou com a Inglaterra no Mineirão e confirmou a primeira posição da chave. Em Natal, o Uruguai venceu a Itália na bola, na raça e nas dentadas e ficou com a segunda vaga nas oitavas de final.

Costarriquenhos e uruguaios vão se cruzar com o Grupo C, contra Colômbia e Grécia respectivamente. Os colombianos ganhavam terreno como uma das seleções de futebol mais atraente do Mundial depois dos 4 a 1 sobre o Japão com show de James Rodríguez. Os gregos sofreram bem mais, precisando de um gol de Samaras nos acréscimos para eliminar a Costa do Marfim.

Vídeo do dia

Suárez morde Chiellini, um clássico.

Enquanto isso, na Trivela

Duas formas bem distintas de ver o Brasil x Camarões. Em São Paulo, a loucura do bairro da Vila Madalena, por um mês a maior balada 24h do planeta. Na estrada, os solitários caminhoneiros tentando conciliar o prazo de entregas com a vontade de ver a Seleção.

Mas já estava claro que o clima de Copa não estava só com os brasileiros. Mostramos como foi a vibração de chilenos e mexicanos no dia anterior.

Oea do dia

[Copa 2014, um ano] O futuro clube de Pirlo estaria no Rio Grande do Norte?

Craque italiano aparece com bandeira do ABC, enquanto brasileiros ainda sofrem para emplacar alguma música para a Seleção

Para celebrar o primeiro aniversário do Mundial 2014, vamos retomar um dos lemas da Copa. Depois do “Não vai ter Copa”, do “Vai ter Copa, sim” e do “Devia ter Copa todo ano”, é a vez de gritar “Volta, Copa!”. A cada dia, uma retrospectiva do que ocorreu há um ano. Só para alimentarmos nossa saudade.

VOLTA, COPA: Confira a retrospectiva dia a dia do que rolou na Copa das Copas

O folclore

Era meio óbvio que o “Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor” seria engolido durante a Copa. Um canto meio batido, sem vibração e sem aceitação do torcedor de arquibancada tradicional acabou virando símbolo da falta de um canto único e mais poderoso para empurrar a seleção brasileira. Ainda mais na comparação direta com a vibração de argentinos, mexicanos, colombianos, chilenos e uruguaios (e até cutucadas dos alemães). Isso foi visto também pela forma como as arquibancadas só se inflamavam de verdade para cantar as músicas de clubes.

Por isso, alguns brasileiros lançaram propostas de cantos mais provocadores e conectados com o clima de estádio. Entre propostas interessantes e outras nem tanto, uma delas até acabou pegando (“Mil gols”). Acabou se tornando uma das músicas da Copa, bem como os comediantes italianos fazendo paródia do hino britânico para tirar sarro da vitória da Azzurra sobre a Inglaterra.

Se o entrosamento com a seleção verde-amarela ainda não engrenou, o entrosamento do brasileiro com os jogadores estrangeiros segue bem. A Itália foi a Natal para se preparar para o jogo contra o Uruguai e Pirlo posou para foto com a bandeira do ABC. Alguma indicação sobre o seu futuro após a Juventus? Drogba também deixou a concentração de lado e foi interagir um pouco com os fãs.

O carinho pela Copa estava tão grande que o Irã até encomendou um tapete (persa, óbvio) com a imagem do Fuleco para decorar o banco de reservas do Mineirão no jogo contra a Argentina.

Bola rolando

Dia histórico na Copa. Klose fez o segundo gol da Alemanha no empate por 2 a 2 com Gana e se igualou a Ronaldo como maior artilheiro dos Mundiais. Aliás, esse jogo no Castelão ficou meio esquecido, mas os alemães tiveram enormes dificuldades e estiveram realmente muito perto de serem derrotados.

Outro futuro finalista da Copa que sofreu com uma zebra foi a Argentina, que não conseguia passar pela defesa iraniana, quase tomou gol no contra-ataque e só fez o 1 a 0 salvador nos acréscimos, em uma jogada de inspiração de Messi.

O dia foi encerrado com uma partida bastante fraca. A vitória da Nigéria por 1 a 0 sobre a Bósnia-Herzegovina marcou a eliminação da seleção europeia. No final, a participação bósnia ficou mais lembrada pela torcida do humorista Marcelo Adnet.

Vídeo do dia

A Savassi, bairro de Belo Horizonte com agitada vida noturna, foi palco do caso mais grave de briga entre torcidas na Cop. Na véspera de Argentina x Irã no Mineirão, brasileiros e argeentinos se envolveram em uma batalha generalizada, com enorme quantidade de garrafas voando de lado a lado.

Enquanto isso, na Trivela

Em uma Copa cheia de manifestações, uma passou batida em São Paulo. Judeus brasileiros foram à Avenida Paulista, em São Paulo, protestar contra a atitude da Justiça argentina no caso do ataque à Amia (Associação Mutual Israelita-Argentina), maior ataque terrorista da história da América Latina. O caso estava perto de completar 20 anos, e um jogo entre Irã e Argentina (dois países ligados ao caso) foi um pretexto mais que válido.

Oea do dia

[Copa 2014, um ano] No mesmo dia, a classe de Pirlo e o carisma do Armeration

Houve diversas Copas espetaculares, mas qual a única que teve Armero levando sua arte ao mundo?

Para celebrar o primeiro aniversário do Mundial 2014, vamos retomar um dos lemas da Copa. Depois do “Não vai ter Copa”, do “Vai ter Copa, sim” e do “Devia ter Copa todo ano”, é a vez de gritar “Volta, Copa!”. A cada dia, uma retrospectiva do que ocorreu há um ano. Só para alimentarmos nossa saudade.

VOLTA, COPA: Confira a retrospectiva dia a dia do que rolou na Copa das Copas

O folclore

Se ainda havia alguma dúvida de que a Copa 2014 seria a maior da história pela soma de grande futebol e muitagalhofa, ela acabou com essa cena: Arsène Wenger jogando futevôlei nas praias do Rio de Janeiro. Mas teve mais! A torcida grega se fantasiou de iogurte grego para ver seu time perder da Colômbia no Mineirão e um ex-integrante da Companhia do Pagode (grupo responsável pelo clássico “Na Boquinha da Garrafa”) foi um dos policiais que fez a segurança da delegação chilena na Bahia.

Bola rolando

Teve Armeration na Copa! Sim, o lateral-esquerdo colombiano, responsável pelas danças mais carismáticas do mundo do futebol) abriu o marcador em Colômbia 3×0 Grécia e se juntou a seus companheiros para mostrar ao mundo sua arte. Em seguida, a Copa viu sua primeira grande zebra, na vitória da Costa Rica sobre o Uruguai por 3 a 1, e mais um jogaço-aço-aço, nos 2 a 1 da Itália sobre a Inglaterra em Manaus.

Vídeo do dia

Essa cobrança de falta de Pirlo. Sem palavras…

Enquanto isso, na Trivela

Os acontecimentos do dia anterior ainda repercutiam. Nosso convidado Tiago Pavini contou como foi se misturar à torcida chilena em Cuiabá e o Corneta Europa fez a análise menos parcial possível de Espanha 1×5 Holanda. Depois, nosso enviado a Salvador relatou como um bar da cidade reuniu torcedores de todos os times do Grupo D para ver a primeira rodada do grupo da morte. Por fim, um protesto, pelo fato de ninguém ter se disposto a levar Ghiggia para ver a estreia do Uruguai na Copa do Mundo enquanto a torcida celeste fazia tanta questão de se lembrar do Fantasma de 50.

Oea do dia

Poucos perceberam na hora, mas o maior Juve x Monaco da história foi prévia da Copa de 1998

De um lado o craque do Mundial e o capitão que levantou a taça, do outro, o goleiro herói e a promissora dupla de ataque

A história pode estar passando diante de nossos olhos e não percebermos. Isso acontece a todo momento e muitas vezes é um dilema do jornalista dentro de seu papel de registrar os fatos e como eles serão lembrados. Juventus x Monaco se enfrentam nesta terça pelas quartas de final da Champions League, um jogo que nem de perto se compara ao confronto entre os dois clubes em 1º de abril de 1998. O duelo valia uma vaga para a final do torneio, mas o tamanho daquela partida só se viu alguns meses depois.

LEIA TAMBÉM: Tevez finalmente faz da Champions a sua nova Libertadores

A Juventus era uma das potências europeias da década de 1990. Havia conquistado a Champions League em 1996 e foi vice-campeã em 1997. Na temporada 1997/98, fazia uma campanha apenas cumpridora quando enfrentou o Dynamo de Kiev na quartas de final. A equipe ucraniana estava voando. Com Shevchenko e Rebrov no ataque, havia feito 3 a 0 (em Kiev) e 4 a 0 (no Camp Nou) no Barcelona na fase de grupos. O jogo de ida, em Turim, terminou em 1 a 1. Tudo pronto para o Dynamo chegar à semifinal. Mas os italianos impuseram sua experiência e venceram por incontestáveis 4 a 1.

O Monaco fazia uma campanha até mais convincente. Foi primeiro em um grupo com Bayer Leverkusen, Sporting e Lierse (BEL). Nas quartas de final, passou pelo Manchester United de Beckham, Schmeichel, Giggs e Scholes após dois empates.

O encontro nas semifinais tinha enorme favoritismo juventino. Era o time do momento, vinha em crescimento e a Itália era a grande liga do mundo na época. Os monegascos contavam com um elenco muito jovem, cheio de promessas sobre as quais não se sabia direito o que esperar. Comandada por Del Piero, a Juventus fez 4 a 1 e preparou o terreno para chegar a sua terceira decisão continental seguida. Uma derrota por 3 a 2 no principado não atrapalhou os planos piemonteses.

A importância do jogo era óbvia pelo fato de ser uma semifinal de Champions League (a outra tinha Real Madrid e Borussia Dortmund). Mas vendo as escalações que percebemos que, em campo, estava uma parte da história da Copa de 1998, que seria disputada apenas dois meses depois. O Monaco tinha Barthez e a jovem dupla de ataque Henry-Trezeguet. A Juventus também tinha sua cota de talento gaulês, com Deschamps e Zidane.

HISTÓRIA: O Monaco de Arsène Wenger

Dos 22 titulares dessa semifinal, dez voltariam ao mesmo gramado em três meses e dois dias depois. O cenário era o Stade de France. O quinteto francês encontraria os juventinos Del Piero, Inzaghi, Di Livio, Pessotto e Torricelli, todos defendendo a seleção italiana, pelas quartas de final. Os anfitriões se deram melhor, com vingança monegasca sobre Del Piero: vitória da França nos pênaltis, com uma defesa de Barthez e cobranças convertidas por Henry e Trezeguet.

Dias depois, a França conquistou o mundo, com o juventino Deschamps erguendo a taça como capitão e o também juventino Zidane se consagrando o melhor jogador do planeta. Barthez, Henry e Trezeguet se consolidariam como titulares da seleção francesa que dominaria o mundo entre 1998 e 2001.

Não à toa, a Juventus foi se reforçar justamente naquele Monaco que havia enfrentado. Em 1999, os italianos contrataram Henry. Não deu muito certo, mas os piemonteses não desistiram e, um ano depois, levaram Trezeguet. O ótimo grupo monegasco semifinalista da Champions League estava desfeito e a Juventus construía o time que voltaria à final da Europa em 2003. Um fato que só reforça quanto aquele duelo de 1º de abril de 1998 teve uma importância histórica muito maior do que ter sido “apenas” a semifinal do maior torneio de clubes do planeta.

Se quiser ver a ficha completa da partida, clique aqui.

Mordida de Luís Suárez na Copa vira souvenir em mercado de Nápoles

Já dá para comprar estatueta de Suárez avançando com seus dentões em Chiellini

Nada de miniatura do Vesúvio, uma camiseta com desenho dos sabores de pizza mais tradicionais ou um quadro mal feito do Maradona. Um amante de futebol que for para Nápoles já tem um souvenir perfeito para ter para sempre uma recordação da Itália: uma estatueta de Luis Suárez dando uma de vampiro para cima de Giorgio Chiellini.

VEJA TAMBÉM: Deveria ter Copa todo ano! Veja todas as galhofas do Mundial de 2014

A descoberta foi do jornalista Matt Rodbard, editor do site Food Republic que passa férias na Itália. Ele estava zanzando pelo mercado de Nápoles (sempre um bom lugar para um amante de comida) quando, pimba!, viu a estatueta à venda. Sinceramente, é muito melhor do que essas lembrancinhas clichês que tanto vendem pela Itália.

Aliás, alguém aí tem um conhecido que vai para Nápoles? O pessoal aqui da Trivela está com uma encomenda para fazer.

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Qual o melhor e mais bizarro vídeo que zoa a mordida de Suárez?

Não havia dúvidas que a terceira mordida do uruguaio se transformaria em meme mundial

No mundo das redes sociais, em que grandes empresas consideram os memes que um produto pode gerar antes de definir sua estratégia de lançamento, era óbvio que lances inusitados da Copa do Mundo viraria brincadeira de internet. O a mordida de Luis Suárez em Chiellini foi um prato cheio.

LEIA MAIS: O impulso de Suárez, que já salvou o Uruguai na Copa, agora foi pura inconsequência

Reunimos três vídeos sem noção. Qual é o melhor?

1) História completamente nonsens made in China:

2) “Suárez mordeu minha mão!”
(baseado neste)

https://vine.co/v/MtptO0bUhL5/embed/simple

3) Suárez com danças lascivas
(baseado neste)

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https://vine.co/v/MtpVraxW9Kt/embed/simple

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[Especial Itália 80/90] Um verdureiro, um escândalo, uma crise, e a Itália começa a dominar o mundo

Do maior escândalo de sua história, a Serie A encontrou forças para crescer 50 anos em 5

Massimo Cruciani era um produtor de frutas e verduras em Roma. Sua ligação com o futebol era nula, exceto pelo fato de ser um torcedor como milhões de italianos. Natural que o esporte virasse assunto de suas conversas. Foi assim que ficou amigo de um de seus clientes, Alvaro Trinca, dono do restaurante La Lampara. O local era frequentado por jogadores da Lazio, que se juntaram ao bate papo. E, de repente, algumas informações supostamente confidenciais começaram a circular.

Os atletas convenceram Trinca e Cruciani a apostarem em uma loteria esportiva clandestina. Os dois recebiam dos laziali algumas dicas de que resultados ocorreriam, mas nem sempre os jogadores davam a indicação correta. O fornecedor de hortifruti e o dono do restaurante começaram a perder dinheiro, até que uma hora ficaram de saco cheio. Resolveram explodir tudo. Em 1º de março de 1980, Cruciani entrou com um processo na Procuradoria da República, denunciando a existência de um esquema de manipulação de resultados para alimentar uma loteria ilegal.

As investigações foram rápidas. Em 23 de março, 12 jogadores foram presos ainda no campo e outros cinco receberam ordem para depor assim que suas partidas pela rodada do Campeonato Italiano terminaram. Entre os envolvidos estavam jogadores com passagem pela Azzurra como Paolo Rossi (Perugia), Bruno Giordano (Lazio) e Enrico Albertosi (Milan e goleiro da Itália na final da Copa de 1970).

No final, a Comissão Disciplinar da liga distribuiu punições pesadas. Milan e Lazio foram rebaixados para a Serie B, Avellino, Bologna e Perugia começaram a temporada 1980/81 com cinco pontos a menos e 22 jogadores receberam suspensões de três meses a banimento do esporte (caso de Albertosi). Rossi, uma das grandes figuras da seleção italiana para a Eurocopa de 1980 e a Copa de 1982, pegou três anos de gancho.

Bruno Giordano e Paolo Rossi na capa da Guerin Sportivo
Bruno Giordano e Paolo Rossi na capa da Guerin Sportivo

O clima ficou péssimo. O público não acreditava mais no futebol como um todo e isso afetou a campanha da Azzurra na Eurocopa, organizada justamente na Itália. A seleção da casa venceu apenas um jogo e ficou em segundo lugar no Grupo B, atrás da Bélgica. Naquele ano, só o campeão de cada grupo seguia no torneio e os italianos foram para a disputa de terceiro lugar com a Tchecoslováquia. Perderam por 9 a 8 nos pênaltis, depois de 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação.

A esse cenário se somava a péssima situação dos clubes locais nas copas europeias. A Serie A era a décima colocada no ranking de ligas da Uefa (atrás até da Alemanha Oriental), e tinha apenas duas vagas na Copa da Uefa. Era preciso tomar medidas rápidas para recuperar a credibilidade da Serie A. Por pressão de clubes, imprensa e torcedores, a Federação Italiana decidiu reabrir as fronteiras futebolísticas. Para a temporada 1980/81, cada clube poderia ter um estrangeiro. Em 1982/83, poderiam ter dois.

Quem tinha dinheiro foi buscar jogador consagrado. A Juventus contratou o irlandês Liam Brady estrela do Arsenal. A Internazionale comprou Herbert Prohaska, destaque da seleção austríaca. A Roma reforçou-se com Falcão, fundamental para tornar o clube da capital no grande opositor da Juve na primeira metade dos anos 80. O Napoli foi atrás de Ruud Krol, veterano da Holanda vice-campeã mundial em 1974 e 78. A Fiorentina investiu em Daniel Bertoni, campeão do mundo com a Argentina em 1978.

Os clubes médios e pequenos tentaram jogadores financeiramente mais acessíveis. Três apostaram em brasileiros: Avellino (Juary, ex-Santos, um dos Meninos da Vila de 1978), Bologna (Eneas, ídolo da Portuguesa) e Pistoiese (Luís Silvio, destaque do Marília campeão da Copa São Paulo de 1979 que teve rápidas passagens por Palmeiras e Ponte Preta antes de ir à Itália).

Ações de marketing

Em 1979, o futebol italiano tentou mudar sua cara para se modernizar. Não o fez em campo, mas fora. Vários clubes lançaram novos distintivos, tentando passar uma imagem renovada. Esses escudos por si só mudaram pouco, mas se tornaram indiretamente símbolos da época de ouro do Campeonato Italiano. Mas os torcedores não gostaram da novidade, e os times voltaram aos distintivos originais no final dos anos 80 e começo dos 90.

Escudos versão anos 80 de Juventus, Roma, Milan, Fiorentina, Internazionale, Verona, Lazio e Torino
Escudos versão anos 80 de Juventus, Roma, Milan, Fiorentina, Internazionale, Verona, Lazio e Torino

O primeiro campeonato foi fundamental para mostrar que havia futuro para o Campeonato Italiano. Foi um torneio empolgante, e que ainda apresentou ao torcedor a possibilidade de times de fora do Norte lutarem pelo título. Até a antepenúltima rodada, Juventus, Roma e Napoli estavam separados por apenas dois pontos. Na penúltima rodada, os bianconeri venceram os napolitanos no San Paolo e tiraram os sulistas da disputa. Mas a briga com os romanos só se resolveu na última rodada, quando o time de Turim venceu a Fiorentina e manteve a ponta.

A empolgação dos italianos com o futebol voltou. As autoridades perdoaram parte das punições do escândalo de 1980. Além de ver algumas estrelas de volta a campo, o público teve uma nova temporada interessante, e também teve um protagonista que fugia do dualismo Milão-Turim. A Fiorentina de Antognoni, Giovanni Galli, Graziani, Vierchowod e Massaro encarou a Juventus de Zoff, Gentile, Scirea, Cabrini, Tardelli e Rossi. Os dois times chegaram à última rodada empatados, e a Juve só assegurou o título porque os florentinos empataram com o Cagliari. A temporada ainda terminou com um novo rebaixamento do Milan, campeão da Serie B que não se estruturou e caiu em campo.

Do mesmo jeito que o modo passional dos italianos agirem atrapalhou nas decisões erradas de fechar o mercado a estrangeiros, ele ajudou ao fazer que a empolgação rapidamente mudasse o rumo que o campeonato nacional tomava. O embalo só aumentou em julho de 1982, quando a Itália foi campeã mundial com uma equipe que tinha a Juventus como base.

Logo após a Copa do Mundo, houve a abertura da segunda vaga de estrangeiro para cada equipe. Uma nova leva de jogadores chegou, com destaques para os argentinos Daniel Passarella (Fiorentina) e Ramón Díaz (Napoli), o francês Michel Platini (Juventus), os poloneses Zbigniew Boniek (Juventus) e Wladislaw Zmuda (Verona), os brasileiros Dirceu (Verona) e Edinho (Udinese, que no ano seguinte ainda tiraria Zico do Flamengo), o alemão-ocidental Hansi Müller (Internazionale) e o inglês Trevor Francis (Sampdoria).

Um dos grandes duelos entre Juventus e Roma, um 2 a 2 no primeiro turno da temporada 1983/84. Atenção para o gol de Pruzzo que empatou a partida nos acréscimos

A relevância internacional voltou rapidamente. Em 1982/83, a Juventus foi até a decisão da Copa dos Campeões, vencida pelo Hamburg. Na temporada seguinte, a Roma chegou até a final, disputada no estádio Olímpico, e caiu nos pênaltis para o Liverpool em um desempenho marcante do goleiro Bruce Grobbelaar.

Estava tudo pronto para o Campeonato Italiano se recolocar como a grande liga nacional da Europa. Em maio, o Comitê Executivo da Fifa elegeu a Itália como sede da Copa de 1990, vencendo a União Soviética por 11 a 5. Isso incentivou ainda mais os clubes a se reforçarem, pois a empolgação do público já era grande e haveria investimentos na modernização ou construção de estádios.

O mercado ficou ainda mais agitado. Os clubes pequenos e médios também entraram na jogada. O Napoli, clube de gastos medianos e nenhum scudetto, surpreendeu ao contratar Maradona, astro do Barcelona. Quase todos os grandes jogadores do mundo estavam na Serie A, e ainda surgiam jogadores italianos muito promissores para suceder a geração campeã de 82. Platini? Estava na Itália. Rummenigge? Estava na Itália. Maradona, Boniek, Passarella? Também. E a base da espetacular seleção brasileira de 1982? Sim, seis jogadores no Italianão.

Olha só as estrelas que estavam em gramados italianos na temporada 1984/85:

Ascoli: Dirceu (Brasil);
Atalanta: Strömberg (Suécia) e Donadoni (Itália);
Avellino: Ramón Díaz (Argentina);
Como: Hansi Müller (Alemanha Ocidental);
Cremonese: Zmuda (Polônia);
Fiorentina: Sócrates (Brasil), Passarella (Argentina), Galli, Gentile e Massaro (Itália);
Internazionale: Rummenigge (Alemanha Ocidental), Brady (Irlanda), Giuseppe Baresi, Altobelli, Bergomi, Collovatti e Zenga (Itália);
Juventus: Platini (França), Boniek (Polônia), Scirea, Cabrini, Rossi e Tardelli (Itália);
Lazio: Michael Laudrup (Dinamarca) e Giordano (Itália);
Milan: Hataley e Wilkins (Inglaterra), Virdis, Filippo Galli, Franco Baresi, Maldini e Tassotti (Itália);
Napoli: Maradona (Argentina);
Roma: Falcão e Cerezo (Brasil), Ancelotti, Graziani, Giannini e Bruno Conti (Itália);
Sampdoria: Souness (Escócia), Francis (Inglaterra), Mancini, Vialli e Vierchowod (Itália);
Torino: Júnior (Brasil), Schachner (Áustria) e Serena (Itália);
Udinese: Zico e Edinho (Brasil) e Carnevale (Itália);
Verona: Briegel (Alemanha Ocidental), Elkjaer (Dinamarca), Fanna e Galderisi (Itália).

A empolgação com esse Supercampeonato Italiano era tão grande que chegou ao Brasil. Com mais da metade da Seleção em campo, a Globo decidiu transmitir o torneio nas manhãs de domingo. Veja a chamada abaixo:

A emissora não deu sorte: Zico e Falcão voltaram ao Brasil no meio da temporada, Sócrates foi mal e a disputa do título não foi tão emocionante. Em um torneio em que os melhores jogadores do mundo se espalhavam pelos clubes, ganhou um que não chamava tanto a atenção. O Verona perdeu apenas dois jogos, liderou da primeira à última rodada, em uma campanha tão surpreendente que ficou conhecida como “Il Verona del Miracolo”.

Apesar da surpresa no Campeonato Italiano, o domínio europeu começava a voltar. A Juventus conquistou a Recopa em 1983/84 e a Copa dos Campeões em 1984/85. No ranking de campeonatos da Uefa, a Itália pulou de 12º lugar em 1982 (atrás até da Suíça) para 2º em 1985 (superada apenas pela Inglaterra). Uma situação que não demoraria a mudar.

A decisão da Copa dos Campeões de 1985 ficou marcada pela morte de 39 torcedores da Juventus em uma confusão causada pelos seguidores do Liverpool. A Inglaterra foi suspensa de competições continentais, o que iniciou uma decadência dos clubes britânicos e abriu ainda mais espaço para a Itália se tornar hegemônica na Europa.

No capítulo desta quarta, o auge do Campeonato Italiano.

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[Especial Itália 80/90] Como um norte-coreano derrubou todos os clubes italianos

Na tentativa desesperada de crescer após uma derrota humilhante, a Itália acabou se enfiando no buraco

Italianos são passionais, e nem sempre tanta paixão é canalizada do modo adequado. A direção do futebol local é um exemplo, e não primou por racionalidade nos momentos de crise em meados do século passado. Com isso, fizeram que os clubes italianos tivessem quase 15 anos de muito sofrimento continental devido a um golzinho, o da foto acima, marcado por Pak Doo-Ik na vitória da Coreia do Norte por 1 a 0 sobre a Azzurra na Copa de 1966.

Para entender essa história, é preciso voltar ainda mais no tempo, nos escombros da Segunda Guerra Mundial. Até 1946, o futebol italiano teve grande contribuição de jogadores estrangeiros, praticamente todos descendentes de imigrantes nascidos na América do Sul. A partir daquele ano, a federação abriu o mercado para não-descendentes. O Milan se aproveitou e eternizou o trio Gre-No-Li, com os atacantes suecos Gren, Nordhal e Liedholm. Mas Puskás apareceu no caminho.

Em 1953, a Itália perdeu por 3 a 0 para a Hungria, grande potência mundial da época. No calor do momento, o governo italiano vetou a entrada de estrangeiros no futebol. Apenas descendentes com direito a nacionalidade teriam permissão para defender os clubes da Serie A. Em teoria, a medida deveria incentivar o desenvolvimento de talentos locais, mas piorou a situação: a Itália caiu na primeira fase na Copa de 1954 e 1962 e não passou pela Irlanda do Norte nas Eliminatórias de 1958.

Aí veio a derrota humilhante para a Coreia do Norte no Mundial de 1966. Difícil imaginar como o futebol italiano poderia se afundar mais. A solução? Vetar completamente os estrangeiros, mesmo os descendentes de italianos.

A Itália foi campeã da Eurocopa em 1968 e vice do mundo em 1970, mas não dá para creditar essas conquistas ao fechamento de fronteiras. Primeiro, porque os jogadores dessas campanhas não surgiram após a mudança de regras. Segundo, porque ainda havia estrangeiros na Itália nesse período (foi vetada a contratação de novos forasteiros, mas não se expulsou quem já estava por lá).

Quem sentiu mesmo o impacto da medida, e negativamente, foram os clubes. Apesar dos problemas da Azzurra, os clubes tinham sucesso nas competições internacionais. Na década de 1960, o Milan conquistou duas Copas dos Campeões e uma Recopa, a Internazionale levou outras duas Copas dos Campeões, a Fiorentina teve uma Recopa e a Roma ganhou uma Copa das Feiras. Apenas a Espanha tinha currículo mais vitorioso.

Mas a proibição a estrangeiros pós-1966 derrubou todos os clubes italianos gradualmente. O Milan venceu a Copa dos Campeões em 1968/69, mas, entre 1969/70 e 1979/80, a Itália chegou a apenas seis finais continentais:

1971 – Juventus perde do Leeds United na Copa das Feiras
1972 – Internazionale perde do Ajax na Copa dos Campeões
1973 – Juventus perde do Ajax na Copa dos Campeões
1973 – Milan vence o Leeds United na Recopa (vídeo abaixo)
1974 – Milan perde para o Magdeburg na Recopa
1977 – Juventus vence Athletic Bilbao na Copa da Uefa

É um retrospecto ridículo para um país que era uma potência pouquíssimo tempo antes. Foram seis decisões, e apenas dois títulos, em 33 torneios disputados. Na temporada 1979/80, a Itália caiu para o décimo lugar no ranking de ligas da Uefa, atrás de Alemanha Ocidental, Inglaterra, Bélgica, Espanha, Holanda, Alemanha Oriental, União Soviética, França e Iugoslávia. Um rendimento tão sofrível que a Serie A perdeu duas vagas para a Copa da Uefa. Em 1980/81, os italianos teriam apenas dois representantes no torneio.

A Serie A estava no buraco, e como ela juntou os cacos e se tornou no maior campeonato do mundo em apenas cinco anos será contada nesta terça, na segunda parte do especial.

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Cinco jogos em que nevava mais que em Galatasaray x Juve

Veja que dá para (tentar) jogar futebol em condições ainda piores que as de Istambul nesta terça

A importância do jogo justifica a paralisação. Galatasaray x Juventus era um confronto direto por uma vaga no mata-mata da Liga dos Campeões, e realizar a partida em condições longe das ideais poderia ser perigoso para os atletas e criar uma situação de realidade distorcida. Assim, a decisão do árbitro português Pedro Proença de suspender a partida aos 32 minutos do primeiro tempo é justificável. Mas não diga que foi uma nevasca fora do comum. De fato, caiu muita neve em um período curto de tempo, mas várias outras partidas de futebol, algumas delas bastante importantes, foram disputadas em condições climáticas ainda mais rigorosas.

Para mostrar isso, listamos aqui cinco partidas em que havia mais neve que em Galatasaray x Juventus. Veja só.

Estados Unidos 1×0 Costa Rica, 2013

Jogo de Eliminatórias de Copa do Mundo, não dá para achar que era coisa pequena. Os norte-americanos marcaram a partida para Denver em março, sabendo que estaria bastante frio e isso atrapalharia os costarriquenhos. Mas nem os anfitriões imaginavam que estaria essa nevasca toda. Os centro-americanos reclamaram, pediram anulação da partida, mas não teve jeito.

Porto 2×1 Peñarol, 1987

Final do Mundial Interclubes. O curioso é que o Peñarol não jogou com a camisa listrada, mas com uma toda amarela. Ou seja, um time amarelo, outro branco com listra azul, e o piso todo branco de neve. Não dá para ver quase nada.

Dinamo Zagreb 1×1 Dynamo Kiev, 2012

Jogo de Liga dos Campeões. É verdade que os dois times já estavam eliminados, e o Dinamo de Zagreb nem tinha mais esperanças de tirar dos ucranianos a vaga na Liga Europa. Então, já que era só para cumprir tabela, para que esticar essa tabela adiando jogo?

Rússia 1×1 Itália, 1997

Jogo de ida de repescagem da Copa do Mundo. Nevou muito antes do jogo, mas deu uma diminuída boa na hora de a bola rolar. Desse jeito, a maior parte da partida foi disputada sem neve em campo, mas a situação do gramado ficou muito mais lamentável que no Galatasaray x Juventus desta terça. No final da partida, a nevasca voltou, mas o gramado continuou nesse marrom de barro.

Estônia 2×0 Canadá, 2008

Partida amistosa que não valia nada, mas entra na lista porque a neve foi realmente forte. Veja como a bola escorrega no chão branco, quase um gelo. Talvez os canadenses tivessem mais chances se tivessem jogado de patins e tacos.

Guia Trivela da Copa das Confederações Brasil

É momento de começar a se preparar para a Copa: o país-sede, as seleções, a imprensa e até vocês, leitores

Quem trabalha com estabelecimentos comerciais conhece o conceito de “soft opening”. É uma semi-abertura, para receber um pouco de público/clientes e testar um pouco o sistema de operação. Por exemplo, um hotel tem sua inauguração oficial marcada, mas faz uma “soft opening” (perdão pela repetição do anglicismo) algumas semanas antes, abrindo reservas para alguns quartos para a equipe ir afinando o trabalho.

Então, dá para dizer que a Copa das Confederações é a “soft opening” da Copa do Mundo. Não é preparação no sentido estrito, porque a demanda é incomparavelmente menor em diversos aspectos (e mostramos isso nesta reportagem). Mas serve de aquecimento, e para que todo mundo comece a entrar e sintonia para o que ocorrerá daqui um ano.

Isso vale para todos os agentes envolvidos com a Copa. Vale para o país-sede, que percebe o que precisa ser ajustado (e, pelo que temos visto, o Brasil terá uma lista enorme de ajustes a fazer). Vale para as seleções, que podem avaliar seu nível técnico em uma competição. Vale para a imprensa, que conhece a infraestrutura e ganha intimidade com os temas que rondarão a cobertura do Mundial. E vale até para o torcedor, que já vai entendendo o que é preciso fazer para acompanhar tudo de perto.

Aqui vai o aquecimento da Trivela. Para começar, apresentamos duas reportagens especiais, mostrando até que ponto a Copa das Confederações é realmente uma preparação para o país-sede e como as nações que receberiam o Mundial já criavam seus eventos-teste antes de a Fifa oficializar um. E, claro, a apresentação das seleções. E de um jeito mais profundo possível: todas as seleções, jogador por jogador. Assim,você sabe o que esperar de cada figura que entrar em campo (ou que estiver no banco como opção).

HISTÓRIA

Os precursores da Copa das Confederações

ESPECIAL

Até que ponto a Copa das Confederações realmente testa um país?

AS SELEÇÕES

Grupo A

BrasilJapãoMéxicoItália

Grupo B

EspanhaUruguaiTaitiNigéria